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BÖLÜM 2: ULUSLARARASI KURUMLARIN VERGİ REKABETİNE

2.5. Uluslararası Kurumların Vergi Rekabetine Bakışının Eleştirisi

No MRCC a linguagem é extremamente importante, pois a partir dela se dá o desvendar do sujeito que assume um novo tipo de ação, por meio da composição da identidade e da auto-imagem, mesmo que provisória, considerando que a dinamicidade interna do movimento não permite uma imagem consolidada de si, mas em constante mudança, o que para os membros é representado pela palavra “crescimento”, como relata I.A.R.O

“RCC pra mim é tudo. É crescimento, é animo, é tudo, não sei te explicar. É tudo de

bom da minha vida.”

Para a compreensão da formação subjetiva do membro, faz-se necessário deixar emergir das falas os sentimentos que revelam como se dá a relação com o outro, pois a alegria da pertença é reflexo também da aceitação e acolhimento do outro, tendo em vista que o sujeito constitui-se a si próprio mediante o seu confronto tanto com sua própria imagem quanto com o "outro", em um processo contínuo de transformação.

Para perceber os sentimentos em relação à pertença ao grupo, no processo de escuta, duas questões do roteiro para os depoimentos foram de grande pertinência e relevância, a indagação sobre como o depoente se sentia em participar do grupo e qual o momento mais forte de sua participação. Benedetti (2001), ressalta que entre as terminologias comumente utilizadas, o verbo “sentir” está sempre presente, expressando o sentimento de mudança interior por meio do envolvimento com o grupo. O relato de E.L.G.S. expressa o sentimento de uma relação direta com Deus.

“eu sinto a presença de Deus. Eu sinto Deus falando no meu coração, ouvindo essa

locução interior que o padre tava apresentando hoje. Eu sinto tudo isso. Deus fala comigo, eu tenho essa convicção de que Deus tá presente, que Jesus é vivo na hóstia consagrada, eu vou me abrindo e Deus vai falando e dando os carismas, os dons que Deus dá”.

A narrativa que evidencia o sentimento mostra a relação com o sacramento. A certeza da presença de Jesus na Eucaristia é motivo de

comoção e adesão dos membros que chegam ao delírio quando participam da missa e o padre expõe a hóstia no ostensório28.Carranza relata:

...capa da revista IstoÉ com a fotografia do Pe. Marcelo Rossi que, segurando um ostensório, permitia que pessoas portando velas, terços e fotografias tentassem aproximar-se dele e do objeto sagrado. Observou-se que a prática de passear com o Santíssimo (a hóstia no ostensório) no meio dos fiéis, após uma missa ou hora santa, cria momentos de intensa comoção entre o público e, algumas vezes, histeria coletiva. (2000, p. 97).

A citação fundamenta uma prática comum no MRCC, elucidada por

I.A.R.O ao falar do momento mais forte para ela.

“....a missa é linda, maravilhosa e o momento mais importante é a eucaristia, tá? Esse é o momento em que você recebe a eucaristia...esse é o momento mais importante. Pra mim a eucaristia é em primeiro lugar e o forte é a ora que Jesus passa, passeando no meio da gente. Eu acho que ali é uma entrega de todo o povo de Deus. É a hora que todo o povo espera, passe e toque cada coração, cada pessoa. Ele cure cada um de nós porque nós precisamos de cura”.

A narrativa de Prandi corrobora, em detalhes, o relato anterior, ao descrever uma experiência de missa de cura:

Para os ritos finais o padre convida, para caminhar entre os fiéis, “a pessoa” mais importante do evento: Jesus. Com um manto vermelho colocado naquela hora sobre a túnica, o padre toma o ostensório nas mãos e inicia a procissão do Santíssimo Sacramento. Os presentes vibram, cantam, deliram. Todos querem tocar o Santíssimo e pedir-lhe bênçãos. O padre percorre toda a nave da Igreja e também vai ao pátio, de onde muitos fiéis assistem a missa. Ao retornar ao altar, o padre dá a bênção final com o Santíssimo Sacramento e assim, após três horas, chega ao fim a missa de cura. (1998, p. 67).

