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KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.1. Kuramsal Bilgiler

2.1.3. Felsefe ve Eğitim Arasındaki İlişk

A faculdade de julgar deve aceitar que o princípio a priori para o que é contingente nas leis particulares da natureza pode ter uma unidade que o torna capaz de ser julgada conforme sua experiência particular possível, ainda que esse julgamento não possa ser fundamentado na razão pura do entendimento. Kant quer tornar mais preciso o princípio de uma técnica da natureza ao defender a possibilidade do conhecimento de uma ordem da natureza.

Pensamos que há que distinguir dois sentidos em que o conceito experiência se pode entender: um segundo o qual a experiência resulta de uma aplicação dos conceitos puros à multiplicidade do sensível, que é exposto nas Analíticas dos Conceitos e dos Princípios da Crítica da Razão Pura e que respeita tão só às condições de possibilidade mais gerais do conhecimento objetivo; outro, segundo o qual se processa a própria determinação do conceito empírico resultante de um trabalho de

comparação e sistematização do particular (MARQUES, 1987, p. 154).

O conceito empírico de natureza só poderia nascer a partir do fundamento de que as formas particulares da natureza organizam-se em espécie e gênero. O conceito empírico torna-se pressuposto de qualquer classificação. Para Marques, na primeira crítica, Kant não concede grande importância à classificação, ficando apenas subentendida nos atos de aplicação do juízo determinante. Mas para ele, há uma anterioridade do juízo reflexivo, compreendida a partir da primazia da experiência sistemática da terceira crítica sobre a experiência aplicada da primeira. “O que equivale a dizer algo que na primeira Crítica se não

poderia descortinar: a experiência organizada, resultante de uma estrutura sistemática

previamente elaborada, de um plano racional” (MARQUES, 1987, p. 158).

Porém, a especificação da natureza em espécie e em gênero ainda permanece no campo da lógica, cabendo ao sujeito a aplicação do conceito de fim. Lebrun (2002) concorda com esta hipótese e afirma que a classificação da natureza somente é possível pela subjetividade, sem contrapartida na própria coisa. Mas para Marques o importante é descobrir o lugar do particular no pensamento kantiano, pois sem considerar o particular tem-se apenas a natureza em geral. Ela permanece no campo transcendental ou simplesmente lógico.

Por isso Kant, caracterizando o princípio da faculdade de julgar reflectinte como possibilidade dum sistema da natureza segundo as leis lógicas, acrescenta que a “forma lógica dum sistema consiste simplesmente na divisão de conceitos gerais dados (como é neste caso o de uma natureza em geral), divisão pela qual se pensa o particular (aqui o empírico) com a sua diferença como contido no geral” (MARQUES, 1987, p. 159).

Kant admitiu a existência de objetos que, pela sua configuração externa ou pela sua forma interna, não são aplicáveis a leis mecânicas, sendo então julgados tecnicamente. Porém, para Lebrun (2002) o particular nunca é concebido por Kant como um princípio de sistematização determinante, não prevalecendo a função de uma finalidade interna e real na organização da natureza. Marques discorda ao considerar que Lebrun negligencia as referências que Kant faz na primeira Introdução à Crítica do Juízo à técnica real da natureza.

Ora, o que Kant constata é que se, em princípio, é possível contentarmo-nos com a sistematização lógico-formal, pois que para isso temos legitimidade, dada a descoberta dessa faculdade de julgar que organiza a multiplicidade das leis empíricas, tal não é obstáculo a que se abra uma possibilidade à experiência que confirma e fortalece o juízo teleológico: a apreensão de formas específicas adequadas a um fim (MARQUES, 1987, p. 162).

No entanto, a coisa particular não se resume a uma função suplementar da faculdade de julgar. O conceito de finalidade não é constitutivo da experiência; isto é, não é um conceito empírico de um objeto, não sendo, portanto, nenhuma categoria, mas, no entanto, é pela experiência que se dá conta da finalidade de certas coisas.

