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Espaços institucionais de circulação dos textos de Burton na Inglaterra.

Durante as décadas de 1850 e 1860, o nome de Burton esteve associado às viagens de exploração e, principalmente, à geografia e à antropologia inglesas. Membro atuante da

Royal Geographical Society de Londres (RGS), ele contribuiu com artigos nas publicações

da sociedade desde 1854, quando publicou um texto sobre sua viagem à Meca.1 O autor recebeu a medalha de ouro em 1859 por sua exploração da África Oriental e pela “descoberta” do lago Tanganika durante a expedição, iniciada três anos antes, em companhia de John Hanning Speke, e esteve bastante envolvido nos acalorados debates sobre as origens do Nilo que dominavam boa parte dos interesses da. RGS para com a África naquele momento.

As ligações da RGS com o governo britânico e, de certa forma, com um programa expansionista, eram bastante fortes. Segundo Stafford, “durante todo o século XIX, a Inglaterra sustentou um programa de exploração científica ligado diretamente a seus interesses comerciais e imperiais”.2 E em especial a partir de 1850, quando a sociedade esteve sob influência de Sir Roderick Murchinson, esta ligação teria ficado ainda mais clara. Seus discursos anuais como presidente estão repletos de menções à “expansão nacional, assunções de superioridade moral e tecnológicas sobre outras raças, expressões de uma teologia natural, que via propósito nos padrões de assentamento humano e adaptação ao ambiente, e asserções sobre o direito e o dever britânico de agir à sua vontade ao redor do mundo.” 3

A ligação de Burton com o desenvolvimento da antropologia não é menos evidente. Ele era, também, membro participante da London Ethnological Society, tendo publicado

1 Desde esta data, Burton contribuiu com vários artigos para as publicações da sociedade, praticamente em

todos os anos até 1864, quando suas contribuições começaram a rarear. Além disso, teve as suas três expedições, durante a década de 1850, à Meca, à África Oriental, e ao lago Tanganika, financiadas pela própria instituição.

2 Stafford, Robert. Scientific Exploration and Empire. in: The Oxford History of British Empire, vol 3,

Andrew Porter (Ed.), Oxford and New York: Oxford University Press, 1989, p. 296. Minha tradução.

artigos nos veículos de divulgação desta sociedade, desde 1861. Mais do que isto, Burton participou de forma importante na cisão que ocorreu nesta sociedade em 1863, tendo presidido a mesa da fundação da A. S. L., durante um de seus períodos de licença do consulado em Fernando Pó.

Por sua vez, as aspirações expansionistas não pareciam ficar em segundo plano para os membros da A. S. L. Em jantar de despedida de Burton, devido à sua indicação como cônsul no Brasil, a presidência da mesa foi ocupada por Lord Stanley (que, como se viu, seria nomeado secretário de relações exteriores em 1866). Stanley, nas linhas iniciais de seu discurso na despedida de Burton, afirma que não sabia se o príncipe da Inglaterra era um estudante de antropologia, mas que tem certeza que...

“he should be, considering the probability that in a distant day he came to rule an Empire that includes in itself all kinds of races and classes of men.”4

Em menção similar, Dunbar Heath, tesoureiro da sociedade, procurava assegurar a importância do antropólogo no processo de expansão britânica. Segundo ele, no discurso de comemoração do 5o aniversário, publicado no Journal of Anthropological Society¸ em 1868:

“It is ...the Anthropologist by whatever name he now goes, who must be consulted for the future help and guidance in the government of alien races”5

É preciso ressaltar, entretanto, que estas sociedades não podem ser representadas como expressões uníssonas de determinada ideologia. Embora seja possível identificar tendências metodológicas, políticas e ideológicas mais gerais que orientaram a ação e a produção destas instituições, não se pode deixar de notar a existência de vozes dissonantes no interior de cada uma delas.

4 “ele deveria ser, considerando a possibilidade que num dia distante ele venha a governor um Império que

inclua em si mesmo tipos de todas as raças e classes de homens.” Anthropological Review, vol. 3, 1865, p. 169.

