2. BÖLÜM
3.5. Yasal Düzenlemelerde Genç İşsizliği
3.5.2. Ulusal Programlar
O CDC enumerou, de forma exemplificativa, as cláusulas abusivas em seu art. 51 e, uma vez constatadas tais cláusulas em contratos de consumo, serão elas consideradas nulas de pleno direito. Como exemplo, são consideradas nulas aquelas que estabelecem obrigações iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou seja, incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.
Nos contratos firmados antes da Lei nº 9.656/98 e não adaptados, não raras vezes constatam-se cláusulas abusivas, desfavoráveis aos consumidores e enquadradas no art. 51 do CDC.337 Com base na interpretação da própria Lei de Planos de Saúde, a jurisprudência tem se consolidado no sentido de não admitir determinadas condições previstas nos contratos firmados antes de sua vigência, por considerá-las abusivas à luz do CDC.
Nesse sentido, foi publicada pela Secretaria de Direito Econômico a Portaria SDE nº 3, de 19.03.1999, a qual elencou como abusivas as seguintes cláusulas previstas em contratos de planos de saúde firmados antes da Lei nº 9.656/98:
a) cláusulas que determinem aumentos de prestações por mudanças de faixas etárias sem previsão expressa e definida; e
337 Não se diga que nos contratos firmados sob a égide da Lei nº 9.656/98 estas cláusulas também não sejam diagnosticadas. No entanto, neste trabalho, optou-se por tratar de forma mais pormenorizada das cláusulas abusivas nos contratos anteriores à Lei nº 9.656/98, ante a sua maior ocorrência.
b) cláusulas que imponham limites ou restrições a procedimentos médicos (consultas, exames médicos, laboratoriais e internações hospitalares, UTI e similares) contrariando prescrição médica.
Ainda como exemplos de cláusulas consideradas abusivas nos contratos anteriores à Lei nº 9.656/98, citamos as cláusulas que limitam a internação; que excluem tratamento de AIDS, órteses e próteses, transplantes, quimioterapia e radioterapia, entre outras.
A jurisprudência dos Tribunais pátrios tem considerado abusivas tais exclusões, conforme decisões abaixo colacionadas:
“Plano de Saúde. Quimioterapia e radioterapia. Negativa de cobertura. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor aos contratos de seguro. Contrato realizado antes da vigência da Lei 9.656/98, com periódicas renovações. Necessidade de adaptação do contrato à legislação pertinente à matéria, segundo a qual não pode ser excluída da cobertura para sessões de quimioterapia e radioterapia”. (Apelação Cível nº 70012886123, 6ª Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ney Wiedemann Neto, 21.09.2006)
“Contrato. Adesão – Plano de Saúde – Cobertura – Exclusão de doença infectocontagiosa de notificação compulsória. Cláusula abusiva – Ação procedente – Recurso provido para esse fim”. (Apelação Cível nº 270.070-2-SP, 4ª Câmara Cível, Relator Des. Aguilar Cortez, j. 05.12.1996)
“Convênio de Assistência Médico-hospitalar – Cláusula contratual que prevê o limite de cinco dias para internação em UTI – Inadmissibilidade – Criação de
vantagem exagerada para o convênio com restrição do direito do conveniado. Decretada a nulidade da restrição”. (Apelação Cível. nº 265.470-2/5, 9ª Câmara, de 26.10.1995, Relator Des. Celso Bonilha)
“Plano de Saúde. Stent. Abusividade da cláusula de exclusão. Stent não pode ser considerado uma prótese, vez que visa dar suporte ao vaso dilatado. A definição e a utilização do stent não se enquadram na definição de prótese. Contrato realizado antes da vigência da Lei. 9.656/98, com periódicas renovações”. (Apelação Cível nº 70014508204-RS, Relator Ney Wiedemann Netto)
O Superior Tribunal de Justiça também teve a oportunidade de examinar a matéria e assim decidiu sobre os referidos temas:
“Seguro saúde. Cobertura. Câncer de pulmão. Tratamento com quimioterapia. Cláusula abusiva. O plano de saúde pode estabelecer quais doenças estão sendo cobertas, mas não que tipo de tratamento está alcançado para a respectiva cura. Se a patologia está coberta, no caso, o câncer, é inviável vedar a quimioterapia pelo simples fato de ser esta uma das alternativas possíveis para a cura. A abusividade da cláusula reside exatamente nesse preciso aspecto, qual seja, não pode o paciente, em razão de cláusula limitativa, ser impedido de receber tratamento com o método mais moderno disponível no momento em que instalada a doença coberta”. (REsp. 668.216-SP, 3ª Turma, STJ, Relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, 15.03.2007)
“Contrato de Seguro-Saúde. Transplante. Cobertura do Tratamento. Cláusula dúbia e mal redigida. Interpretação favorável ao consumidor. Art. 54, parágrafo 4º, CDC. Recurso Especial. Súmula/STJ. Enunciado. Precedentes. Recurso não conhecido.
