3. YÖNTEM
3.7 Uygulama Sürecine Hazırlık
No Brasil, o setor de EMHO surgiu entre os anos de 1950 e 1960 com o apoio da política de industrialização baseada na substituição de importações. Grande parte das indústrias de equipamentos médicos surgiu nesse período, com exceção das fabricantes do segmento odontológico que já existiam desde os anos de 1920. Em 1962 é fundada a representante de todos os segmentos da indústria nacional vinculada à saúde, a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (ABIMO).
Até a segunda metade dos anos de 1980 e início dos anos de 1990, a indústria do setor de EMHO no Brasil era beneficiada pelas políticas protecionistas do governo brasileiro, somadas ao incentivo as exportações. O setor nesse período se desenvolveu chegando aos anos de 1970 a atender a mais de 70% da demanda interna. O apoio
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protecionista ao setor, aliado a baixa concorrência com produtos importados, resultou em um mercado produtivo atuante em diversos segmentos, com reduzida produtividade, caracterizado pela pouca incorporação de novas tecnologias a produção.
Esse cenário de aparente vantagem ao setor brasileiro começou a sofrer alterações com as mudanças econômicas na década de 1990, caracterizada pela abertura econômica (redução das tarifas de importação e mudanças das leis de apoio à indústria local, entre elas as medidas de proteção). Ao relatar o histórico do setor no Brasil, PIERONI, REIS e SOUZA (2010, p. 196) assinalam que o processo de abertura comercial pelo qual a economia brasileira passou, atingiu fortemente “a indústria de EMHO no Brasil, em termos de preços, competitividade e diversidade dos produtos nacionais. O aumento da concorrência enfrentado pelas empresas nacionais levou à eliminação de algumas linhas de produção”. Mesmo alegando que algumas empresas conseguiram melhorar sua produtividade ao ter acesso a insumos tecnológicos avançados, esses autores descrevem outros efeitos negativos.
A valorização da moeda nacional no período subsequente à implementação do Plano Real, em 1994, reforçou esse processo, imprimindo uma competição ainda maior às empresas nacionais. O resultado foi uma diminuição significativa dos bens produzidos no país, entre eles, aparelhos de marca-passo e aparelhos complexos de laboratório (espectofotômetro e cromatógrafos). Ademais, a possibilidade de importação em condições significativamente competitivas incentivou as multinacionais a encerrarem a produção local de equipamentos radiológicos [(Abimo(2007); Furtado e Souza (2001)] (PIERONI, REIS e SOUZA, 2010, p. 196).
Com a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 1999, a indústria recebeu importantes alterações na produção, devido ao estabelecimento de um conjunto de medidas para garantir a melhora da qualidade, segurança e durabilidade dos produtos que estão expressas nas Boas Práticas de Fabricação – BPF.
De acordo com dados da Abimo referentes ao ano de 2009, 23,1% das empresas do setor no país eram de micro porte; 19,60% pequeno; 32,80% médio; e 24,50% grandes, destas sendo que maioria é oriunda de capital nacional (93%). Em relação ao destino da produção o principal comprador é o mercado interno, sobretudo o público (Sistema Único da Saúde), já a exportação tem uma participação marginal. As grandes empresas, nacionais e multinacionais, apesar de serem um número reduzido, tem
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conseguido através de estratégias de aquisição o controle de grande fatia do mercado nacional, expandindo inclusive para países da América Latina.
A indústria brasileira desse setor está concentrada em equipamentos e instrumentos com baixo emprego tecnológico o que faz com que elas sofram com a grande pressão do mercado externo que é altamente competitivo e dinâmico. Se compararmos os investimentos em P&D em toda a indústria de transformação brasileira, as pertencentes ao setor de EMHO estão acima da média nacional, mas estão muito aquém do observado nos mesmos setores (EMHO) de outros países.
O baixo desempenho do setor de EMHO nacional pode ser observado ainda pelos registros de patentes. Segundo Pieroni, Reis e Souza (2010, p. 201) com base no Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) “os agentes nacionais possuem 535 patentes registradas na área de equipamentos e materiais para saúde no Brasil, enquanto as maiores empresas da indústria em âmbito mundial possuem, individualmente, mais de mil patentes registradas em diversos países”. Especificamente em relação às patentes registradas no Brasil, a maioria delas é registrada por universidades e pessoas físicas.
No Brasil, um traço interessante é a grande importância do governo no desenvolvimento do setor. Diferentemente dos Estados Unidos, o Brasil possui um sistema de saúde público organizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que é o principal destino da produção interna. O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo. Segundo informações do Ministério da Saúde e veiculados pela Empresa Brasil de Comunicação em 2013, entre os anos de 2010 e 2012, foram feitos a cada ano 3,7 bilhões de procedimentos ambulatoriais, 531 milhões de consultas médicas, 11 milhões de internações e 33 milhões de procedimentos oncológicos. O sistema atendeu ainda 98% do mercado de vacinas e por 97% dos procedimentos de quimioterapia no país.