5 “É … o antropólogo por qualquer nome que ele tenha agora, que deve ser consultado para a ajuda e a

direção future no governo de raças alienígenas.” Heath, Dunbar. “Anniversary Address Delivered Before the

Anthropological Society” in: Journal of Anthropological Society, vol. VI, 1868, p lxxxiv. Fazendo desta

forma, nas palavras de Burrow, a ‘ economia política ser baseada na Antropologia.” Burrow, J. W. Evolution

Royal Geographical Society.

A idéia da fundação da RGS surgiu em 1830, em uma reunião presidida por John Barrow, que ocupava então o cargo de Segundo Secretário Permanente do Almirantado. O fato de Barrow ter presidido esta reunião pode ser considerado como indicativo da forte influência exercida sobre a sociedade por parte de uma estrutura ligada ao governo inglês. Num folheto sobre as propostas de criação da sociedade, Barrow afirmava que:

“A society was needed whose sole objects should be the promotion and diffusion of that most important and entertaining branch of Knowledge – Geography.[...] that its advantages are of the first importance to mankind in general, and paramount to the welfare of a maritime nation like Great Britain, with its numerous and extensive foreign possessions.”6

De fato, a principal ênfase e os principais financiamentos conseguidos pela RGS nos primeiros anos, foram conferidos, não por acaso, à viagens e mapeamentos marítimos.7 Boa parte dos sócios e, principalmente, dos membros do conselho eram também oficiais da marinha britânica.

6 “Uma sociedade era necessária, cujos únicos objetivos deveriam ser a promoção e difusão deste ramo do

conhecimento dos mais importantes entretenedores – Geografia. […] que suas vantagens são das primeiras em importância para a humanidade em geral, e predominântes para o bem estar de uma nação marítima como a Grã Bretanha, com suas nomerosas extensivas possessões estrangeiras.” e Folheto reproduzido em Mill, Hough Robert., The Record of the Royal Geographical Society, 1830-1939. The Royal Geographical Society, London: 1930, p. 17.

7 Alem de Barrow, o conselho da Royal Geographical Society continha outros oficiais da marinha britânica

que acabavam por tornar a sociedade muito ligada aos quadros administrativos do governo imperial, tais como Francis Beaufour, por exemplo. De acordo com um biógrafo de Beaufour, ele representava um papel de intermediário entre a sociedade científica e o governo: “Wearing one hat, that of a fellow of a learned society,

he could enlist himself, or be enlisted in the course of one or another scientific enterprise; thereupon, wearing a second, official hat, he was in a position to forward it by furnishing ships, officers, equipment, instruments and, most important, finance”. Apud. Driver, Felix. Geography Militant, Oxford: Blackwell Publishers, 2001,

p. 34. (“Usando um chapéu, aquele de uma sociedade intellectual, ele podia se alistar, ou ser alistado no curso de um ou outro empreendimento científico; logo depois, usando um segundo chapéu, oficial, ele estava numa posição de ajudar o empreendimento através do fornecimento de navios, oficiais, equipamentos, instrumentos e, mais importante, financiamento.”)

As propostas iniciais da sociedade revelavam intenções de fundar um centro de coleta, acumulação e divulgação de conhecimento geográfico, gerando uma produção “científica” útil para a nação britânica, ao mesmo tempo que deveria se encarregar de assegurar a divulgação deste conhecimento para um público cada vez mais amplo.

