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BULGULAR VE YORUMLAR

4.1. Cumhuriyetten Günümüze İlköğretim Programlarının Faydacı ve İ lerlemeci Ekole Uygunluğu

4.1.1. Cumhuriyetin Kuruluş Dönemi İlköğretim Programları (1924 1926)

às regiões equinociais do novo continente

No prefácio à primeira edição de 1807, Humboldt enfatizou que o seu objetivo com os Quadros da Natureza11 era “fornecer uma visão englobante da natureza, comprovar a existência de um trabalho congruente de energias, renovar o prazer que é dado ao homem sensível no contato direto com as zonas tropicais” (HUMBOLDT, 2007a, p. 21). Foi intenção de Humboldt partir de uma visão geral da terra, um elo que vinculasse as manifestações da natureza.

O prazer estético é constante nas obras humboldtianas, porém o autor sabia das dificuldades que a apreensão estética da natureza poderia levar. “O tratamento estético de elementos da história natural apresenta grandes dificuldades de composição, embora a maravilhosa energia e a flexibilidade de nossa língua-mãe, pois a riqueza da natureza convida à acumulação de imagens individuais e a acumulação perturba, quer a serenidade, quer o efeito global de pintura” (HUMBOLDT, 2007a, p. 21). O fato de optar por uma apreciação estética da natureza não o livra da dificuldade de agrupar as particularidades num todo ou, em outras palavras, elevar ao todo uma coleção de “imagens particulares”.

Sua apreensão e exposição científicas, a partir de uma visão totalizante da natureza, exigiam um rigor e um cuidado para que sua ciência holística não se transformasse “apenas” em uma obra poética. Humboldt ofereceu a Goethe seu livro de relatos de viagem e na dedicatória sugeriu que a poesia poderia funcionar como meio de vinculação e desvelamento das maravilhas da natureza. Mas o meio estético de sua preferência seria a pintura de paisagem, mesmo reconhecendo e analisando o poder da poesia e das prosas antigas e modernas. Um dos seus objetivos com os Quadros da Natureza foi proporcionar prazer ao leitor, como se ele estivesse contemplando diretamente a natureza.

Humboldt expõe, sendo contemporâneo com a Alemanha do século XIX, a disposição moral que a apreciação da natureza causa nos homens. Influência de Kant, mas também de Schiller, para quem a apreciação da natureza faz sentido na medida em que eleva moralmente a natureza humana ampliando a sua liberdade. Humboldt cita livremente o

11 A tradutora do texto preferiu traduzir Ansichten por Aspectos. A versão mais consagrada, para mim a mais

próprio Schiller no prefácio de 1807: “Nas montanhas há liberdade! O sopro dos sepulcros não sobe até os ares puros; o mundo é perfeito em toda parte aonde o ser humano não levou o seu tormento” (SCHILLER12 apud HUMBOLDT, 2007a, p. 22).

Em Sobre estepes e desertos, Humboldt explicita sua veia poética atrelada à sensação causada aos seus olhos ao se deparar com as maravilhas naturais:

Quando os astros que nos guiam iluminam a orla da planície, levantando-se e descendo fugazes, ou quando duplicam a sua imagem fremente na camada inferior das neblinas flutuantes, parece estarmos frente a um oceano sem costa. Como este, também a estepe nos enche de uma sensação de infinito, de estímulos espirituais de uma ordem superior que se tivessem libertado da noção de espaço transmitida pelos sentidos; mas o límpido espelho marítimo sobre o qual se encrespa a onda ligeira, de suave espuma, é uma visão igualmente aprazível; a estepe estende-se, morta e hirta, qual superfície nua de rochedo em planeta deserto (HUMBOLDT, 2007a, p. 28).

Ele não se despe da carga poética para descrever a sensação de infinitude que a planície e a estepe lhe causam ao observá-las. Essa apreciação estética remete à filosofia da natureza de Schelling, mas também a Goethe. Implicitamente, remete também a Kant, mas para negá-lo em relação a sua estética transcendental. Ao se referir à sensação de infinito, a uma ordem superior suprassensível que a apreciação da estepe desperta no observador, ele se liberta da noção de espaço intuidas pelos sentidos.

