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Velâyet Yetkisini Kadınlara Vermeyenlerin Delilleri

B- Hiçbir Şekilde Velâyet Yetkisini Kadınlara Vermeyenler ve Delilleri

2- Velâyet Yetkisini Kadınlara Vermeyenlerin Delilleri

A guerra franco-prussiana foi um marco no desenvolvimento militar europeu, colocando à prova o desenvolvimento militar e a capacidade de mobilização de contingentes volumosos, principalmente aqueles colocados em ação pela Prússia. Albrecht von Roon, o ministro prussiano da Guerra (1859-1873) estabeleceu um projecto onde cada prussiano homem e capaz de lutar seria recrutado no momento da mobilização. Assim, apesar de a população da França ser maior que a população de todos os estados alemães que participaram da guerra, os alemães mobilizaram mais soldados para a batalha.

Certamente este período representou politicamente, uma derrota sensível para a classe trabalhadora alemã, pois esta guerra, apesar de conseguiu unificar a Alemanha, o fez sob domínio prussiano, o que representava forte repressão, além do aumento da xenofobia aumentava a oposição entre os setores nacionalista e internacionalista do movimento socialista alemão.

Na Alemanha, o conflito se refletiu principalmente na oposição entre a Associação Geral

dos Trabalhadores Alemães (ADAV),214 fundada em 1863, por Ferdinand Lassalle (falecido em 1864), e o Partido Socialdemocrata dos Trabalhadores (SAPD),215 fundado em 1869, em Eisenach, por Wilhelm Liebknecht, Wilhelm Bracke e August Bebel, dirigentes socialistas próximos de Marx.216 Entre várias razões, a principal discussão que opunha os dois partidos socialistas alemães desde a revolução de 1848 era a respeito de qual programa deveria orientar o processo de unificação da Alemanha.

214 Criado em 1863 por Ferdinand Lasalle e seriamente criticado por Marx e Engels que viam no partido o cumprimento de uma política de aproximação com o Estado prussiano.

215 Quando em 1890 formou-se o Partido Socialdemocrata SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschlands) seu antecedente imediato foi o SAPD. O processo de unificação foi complexo e envolveu muita negociação visando amenizar antigas tensões, especialmente no que tocava à relação entre o movimento operário e o Estado, questões eminentemente ligadas à questão nacional, como a unificação, pautada desde as revolução de 1848, e que ecoaram nos seguidores de Lassalle, mesmo durante o período posterior. Para as lideranças, o verdadeiro problema até então teria sido da natureza da unidade da Alemanha, pois Bebel e Liebknecht eram partidários da política nacional para a unificação alemã da "grande Alemanha" (que preconizava a unificação de todos os estados alemães, inclusive o Império Austro-Húngaro), enquanto Lasalle, fazia coro com o primeiro-ministro prussiano Otto von Bismarck pela "pequena Alemanha" (união apenas dos estados alemães ao norte dos Alpes, sob a liderança da Prússia). Com a unificação alemã, no final da guerra franco-prussiana, não haveria mais a causa do conflito.

Lassalle, como herdeiro das revoluções de 1848, deixou marcas na política socialdemocrata no sentido de uma tentativa de construção do que via como um Estado Social (Volskstaat), um desenvolvimento da ideia de Estado ético hegeliano que constituísse o Estado de modo a alicerçar alianças de classe que criassem melhores condições aos trabalhadores em convívio com a aristocracia, a burguesia e a nobreza. No entanto, no campo político nacional, Lassalle acenava favoravelmente à política de Bismarck deixando claro que não queria que a política operária abalasse as bases do estado prussiano, implicando em aceitar a política proposta por Bismarck representada por uma política militar e diplomática que unisse a Alemanha segundo o que chamava de “Pequena Alemanha,” isto é, excluindo a Áustria e deixando de lado um processo revolucionário em ambos os locais. E de fato, pouco antes da guerra, Johann Baptist Schweitzer, um dos primeiros deputados socialdemocratas e presidente da ADAV manifestou-se nos números do Social Democrat, o jornal dos lassallianos, favorável a ela.