Sobre a Eucaristia como centralidade, temos outros relatos que expressam este sentimento e caracterizam a proximidade sacramental dos membros da RCC.

“eu busco muito na eucaristia, o Senhor. Eu venho muito buscar o Senhor na eucaristia e o Senhor me renova. O Senhor faz que eu supere os problemas mais facilmente”.

(M.B.R.L.)

28 Material litúrgico utilizado para expor a hóstia grande para a adoração ao Santíssimo Sacramento. Rito que manifesta a certeza dos católicos da presença permanente de Jesus no pão eucarístico, após ser consagrado pelo sacerdote (transubstanciação). O uso do ostensório pode ser observado em alguns momentos de oração durante o ano, denominados de hora santa ou adoração, prática freqüente nas Igrejas que possuem grupos e RCC. Também nas práticas de religiosidade popular como a procissão de Corpus Christi e a transladação do Santíssimo Sacramento, ou seja, a procissão do Santíssimo nas igrejas na Quinta-feira Santa, para a adoração.

“Têm pessoas que têm depressão. Têm pessoas que melhoram sim. A pessoa tem que

perseverar também, né? tem que estar buscando a eucaristia todos os dias, tá sempre orando”. (R.S.O.)

“A eucaristia me sustenta. Então, é ali que a gente encontra força. A força tá ali e

muitas pessoas vem pra missa e não sabe. Hoje não, hoje, com a graça de Deus, nós temos sacerdotes renovados. Sacerdotes que estão buscando, entendeu? E a gente procura assim, todo dia pedir santidade, né? na minha vida, eu peço santidade. Então, eu procuro caminhar, olhando pra Jesus e não desviando meus olhos de Jesus”. (M.L.L.S.)

Pelos próprios relatos, percebemos que a Eucaristia funciona como “ponto” de apoio que dá força e ajuda na superação dos problemas, não aparece a relação direta entre “comunhão e participação” ou meio que fortalece o engajamento das lutas sociais, como é explicito nos relatos dos membros das CEBs.

No MRCC a Eucaristia é colocada como sentido para a vida dos fiéis, focada como alimento espiritual que renova o indivíduo, considerando apenas a dimensão subjetiva e individual.

Outro aspecto relevante, que aproxima o MRCC do catolicismo mais tradicional e pode ser considerado como expressão da subjetividade de seus membros e de identidade católica que impulsiona para a ação, é a devoção mariana, como assevera Carranza:

A devoção mariana que a RCC enfatiza é uma das razões que faz com que os bispos cada vez mais aceitem a RCC nas suas dioceses (...) Essas iniciativas de devoção mariana têm-se mostrado as mais criativas na RCC, utilizando-se dos mais variados meios como: TV, no Terço Bizantino realizado pelo Pe. Marcelo Rossi; o Momento com Maria, animado pelo Pe. Antônio Maria, ambos pregadores oficiais da RCC; e programas da Rede Vida, o canal da família cristã. (2000, p. 144).

Também Prandi, salienta o espaço dado ao culto mariano pelo MRCC: Um outro ponto de ligação é o culto mariano. Esse, com certeza, atrai muito mais a devoção dos fiéis do que a reza do terço, mas não chega a ser um dos pontos mais importantes e valorizados pelos teólogos carismáticos, embora a homenagem a Maria seja sempre feita nas reuniões de oração. Na maioria dos textos de teologia carismática, em comparação à importância de Jesus, é pequeno o destaque dado a Maria. (1998, p.43).

“Eu estava com câncer de mama e quando eu fui pegar o resultado, e apavora todo

mundo mesmo, aí eu cheguei – e já fazia parte – nossa! Pedi tão forte, um clamor tão forte, pelo desespero que eu tava e aí eu senti a presença de Deus, de Nossa Senhora Aparecida e não era tão devota, né? senti a presença dela naquela ora, aí eu apaguei....foi pra mim uma experiência muito forte. E aí eu não sei o que aconteceu que acabei a lidar com o problema mais suave. Fiz o tratamento, hoje já não tenho mais nada, né? foi uma coisa muito forte na minha vida. Já vi de outras pessoas coisas tão fortes, vi muito e a cada dia eu vejo mais”. (M.W.V.B.)

