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UYGULAMADA KULLANILAN GİRDİ VE ÇIKTILARIN BELİRLENMESİ

Uma das principais obras de Bourdieu (1993) trata a respeito do que ele denomina como campo da produção cultural. De acordo com Johnson (1993), este campo é muito amplo e pode incluir vários outros subcampos, tais como o literário e o da arte os quais, quando convertidos em objetos de análise, tornam-se campos autônomos.

A estrutura desse campo é um espaço que engloba diferentes posições e que não é "nada mais do que uma estrutura de distribuição do capital com propriedades específicas que determina o sucesso no campo e na aquisição dos lucros externos ou específicos que estão em jogo no campo" (BOURDIEU, 1993, p.30). Os capitais em análise podem ser de diferentes tipos e podem assumir a forma de recursos financeiros, técnicos, culturais, dentre outros. Desta forma, a posição dos agentes que atuam no campo - que podem encontrar-se na posição de dominados ou dominantes – depende particularmente das propriedades específicas presentes no campo de produção cultural, pois por meio delas os agentes diferenciam-se entre si.

Conforme Johnson (1993), os dois tipos de capital que adquirem uma maior importância no âmbito do campo da produção cultural são o capital cultural e o capital simbólico. O capital simbólico diz respeito à acumulação de honra e de prestígio no campo e sua consagração, sendo que sua base encontra-se na dialética existente entre o conhecimento e o reconhecimento; já o capital cultural refere-se principalmente a determinados conhecimentos culturais acumulados pelos agentes . Nesse sentido, não basta que o indivíduo possua o habitus específico que lhe permita o acesso a um campo de produção cultural em particular, mas ele também deve possuir uma quantidade mínima de propriedades (tais como conhecimento, talento ou habilidades, que o torne apto a jogar o jogo daquela estrutura, ou seja, por meio dessas propriedades ele será visto pelos outros agentes como um jogador legítimo (JOHNSON, 1993).

Segundo Bourdieu (1993), o campo da produção cultural pode ser dividido entre o sub- campo de produção cultural restrito e o sub-campo de produção cultural de larga escala. O sub-campo de produção de pequena escala envolve níveis muito baixo de capital econômico e níveis muito elevados de campo simbólico específico. Inversamente, o sub-campo de produção de cultura de massa envolve, por meio de vendas mais elevadas, níveis de capital econômico que são relativamente elevados, e que encontram-se mais próximos dos níveis característicos dos que ocupam o campo de poder, ou seja, posições mais poderosas dentro do espaço social. No entanto, o preço a ser pago por tal capital econômico por agentes e

instituições no sub-campo da produção cultural de grande escala é um nível muito menor de lucro simbólico.

Outra característica do campo de produção cultural de pequena escala diz respeito ao fato de que neles há produtores que produzem para outros produtores, isto é, existe uma ‘arte pela

arte’. Já a principal característica do campo de produção cultural de grande escala é o fato de

produtores produzirem para o mercado, caso, por exemplo, do campo do jornalismo. Conforme abordado anteriormente, Bourdieu (1993) situa o campo da produção cultural dentro daquilo que ele denomina campo do poder, o qual contém forças diversas como a política e econômica. Nesse sentido, quanto mais autônomo for um campo, ou seja, quanto mais ele se aproximar do campo da produção restrita, menor influência ele sofrerá das forças econômicas e maior o poder simbólico que os produtores poderão obter. De forma contrária, quanto menor for a autonomia do campo, isto é, quanto mais ele se aproximar do campo da produção de grande escala, maior será a influência das forças do mercado na produção que ali é realizada.

Em sua obra denominada A Distinção, Bourdieu (2002) também deixa claro que o campo de produção cultural é mais ou menos constituído pela relação entre os dois sub-campos, ou seja, o campo de sub-produção de escala restrita e o sub-campo de produção em larga escala. Estes podem ser distinguidos, conforme abordado anteriormente, a partir do grau em que eles são autônomos do campo do poder. A produção em pequena escala é descrita como tendo um grau relativamente elevado de autonomia, mas nunca dotada de plena autonomia. Já a produção em massa é "heterônoma", uma vez que é sujeita às regras provenientes do mercado, mas também não são assim em sua plenitude. Bourdieu (2002) refere-se ao campo de produção de pequena escala como orientada para a produção de produtos artísticos puros e o campo de produção de grande escala orientado para a realização de bens culturais comerciais. Ao falar sobre o campo de produção em pequena escala, ele se refere a este como orientado a outros produtores e a conseqüência disto é que, ao rejeitar o mercado, os produtores culturais são levados praticamente a conversarem entre si.

