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BÖLÜM 3: VERGİ REKABETİNİN TÜRKİYE’YE YANSIMALARI

3.2. Vergi Rekabetinin Etkilerinin Türkiye Açısından Değerlendirilmesi

3.2.1. Türk Vergi Sisteminin Yapısında Meydan Gelen Değişiklikler

3.2.1.2. Türkiye’de Diğer Vergilerde Gözlemlenen Gelişmeler

O caminho percorrido pelo processo investigativo, seja por meio da pesquisa bibliográfica, seja pela pesquisa empírica, permite que façamos algumas considerações, mesmo sem a pretensão de torná-las conclusivas, mas defendendo o pressuposto de que somos seres em construção num devir que nos permite o aprimoramento contínuo, a abertura para novas descobertas e a certeza de que é o inacabado que possibilita a busca a qual, por sua vez, gera a aprendizagem, considerando a pesquisa como meio privilegiado de construção do conhecimento.

Portanto, a não-conclusão é a ratificação da postura despretensiosa do pesquisador que sempre deixa abertas portas que possam ser abertas por novas “chaves hermenêuticas”. No entanto, queremos apresentar algumas considerações que permitirão outras discussões.

Considerando a complexidade que envolve a Igreja Católica no Brasil, seria uma pretensão absurda querer dar conta de uma análise estrutural de sua realidade atual, evidentemente, o nosso estudo traz alguns “flashes” da conjuntura, sempre considerando a estrutura como o “iceberg”, cuja ponta seria a própria conjuntura, que se inclinaria ora para um lado, ora para outro.

Percorrendo o texto de Libânio (2001), queremos apontar dois lados da conjuntura da Igreja Católica no Brasil, reveladora da direção social e subjetiva que orienta a vida dos seus fiéis.

Descortina-se o cenário de uma Igreja carismática, onde o carisma triunfa sobre a instituição; a subjetividade se impõe sobre a lei objetiva; o controle normativo, presente nas ações litúrgicas, dá lugar à exuberância da emoção, fazendo prevalecer um clima religioso cada vez mais caracterizado pela participação mística. (Libânio, 2001, p. 49).

No espaço místico há o encontro com o transcendente, com o Outro Absoluto, mudando a forma de ser e agir da pessoa, ocorrendo, então, a irrupção de um novo sujeito.

“eu me sinto em comunidade onde todos estão atrás do mesmo fim, embora, às vezes, você perceba que o grupo é muito grande que nem se fosse numa missa carismática

você percebe que muitos vêm aí pra buscar uma cura só e vai embora, sabe? Vem buscar o Jesus mágico que faz e aí “posso embora, tudo bem e até esqueço”. Mas quando eu tô assim mais com meus irmãos mesmo, eu sinto assim que é a unidade da Igreja e principalmente o amor de Deus sobre mim, mas eu sou um grãozinho de areia, eu sei que O amo, mas Ele me ama muito mais. É isso que eu sinto: a presença de Deus e o amor de Deus”. (S.R.P.F.).

Vislumbra-se, nesse cenário, a busca de uma experiência religiosa cada vez maior, capaz de trazer consolo e paz frente ao mundo neurotizante e estressante no qual vivemos. Esta busca de experiências espirituais revigoradoras parece estar na base das opções religiosas que caracterizam o re-encantamento, um novo triunfo do sagrado, agora sob nova roupagem.

Tal surto religioso cumpre uma função de busca de identidade no interior do processo de privatização da identidade individual. (...) O enfraquecimento da tradição conduziu o indivíduo à sua interioridade. E a religião participa da perda de credibilidade das instituições e ganha à medida que ela responde aos anseios da subjetividade. Praticam-se “adesões parciais”, processa-se fácil trânsito de uma religião para outra. Esse traço de espontaneidade, fluidez e mobilidade religiosa tem gerado insegurança, a qual, por sua vez, tem provocado a busca de grupos autoritários, rígidos, fundamentalistas. Quadro paradoxal. (Libânio, 2001, p. 50).

Diante desse cenário de busca de novas formas de expressões religiosas que dêem conta de oferecer sentido novo à vida, destacando-se mais a busca dos aspectos subjetivos da vivência da fé que a sua materialização social, assistimos a um cenário de crise das militâncias focadas na participação política e a um certo deslocamento para a participação mística.