Para Kant, na Crítica da Razão Pura, para a análise da natureza e de seus fenômenos é imprescindível situá-los no espaço e no tempo, forma a priori de toda e qualquer tentativa de se fazer ciência. Para Humboldt, o contato, o olhar do observador da natureza, eleva-o do real para uma sensação metafísica de infinito, para um contato com Deus.

Se nesse momento Humboldt se distancia de Kant da primeira crítica, aproxima-se dele em sua crítica do juízo ao associar o prazer proporcionado pela natureza a um prazer estético, além de estabelecer a ligação entre o particular e o universal causado pela observação direta da natureza. “A natureza oferece-nos o fenômeno destas grandes planícies em todas as zonas” (HUMBOLDT, 2007a, p. 28). Ou seja, por uma característica das planícies, percebe-se que ela está presente em todos os lugares. Porém, Humboldt adverte que “em cada uma delas as planícies apresentam um caráter próprio, uma fisionomia que é determinada pela diversidade dos solos, pelo clima e pela altitude que se encontram acima do nível do mar” (HUMBOLDT, 2007a, p. 28). Se a natureza oferece um fenômeno comum a todas as planícies, é preciso considerar, também, suas particularidades, passando do abstrato ao concreto. Humboldt, nesse momento, reverbera a influência da filosofia alemã.

12

Mais adiante, nesse mesmo texto, referindo-se especificamente à passagem do universal ao particular, Humboldt complementa: “É tarefa compensadora, ainda que difícil, da geografia geral, comparar a natureza das zonas distantes entre si e apresentar os resultados dessa comparação em poucos traços” (HUMBOLDT, 2007a, p. 33). A universalização na geografia só é possível por meio das comparações das fisionomias da natureza em suas diversas regiões. A partir da experiência particular e comparando-a com outras é que se ascende ao universal.

A terra transformando-se a si mesma, autoproduzindo-se tem o poder, para Humboldt, de alçar o homem à “calma espiritual”. As forças sagradas da natureza aquecem “o peito da humanidade” (HUMBOLDT, 2007a, p. 49). A natureza, em sua totalidade, o cosmos, desperta os sentidos suprassensíveis do homem que contempla o mundo ao seu redor.

Em sua viagem ao Novo Continente, Humboldt relata, mais uma vez, sua obsessão pelo estudo da natureza. “Ocupado, desde minha juventude, com o estudo da natureza, receptivo à beleza selvagem de um solo coberto de montanhas e de florestas ancestrais, encontrei nesta viagem alegrias suficientes que me compensassem das privações que estão ligadas a uma vida laboriosa e quantas vezes incerta” (HUMBOLDT, 2007b, p. 101).

Na relação entre ciência e estética, Humboldt projetava o alargamento das ciências naturais. Seu ideal de um todo harmônico deveria servir para o desenvolvimento do conhecimento. O ponto de partida seria a observação empírica, a comparação entre regiões, mas a universalização do saber seria o cume de sua obsessão.

Em sua introdução aos cadernos de viagem ao Novo Continente, Humboldt declara mais uma vez seu duplo objetivo científico: “conhecer as terras a visitar e coligir fatos característicos que lançassem luz sobre uma ciência que ainda mal foi delineada e que designamos, de forma bastante vaga, por física da terra, teoria da terra ou geografia física” (HUMBOLDT, 2007b, p 102). Ele privilegia a comparação e a relação dos fatos já conhecidos ao invés do conhecimento dos fatos isolados. As descobertas pontuais, aos seus olhos, eram menos relevantes do que as relações geográficas entre solos e vegetais, a migração das plantas e o alcance dos troncos das árvores. Seu intuito maior foi o de tornar ciência um conhecimento ainda precário, destituído de pesquisas e de comparações rigorosas.

Humboldt, contudo, em alguns momentos foi condicionado pela premissa, muito comum no século XIX, da determinação do clima no “desenvolvimento” das regiões, “em países onde a civilização ainda não lançou raízes profundas e onde, devido à influência do clima, as florestas depressa recuperam o domínio sobre os solos aráveis, são sempre de temer os conflitos internos” (HUMBOLDT, 2007b, p. 103). A relação entre o clima e o

desenvolvimento civilizatório dos países foi tema de vários estudos de Humboldt, hipótese que jamais pode ser comprovada empiricamente.