Para Bebel, Liebknecht e os demais eisenachers (partidários do SDAP), a unificação alemã não poderia acontecer sem a união com a Áustria e o ataque aos Habsburgos, em aliança com os trabalhadores daquele local. De certo modo, em ambas as concepções se colocava um entrelaçamento entre política nacional e política proletária, mas, foram estes últimos, mais próximos de Marx, que propuseram a deserção proletária logo no início do conflito entre Prússia e França. Para muitos, o início do conflito soava como uma política de agressão externa da parte de Napoleão III aos estados alemães, mesmo no contexto de uma sucessão de maquinações da parte de Bismarck, que eram conhecidas pelos membros da Internacional. A manifestação incitando a deserção em massa por parte da SDAP rendeu a Bebel e Liebknecht a condenação sob a acusação de traição resultando as suas prisões por amargos anos.

Marx, nesta época, apesar de manifestações conflituosas com os socialistas franceses, manteve o trabalho principalmente de militância na associação internacional dos trabalhadores emprestando sua simpatia a Liebknecht. Endereçando-se a seus companheiros, na Segunda Mensagem do Conselho Geral Sobre a Guerra Franco-Prussiana (6-9/9/1870), Marx faz a crítica da guerra a partir do que aparece como uma mudança de caráter do conflito.

Mas anteriormente, na Primeira Mensagem do conselho geral sobre a guerra franco-

prussiana (de 23 de julho de 1870), apesar de explicitada a origem da guerra como uma parte

da política agressiva de Napoleão e Bismarck, ainda não era clara a posição política a ser adotada pelo movimento dos trabalhadores. Deixado implícito que

Do lado alemão, a guerra é uma guerra de defesa; mas quem pôs a Alemanha na necessidade de se defender? Quem criou as condições para que Luís Bonaparte travasse a guerra contra ela? A Prússia!”[...] Se a classe trabalhadora alemã permitir que a guerra atual perca seu caráter estritamente defensivo e degenere em uma guerra contra o povo francês, a vitória ou a derrota se mostrarão igualmente desastrosas.217

No entanto, a avaliação de Marx é mais curiosa por um motivo, a apresentação da Rússia com ameaça,218 e isto, mesmo em um período onde se estaria distante da conjuntura que apresentava a possibilidade de uma rediviva Santa Aliança representar uma ameaça aos movimentos progressistas da Europa Ocidental219.

Para Michael Walzer, ao analisar a questão moral sob um prisma militar220, o argumento de Marx nas mensagens não consegue ir além do juízo “moral convencional” sobre os conflitos observados externamente, e isto ao menos segundo um senso comum a respeito da guerra vista como uma dinâmica entre os Estados como atores políticos, não se cogitando, por exemplo, nesta disputa entre dois Estados pela Alsácia-Lorena, qual o interesse dos seus cidadãos. Para compreender por sua vez o que implica a “teoria da agressão” presente nas cartas, seria necessário uma identificação com as pessoas agredidas e não com o Estado, o que, especialmente no caso da Associação Internacional dos Trabalhadores, seria uma formulação esperada, em defesa dos trabalhadores da Alsácia-Lorena. Para ele, no entanto, esta formulação não daria conta, mesmo favorável ao pacifismo, da dinâmica do conflito em relação ao que ele implica, aproximando-se o ponto de vista publicado na comunicação redigida por Marx no seio daquela associação colegiada, de uma perspectiva próxima ao senso comum sobre a guerra, definida como “as simples leis da moral e da justiça” que deveriam reger as relações dos indivíduos com as relações entre os estados.

Quando forçado a enfrentar as realidades concretas da guerra e a descrever em público a possível forma de uma política socialista de relações exteriores, ele recai na analogia com a situação interna do país e no paradigma legalista nas suas formas textuais. Com efeito, ele argumentou no “primeiro manifesto” que era tarefa dos socialistas “defender as simples leis da moral e da justiça, que deveriam reger as relações entre indivíduos, como as normas supremas do trato entre as nações.”221

No entanto, este critério só se tornaria claro para quem se colocasse em um ponto de

217 MARX, Karl. Guerra civil na França. São Paulo: Boitempo, 2011, p.23.

218 “Enquanto a maioria da Europa sentia-se eclipsada pela Alemanha, ela via a sombra ainda mais distante da Rússia; e a maioria dos alemães pensava antecipadamente de modo mais genuíno enquanto outros pensavam na combinação contra a força da Alemanha.” (TAYLOR, A.J.P. The Struggle for Mastery in Europe 1848-