Este surto religioso e carismático, com ênfase na experiência no Espírito como força multiplicadora de carismas e dons distribuídos aos membros do MRCC, é que verificamos nos relatos e caracteriza um tipo de sujeito-em- constituição por meio de uma participação mística nas celebrações do “encontro com o sagrado” que se impõe por sua própria força de sedução. “É uma alegria, né? eu falo que Jesus transformou a minha vida, então é uma alegria.

Tudo, ele é tudo pra nós, né? a RCC veio assim pra preencher o que estava faltando. Faltava algo, mas a gente não sabia o que era. Hoje, não. A gente já sabe o que é a RCC dentro da Igreja, é necessário. E se não houvesse a RCC hoje, as Igrejas, eu acredito, que estariam vazias porque só o sacerdote ele não conseguiria. E quantas pessoas nós encontramos em mercado, onde você sair, a gente evangeliza, né? então, e fala, né? do amor de Jesus. o que você precisa passar é o amor de Jesus. é através do amor de Jesus que as pessoas vem pra Igreja”. (M.L.L.S.).

Nesse depoimento de transformação da vida, percebemos a irrupção de um sujeito que se firma na ação.

Essa força sedutora, como já observamos, chega a produzir transes capazes de arrebatar o potencial desejante e afetivo para alguma experiência do transcendente, identificada com o sagrado. (Libânio, 2001). Esse movimento pode ser visto como reação à igreja católica institucionalizada, a qual em suas ações se distanciara dos aspectos místicos e do mistério, enfatizando apenas o caráter articulador da comunidade ou a práxis ético-transformadora da realidade. Como vale a pena lembrar o alerta para as pastorais sociais feitas por Betto:

Os partidos políticos estão começando a perder o pudor e a discutir a questão da subjetividade. No fundo, tenho a impressão de que vamos chegar à questão da mística mesmo. É um pouco aquela idéia de que não sabemos nada da química do solo, mas daqui a pouco vamos nos sentar à mesa e comer batata, alface...coisas que dependem da química do solo. Alguém entende disso para produzir os frutos que consumimos.

Será que é possível construir homens e mulheres novos sem falar em mística? A mística está para esta questão assim como a química do solo para produzir bons frutos. Temos que quebrar o tabu e o preconceito de falar sobre esse tema, que precisa ser discutido na porta do café, porque senão repetiremos o erro de nossos companheiros do socialismo, com toda uma ideologia objetivista das coisas, sem considerar a questão da subjetividade. (Betto, 1994, p. 51).

Quando, com Covre (1996), situamos a Desejo como elã da vida, nos referimos a essa possibilidade de nos constituirmos como sujeitos desejantes de uma nova realidade, sendo impulsionados pelo Desejo para frente, rumo à realização.

Sendo assim, podemos dizer que é a força propulsora e sedutora do sagrado que desperta o desejo de um novo tipo de seguimento, muito mais focado no mistério e na adesão orante a um Deus que vem ao encontro das necessidades humanas quer sejam materiais, psíquicas ou espirituais. De certa forma, por meio do encontro, temos a satisfação das necessidades de uma maneira mais imediata, mesmo que muitas vezes ilusória.

Podemos dizer que este cenário de Igreja, aqui entendido como direção mais subjetiva, identificada pela participação mística e pela construção de um sujeito espiritualizado, é propicio neste início de milênio, quando pairam as dúvidas e incertezas, considerando a sociedade de risco, característica da Alta

Modernidade, em processo de repensar os seus paradigmas (Giddens, 1991) e também como contraposto ao império da razão instrumental.

Descortina-se neste cenário de Igreja o espaço um novo sujeito identitário que caracterizará a direção da Igreja Católica voltada para a sensibilidade, para a criatividade, para as expressões corporais, para a emotividade, para uma “cara menos fechada” de Igreja.