(REsp. 311.509-SP, STJ, 4ª Turma, Relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar)
“PLANO DE SAÚDE. UNIMED. Limite de internação. Cláusula inválida.
É inválida a cláusula do plano de saúde que limita o tempo de internação hospitalar e exclui os exames que nesse tempo se fizerem necessários ao tratamento do paciente”. (REsp. 434.699- RS, STJ, Ministro Ruy Rosado de Aguiar)
“AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA SECURITÁRIA. PRÓTESE NECESSÁRIA AO SUCESSO DA CIRURGIA COBERTA PELO CONTRATO. IMPOSSIBILIDADE DE RECUSA. INCIDÊNCIA CDC. SÚMULA 83/STJ.
1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em repudiar a recusa de fornecimento de instrumental cirúrgico ou fisioterápico, quando este se encontrar proporcionalmente interligado à prestação contratada, como é o caso de próteses essenciais ao sucesso das cirurgias ou tratamento hospitalar decorrente da própria intervenção cirúrgica. 2. Encontrando-se o acórdão recorrido em harmonia com o entendimento firmado nesta Corte Superior de Justiça, incide à hipótese o enunciado da Súmula 83/STJ, aplicável também ao recurso interposto com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional.
3. Não tendo o agravante trazido qualquer razão jurídica capaz de alterar o entendimento sobre a causa, mantenho a decisão agravada pelos seus próprios fundamentos.
4. Agravo regimental não provido”. (Agravo Regimental nº 1226643, 4ª Turma, Ministro Luis Felipe Salomão)
“DIREITO CIVIL E CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE. INCIDÊNCIA DO CDC.
PRÓTESE NECESSÁRIA À CIRURGIA DE ANGIOPLASTIA. ILEGALIDADE DA EXCLUSÃO DE “STENTS” DA COBERTURA SECURITÁRIA. DANO MORAL CONFIGURADO. MAJORAÇÃO DOS DANOS MORAIS.
- Conquanto geralmente nos contratos o mero inadimplemento não seja causa para ocorrência de danos morais, a jurisprudência desta Corte vem reconhecendo o direito ao ressarcimento dos danos morais advindos da injusta recusa de cobertura de seguro saúde, pois tal fato agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do segurado, uma vez que, ao pedir a autorização da seguradora, já se encontra em condição de dor, de abalo psicológico e com a saúde debilitada.
- A quantia de R$ 5.000,00, considerando os contornos específicos do litígio, em que se discute a ilegalidade da recusa de cobrir o valor de “stents” utilizados em angioplastia, não compensam de forma adequada os danos morais. Condenação majorada. Recurso especial não conhecido e recurso especial adesivo conhecido e provido”. (REsp. 986947/RN, 3ª Turma, Ministra Nancy Andrigui)
“DIREITO CIVIIL E DO CONSUMIDOR. PLANO DE SAÚDE, LIMITAÇÃO TEMPORAL DE INTERNAÇÃO. CLÁUSULA ABUSIVA. CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR. ART. 51, IV, UNIFORMIZAÇÃO
INTERPRETATIVA. PREQUESTIONAMENTO IMPLÍCITO. RECURSO
CONHECIDO E PROVIDO.
„(...) Ensejei a subida do recurso em razão da controvérsia existente na matéria, inclusive no âmbito das Turmas desta Segunda Seção. Fortes os fundamentos de ambas as correntes. De um lado, a liberdade de contratar, a regra do art. 1.460 do Código Civil („quando a apólice limitar ou particularizar os riscos do seguro, não responderá por outros o segurado‟) e a obrigação do Estado, e não da iniciativa
privada, de garantir a saúde da população. De outro, a hipossuficiência do consumidor, o fato de o contrato ser de adesão, a nulidade de cláusula que restringe direitos e a necessidade de preservar-se maior dos valores humanos, que é a vida. Ponderando as duas correntes, tenho que mais acertada a segunda, notadamente por não encontrar justificativa na limitação de internação imposta pelas seguradoras. Se a doença é coberta pelo contrato de seguro (e isso a recorrida não nega), não se mostra razoável a limitação a seu tratamento. Até porque o consumidor não tem como prever quanto tempo durará sua reabilitação)”. (REsp. 251.024/SP, 27.09.2000)338
Pelo que se observa, portanto, os planos de saúde firmados antes da Lei nº 9.656/98, embora não estejam a ela subordinados, estão sujeitos à aplicação do CDC, o que abre discussão para inúmeras hipóteses de pretensão de exclusão de coberturas que acabam sendo consideradas abusivas pelo Poder Judiciário.