O diagnóstico do setor aponta a necessidade em se desenvolver ações para diminuir a vulnerabilidade das empresas do setor, principalmente das Micro e Pequenas empresas. Uma das ações é justamente, aumentar a participação das compras governamentais e organizá-las como políticas de apoio industrial. Como argumenta Gadelha, Costa e Maldonado (2012), as compras feitas pelo poder público, apesar de serem os principais e mais bem-sucedidos instrumentos para estimulo do setor, sobretudo pelo sistema de saúde universal, ainda existe um distanciamento entre o volume de financiamento público (potencial de compra) e aos atendimentos (demanda). Como bem aponta os autores, como base na Organização Mundial da Saúde, “o gasto
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público representa menos que metade do gasto total de saúde no país” (GADELHA, COSTA E MALDONADO, 2012, p.27).
Para Moreli et al (2010), as compras governamentais seguem o princípio da economicidade, competitividade, isonomia e eficiência, tendo com isso uma postura indiferente para suas aquisições tratando de forma igualitária todos os seus fornecedores, resultando na perda de oportunidades de privilegiar empresas inovadoras nacionais, sobretudo aquelas que estão iniciando seus esforços tecnológicos. As compras governamentais podem possibilitar, segundo Moreli et al (2010) em um:
“fôlego extra para essas empresas até que tivessem condições e estrutura para se apropriar integralmente dos benefícios gerados pelos resultados dos seus investimentos em P&D com a diminuição das dificuldades inerentes a estas atividades, como alto risco e alto grau de incerteza” (MORELI et al, 2010, p.28).
Por fim, esses autores concordam com a necessidade em se rever a regulamentação das compras governamentais. Para eles, um melhor planejamento das compras do governo resolveria um problema que tem impossibilitado não só o fortalecimento do setor de EMHO, mas também aumentaria os investimentos em P&D, ampliaria a “capacidade produtiva das empresas e os investimentos também para formação de redes de apoio ao desenvolvimento tecnológico e industrial”, oque de fato contribuiria para a configuração de um modelo para o desenvolvimento e fortalecimento do setor” (MORELI et al, 2010, p.28).
No quadro14 os autores apontam algumas ações para desenvolvimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde.
Quadro 14: Ações para desenvolvimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde.
Iniciativas Recursos e Medidas Responsável
Uso do poder de compra estatal para estimular a
produção local
Revisão da Regulamentação de Compras Governamentais: - pré-qualificação, isonomia
competitiva, desoneração tributária e encomenda de produtos estratégicos para a
inovação em saúde.
MS, BNDES, MPOG, MDIC, MF, MCT e Congresso Nacional Recursos: R$ 12 bilhões/ano entre 2008 e 2011. MS, UFs e Municípios
Expansão de recursos para P&D em áreas
estratégicas
Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em áreas prioritárias para a Saúde e constituição de
Centros Nacionais de Toxicologia e Pesquisa Clínica e Pré-clínica (ao menos duas redes) -
R$1,1 bilhão entre 2008 e 2013
MS
Infraestrutura científico-tecnológica: - R$ 500
milhões (2008 à 2013) MCT/FINEP
75 Financiamento
para ampliação de capacidade de
produção
Novo Profarma - R$ 3 bilhões entre 2008 e
2012. BNDES
Recursos Orçamentários do Ministério da
Saúde: - R$ 930 milhões entre 2008 e 2011 MS Formação de
redes de apoio ao desenvolvimento
Tecnológico e Industrial
SIBRATEC - Saúde PROGEX - Saúde: programa de apoio ao desenvolvimento
tecnológico e tecnologia industrial básica. MS/MCT/MDIC Fonte: Moreli et al (2010, p. 28).
Cabe um adendo ao se tratar das compras governamentais. Parte significativa das compras do setor privado, como as entidades filantrópicas, ao atenderem pelo SUS tem suas compras reembolsadas pelo governo, demonstrando com isso certa demanda do SUS em relação a atendimentos que não é suprida pelas unidades públicas, sejam elas as unidades de saúde (postos de saúde) e hospitais.
Sobre o comércio exterior realizado pelo setor de EMHO, como já mencionado anteriormente, o Brasil exporta pouca parcela de sua produção, devido a pouca competitividade dos produtos em um mercado comandado por grandes corporações, como a Johnson & Johnson, Siemens, Philips e Roche, por exemplo. Além disso, a balança comercial brasileira do setor recorrentemente apresenta resultados negativos, ou seja, déficits.
Na tabela 15 apresentamos dados referentes ao comércio realizado pelo setor entre 2013 e 2015, apenas para efeito de comparação.
Tabela 1: Comércio externo da indústria brasileira de EMHO entre 2013 e 2015 em milhões de US$.
2013 2014 2015
Segmentos Exp. Imp. Exp. Imp. Exp. Imp.