Para Lebrun (2002), o organismo é sempre sobredeterminado pelo sistema transcendental, servindo apenas de apoio suplementar na organização sistemática kantiana. Contudo, para Marques não é a forma natural particularizada que está sobredeterminada pelo conceito lógico, mas é este conceito “que se descobre por semelhança com aquelas coisas cuja existência pressupõe uma representação delas próprias” (MARQUES, 1987, p. 166). Marques

argumenta ainda, que, apesar de o sistema das leis empíricas prescindir do conceito de causa final, Kant passa a falar de uma técnica real e que para legitimá-la, foi necessário o conceito de finalidade objetiva. “Por isso ele diz que é no princípio da faculdade de julgar já referido [teleológico], na técnica da natureza, que nasce o conceito de uma finalidade da natureza” (MARQUES, 1987, p. 165).

Kant, para não colocar em xeque sua filosofia transcendental, temia uma valorização excessiva do objeto, enquanto particular da experiência. Na terceira crítica Kant expõe sistematicamente que a natureza opera de uma forma real e objetiva, em sua configuração tanto interna quanto externa. No juízo teleológico, é a forma particular que exerce primazia em relação à multiplicidade das leis empíricas. Há sempre uma finalidade objetiva quando a natureza produz suas formas para a apreciação subjetiva da razão, finalidade objetiva própria do juízo estético.

O conceito de uma finalidade da natureza e, principalmente de uma técnica da natureza, tem a sua fonte no particular, numa coisa singular e que é uma forma determinada. É da percepção e consequente meditação sobre esta que se constitui o impulso para toda sistematização, e mesmo as operações que tomam parte na estrutura de sistematização, como seja, a analogia da constituição de afinidades, a

hierarquização de níveis e encaixe de classes, arrancam do particular (MARQUES,

1987, p. 168).

Uma questão se coloca: como é o processo de descoberta do sujeito transcendental dos objetos particulares, denominados de organismos ou formas naturais finais? Para Marques, o particular é dado pelo juízo reflexionante, que, a partir dele, inicia sua investigação até a descoberta das leis gerais. Isso pressupõe o conceito de uma estrutura interna do particular com um fim natural. Em outras palavras, é a possibilidade dessa estrutura a chave para compreender a finalidade objetiva intrínseca ao objeto particular.

A experiência conduz a nossa faculdade do juízo ao conceito de uma conformidade a fins objetiva e material, isto é, ao conceito de um fim da natureza, somente quando se tem que ajuizar uma relação da causa com o efeito, a qual só conseguimos descortinar como leal pelo fato de colocarmos a ideia do efeito no fundamento desta causalidade da causa, como a condição de possibilidade desse feito (KANT, 2008, p. 209).

Kant caminha para, além dos juízos determinantes da realidade formal matemática, considerar que existem objetos cujos princípios a priori do entendimento não poderão acessar e que somente pelo conceito de adequação a um fim poderão ser conhecidos. É pelo juízo teleológico que Kant, ao se deparar com os organismos, muda os parâmetros da experiência e a própria compreensão da natureza. A forma interna da matéria organizada

sugere a Kant a possibilidade da função regulativa da razão: ela pode supor a partir da própria técnica da natureza. Ou seja, ela age por si, ela possui um logos, ainda que indecifrável pelo entendimento.

Kant compreende que não se pode conhecer a intenção da natureza que resultou em sua forma final, mas insiste na possibilidade da importância de uma força que forma o orgânico que escapa à sua reflexão transcendental e, ao mesmo tempo, contempla sua própria filosofia ao se constituir numa passagem entre a natureza e a liberdade. “No entanto, é a partir do momento em que se reconhece esta faculdade à natureza livre que o intérprete da Crítica da Faculdade de Julgar é colocado numa encruzilhada” (MARQUES, 1987, p. 376).

O pensamento kantiano não reconhece uma ontologia da natureza; afirma apenas a sua forma de conhecimento, seja pelo entendimento, seja pelo juízo reflexionante. Ele, no entanto, abre as portas para a filosofia da natureza de Schelling e de Goethe, assim como para a geografia moderna de Humboldt. Esta última possibilitou não só a compreensão dos sujeitos enquanto seres oriundos e constituintes da natureza, mas também como seres que a transformam constantemente.