1918. New York, N.Y.:Oxford University Press, 1971, p.xxvi)

219 MARX, Karl. Op. Cit., p.24.

220 WALZER, Michael. Guerras justas e injustas: uma argumentação moral com exemplos históricos.São Paulo: Martins Fontes, 2003, p.107-112.

vista posterior aos conflitos e, mesmo assim, caso se apoiasse em um repertório teórico desenvolvido posteriormente e que fundamenta a análise do autor. Este referencial teórico permitiria não apenas a compreensão totalizante do papel dos protagonistas em conflito, delimitando referenciais, mas também os limites das ações de cada um no processo, como revela a perspectiva de uma separação nítida entre a moral privada e a Razão de Estado que justifica o conflito.

Por outro lado, é ingênuo achar que Marx acreditasse no limite das ações militares dos Estados a partir de uma moral privada, mesmo que apenas repercutisse os referenciais éticos dos trabalhadores, ou ainda o causus beli francês e a pretensa agressão representada pela

Grande Armee conforme noticiado pela Prússia. Em verdade, sua comunicação lida com as

considerações sociais a respeito de um movimento social inserido em um conflito já dado. Engels tinha uma posição diversa daquela de Marx desde o início do conflito, tanto sobre a natureza e consequências deste, como sobre o posicionamento de Liebknecht, como revela em uma carta a Marx em 15 de agosto de 1870, pouco antes da Segunda Mensagem. Nesta carta, após os usuais comentários sobre problemas fisiológicos, o que demonstra informalidade, Engels passa um exame superficial sobre o que vê como a condição em que a política se colocava na relação entre Alemanha e França:

A posição me parece ser esta: a Alemanha tem sido impulsionada por Badinguet [Napoleão III] em uma guerra por sua existência nacional. Se Badinguet a derrotar, o bonapartismo será reforçado pelos próximos anos e a Alemanha quebrada por anos, talvez por gerações. Nesse caso, não será possível uma questão independente do movimento operário alemão, pois a luta pela existência nacional vai absorver tudo, e na melhor das hipóteses, os trabalhadores alemães serão capazes de organizarem a si mesmos em uma escala nacional algo diferente do que tem feito até agora, não importa o governo que possa suceder este, será certamente um campo mais livre do que sob o bonapartismo. Toda a massa total do povo alemão de todas as classes compreendeu que esta é primeiramente e acima de tudo uma questão de existência nacional e, portanto, tem se arrojado nela de uma só vez. Que, nestas circunstâncias um partido político alemão deva pregar obstrução total Wilhelm [Liebknecht] e colocar todos os tipos de considerações secundárias antes das principais me parece impossível.

Somando a isso o fato de que Badinguet nunca teria sido capaz de conduzir esta guerra sem o chauvinismo da massa da população francesa: a burguesia, a pequena burguesia, os camponeses, os imperialistas e o proletariado, trabalhadores da construção civil Haussmannist "derivada dos camponeses, que Bonaparte criou nas grandes cidades. Até que este chauvinismo seja nocauteado na cabeça, e corretamente, a paz entre a Alemanha e França seria impossível. Poderíamos ter esperado que a revolução proletária teria realizado este trabalho, mas desde que a guerra já está lá, não resta nada para os alemães, senão fazê-la rapidamente.

Agora vêm as considerações secundárias. Para o fato de que esta guerra foi ordenada por Bismarck Lehmann [Wilhelm I] & Co., e deve ministrar a sua glorificação temporária se conduzi-la com sucesso, temos de agradecer o estado miserável da burguesia alemã. Certamente é muito desagradável, mas não pode ser alterada. Mas para magnificar o anti-bismarckismo como o único princípio orientador para essa

conta seria um absurdo. Em primeiro lugar, Bismarck, como em 1866, está atualmente fazendo um pouco de nosso trabalho, a seu modo, e sem querer, mas mesmo assim ele está fazendo isso. Ele está limpando o terreno para nós de um modo melhor do que antes. E não estamos mais no ano de 1815. Os alemães do Sul são obrigados agora a entrar no Reichstag e isso vai desenvolver um contrapeso ao Prussianismo. Depois, há as tarefas nacionais que cairão para a Prússia e que, como você escreveu, vão desde o início proibir a aliança russa. Em geral, para tentar voltar o relógio à là Liebknecht tudo o que aconteceu desde 1866 não faz sentido. Mas conhecemos o nosso modelo de alemães do sul. Não há nada a ser feito com esses tolos.