Já Anheier, Gerhards e Romo (1995), ao explicarem que o campo da produção cultural restrita ou de pequena escala é relativamente autônoma das influências do mercado (a palavra

‘relativamente’ se deve ao fato de que, como dito antes, nenhum campo cultural escapa

totalmente das forças da economia), esclarecem que o sucesso econômico nesse contexto é algo secundário ao valor simbólico e os artistas competem para acumular capital cultural em forma de reconhecimento, reputação e legitimidade, e não para serem recompensados

financeiramente. Por outro lado, afirmam eles, no mercado de produção cultural de grande escala as considerações econômicas e o sucesso no mercado são predominantes e os artistas, nesse caso, competirão com o objetivo de serem recompensados financeiramente pelo mercado.

Ao falar sobre o campo da produção cultural de grande escala, Bourdieu (1993) afirma que este caracteriza-se pela submissão dos produtores culturais à demandas externas, ou seja, os produtores estão subordinados aos grupos que detêm o controle da produção e à mídia. Segundo ele, mesmo quando a produção cultural é destinada a um público mais restrito de

‘não-produtores’, ou seja, uma parcela específica de indivíduos que está inserida no grande

mercado de consumo, ainda assim essa produção pode atingir um público socialmente heterogêneo. Para Bourdieu (1993), o trabalho produzido no campo da produção cultural de grande escala é totalmente definido por seu público, ou seja, os produtores culturais que produzem esse tipo de arte optam por adequar as características técnicas e estéticas dessa arte às próprias características da classe social a qual eles querem atingir. Isso não impede o fato de que, como afirmado anteriormente, outras classes sociais também tenham acesso e comprem essa arte. É por isso que o autor afirma que o sistema de produção cujos produtos são destinados a categorias específicas, como jovens, mulheres, cr ianças, entre outras, não pode se contentar somente em intensificar o consumo dentro dessas classes determinadas, mas

“é obrigado a orientar-se em direção a uma generalização da composição social e cultural desse público” ou atingir um “alto denominador social” (BOURDIEU, 1993, p.126).

O presente trabalho, assim, pretende analisar um novo espaço que surgiu no interior do campo da comunicação no Brasil graças ao advento das novas tecnologias de informação e comunicação, qual seja, a blogosfera política alternativa. Tal espaço é formado por indivíduos, grupos e organizações que lutam para influenciar a configuração de tal espaço. Recorrendo à classificação adotada por Bourdieu (1993) no que se refere ao campo da produção cultural, pode-se afirmar que o campo da comunicação está inserido dentro de um campo maior, o de produção cultural. Enquanto os agentes que compõem a grande mídia fazem parte do que ele denomina como produção cultural de grande escala, a blogosfera política alternativa está vinculada à produção cultural de escala restrita, uma vez que outras forças além das econômicas orientam a produção de conteúdo por parte de seus agentes, ainda que elas também estejam nele presentes.

É importante mencionar o fato de que a opção por utilizar os conceitos elaborados por Bourdieu, especialmente o de campo, reside no fato de que eles expandem a possibilidade de

enxergar diferentes atores sociais que não exclusivamente indivíduos, grupos ou organizações, sem a necessidade de eliminar um ou outro da análise.

Com relação à potencialidade da aplicação da teoria de Bourdieu em estudos que tenham como intuito analisar o campo da mídia, Hesmondhalgh (2006) utiliza a teoria de campo da produção cultural de Bourdieu para também fazer uma reflexão sobre o jornalismo e a mídia em geral. Ainda que apresente algumas críticas ao autor decorrentes do fato dele não analisar mais profundamente as instituições responsáveis pelas produções de grande escala, ainda assim ele afirma que a aplicação da teoria de campo, juntamente com outros estudos críticos sobre a mídia, são bastante úteis para se e ntender a produção de noticias em grande escala, bem como sua história. O autor afirma que a teoria de Bourdieu ajuda a se pensar nas relações entre os diferentes campos (o de produção restrita e o de grande escala) e testá-las em trabalhos empíricos. Também, Hesmondhalgh (2006) ressalta que os estudos organizacionais baseados nessa perspectiva podem investigar até que ponto a autonomia das organizações que fazem parte do campo da mídia moderna são afetadas pela comercialização e mercantilização, forças que afetam diretamente o setor.

O presente estudo, dessa forma, constitui-se em um esforço por parte do pesquisador de contribuir para os estudos organizacionais no âmbito da cultura. A utilização dos conceitos propostos por Bourdieu, assim como foram bastante úteis para a análise de diferentes campos culturais como os mencionados acima, podem ser valiosos para a reflexão e o entendimento a respeito dos fenômenos que ocorrem no campo da comunicação no Brasil.