O surgimento da RGS aconteceu num contexto de proliferação de sociedades científicas na Inglaterra8. Este contexto apresentava também, segundo Felix Driver, a

multiplicação da própria produção do discurso geográfico. Este discurso, por sua vez, era bastante variado em suas características, desde suas fontes – que contavam com relatórios do F. O., relatos de viagem, entre outros – até suas formas de divulgação – publicações de sociedades científicas (e depois de 1830, pela própria RGS), até livros de literatura infanto- juvenil. Por outro lado, os produtores deste discurso variavam bastante também, incluindo viajantes, oficiais da marinha e exército, missionários, entre outros.9

Até a década de 1850, entretanto, as publicações da sociedade foram esparsas e, apesar da presença de nomes socialmente importantes e influentes em posições de comando ter sido importante para a sua manutenção durante as duas primeiras décadas, um dos resultados disto foi a pouca pertinência do conhecimento estritamente “científico” produzido pela sociedade. Mesmo que a própria noção do que era “científico” ou não estivesse também em debate. Os projetos de padronização e organização de conhecimento, presentes desde a fundação da RGS, nunca chegaram a ser atingidos, devido à heterogeneidade da composição de seus membros e às discussões sobre os próprios conceitos do que seria a ciência geográfica.

Como exemplo da preocupação com a padronização do conhecimento geográfico, Driver menciona a publicaçãodo texto Hints to Travellers, encartado na revista da sociedade em 1854. O objetivo do texto era orientar viajantes sobre quais tipos de dados seria necessário recolher em suas viagens. De fato, as inúmeras reedições do texto ao longo da segunda metade do século XIX revelam, segundo Driver, não o sucesso da obra entre os interessados, mas o debate sobre quais formas de produção científica tornnavam-se legítimas, uma vez que havia significativas alterações em cada uma das edições. Além

8 Foram fundadas, por exemplo, a Geological Society em 1807, Royal Astronomical Society em 1820, Royal

Asiatic Society em 1823, e Zoological Society em 1828.

disto, estas orientações destinadas ao ‘untrained gentlemanly traveller’ sofria forte resistência por parte de quadros mais treinados da sociedade como o próprio Burton por exemplo. Em seu prefácio em Lake Regions of Central Africa, ele refere-se explicitamente ao manual da RGS:

“Modern ‘hinters to travelers’ direct the explorer and the missionary to eschew theory and opinion. We are told somewhat peremptorily that it is our duty to gather actualities, not inferences – to see not to think; in fact, to confine ourselves to transmitting the rough material collected by us, that it may be worked into shape by the professionally learned at home. Byt why may not the observer be allowed a voice concerning his own observations, if at least his mind be sane and his stock of collateral knowledge be respectable?”10

A despeito da heterogeneidade dos quadros e das concepções no interior da sociedade, a partir da década de 1850 – sob influência de Sir Roderick Murchinson – ela começaria a atingir uma proeminência cada vez maior dentro de uma “ampla cultura pública de exploração”, através da influência de suas publicações, bem como devido à continuação da relação entre a sociedade e governo imperial.

Já se viu como a geografia, e mais especificamente a RGS, apresentava-se como braço científico importante da expansão imperial britânica. Mas não se pode pensar apenas na relação entre império e RGS, com o primeiro fornecendo a estrutura possível para a realização dos empreendimentos da segunda. Segundo Stafford, mais do que isto, a realidade das possessões imperiais britânicas tendia a formatar o próprio conteúdo cognitivo de disciplinas como geografia e geologia:

British geology and geography as well as other sciences [...] were significantly influenced by Britain’s possession of a colonial empire. Imperial concepts, metaphors, data and career opportunities informed the development

10 “Modernos “indicadores aos viajantes” orientam o explorador e o missionário à evitar a teoria e a opinião.

Nos dizem de modo um tanto peremptório que nosso dever é agrupar dados objetivos, não inferências – ver, não pensar; de fato, confinarmo-nos a transmitir o material bruto por nós coletado, para que ser trabalhado em pelos intelectuais treinados em casa. Mas por que não pode ser permitido ao observador uma voz no que diz respeito a suas próprias observações, se ao menos sua mente for sã e seu repertório de conhecimento colateral for respeitável?” Burton, Lake Regions... prefácio, p. vii.

of these disciplines, and their institutions in varying degrees expressed this ideological matrix.”11