Engels tem um cenário pessimista no aspecto do movimento dos trabalhadores. Algo certamente difícil de compreender contemporaneamente, pois a fórmula vai ao sentido de procurar definir um espaço de disputa entre os espaços deixados pelo avanço político da estratégia nacionalista mesmo dentro da classe trabalhadora. Resumidamente, apertada em uma guerra de curta duração e no fato de que o movimento operário não opta pelo cenário que atua, mas é obrigado a intervir nele. O melhor campo de atuação, aparentemente seria oferecido pela derrota de Napoleão e a mobilização no sentido de evitar a anexação da Alsácia-Lorena, denunciando a guerra e o estado alemão mas sem exigir sacrifícios que cortem na carne do movimento operário, como a deserção em massa sugerida por Bebel e Liebknecht. Os resultados palpáveis do conflito como a unificação alemã e a derrota de Luis Napoleão em prol de um governo republicano poderiam fornecer um cenário positivo que poderia ser vital ao proletariado francês e alemão.

Eu acho que o nosso povo pode:

(1) Juntar-se ao movimento nacional - você pode ver a partir da carta de Kugelmann quão forte ele é - na medida em que por quanto tempo é limitada para a defesa da Alemanha (que não exclui uma ofensiva, em certas circunstâncias, antes da paz ter chegado).

(2) Ao mesmo tempo, enfatizar a diferença entre os interesses nacionais e Alemão- dinástico-Prussiana.

(3) Trabalhar contra qualquer anexação da Alsácia e Lorena - Bismarck está agora revelando a intenção de anexá-los à Baviera e Baden.

(4) Assim que um governo não-chauvinista republicano estiver no comando em Paris, trabalhar para uma paz honrosa com ele.

(5) Constantemente enfatizar a unidade de interesses entre os trabalhadores alemães e franceses, que não aprovam a guerra e também não estão em guerra um contra o outro.

(6) Rússia, tal como no alvo Internacional.

Afirmação de Wilhelm de que Bismarck é um ex-cúmplice Badinguet, é a posição correta para permanecer neutro, é divertido. Se fosse a opinião geral na Alemanha, nós deveremos ter em breve uma Confederação do Reno novamente e o nobre Wilhelm poderia ver que tipo de papel que ele iria desempenhar nisso, e qual o papel para o movimento dos trabalhadores. Um povo que não ganha nada, apenas chutes e socos é realmente o caminho certo para alguém fazer uma revolução social e o amado estado de Wilhelm é ainda mais mesquinho! ...

Que bom que o coitadinho visa chamar-me a conta de algo que foi "suposto" ter sido impressa no Zeitung Elberfelder! Pobre criatura!

... Parece que o desastre na França vai ser horrível. Tudo desperdiçado, vendido, jogado fora. Os chassepots são mal feitos e falharam quando postos em ação, não estão mais lá as pistolas antigas que tem de ser procuradas novamente. No entanto,

um governo revolucionário, se vier logo, não precisa se desesperar. Mas deve deixar Paris ao seu destino e continuar a guerra do sul. Haveria, ainda a possibilidade de que até que os braços que foram comprados e os novos exércitos organizados com façam com que o inimigo seja gradualmente forçado a voltar novamente para a fronteira. Isso seria realmente o verdadeiro fim da guerra, os dois países teriam reciprocamente a prova de que eles são invencíveis. Mas se isso não acontecer rapidamente, o jogo acabou. As operações de Moltke são um modelo – o velho Wilhelm parece dar-lhe uma mão perfeitamente livre - e os quatro batalhões já se juntaram ao exército principal, enquanto os franceses não estão ainda em existência. Se Badinguet não está fora de Metz, no entanto, pode se dar mal ...