Consumo 350,2 1.246,1 363,7 1.217,2 330,3 1.139,3 Equip. Médicos 76,6 990,1 65,7 1.012,6 82,8 785,6 Implantes 132,6 720,2 135,9 727,6 135,9 578,6 Laboratório 36,5 1.103,8 84,4 1.050,5 95,0 846,1 Odontologia 116,0 130,5 117,6 114,6 104,5 106,0 Radiologia 25,6 710,4 27,5 652,8 29,8 573,7 Total 737,7 4.901,4 795,0 4.775,6 778,5 4.029,4 Fonte: ABIMO (2015).
Notamos com os dados apresentados na tabela 15, que o segmento com maior participação nas exportações é o de consumo, responsável por pouco mais 42% do total exportado. Como apontado anteriormente, trata-se do segmento no qual a produção requer um emprego tecnológico e de P&D mais modesto quando comparado aos demais
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segmentos do setor. O segmento de laboratórios, foi o que mais cresceu, passando de quase 5% em 2013 para 12% em 2015.
Em relação as importações, o segmento de materiais de consumo também lidera no total comercializado (28% do total importado), sendo seguido do segmento de laboratórios (21%), equipamento médicos (19,50%) e radiologia (14%). Estes três segmentos somam quase 55% do total importado. Logo, notamos que o Brasil ainda depende fortemente da importação de equipamentos médicos de maior emprego tecnológico, o que impacta de forma incisiva o saldo comercial do setor, de acordo com o apresentado no quadro 16.
Tabela 2: Saldo da balança comercial da indústria brasileira de EMHO entre 2013 e 2015 em milhões de US$. Segmentos 2013 2014 2015 Consumo -895,9 -853,4 -808,9 Equipamentos -913,5 -946,9 -702,8 Implantes -587,6 -591,7 -442,6 Laboratório -1.067,30 -966,1 -751 Odontologia -14,5 2,9 -1,4 Radiologia -684,7 -625,2 -543,9 Total -4.163,70 -3.980,50 -325 Fonte: ABIMO (2015).
Em 2015, os principais países para onde o Brasil exportou foram os Estados Unidos, Argentina, Venezuela, México, Colômbia, Bélgica, Chile, Paraguai, Uruguai e Suíça, estes corresponde a pouco mais de 65% do total exportado, ou US$ 509.132.544. Como pode ser observado os principais destinos das exportações brasileiras são países da América Latina, com destaque para os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul), que importa majoritariamente materiais de consumo. Já os principais parceiros brasileiros no que diz respeito às importações são os Estados Unidos, Alemanha, China, Japão, Malásia, Suíça, França, Irlanda, Porto Rico e Reino Unido, que representam 80% do total importado, ou US$ 3.234.092.723.
De acordo com dados fornecidos pelo site da BHD, das 486 empresas do setor, 275 (57%) exportam. Dessas, 226 ou 82% possuem estrutura para exportar. Buscando impulsionar as exportações do setor e tornando a produção nacional mais competitiva, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) classificou as indústrias do setor como áreas que devem receber estratégias políticas de promoção ao comércio exterior. Para tanto, é reconhecido que se torna necessário à eliminação de alguns
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gargalos que são verdadeiras fragilidades competitivas e que escancaram as grandes diferenças entre as empresas nacionais, sobretudo aquelas de capital nacional, e as multinacionais atuantes em outros países, sejam em termos de tamanho ou de capacidade tecnológica, inovativa e produtiva.
Como resultado de diagnósticos sobre o setor a ABDI (2009, p. 20) tem indicado a necessidade em se criar mecanismos de investimentos em tecnologia e em escala de produção, assim como o desenvolvimento de relações cooperativas inter-empresas. As instituições de pesquisa e universidades, tanto privadas quanto públicas, também são importantes nesse ambiente, uma vez que possibilitam a viabilização do “aprimoramento da inserção comercial externa brasileira no campo dos equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos (EMHO)” (ABDI, 2009, p. 20).
Uma importante iniciativa de apoio ao setor EMHO é o Brazilian Health Devices (BHD), um projeto setorial executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil). O projeto tem como objetivo, fomentar as exportações das indústrias se artigos e equipamentos da área da saúde, além de atuar como representante internacional das empresas associadas ou participantes do projeto. Desde a sua criação o projeto setorial BHD, tem contribuído de forma efetiva para aumentar as vendas externas das empresas participantes (aumento de 260%), ajudado a 80% dos exportadores desenvolver estruturas capazes de atender a demanda internacional e tem empregado mais de 930 funcionários, a maioria no Brasil.
Um aspecto interessante é a existência de um mecanismo de governança, um comitê gestor com a finalidade de discutir, avaliar e validar as ações e decisões apresentadas pelo gestor do projeto, além de avaliar o desempenho e andamento do mesmo. O comitê é formado por representantes de onze empresas, além do gestor do projeto na Apex-Brasil e do gerente do projeto na ABIMO.