KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.1. Kuramsal Bilgiler
2.1.4. Felsefe Ekolleri ve Eğitim
2.1.4.6. Pragmatizm (Faydacılık) ve Eğitim
Em 1789, Humboldt se matriculou na Universidade de Göttinggen, depois de ter passado um ano em Berlim, aperfeiçoando-se em grego e em economia. Göttinggen, nesse período, era a universidade mais importante da Alemanha. Lá, ele entrou em contato mais diretamente com os escritos de Kant, Cristian Gottob Heyne (1729-1812), Johann George Adam Forster (1754-1794) e Johan Friedrich Blumenbach (1762-1840). Humboldt afirmaria mais tarde que sua experiência acadêmica em Göttinggen foi o período mais fecundo de sua formação educacional. Nesta mesma cidade, ele foi aceito na Sociedade de Filosofia e no Ciclo de Pesquisadores Naturalistas, o mais importante do país. Sua formação consistiu em aulas de antropologia, anatomia, arte e mitologia entre outros campos do conhecimento (HELFERICH, 2004, p. 34).
Em Göttinggen, Humboldt encontrou Foster, autor de referência nos relatos de viagem. Por meio de seu livro Observações Feitas Durante uma Viagem ao Redor do Mundo,
de 1777, Humboldt pode perceber a importância da pesquisa de campo para a definição de
seus pressupostos científicos e filosóficos. Foster convidou Humboldt para uma viagem, na primavera de 1790 deceram o rio Reno em direção à Colônia, depois se deslocaram para a Bélgica, até chegarem a Paris. Foster, influenciado pela efervescência intelectual e cultural parisiense, desejou permanecer na “Cidade das luzes”, mas acabou retornando ao Reno, terminando sua viagem em Mainz, na Alemanha. Em 1792, os franceses ocuparam essa cidade. Foster participou ativamente do governo provisório. Porém, em 1794, quando estava em Paris, a cidade foi repatriada pelas tropas prussianas e ele foi considerado traidor de seu país. Sem nunca mais pisar em sua terra natal, Foster morreu no mesmo ano profundamente desiludido com os rumos de sua pátria (HELFERICH, 2004, p. 35).
Humboldt, depois da viagem com Foster, jamais tornou a vê-lo. No entanto, nunca se esqueceu de sua importância para a narrativa de viagens e manteve a sua admiração pelo liberalismo republicano que ele lhe incutiu. Desde essa época, Humboldt se admirou pelos avanços que os ideais republicanos adquiriam na França e pelas possibilidades oferecidas para emancipação do indivíduo burguês (HELFERICH, 2004).
Entre 1794 e 1795, Humboldt participou do seleto grupo de artistas e pensadores alemães, denominado “Ciclo de Weimar”. Apresentado por seu irmão Wilhelm Von
Humboldt (1767-1835), conheceu Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)9, uma de suas principais inspirações para o estudo da natureza, e, também, Friedrich Schiller (1759-1805), com quem estabeleceu uma relação bastante controversa (BOTTING, 1981).
O fascínio pelas viagens e pela natureza o fez não somente projetar, mas também concretizar sua viagem ao Novo Continente, que durou seis anos (1799-1804), com apoio do governo espanhol, e que fez de Humboldt um dos maiores naturalistas e cientistas de seu tempo. Em uma carta a bordo do navio Pizarro, que o conduziu até as Américas, Humboldt sintetizou o seu anseio com sua viagem:
Em poucas horas, contornaremos o cabo Finisterre. Coletarei plantas e fósseis e farei observações astronômicas. Mas este não é o objetivo principal de minha expedição – tentarei descobrir como as forças da natureza interagem umas com as outras e como o ambiente geográfico influencia a vida das plantas e dos animais. Em outras palavras, devo descobrir sobre a unidade da natureza (HUMBOLDT apud HELFERICH, 2004, p. 47).