A grande influência de Roderick Murchinson nas décadas de 50 e 60 na RGS certamente contribuiu para estreitar, ainda mais, a relação entre a produção do conhecimento geográfico e as representações imperiais da Inglaterra. Murchinson possuía grande penetração nos círculos governamentais ingleses no período, a ponto de conseguir indicação de cônsules e garantir a presença de uma comitiva científica junto à uma expedição militar, como no caso da campanha na Abissínia (atual Etiópia), em 1867.12

Entretanto, Driver faz uma ressalva sugerindo que não se pode radicalizar esta ligação direta entre RGS e Império, pois ao fim e ao cabo, os discursos presidenciais – momentos nos quais estas ligações eram reafirmadas e fortalecidas – tinham justamente a função de valorizar a própria sociedade. Conectar a sociedade à expansão imperial, mostrando-a como um veículo de captação e elaboração de conhecimento, projetando-a como seu braço científico parecia uma estratégia interessante. O argumento de Driver é que mesmo em momentos nos quais a sociedade parecia exprimir-se em uníssono, havia em seu interior vozes dissonantes, que faziam dela muito mais um centro de debates do que um lugar de afirmação de uma visão única da geografia.13

A despeito desta variedade de posicionamento quanto à questões específicas, Clive Barnett procura demonstrar como é possível recuperar a construção de um discurso

africanista nas publicações da sociedade – em especial nas décadas de 1850 e 1860 – o que

11 “A geologia e geografia britânicas, bem como outras ciências […] foram significativamente influenciadas

pela possessão de um império colonial da Bretanha. Conceitos, metáforas, dados e carreiras imperiais informaram o desenvolvimento destas disciplinas, e suas instituições em graus variados expressaram esta matriz ideologica.” Stafford, Robert. Scientist of empire: Sir Roderick Murchinson, Scientific exploration and

victorian imperialism. Cambridge: Cambridge Un. Press, 1989, p. 223.

12 Driver, Geography Militant…, p. 43. Um autor chega a considerar que a metade do século XIX foi um

período no qual a “RGS could be considered a non official extention of the Foreign Office and of the

Colonial Office ”. Dickenson, John. “The Naturalist on the River Amazon and a Wider world: Reflections on

the Centenary of Henry Walter Bates”. The Geographical Journal, vol. 158, No 2, julho de 1992, p. 210. 13 Havia na composição do quadro diretivo da RGS indivíduos com opiniões bastante diversas sobre as

populações africanas, por exemplo, como Francis Galton e Thomas Hodgkin, importante figura na sociedade para a proteção dos aborígines.

funcionava como legitimador da produção européia como único lugar no qual se podia produzir um discurso geográfico “científico”.14 Barnett é credor das concepções de discurso de E. Said e procura argumentar no sentido de mostrar como, dentro da construção do conhecimento geográfico europeu - mais especificamente na RGS:

“the subaltern races […] continue to be subsumed in the eagerness to affirm that Western geographical traditions were more varied then previous critiques allow.”15

Desta forma, apesar de quaisquer diferenças possíveis no processo de representação do “outro” e sem negar estas diferenças, há uma singularidade no discurso geográfico britânico, qual seja, a incapacidade de reconhecimento das possibilidades do “outro” (africano) produzir conhecimento. Desta forma, as diferenças encontradas no interior do discurso africanista só podem comportar um contra-discurso ainda dentro de um espaço discursivo metropolitano.

Mais do que isto, ao procurar marcar as diferenças com relação à África e seus habitantes, a geografia britânica realizava um segundo movimento discursivo que implicava uma homogeneização do próprio inglês, suprimindo diferenças de classe dentro da Inglaterra, criando a representação de uma identidade inglesa unificada, neste caso relacionada de forma clara à ideologia imperial.

Para demonstrar estas proposições, Barnett procura, ao longo de seu artigo, apresentar, nos relatos de viajantes na África, momentos em que as informações nativas são desacreditadas ou representadas como absolutamente confusas, conferindo credibilidade apenas ao conhecimento observado direto da natureza, pelo próprio viajante europeu. Desta forma:

"The actual conditions of cross cultural contact upon which the productions of nineteenth century geographical knowledge depended are

14 Barnett, Clive. “Impure and Worldly Geography: the Africanist Discourse of the Royal Geographical

Society”. Transactions of the Institute of British Geographers, New Series, vol. 23, n 2 (1998), pp. 239-251.