Wilhelm [Liebknecht] calculou, obviamente uma vitória de Bonaparte simplesmente a fim de que Bismarck fosse derrotado. Você se lembra de como ele estava sempre confabulando com os franceses. Você, é claro, está do lado de Wilhelm também!

Notemos como esta carta, de certo modo, influencia na Segunda Mensagem do

conselho geral sobre a guerra franco-prussiana (9 de setembro de 1870), como quanto às

ameaças possíveis e o contexto de “sugestão” em relação ao posicionamento dos trabalhadores em relação ao conflito, principalmente após a Prússia efetivamente avançar a fronteira francesa, e a Prússia tornar-se a sede do Império Alemão. Marx apresenta a crítica do domínio da estratégia militar como imperativo da consideração sobre a definição de fronteiras, uma negação da política pela estratégia (a geopolítica nascente) como justificativa ideológica do militarismo prussiano.

No entanto, as recomendações práticas aos trabalhadores franceses vão ao sentido de fortalecer a república francesa estabelecida durante a campanha, e garantindo assim, que a guerra finde o quanto antes:

A classe trabalhadora francesa se move, portanto, sob circunstâncias de extrema dificuldade. Qualquer tentativa de prejudicar o novo governo na presente crise, quando o inimigo está prestes a bater às portas de Paris, seria uma loucura desesperada. Os operários franceses devem cumprir seus deveres como cidadãos, mas, ao mesmo tempo, não se devem deixar dominar pelos souvenirs nacionais do Primeiro Império. Eles não têm de recapitular o passado, mas sim edificar o futuro. Que eles aperfeiçoem, calma e decididamente, as oportunidades da liberdade republicana para a obra de sua própria organização de classe. Isso lhes dotará de novos poderes hercúleos para a regeneração da França e para nossa tarefa comum – a emancipação do trabalho. De seus esforços e sabedoria depende o destino da República222

Certamente, Marx trata neste caso das condições gerais que se colocam, como uma análise de conjuntura e uma intervenção política, pretendendo fazer ver as limitadas possibilidades de ação colocadas pela condição política e militar em que estão colocados os trabalhadores franceses. Deste modo, garantir as condições de uma república em uma conjuntura menos repressiva que a Prussiana permitiria os pressupostos da ação política revolucionária que garantisse direitos para os trabalhadores, pois acreditava que os trabalhadores não

conseguiriam sublevar-se naquele momento de modo triunfante. 4.2 A DESCRIÇÃO MILITAR COMO GÊNERO DISCURSIVO

Moltke, artífice principal das operações alemãs, tomou conhecimento igualmente de

Da Guerra e do projeto militar modernizador prussiano, mas é muito provável que sua

absorção tenha sido via Jomini, em que não seriam partilhados com Clausewitz certos princípios como a relação entre a guerra e a política, em que tomava por base uma absoluta separação entre estas instâncias. Confirmando este entendimento, Moltke manteve durante toda a vida um conflito de baixa intensidade com Bismarck, que resultava para ele em um limite da esfera política em relação ao combate, com independência de ação e agindo de modo que “a política,” como instituição separada, não pudesse limitar a esfera ou plano de ação especificamente militar, o chamado “nível operacional da guerra.”

Para Hew Strachan “Moltke e seus sucessores encararam Sobre a guerra como uma discussão tanto da relação entre táticas (ou o que os exércitos fazem no campo de batalha) e estratégias (ou o uso dos resultados que alcançam no campo de batalha) como entre guerra e política”223, mas esta articulação entre a política e a guerra poderia ser pensada de muitos

modos, como uma restrição do espaço civil pela guerra quando deflagrada, ou ainda, a partir de Clausewitz onde a política serviria de mediação entre as guerras, dividindo o formato particular dos conflitos pensados a partir de sua forma geral. Apenas em um aspecto mais geral, é possível dizer que Moltke partilhava da forma como Clausewitz via a questão da guerra, mas isto especificamente na dimensão da tática que, mesmo que pouco citada em Da

Guerra, é pensada a partir de uma maior autonomia operacional dos grupos chefiados pelas

patentes inferiores.

As diferenças em relação ao pensamento de Clausewitz são fáceis se ser constatadas, por mais que se utilizassem muitas categorias de análise em comum, entre estes aspectos

Benzer Belgeler