Olha eu acho que aí tá a mãe de Deus, né? Maria....eu tenho muita devoção por Nossa Senhora das Graças, já recebi muitas graças, né? em relação a Nossa Senhora é uma só, mas eu tenho um carinho muito grande por Nossa Senhora das Graças. Então, onde a mãe está, o filho está. Eu acho que a mulher é mais sensível, é mais amor, é mais aberta, ela se doa mais, se dá mais”. (M.C.R.).

“Tem pregadores que falam, sê viu que quinta-feira passada foi de Nossa Senhora, viu

que lindo! Tem todo um trabalho, louvor. A gente tem que louvar o Senhor em toda circunstancia”. (R.S.O.)

Uma das observações que fizemos, no momento das escutas, é a grande utilização do terço, boa parte das mulheres o utiliza como pulseira à maneira de acessório. Assim também em quatro dos catorze entrevistados estavam com camisetas com dizeres alusivos a Nossa Senhora. Observamos ainda vários carros com adesivos marianos, reforçando um dos aspectos da novidade da devoção mariana no MRCC, como é apresentado por Carranza:

Se a devoção a Nossa Senhora é própria da tradição católica, onde se encontra o novo que a RCC traz a essa tradição? É possível afirmar que talvez esteja em três aspectos: no potencial mercadológico que essa devoção representa para a RCC, nas conseqüências do culto mariano e na intensidade do traço identitário. (2000, p. 147).

É abundante o uso do verbo sentir, demonstrando que há uma necessidade de expressar o sentimento, evidenciando a importância da participação no movimento. Nestes momentos a presença de “Maria” também é sempre lembrada, como podemos ver no relato de M.C.R. ao falar do que ela sente quando está no grupo.

“Muita paz. Nós aqui também trabalhamos no SOS e pelo trabalho nosso, pela intercessão no SOS, é uma coisa que nós nos sentimos assim usadas por Jesus, muito, muito, a presença de Maria é muito forte. E as pessoas precisando de muito amor, de muito carinho, as pessoas que sofrem e muitas a gente pensa que nós temos alguns problemas, nossos problemas na frente desses irmãos, são muito pequenininhos”.

As palavras paz e alegria também são constantes e expressam o sentimento de pertença ao grupo, como podemos ver nos relatos que se seguem:

“Ai, olha, quando eu tô dentro do grupo, a coisa mais maravilhosa, eu sinto paz, eu sinto amor entre meus irmãos de caminhada, né? de igreja porque mesmo...a gente tem que aprender a amar com defeito, sem defeito, machucando, não machucando, você tem que aprender a amar. É isso que Jesus ensinou?” (I.A.R.O.).

“É uma alegria, né? eu falo que Jesus transformou a minha vida, então é uma alegria.

Tudo, ele é tudo pra nós, né? a RCC veio assim pra preencher o que estava faltando. Faltava algo, mas a gente não sabia o que era. Hoje, não. A gente já sabe o que é a RCC dentro da Igreja, é necessário. E se não houvesse a RCC hoje, as Igrejas, eu acredito, que estariam vazias porque só o sacerdote ele não conseguiria. E quantas pessoas nós encontramos em mercado, onde você sair a gente evangeliza, né? então, e fala, né? do amor de Jesus. o que você precisa passar é o amor de Jesus. é através do amor de Jesus que as pessoas vem pra Igreja”. (M.L.L.S.).

“É paz, alegria, entendeu? A gente esquece do mundo, esquece de tudo. É como se aqui você estivesse no céu porque a gente sente assim, no céu. É tanta luz, é tanta...nossa!...que você parece que tá no céu”. (M.L.).

“Muita paz, muita alegria. Uma vontade de não sair de dentro da Igreja, no grupo tão cedo. O tempo passa e a gente não percebe. Mas, a gente leva a sensação que a gente teve, pra casa também, né? esperando o próximo, né?” (T.J.M.).

É evidente que cada um dos relatos é repleto de elementos que poderiam ser amplamente aprofundados, entretanto interessa para a pesquisa, especificamente na apresentação desta fase do discurso, verificar como se dá, por meio dos sentimentos que despontam do envolvimento, a formação subjetiva.