Assim, o social e o subjetivo se manifestam como encontro com o “perdido”, com o “esquecido”, como forma de resgate. A mudança interior é a condição para lidar com os problemas da vida, pois o enfrentamento das adversidades do cotidiano só é possível pela força do Espírito que possibilita o equilíbrio interior capaz de conduzir às ações sociais como a de “curar”, “transformar” o outro pela constante oração e pela prática da solidariedade.

“Então você começa na sua casa, você vai orando...orei e meu marido foi transformado. Orei, meu marido foi liberto do álcool. Orei pelos meus filhos, eu já vi muitas curas. Meu filho tinha uma pedra no rim enorme...eu orei e ele expeliu essa pedra, não tinha como, foi um milagre, tinha que implodir essa pedra de tão grande que era e ele expeliu a pedra. Então, você vai vendo, eu já impus minhas mãos numa pessoa com aids e ela ficou curada da aids, você vai vendo os frutos assim”. (E.L.G.S.)

Neste mesmo cenário convive um outro rosto, uma outra face de Igreja. Com um sujeito identitário que emerge da participação política, evidenciando uma Igreja da práxis libertadora, voltada para a opção preferencial pelos pobres, com claro deslocamento da vivência da fé dos grandes templos para a periferia do mundo, próxima dos que são excluídos e, por isso, preferidos. Esse cenário de Igreja, presente nos discursos dos membros das CEBs, configura um perfil diferenciando de sujeito que se constitui na práxis transformadora, considerando a ação de intervenção social como critério de julgamento da prática verdadeira da fé.

A Igreja estruturada em paróquias começa a conviver com comunidades eclesiais de base. No novo cenário, ela se pensará toda organizada em CEBs; Passar-se-á de uma Igreja com CEBs para uma Igreja de CEBs. A diferença consistirá fundamentalmente em que o poder central da matriz, consubstanciado no pároco, cederá lugar a coordenações compostas pelos animadores das CEBs, escolhidos por determinado tempo pelos membros da comunidade. (Libânio, 2001, p. 99).

Vislumbra-se neste cenário a idéia de uma Igreja descentralizada, dividida em pequenos núcleos. A matriz tornar-se-á ponto de referência para todas as demais comunidades implantadas a partir da sua base. A idéia de ir ao encontro dos “católicos afastados” é pensada, na primeira direção, como resgatar e trazer para o centro; na segunda, é seduzi-los pelo testemunho transformador, engajando-se nos problemas locais.

Nessa perspectiva de Igreja, temos evidenciada uma direção para a construção de uma rede de relações, ou uma rede de comunidades, que vivenciarão a partir do seu próprio contexto as experiências de fé, sempre direcionadas para a mudança da realidade onde estão inseridas, assim, a vivência sacramental e as atividades pastorais serão descentralizadas, sem deixar de haver alguns encontros com todas as comunidades para reforçar a identidade paroquial.

Nessa direção, a Igreja das CEBs promoverá a convergência das diversas culturas, num processo de inculturação, ou seja, a assimilação dos valores e princípios próprios de cada cultura, promovendo o encontro com o Evangelho sem descaracterizá-las, como fora feito no passado por meio da aculturação.

Temos, assim, de um lado uma direção em que o sujeito participante é chamado a evangelizar, por meio do apoio da instituição com uso maciço dos meios de comunicação de massa; e por outro a presença de um sujeito participante inserido na realidade, em diálogo com a cultura dos “oprimidos” visando a uma evangelização inculturada.

As chances de êxito desse cenário fundam-se na tradição de Medellín-Puebla das últimas três décadas. A Igreja da libertação conseguiu presença significativa em nosso continente. Poderá prosseguir com tal vitalidade. É uma tradição ainda muito recente. Tem muitos elementos a serem desenvolvidos. Abre-se-lhe largo horizonte de possibilidades. (Libânio, 2001, p. 126).

Os encontros latino-americanos dos bispos, tanto em Medellín (1968) como em Puebla (1979), fizeram ressoar um tipo de Igreja de engajamento das situações concretas da vida, dando força aos movimentos e pastorais sociais. No entanto, a ação pastoral ficou carente da orientação mística, necessitando de um processo reflexivo de repensar a ação e inundá-la da dimensão espiritual.

