KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. Kuramsal Bilgiler
2.1.5. Eğitim Akımları
2.1.5.6. Varoluşçuluk
Para o naturalista, era uma questão do conhecimento tirar deduções precisas a partir de observações e comparações da natureza. Os aspectos celestes e até os telúricos, em suas diversas manifestações fenomênicas, eram alvo do olhar atento de Humboldt. A composição destes fenômenos, a unidade posta, não só pelo pensamento, mas também pelas similitudes dos elementos observados, faria com que a ciência de Humboldt tivesse os traços de uma filosofia da natureza. É esta vertente da filosofia que demonstra a importância da intuição espiritual da natureza, ou seja, do sentimento que se desperta ao estar diante da sua beleza em movimento.
Humboldt adere a uma perspectiva, ao mesmo tempo, empírica e filosófica da Natureza, a fim de demonstrar a harmonia invisível que liga a diversidade enorme de objetos naturais. [...] A posse de recursos materiais de observação, a própria arte com que os naturalistas sabem ver, tocar e ouvir, significa neles o fruto de uma comunhão assídua com a vida íntima da Natureza. Dessa harmonia nasce a forma de um todo orgânico que totaliza as espécies múltiplas coexistentes no mundo natural (RICOTTA, 2003, p. 15-16).
Humboldt demonstra que mesmo o conhecimento empírico pode apontar para uma dimensão espiritual que transcende o objeto. A dimensão subjetiva e intuitiva implicaria
não somente novas formas de conhecimento, mas também novas formas de narrar e descrever a empiria. Há, ainda, uma habilidade na construção do discurso científico e nas descrições naturalistas que aponta para uma apreciação estética tanto das paisagens quanto do texto. Em Humboldt a dimensão da intuição e da apreciação estética é condicionada por novas formas de narrar, de expor e de descrever os relatos empíricos. “E há, ainda, uma habilidade na composição textual do discurso científico e das descrições naturalistas, que dirá, por exemplo, sob que condições e limites uma experiência estética é válida para dentro do domínio da natureza” (RICOTTA, 2003, p. 16).
O esforço em descrever a unidade da natureza torna-se possível a partir de sua apreciação estética, de seu efeito artístico sobre o observador e, também, da harmonia e da beleza que ela apresenta em seu conjunto.
A ligação de uma finalidade literária com uma puramente científica, a vontade simultânea de ativar (zu beschäftigen) a fantasia pelo aumento do saber, e enriquecer a vida com ideias, tornam difícil de ser alcançado o arranjo das partes isoladas e o que é exigido como unidade de composição (Einheit der Komposition) (HUMBOLT10 apud RICOTTA, p. 17).
A aliança entre a ciência e a estética em Humboldt – isto é, a apreciação do sensível pelo olhar artístico, a descrição poética da natureza – integra-se à ciência analítica e comparativa. Os dois discursos interagem entre si num caminho único ao assumirem como válido o conhecimento que se exerce pela intuição sensível a partir da experiência. A apropriação poética da ciência visa demonstrar que é impossível que ela não seja afetada pela representação ao se deparar com o objeto.
A ciência, para Humboldt, está no plano do sensível, mas não se limita a ele; visa ultrapassá-lo pela satisfação moral e pela enunciação poética que afluem para uma inteligibilidade de um todo endereçado ao homem. “O Kosmos mostrará que uma teoria poética sobre a natureza encerra a única maneira de resolver certo enigma, já prenunciado por Humboldt, de que o pensamento encaixa tudo que é sensível (alles Sinnliche) ao não sensível (das Unsinnliche)” (RICOTTA, 2003, p. 18-19). A experiência particular de observação dos fenômenos consegue transformar a subjetividade do sujeito, pois o espírito se eleva para a compreensão além do sensível na aspiração de entender a totalidade.
Em Humboldt, a enunciação poética é uma representação artística, um modo operante de se enunciar a ciência do cosmos, que pleiteia reinterpretar a unidade entre homem e natureza. Esta unidade é tudo o que é perceptível como plenitude da vida e deve ser
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reconhecida como aquilo que a alma (gemüt) apreende e que devolve de seu interior (RICOTTA, 2003, p. 20).
Intuição e conceito se relacionam na apresentação das formas vivas dos fenômenos em contínuo movimento, cuja dimensão racional de interpretação tem relação direta com o elevar-se do espírito. O fenômeno natural atiça no observador interessado um sentimento de prazer, que revela um universo interior oculto, que alimenta a alma.
Humboldt articula o mundo dos fenômenos com o mundo das ideias, em que a linguagem tem o papel de aglutinar o imaginário e o empírico, as luzes e as sombras. Humboldt, por meio da sua exposição, ao mesmo tempo artística e científica, mostra uma natureza viva e dinâmica. Seu esforço consiste em reunir uma ciência descritiva, intuída na particularidade, com imagens, símbolos e ideias de um todo harmônico e criativo (RICOTTA, 2003).
A imaginação é parte constituinte da ciência de Humboldt. O dado empírico alimenta a fantasia, o deleite com a imagem de uma natureza unificada pela ideia de um princípio originário comum aos elementos da natureza. A exposição que faz de sua ciência apresenta um laço entre as dimensões contemplativas e intuitivas e as dimensões da teoria e dos conceitos, formando um só modo de apreensão e reflexão sobre a natureza. Os livros de Humboldt possibilitam ao leitor o prazer de uma sensação imaginativa da natureza que o faz sentir diante dela:
As descrições e os esboços pictóricos de Humboldt, no entanto, não são simples instrumentos de pesquisa científica, e, portanto, partem de uma metodologia peculiar ao filósofo da natureza. Na verdade, muito do descritivo de dados e fenômenos, muito do pictorismo das imagens são eles próprios experiência de conhecimento e cultivo estético em torno da realidade natural, são registros vivos de impressões e recepção do real pelos sentidos (RICOTTA, 2003, p. 23).
Vale frisar, novamente, que a “ciência estética de Humboldt” não renuncia de maneira nenhuma a busca por leis e métodos rigorosos. Ao contrário, o limite entre as duas esferas, a estética e as leis rigorosas, torna-se limiar, pois a união entre ciência e arte é movida, também, por uma “razão prática”, um sentimento moral por detrás da contemplação da natureza. O concreto para os idealistas nada mais é do que a expressão do humano: vendo a natureza, o homem via a si mesmo e as suas imaginações.
A partir dos próprios textos de Humboldt, busca-se expor suas concepções da natureza e as raízes de seus métodos de investigação e exposição. Não se pretende abarcar sua obra inteira – longe disso –, mas penetrar em passagens em que estão expostas, implícita ou
explicitamente, as influências filosóficas de seus conterrâneos, em especial, Kant, Goethe e Schelling.