De sua viagem nascem, dentre outras, três obras de suma importância para a trajetória intelectual do autor. Em 1807, Humboldt publicou em francês, juntamente com seu companheiro de viagem, Aimé Bompland, Voyage aux régions équinoxiales du Nouveau Continent, fait en 1799, 1800, 1801, 1802, 1803 y 1804. No mesmo ano publicou, também
Essai sur la géographie des plantes, ainda em francês. Em 1808, apareceu em alemão,
Ansichten der Natur, obra que iria reeditar, com alterações, até 1849. Em seus anos em Paris, Humboldt manteve estreitas relações com Louis Joseph Gay-Lussac (1778-1850), Georges Cuvier (1769-1832), Pierre Simon Laplace (1749-1827), Jean-Baptiste de Lamarck (1744- 1829) e Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853).
Dentre seus vários escritos encontram-se o ideal de harmonia e o de unidade da natureza, a inter-relação entre os fenômenos naturais e as causas comuns que regem seu movimento. Este desejo não foi exclusivo de Humboldt. Segundo Helferich, desde Thales de Mileto, na Grécia Antiga, cuja origem da vida ele explicava a partir da água, buscava-se compreender os fenômenos naturais a partir de suas próprias causas e não de forças externas. Humboldt foi influenciado, também, pelo romantismo alemão: não era somente pela razão que o homem poderia conhecer. As emoções e os sentimentos também poderiam ser uma porta de entrada para as ciências.
9 Humboldt encontrou-se com Goethe pela primeira vez em março de 1774, quando este estava trabalhando no
projeto do romance Sobre o Universo, cujo tema era a harmonia do universo. “Ésta fue captada de inmediato por el joven Humboldt, que la incorporó a su proyecto intelectual em calidad de referente, trabazón y razón superior de la interdependencia de los fenómenos y de la unidad de la naturaleza” (BUENESTADO, 2005, p. 31).
Na Alemanha, o mecanicismo tinha sido criticado por Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) e por outros filósofos e cientistas da natureza.
A concepção de ciência na Alemanha sempre foi menos mecanicista, mais espiritual, e mais especulativa do que na Inglaterra e na França, e, no final do século XVIII, nasceu ali uma escola de pensamento chamada Naturphilosophie. Mais influente na biologia que nas ciências físicas, os filósofos da natureza sugeriam que todos os objetos animados e inanimados eram infundidos pelo eterno Espírito do Mundo, a força motriz por trás do desenvolvimento do universo. O principal defensor da escola foi Johann Wolfgang Goethe, que, além de ser um dos grandes poetas de todos os tempos, também era um naturalista ávido, e seu principal filósofo era Friedrich Schelling, que sugeriu que existia uma unidade subjacente a todas as coisas que o homem jamais poderia discernir só pela lógica (HELFERICH, 2004, p. 48-49).
Goethe não foi bem um expoente do romantismo. Talvez em seus primórdios, quando do movimento também conhecido como “Sturm und drang”. No entanto, assim como Schelling, compartilhava a perspectiva que aliava o conhecimento racional ao intuitivo, assim como Humboldt. Este não se contentava apenas em medir e classificar a natureza; também queria ser tocado pela sua beleza e harmonia. Para ele, o conhecimento científico sem a apreciação estética pouco valia.
Kant, segundo Helferich (2004), já afirmava os limites da razão e a importância da intuição estética para produzir um conhecimento da realidade. O aspecto estético da natureza estava inscrito na defesa do organismo como ponto central do juízo reflexivo teleológico de Kant. Em suas palestras sobre geografia física, ele criticava Carlos Lineu por sua botânica extremamente ordenadora e classificadora da natureza.
De Kant, Humboldt aproveitou, entre outras coisas, a beleza e a harmonia da natureza subjacente a toda sua diversidade fenomênica. Partindo da concepção da phisys grega, na qual a natureza estava integrada em um todo, Humboldt não se dava por satisfeito apenas com a coleta e classificação dos fenômenos naturais. A ciência somente avançaria se houvesse uma compreensão da articulação dos elementos naturais como pano de fundo da aparência dos fenômenos isolados. Embora a natureza em sua essência seja uma unidade coesa, bela e harmônica, o mundo também está divido em regiões, que possuem particularidades, cujas características são marcadas pelo jogo de forças naturais e humanas, que se convêrgem em um determinado lugar. Para descobrir a unidade em meio à diversidade, Humboldt optou pela coleta e observação de dados no intuito de compará-los e agrupá-los segundo suas características em comum. Seu esforço empírico tinha por objetivo descobrir como as forças da natureza interagiam entre si em determinados ambientes e compará-las com outras forças ao redor do mundo, procurando um elo em comum entre elas.