Percebemos nas duas unidades de pesquisa a presença do sujeito-em- constituição, independente da força que possuem em cada contexto, concebendo que a ênfase no social ou no subjetivo varia de acordo com o momento histórico, considerando, entretanto, que, na Alta Modernidade, a tendência é o enfoque sobre a dimensão mística.

Portanto, em cada um dos movimentos, percebemos a irrupção do sujeito resultante do Desejo que impulsiona para a vida e conduz as pessoas às práticas de transformações sociais a partir da consolidação dos elementos subjetivos, capazes de compor a auto-imagem individual e coletiva, possibilitando um novo tipo de ação social, seja para dar conta dos conflitos internos e fazer, via participação mística, a pessoa se sentir melhor diante da vida, seja para dar conta da realização por meio da inserção social, via participação política, e realizar-se na realização do outro.

As direções social e subjetiva, presentes no interior da Igreja Católica no Brasil, podem ser pensadas, portanto, a partir destes dois cenários. Neles notamos a irrupção de dois sujeitos e, diante dessa tendência, ao colocá-los em oposição podemos questionar:

Qual a possibilidade, considerando os encaminhamentos paradoxais da Igreja, de construir a unidade nessa diversidade? A Igreja da Libertação precisa ser envolvida pelos aspectos apaixonantes e sedutores da Igreja Carismática que reacende a necessária experiência espiritual e a pertença comunitária como meios essenciais para a vivência da fé? A Igreja da “libertação” precisa aprender com os carismáticos a recuperar a idéia de conversão pessoal, identificada na mudança moral da vida pessoal, familiar e profissional, reforçando a idéia do eterno devir, num processo de mudança contínua, assumindo a nossa condição de sujeitos provisórios? Aprender com o sujeito do MRCC a resgatar a emoção na expressão corporal, nos gestos e cantos para efetivar uma participação caracterizada mais pelo coração do que apenas pela razão? Aprender o reforço à identidade católica, entre outros aspectos que são valores que fazem com que o sujeito de participação mística consiga, de fato, renovar o interior da Igreja?

Por outro lado, a Igreja Carismática precisa aprender, com a direção proporcionada pelo sujeito participante da Igreja Libertadora, a superar o

emocionalismo, responsável por algumas práticas que julgamos extravagantes como a de o Padre Marcelo Rossi jogar água benta utilizando uma brocha.

Evitar-se-ia, assim, a banalização do sagrado, tendo em vista que a emoção religiosa precisa ser espiritualizada? Aprender-se-ia a assumir um maior compromisso social de forma mais explícita, orientando os fiéis para não ficarem presos ao caráter assistencialista? E, por fim, assim como a participação política precisa do encontro com a subjetividade, a participação mística precisaria do encontro com a realidade? Como promover este encontro no interior da Igreja, considerando a sua história de ambigüidades?

A partir do que expusemos, verificamos que a identidade da Igreja Católica no Brasil está em processo de construção permanente, se considerarmos que, em cada período, novos sujeitos emergem procurando acompanhar as mudanças vertiginosas que caracterizam o nosso tempo. Assim temos uma identidade católica com fundamentos transcendentais imutáveis, mas que para garantir a identificação dos seus fiéis é sempre um devir.

Constatamos desta maneira, que a Igreja, desde os seus primórdios, está em constante busca de consolidar a sua identidade, no entanto, as respostas que procura dar às situações sócio-históricas e culturais, independente dos interesses ideológicos que muitas vezes permearam a tomada de decisão e delinearam uma determinada estratégia, promovem diferentes posicionamentos, gerando as ambigüidades que tivemos a oportunidade de verificar, na construção de sua própria história.

Esses processos bifurcados de posicionamento fazem surgir tipologias diferenciadas, como as apresentadas por Cândido Procópio Ferreira de Camargo, assim como oferecem direções desencontradas que afastam os fiéis e negam o sentido de comunhão.