Obviamente, quase todas as falas dos membros da RCC são “carregadas” de sentimentos e emoções, como notamos nas falas anteriores. Seus participantes, ao expressarem o sentimento de paz e alegria, fixam no movimento o espaço do encontro, de certa forma, de esquecer os problemas para “fora”, é o sentimento de “céu” que fica no interior do grupo, de tranqüilidade. Percebemos que as pessoas, nos momentos de oração, passam por uma transformação, como se descarregassem ali os seus conflitos e saíssem aliviadas, revigoradas, Em alguns dos relatos apresentados nota-se o discurso de preenchimento do vazio, de esquecer do mundo “lá fora”, além do

sentimento de estar “em casa”, onde todos parecem ter os mesmos objetivos, como é explicito no relato de S.R.P.F.

“Eu gosto porque eu me sinto em comunidade onde todos estão atrás do mesmo fim, embora às vezes você perceba que o grupo é muito grande que nem, fosse numa missa carismática você percebe que muitos vêm aí pra buscar uma cura só e embora, sabe? Vem buscar o Jesus mágico que faz e aí “posso embora, tudo bem e até esqueço”. Mas quando eu tô assim mais com meus irmãos mesmo, eu sinto assim que é a unidade da Igreja e principalmente o amor de Deus sobre mim, mas eu sou um grãozinho de areia, eu sei que o amo, mas ele me ama muito mais. É isso que eu sinto: a presença de Deus e o amor de Deus”.

A certeza interior de que por meio da participação haverá uma ação direta de Deus sobre os problemas é quase sempre evidenciada. A idéia de um “Deus interventor”, que cura e faz milagres para os que Nele crêem, aparece com clareza em algumas das falas, inclusive resolvendo os problemas de ordem material:

“Você pode tá decaído, sê pode tá olha faltando dinheiro, desempregado, o Senhor providencia, o Senhor dizia assim: “procure as coisas espirituais que as materiais eu te darei”, “buscai primeiro o Reino de Deus e tudo o mais será acrescentado”, não é verdade? Eu vejo isso na celebração...tanto no grupo. eu sinto assim, A gente sente muito calor, arrepios. Sabe, fogo abrasador?”. (R.S.O.).

As sensações descritas, como “calor, arrepios”, expressam a emotividade que aflora por meio da participação, explicitando a mudança interior. M.S.B.O. relata o que sente, dando realce à transformação emocional:

“É partilha. É como se a gente fosse um só. É muita entrega. Você se restaura completamente emocionalmente. Eu fiz um momento na minha vida, que eu participei de retiro que eu fiquei três dias sem dormir porque mexeu com meu estrutural, emocional. Idéias que a gente tem embutidas ali no nosso Eu, a Renovação tira, desentope o Eu”.

A questão da transformação interior, relatada pelos membros do MRCC é um dos seus aspectos fundamentais, como salienta Silveira:

O ponto central seria a questão da transformação interior, que pode ser vista como fundamental na socialização das experiências emocionais. É importante lembrar, e concorda-se com a antropóloga Júlia Miranda (1999), que a linguagem não se reduz apenas ao sistema lógico representacional dos conceitos, categorias, da fala e da escrita, mas sim de todo um conjunto como gritar, chorar. Manifestar uma intensa corporeidade, como se vê na descrição das atividades desse movimento. (2003, p. 52).

A transformação interior, capaz de gerar emoções tais como um extravasar de energias, às vezes expressado no choro, no grito e até mesmo no movimento corporal, reitera a formação da subjetividade que contribui para compor a auto-imagem do indivíduo que constrói uma nova identidade no grupo. Essa se faz por meio da satisfação dos seus próprios desejos tanto dos mais imediatos como dos que, ainda não satisfeitos, alimentam a sua necessidade de pertença ao grupo o qual é encarado como espaço aberto para as realizações e de onde vai emergir um novo tipo de sujeito, com novas práticas sociais. Vale então, verificar as mudanças provocadas no processo de construção desta nova identidade.

3.2.4 Construção da nova identidade: mudanças provocadas – 4ª. Fase do