Humboldt regressou de vez a Berlim em 1827, a pedido de Frederico Guilherme III, e dele recebeu o título de membro do Conselho Privado do monarca, tornando-se, então, um nobre conselheiro do rei. Com a morte do monarca, em 1840, seu filho Frederico Guilherme IV o sucedeu, e a importância de Humboldt dentro da Corte cresceu. Ele era um defensor do liberalismo e do republicanismo e sua estreita relação com o monarca não passou ileso às críticas. Logo o acusaram de revisionista (HELFERICH, 2004, p. 336).
Em 1834, Humboldt confessou seu desejo de escrever uma obra em que pudesse expor todo seu diverso material colhido e descrito ao longo de seus anos de viagem. Esta obra deveria relacionar os variados fenômenos do céu e da terra, traduzidos numa linguagem que estimularia o sentimento e o gozo pela natureza. Entre 1827 e 1828, proferiu uma série de sessenta e uma palestras na Universidade de Berlim, abrangendo todas as suas pesquisas até então (HELFERICH, 2004, p. 348). Segundo Helferich, suas aulas foram concebidas em oposição à filosofia especulativa da natureza típica da Alemanha. Humboldt criticou, como posteriormente expôs no Cosmos, o excesso de abstrações vazias sem relação com os fatos empíricos a que esta escola do pensamento aludia. Apesar disso, em seus escritos, mesmo no
Cosmos, ele assume alguns princípios da filosofia especulativa, como a unidade da natureza e
a necessidade de sua apreciação estética.
Suas palestras tornaram-se bastante populares, mesmo porque Humboldt proferiu dezesseis aulas destinadas à população comum. Estas palestras serviriam de material e de inspiração para que Humboldt lançasse, em 1845, o primeiro volume de seu mais famoso livro, Cosmos. Esta sua obra resumia bem a façanha do pensador de compreender a unidade dos fenômenos da terra e do céu e a sua missão de contribuir não somente para o avanço das ciências, mas também para o progresso da civilização. Para ele, a partir do seu grau de conhecimento e de domínio sobre a natureza, as sociedades poderiam desenvolver-se industrialmente.
Os países que estão atrasados na indústria, alerta,
na aplicação das técnicas mecânicas e químicas, na seleção e utilização cuidadosa dos produtos naturais, onde o respeito por essas atividades não permite todas as classes da sociedade, infalivelmente decairão em prosperidade. Eles afundarão mais depressa enquanto seus estados vizinhos, com uma troca enérgica entre ciência e indústria, seguem adiante como uma vitalidade renovada. (HUMBOLDT apud HELFERICH, 2004, p. 350).
O sentido da formação humana, muito presente na Alemanha de seu tempo, estava em seus escritos. O avanço das ciências contribuiria não somente para a elevação moral, mas
também para o progresso material das nações. Para Humboldt, a ciência, aliada ao desenvolvimento da indústria, como força produtiva, seria um passo necessário para o avanço da civilização.
A visão de natureza e do mundo de Humboldt, ao longo do tempo, foi sendo confrontada por outras, sobretudo a Origem das Espécies, de Darwin. Ele, de fato, nunca fizera uma descoberta que causasse tamanho impacto e gerasse uma mudança paradigmática na ciência como Darwin (HELFERICH, 2004, p. 356).
Devido ao nascimento, à inclinação pessoal e à pura longevidade, Humboldt teve a sorte e o azar de viver cúspide entre o Iluminismo e o período Romântico. Em vez de se posicionar a favor do Velho ou do Novo, ficou com um pé em cada um, fundindo um racionalismo frio com um calor emocional e uma consciência estética. Do mesmo modo, combinava uma paixão pela generalização científica com uma compulsão pela quantificação, e até encorajou os primeiros esforços para especialização científica que logo fariam sua abrangente physique générale parecer fora de moda. Será possível que este individualismo mesmo, este desafio à classificação fácil seja mais uma razão para o seu esquecimento gradual? Seja como for, não há duvida que, educando novatos talentosos com pontos de vista diferentes dos seus, Humboldt ajudou a introduzir a era que ele mesmo parecia deslocado (HELFERICH, 2004, p. 357).