Por entendermos o estudo das ciências sociais como instrumento para melhor compreender o ser humano como ser de relação com os outros, podendo contribuir com o avanço investigativo para a melhoria da qualidade desta relação, entendemos também que o estudo sobre a igreja, com a pretensão científica, poderá contribuir para que os aspectos mensuráveis da relação do ser humano com o Sagrado ofereçam a possibilidade do encontro- aprendiz com o diferente, capaz de fazer gerar a felicidade plena e unir as

direções sociais e subjetivas para que na diversidade e na pluralidade sejamos capazes de construir a unidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sujeitos-em-Constituição no Interior da Igreja Católica:

Rumo a uma Prática Cidadã

Q

uando nos lançamos neste processo investigativo, várias foram as questões que nos impeliram para a busca. Um dos aspectos relevantes discutidos neste processo de busca são as mudanças seculares que impulsionaram as mudanças da Igreja Católica, partindo como marco histórico referencial do advento da modernidade e uma nova forma de concepção do ser humano/ser social e do cosmos.

A Igreja teve sempre que se preocupar em acompanhar, embora muitas vezes com atraso, as mudanças históricas, sobretudo, quando percebia que as mudanças impactavam sobre a sua forma de ser e agir no mundo, questionando ou até mesmo ameaçando a sua hegemonia.

Interessa para as ciências sociais esta relação entre Igreja e modernidade, considerando que as instituições religiosas de uma forma geral, procuram sempre dar respostas aos anseios vivenciados pelos homens e mulheres de cada período histórico, sobretudo os provocados pelo sentido mais moderno de “desencantamento” do mundo, sentido apresentado por Weber (2000) que sinaliza para a eliminação da magia enquanto técnica de salvação, apontando também a perda do poder religioso sobre as representações gerais que os homens fazem do mundo e da sua existência, reflexo do racionalismo, valor supremo da modernidade.

Na busca de um “re-encantamento” do mundo, as Instituições religiosas, destacadamente a Igreja Católica considerando o espaço que ela ocupa no mundo ocidental, se rearticulam, repensam as suas práticas e assumem posturas novas como novas formas de respostas. Cabe, portanto, às ciências sociais, com o objetivo de procurar entender o homem na sua relação com o outro, assumir cada vez mais como um de seus campos de investigação o estudo da Religião como espaço de relação com o outro e o Outro Absoluto, verificando como as constantes alterações provocadas pelas vertiginosas mudanças despertam novas formas de expressão, novos métodos, novos

símbolos e novas linguagens que procuram re-significar a relação do humano com o sagrado.

Nesta tentativa de resposta, percebemos a presença marcante da ambigüidade de opções que contribuíram para caracterizar modelos antagônicos de uma Igreja que em muitos momentos colocava em risco a sua própria comunhão interna.

A Igreja Católica, marcada pela trajetória da cristandade, atravessou a Idade Média e desembarcou no Brasil. A partir das grandes descobertas e do Renascimento, sob o impulso da revolução científica do século XVI e da filosofia cartesiana, viu despontar uma nova imagem do mundo, caracterizada pela mobilidade e progressão contínua. Culminando com o iluminismo, abriu as portas para o uso desenfreado do racionalismo reforçador do individualismo entre outros valores sustentadores do liberalismo, presente hoje sob o signo neoliberal.

A necessidade de combater os “efeitos” da modernidade produziu o fechamento da Igreja em torno de si mesma. Baseada na visão sagrada de mundo, a Igreja virou as costas às conquistas da era moderna, transformando- se em fortaleza e emergindo como um contra-sinal do progresso histórico da humanidade. O mundo exterior era tido como “perigoso” e a Igreja se definia como “sociedade perfeita”. O homem para ser “perfeito” tinha de negar os valores propostos pela sociedade e aderir aos valores da Igreja como sociedade perfeita, considerando que o cristão “não era do mundo”, esquecendo-se que ele estava no mundo.

Vimos que, no Brasil, esta característica marcante do projeto de cristandade é assumida, num primeiro momento, como defesa contra os valores modernos, para depois, num segundo momento numa espécie de neocristandade, substituir a atitude defensiva, após a “ruptura” entre Igreja e Estado, pela atitude de afirmação católica sobre a sociedade brasileira.

Dom Sebastião Leme, arcebispo do Rio de Janeiro (1921-1942), esteve à frente desse movimento, buscando fazer valer a fé católica como elemento constitutivo da sociedade brasileira. Num primeiro momento a Igreja assume a feição de um “nacionalismo católico” de caráter conservador, entre as décadas