5.6. Varyant Konfigürasyon ve SAP ile MTO Yaklaşımı
5.6.2. Siparişe dayalı üretimde varyant konfigürasyon
5.6.2.3. Konfigürasyon profili ve nesne bağlantıları
“Os turcos nasceram para vender bugigangas coloridas em canastras
ambulantes.
Têm bigodes pontudos, caras de couro curtido,
braços tatuados de estrelas. Se abrem a canastra, quem resiste
ao impulso de compra?
É barato! Barato! Compra logo! Paga depois! Mas compra! A cachaça, a geléia, o trescalante fumo de rolo: para cada um
o seu prazer. Os turcos jogam cartas com alarido. A língua cifrada
cria um mundo-problema, em nosso mundo
como um punhal cravado. Entendê-los, quem pode? [...] Os turcos,
meu professor corrige: Os turcos não são turcos. São sírios oprimidos pelos turcos cruéis. Mas Jorge Turco
aí está respondendo pelo nome, e turcos todos são, nesse retrato tirado para sempre... Ou são mineiros
de tanto conviver, vender, trocar e ser em Minas: a balança
no balcão, e na canastra aberta
o espelho, o perfume, o bracelete, a seda, a visão de Paris por uns poucos mil-réis?”
(Carlos Drummond de Andrade, Os Turcos, Boitempo II, 1973)
O exotismo é um olhar que coloca o outro num esquema pré-estabelecido como um objeto inferior instrumentalizado. Consoante a José Leonardo Tonus (2005), o exótico no Relato é relativizado:
O Relato “pode propor para um público europeu o cruzamento de dois universos fantasiados, imaginados, construídos e desejados a partir dos fantasmas exóticos: os universos amazônico e oriental” (...) No Relato observamos a utilização de uma série de estratégias narratológicas e poéticas com o objetivo de neutralizar o aparecimento de uma deriva exótica. Entre as principais estratégias, podemos citar, por um lado, o emprego de sujeitos de enunciação próximos da situação narrativa e, por outro lado, o processo de dessacralização do elemento exótico. (...) Para Hakim, o autoexotismo é uma etapa transitória do seu processo de formação pluricultural cujo objetivo é levá-lo ao conhecimento dos outros e de si próprio. Nos contatos interculturais, o estereótipo cultural de que se compõe o elemento exótico hatoumiano pode também contribuir com o processo de comunicação, estabelecendo, como nos sugere o autor, zonas temporárias de tradução cultural que, apesar de sua equivocidade e limitação, conduzem o “Mesmo” a um diálogo com o “Outro” (TÔNUS, 2005).
3.7.1. Dorner
Dorner parece ser o único personagem consciente da sua condição de estrangeiro. Anda com sua câmera batendo fotos que servem de registros das memórias familiares da cidade. Ele é uma figura amistosa. Estabelece amizade com todo o mundo, embora seu olhar seja o do turista europeu. Segundo o relato de Dorner, o pai de Hakim teria partido para o Brasil não para “fazer a América”, mas para “enfrentar o oceano e alcançar o desconhecido, no outro lado da terra” (p. 72). No capítulo 5, Dorner comenta sobre o papel das Mil e uma noites como ponte da sua
amizade com o pai de Hakim. A visão orientalista do imigrante alemão Dorner acha que o pai mistura passagens da sua vida com As Mil e uma noites (FREIRE, 2006; MOREIRA, 2007):
O convívio com teu pai me instigou a ler As mil e uma noites, na tradução de Henning. A leitura cuidadosa e morosa desse livro tornou nossa amizade mais íntima; por muito tempo acreditei no que ele me contava, mas aos poucos constatei que havia uma alusão àquele livro, e que os episódios de sua vida eram transcrições adulteradas de algumas noites, como se a voz da narradora ecoasse na fala do meu amigo. No início da nossa amizade ele se mostrara circunspecto e reservado, mas ao concluir a leitura da milésima noite ele se tornara um exímio falador. Ás vezes, a leitura de um livro desvela uma pessoa. Mas o curioso é que ele sempre deixava uma ponta de incerteza ou descrédito no que contava, sem nunca perder a entonação e o fervor dos que contam com convicção. Os fatos e incidentes ocorridos na família de Emilie e na vida da cidade também participavam das versões confidenciais por teu pai aos visitantes solitários da Parisiense. O que me fez pensar foi a coincidência entre certas passagens da vida de outras pessoas, que mescladas a textos orientais ele incorporava à sua própria vida. Era como se inventasse uma verdade duvidosa que pertencia a ele e a outros. Fiquei surpreso com essas coincidências, mas, afinal o tempo acaba borrando as diferenças entre uma vida e um livro. P.79.
José Leonardo Tonus (2005) notou a visão exotizante de Dorner:
A percepção endótica da natureza amazônica proposta por Hakim na cena em que ele comenta a paixão de Dorner por orquídeas, ícone incontestável do exótico tropical, é um exemplo concreto de tal procedimento. Para o olhar europeu, as orquídeas encerram por si próprias uma possibilidade de evasão fantasmática, ao passo que para as personagens acostumadas à realidade exótica, como Hakim, tal percepção é inoperante. As orquídeas evocadas por Dorner com tanto entusiasmo e veemência eram para Hakim apenas “simples palavras” que encerravam algum “mistério” (p. 60) (...)A máquina fotográfica não somente dirige, conduz, reduz a percepção de Dorner, como também instaura entre a personagem e o objeto visado e visualizado uma relação de distanciamento. (...). As lentes de sua câmera, de seus óculos e as pupilas azuladas dos seus olhos formam no texto um único sistema ótico a tal ponto que ao olhar para a Hassel, Dorner “via seu próprio rosto” (p. 60). (TÔNUS, 2005).
O tema do olhar estrangeiro tem sido revisitado no conto “Manaus, Bombaim, Palo Alto”, que aborda a vida do Almirante indiano Rajiv Kumar Sharma em Manaus. O jornalista indiano visita a casa do escritor (narrador-personagem) a fim de conhecê-lo, e escreve em seu jornal que a casa do rapaz era uma imundície.