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BÖLÜM 3: YAZILIMLARIN MUHASEBELEŞTİRİLMESİ

3.3. Sipariş Üzerine Geliştirilen Yazılımların Muhasebeleştirilmesi

3.3.5. Vade Farkı Olması Durumunda Yapılması Gereken Kayıtlar

A pesquisa sobre o discurso em sala de aula, como já referido, tem sido desenvolvida com diferentes objetivos e utilizando-se diferentes metodologias. De acordo com Mercer (1998), as mais utilizadas podem ser categorizadas em:

1. observação sistemática: refere-se à inclusão das falas e condutas não- verbais de professores e/ou alunos em categorias previamente estabelecidas a partir de um modelo de ensino. Esta metodologia, em uma abordagem quantitativa, permite compreender as normas de organização e modos de ensinar em amplos levantamentos, pois se pode trabalhar com dados provenientes de muitas aulas. A limitação desta análise é que ela não permite capturar a dinâmica do discurso, a negociação de significados que se constrói continuamente e, portanto, parece inadequada quando se adota uma perspectiva sociocultural nos processos de ensino e aprendizagem (Mercer, 1998) Essa metodologia tem suas origens nos sistemas de categorias desenvolvidos para a descrição da interação em sala de aula orientada pelo paradigma processo-produto.

2. análise lingüística: refere-se à compreensão da estrutura do discurso em sala de aula a partir de conceitos desenvolvidos na lingüística sistêmica e tem demonstrado algumas limitações quando aplicado à compreensão do discurso em sala de aula de uma perspectiva sócio-cultural: não distingue entre regras lingüísticas e relações sociais; simplifica o conceito de contexto, diminuindo seu papel na construção de falas coerentes e coesas e não é projetada para lidar diretamente com o conteúdo da fala (Mercer, 1998).

3. pesquisa etnográfica: essa metodologia, com origem na Antropologia Social, foi adaptada para a área educacional e não apenas às investigações sobre o discurso em sala de aula (Mercer, 1998).Sua relevância para a compreensão da dinâmica da sala de aula, segundo Mercer (1998), deve- se ao fato de que é uma metodologia sensível ao contexto, à cultura e à construção conjunta da atividade de aprendizagem. As críticas a essa metodologia referem-se ao seu processo analítico, difícil de ser explicitado, embora o pesquisador possa fazer um esforço, ao apresentar a

sua análise, de expor as alternativas interpretativas e como elas foram consideradas (Mercer, 1998).

Neste trabalho, optamos por um procedimento metodológico que se aproxima, em algumas características, ao que é denominado por André (1995) de ‘tipo etnográfico’. Para esta autora, a metodologia de tipo etnográfico se diferencia da Etnografia desenvolvida e utilizada pela Antropologia. Algumas características que a definem e das quais a metodologia empregada neste trabalho se aproxima são:

• ênfase no processo, na descoberta de relações que vão surgindo no decorrer da análise;

• grande quantidade de material descritivo;

• formulação de hipóteses em lugar de teste de hipóteses.

No entanto, não consideramos que este trabalho possa ser considerado como de tipo etnográfico, preferindo denominar a metodologia aqui empregada de análise qualitativa descritiva.

3.1 Método 3.1.1 Participantes

O participante desta pesquisa é um professor de Biologia, com seis anos de experiência de ensino em cursos pré-vestibulares e Ensino Médio. Este professor foi escolhido por desenvolver aulas expositivo-participativas em sua prática docente e pelo interesse e disponibilidade que demonstrou em participar do trabalho. Além disso, é considerado, nas instituições em que atua, como professor com bom domínio de conteúdo.

3.1.2 Procedimentos

Essencialmente, os dados levantados/ coletados nessa investigação referem-se à interação professor-alunos durante as aulas e às concepções do professor que o orientam na escolha da aula expositivo-participativa como procedimento de ensino. Para tanto, foram utilizados dois tipos de instrumentos para a coleta de dados: a observação e registro das aulas e a entrevista semi-estruturada.

Os dados da observação e registro das aulas referiram-se à interação professor-aluno- conteúdo que se dá por meio do discurso entre professor e alunos.

O registro das aulas foi feito por meio de gravação em fita cassete e anotações em diário de campo. Devido às limitações do equipamento utilizado para as gravações – que não permitia registrar as manifestações não verbais (gestos e expressões faciais) e nem todas as falas dos alunos – houve a necessidade de complementar o registro sonoro por meio das anotações, as quais se restringiram às falas dos alunos, principalmente dos que falavam em voz baixa e/ ou estavam distantes do gravador. As manifestações não verbais, tanto do professor quanto dos alunos, não foram registradas. Tentou-se, no registro escrito, identificar a procedência das falas dos alunos (a quais alunos correspondiam as falas) por meio de uma numeração. No entanto, esse registro foi precário nas situações em que vários alunos falavam ao mesmo tempo ou nas situações em que o intervalo de tempo entre uma fala e outra era muito pequeno. Os dados gravados em fitas cassete, complementados pelos registros escritos, foram transcritos para a análise.

O objetivo da entrevista foi o de buscar dados que pudessem contextualizar a prática docente do professor. Isso significa que estes dados, em si mesmos, não foram analisados, mas serviram como contexto interpretativo para a análise das aulas6.

Assim sendo, as questões propostas ao professor na entrevista referiram-se: às justificativas do professor para a opção pela aula expositivo-participativa; à experiência do professor neste tipo de aula; à formação acadêmica para desenvolver este tipo de ensino; à

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Candela (1998), referindo-se à interpretação de dados qualitativos na análise de seqüências interativas professor-alunos, afirma que a compreensão da interação requer a consideração de características particulares do contexto. Neste trabalho, as concepções do professor sobre a sua prática de ensino e sobre o conteúdo específico

natureza das questões que julga propor aos alunos e dificuldades que encontra para a elaboração e condução deste tipo de aula; à forma como o professor organiza os principais conceitos científicos e relações entre eles que foram objetos das aulas analisadas; aos problemas, de quaisquer natureza, por ele identificado nas seqüências interativas analisadas.

3.1.3 Situação de coleta de dados

Foram registradas as aulas desenvolvidas por este professor em duas classes, no período de 17/10/2003 a 17/12/2003. Ambas as turmas eram compostas de forma heterogênea em termos de gênero, etnia e idade e possuíam cerca de 40 alunos. Semanalmente, o professor ministrava uma aula, com duração de 50 minutos, em cada uma das turmas escolhidas. Ao todo foram gravadas 13 aulas. As aulas escolhidas para análise, por motivos relativos à qualidade da gravação e representatividade em termos de dinâmica da interação professor-alunos, foram quatro.