A- Kadına da Velayet Yetkisini Verenler ve Delilleri
1- Kadına da Velâyet Yetkisi Verenlerin Görüşü
No comentário sobre a guerra, é comum a percebermos o destaque à tentar compreender tendências de organização e a dinâmica operacional dos campos de batalha que possibilitaria, entre outras coisas, antever reformas ou reorganizações táticas que possam ser decisivas em futuros combates. Alguns destes sentidos podem ser observados em Clausewitz, que Engels chegou a citar em algumas passagens, especialmente nos verbetes sobre Guerra e organização militar escritos para o New American Cyclopedia onde trata das guerras da campanha napoleônica em solo russo relatadas por Clausewitz, no entanto, este contato se aprofunda em 1858, quando inicia o estudo sistemático da obra máxima do general prussiano.206
O livro Da Guerra, cujos volumes foram publicados respectivamente em 1832, 1834 e 1837, apesar de tratarem das guerras no presente e no passado imediato de Clausewitz, também tem como problema implícito a forma provável das guerras futuras, tentando ir além da experiência sobre o qual se enraizara: “usando o passado como base para seu julgamento, ele concluiu que havia duas espécies de guerra: a de observação e a de decisão. Raras vezes se permitiu prognosticar qual delas prevaleceria no futuro,”207 e mesmo assim, com alguma
incerteza quanto às previsões, pois Clausewitz muda constantemente seu julgamento com ao longo do tempo, o que testemunha o próprio texto permeado de contradições e partes inacabadas de Da Guerra.
Há diversos problemas difíceis de serem solucionados, como por exemplo, o de um
205 ENGELS, Friedrich. Anti-Dühring: filosofia, economia política, socialismo. Rio de Janeiro: paz e Terra, 1979, p. 148.
206 “[...]Estou lendo, inter alia, Da Guerra de Clausewitz, um modo de filosofar a moda antiga, mas em si muito bom. Sobre a questão a respeito de se deveríamos dizer de uma arte ou ciência da guerra, ele diz que, mais do que qualquer coisa, a guerra se assemelha ao comércio. O combate é para a guerra o que o pagamento à vista é para o comércio, apesar de raramente ser necessário ocorrer na realidade, tudo é direcionado para ele e, finalmente, ele é obrigado a acontecer e se prova decisivo” Carta de Engels a Marx escrita em Manchester a 7 de janeiro de 1858. Acessado em: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1858/letters/58_01_07.htm último acesso 11/11/2012.
determinado tipo particular de conflito, como aquele apresentado no Livro 6, capítulo 28 em que se observa o seguinte tipo de asserção “pode-se prever que a maioria das guerras tenderá a se converter em guerras de observação,” pois um juízo deste tipo ao ser aplicado aos fenômenos sociais pode ter mais de uma significação. Cabe perguntar a respeito da previsão, em primeiro lugar, qual o alcance temporal que o prognóstico pretendia cobrir? Pois em um curto alcance parecera correto, já que “numa perspectiva de curto prazo, digamos, na de 1850, essa parecia ser uma expectativa sensata: durante as revoluções que varreram a Europa em 1830 e 1848, os exércitos observaram as reviravoltas nos Estados vizinhos com mais frequência do que nela intervieram.”208 No entanto, como aponta Hew Strachan a respeito de
outra formulação, assinala que “cem anos mais tarde, porém, em 1950, a conclusão de Clausewitz no Livro 8, Capítulo 3B,” pareceria mais antecipadora quanto à ideia originada por um balanço que tem em conta as guerras napoleônicas como passo para uma nova forma mais pura de guerra onde “a guerra, livre de quaisquer restrições convencionais, soltou-se em sua fúria elementar,” passagem em que o autor de Da Guerra terminava em certas considerações quanto ao futuro: “Será esse o caso no futuro? De agora em diante todas as guerras feitas na Europa serão empreendidas com plenos recursos do Estado e, portanto ocorrerão somente por questões maiores que afetem o povo?” São questões interessantes, mas não encontra-se uma resposta em Clausewitz nem é explícita, nem direta, especialmente sobre pontos específicos ou mesmo quanto à qual tendência se estabeleceria.
E principalmente não identificava como mudaria a tática em relação às mudanças operadas graças ao emprego de modificações técnicas como a adoção de novos armamentos como o fuzil de retrocarga, a estrada de ferro e o telégrafo que permitiam a precisão na pontaria e a rapidez da recarga sem baterias de tiro em revezamento, ou ainda, a capacidade de deslocar tropas e de coordenar grupos de soldados distantes milhares de quilômetros Para Hew Strachan quanto aos pressupostos a respeito da potencialidade destrutiva que Clausewitz leva em consideração, seria correto assemelhar o desenvolvimento de uma potencialidade destrutiva, como uma das intuições de Clausewitz e motor do desenvolvimento militar, já que este assinala que “depois que barreiras - que de certo modo consistem apenas na ignorância do homem acerca do que é possível – são derrubadas, não são reerguidas com tanta facilidade.”209
Mas é necessário levar em consideração o fato de que Da Guerra é um livro incompleto e inserido na lógica da guerra continental do início do século XIX em que as
208 Idem, p. 188. 209 Idem, p.189.
nações e impérios empregavam menos a mediação de seus conflitos pela diplomacia na ausência de um direito internacional constituído, de fato, os estados soberanos pareciam mesmo preferir recorrer de modo mais desimpedido à guerra. Do mesmo modo, é possível notar nos pressupostos da crítica clausewitziana a ausência da marinha como arma de guerra, assim como o destaque dado ao formato convencional de guerra tendo como únicas variáveis os termos políticos e sociais em que o conflito se insere, resultando em uma série de reflexões descontínuas do autor, somadas ao fato de que Clausewitz é ele próprio uma referência sobre o formato das guerras travadas até aquele período onde “não poderia haver indicação mais vívida da influência de seu próprio tempo: a guerra na era de Napoleão foi transformada não pela tecnologia, mas pela revolução social e política.” 210
Haveria uma relação tensa entre o momento político e social adotado pelas formações militares, inescapável mesmo para o autor do mais famoso tratado militar do século XIX em relação às transformações realizadas no desenvolvimento da tática militar durante o período posterior. Estaria Engels tentando respondê-la desenvolvendo um método de observação dos fenômenos militares voltando-se aos seus pressupostos como forma de explicar a sua dinâmica? Se isto ocorreria ao longo do tempo, certamente este projeto ainda não se delineou durante a década de 1860 em relação aos conflitos militares do período.