15 “As raças subalternas […] continuaram a ser subsumidas na ganância de afirmar que as tradições

geográficas Ocidentais eram mais variadas do que as críticas prévias permitiam supor.” Barnett, Impure and

retrospectively rewritten to present European subjects as the singular sources of meaning.”16

O processo retórico através do qual os viajantes europeus desqualificavam ou desacreditavam as informações e o “conhecimento geográfico” dos africanos cumpria a função de constituir a voz da Europa como o único canal de expressão legitimamente científico. Um dos sucedâneos desta retórica era a valorização do conhecimento produzido apenas pela observação direta do europeu.17 Barnett sugere que o debate em torno da origem do rio Nilo, por exemplo, derivou em grande parte da ausência desta ‘observação direta’. Tanto Burton, quanto Speke, baseavam seus argumentos sobre dados conseguidos através de informantes africanos ou mercadores árabes.

Durante os debates travados na R. G. S., no período imediatamente posterior à viagem, Burton chegou a afirmar que a questão da nascente do Nilo mantinha-se, naquele momento mais nebulosa do que antes, em razão das teorias sobre a questão estarem assentadas em informações nativas. Barnett sugere que, nestes momentos, pode-se ver o “discurso da exploração primeiro esvaziando o espaço, para então proclamar necessário preenchê-lo de sentido”.18

Parece claro que o conhecimento produzido pela RGS só pode ser compreendido dentro de um aparato europeu de representação e que, desta maneira, mesmo as mais diversas opiniões sobre as condições dos nativos africanos tendem a resultar na legitimação da instância científica européia como única capaz de gerar sentidos.

De fato, a revista da sociedade comportava representações bastante diferenciadas das possibilidades civilizacionais dos africanos, as quais variavam bastante. Sobre esta variação, vale destacar desde Livingstone, o mais famoso e mais influente viajante africano do meio do século XIX, que acreditava na possibilidade de melhoramento das condições de

16 “As condições reais de contato entre diferentes culturas das quais dependiam as produções do

conhecimento geográfico do século XIX são reescritas retrospectivamente para apresentar os sujeitos europeus como as fontes únicas de significado.” Barnett, Impure and Wordly Geography…, p., 244.

17 Obviamente não se pode negar que o desenvolvimento da geografia européia constituiu-se exatamente no

contato com as populações não européias. Discursivamente, entretanto, a estratégia era justamente a de apagar qualquer traço da presença não européia no processo de produção deste conhecimento.

vida na África, através da tutela européia, até as concepções de Sir Francis Galton, que atestavam a eterna inferioridade da ‘raça’ negra, devido à características raciais inatas e insuperáveis. Isto muito embora seja possível inferir, a partir de certas passagens do

Journal of R. G. S., que a sociedade tendia a preferir as imagens mais humanistas das

populações, que projetavam um futuro comercial sobre a tutela da Inglaterra, aproximando- se da opinião de Livingstone (ele mesmo um missionário). No discurso presidencial de 1860, a menção à representação de Burton sobre os africanos surge, como já se viu, da seguinte forma:

“The nature of life among the negroes of Eastern Africa as pictured in Captain Burton’s pages cannot fail to leave a painful impression on all lovers of the human race”. 19

Burton, ao retornar de sua grande viagem africana em busca das fontes do Nilo, tendia mais para Galton, do que para Livingstone. Mas, apesar das controvérsias sobre o sucesso de sua expedição, ele era certamente tido como um dos bons no quadro dos exploradores ligados à RGS até aquele momento. A sociedade tinha financiado parte de sua viagem para Meca em 1853, e depois para a África Ocidental e, finalmente, escolhera-o como líder da primeira expedição em busca das fontes do Nilo, que viria a ser a coqueluche da geografia inglesa dos anos seguintes.20