Hukuki Sorunlar*
II. OTONOM ARAÇLARIN GELİŞİM AŞAMALARI
III. KARA ULAŞIM ARAÇLARI ve TRAFİK DÜZENİ İLE İLGİLİ ÜLKEMİZDEKİ YASAL DÜZENLEMELER
No intento de proteger, formar e civilizar o infante a escola moderna vai lançar mão de uma tática que se transformará em seu mecanismo mais evidente e característico, a vigilância e o controle.
Há sempre uma desconfiança básica em relação aos instintos da criança que é simultaneamente vista como inocente e pecadora, pura e perversa, honesta e mentirosa, bondosa e cruel. Essa suspeita demanda um constante controle de suas atividades, desejos e pensamentos. A criança deve ser ensinada a confessar seus mais leves deslizes em ação e em espírito. A rotina escolar precisa ser planejada para evitar as falhas, o espaço livre para o ingresso da tentação. No regulamento das escolas de Port Royal de 1721 lê-se: “É preciso vigiar as crianças com cuidado, e jamais deixá-las sozinhas em nenhum lugar, estejam elas sãs ou doentes” (PASCAL Apud ARIÉS, 1960/1978, p. 141-2).
Na escola jesuíta vemos a disciplina militar dar conta dessa tarefa. A Ratium é bastante meticulosa na descrição dos deveres, obrigações e punições, sempre insistindo na obediência ao superior e na prestação de contas. Para a garantia da ordem será nomeado
“em cada classe um censor público, ou, se não soar bem o nome de censor, um decurião-chefe ou pretor, e para que seja mais respeitado pelos condiscípulos deverá ser distinguido com algum privilégio e terá direito de impor, com a aprovação do mestre, algumas penas menores aos companheiros” (O MÉTODO, 1599/1952, p. 174).
Em Coménio é o sistema de controle em ramos:
Se os alunos forem divididos em várias turmas, por exemplo de dez alunos cada uma; e se se colocar à frente de cada uma um aluno que vigie os outros, e à frente desses chefes de turma, outros alunos e assim sucessivamente até o chefe supremo (COMÉNIO, 1657/1985, p. 281).
O próprio espaço escolar deve ser desenhado para tornar mais fácil a tarefa da vigilância. Nesse sentido o projeto do panótico de Bentham é imbatível. Ao criar a sua famosa torre de vigilância que permite observar todos, todo o tempo, explicitou as bases daquilo que deveria ser feito nas instituições de controle como prisões, hospitais e escolas. No que diz respeito a estas ele sugere que as crianças se possível deveriam estar todo o tempo sob o olhar do mestre (BENTHAM, 1787/2000). Embora a arquitetura escolar não tenha seguido essas recomendações ao pé da letra, sua influência é clara na forma como a escola se organiza em dispositivos como o das janelinhas nas portas das classes que permitem sempre observar o que acontece em seu interior sem que seja necessário abrir a porta.
Toda a atividade escolar está submetida ao regime da vigilância e do controle cada dia mais minucioso e abrangente. As escolas que oferecem a possibilidade dos pais conferirem pela internet o que seus filhos estão fazendo a qualquer momento são apenas a versão mais atualizada de um mecanismo sempre presente; são a realização tecnológica do panótico que assim, finalmente, chega de fato à escola.
Outros elementos desenvolvidos para o controle constante são os relatórios que sempre são verificados e transmitidos a superiores. As visitas periódicas de supervisores e a imensa burocracia que atola a mesa de diretores impedindo-o de utilizar o seu tempo para organizar o projeto pedagógico da escola são exemplos desse sistema. Alunos, professores, coordenadores aprendem desde cedo que mais importante do que fazer alguma coisa de fato é garantir que os formulários estejam todos preenchidos de forma correta dentro do prazo. Qualquer desvio do padrão deve ser relatado e suprimido. Não importa que não seja viável nem desejável verificar todos esses dados. O imprescindível é que se tenha sempre a sensação de que alguém pode estar conferindo a qualquer momento. Isto basta para criar a sensação de onipresença. Aliás, onde a vigilância não pode alcançar, a idéia de que Deus tudo vê vai preencher a lacuna (REICH, 1933/1970).
Nesse contexto, também, os exames, as provas, pouco servem para uma avaliação mais profunda do processo de aprendizado. Sua principal função é a punição, a ameaça que permite manter o poder do professor. Propicia ainda que se conheça melhor o indivíduo. A escola fará o registro do indivíduo, manterá sua história arquivada para futuras averiguações (FOUCAULT, 1987).
Um dos alvos mais diretos, porém raramente mencionado hoje em dia, é a sexualidade infantil. Na constituição da escola as recomendações para que se evitem situações que possam despertar os instintos são bastante comuns. Os trabalhos dos grandes moralistas do século XVII, não deixam dúvida de que na visão ascética da Modernidade é preciso impedir a manifestação da sexualidade da criança, vigiá-la, controlá-la e ameaçá-la para que ela aprenda um comportamento compatível com os tão decantados princípios morais da sociedade (ARIÉS, 1960/1978).
No começo do século XVIII, de repente se dá uma importância enorme à masturbação infantil, perseguida por toda a parte como uma epidemia repentina, terrível, capaz de comprometer toda a espécie humana (FOUCAULT, 1979, p. 232).
Aos poucos, no entanto, a sexualidade infantil é negada como um fenômeno inexistente. Quando algum caso real desmente a noção de pureza da criança é sempre
atribuído às influências externas como adultos pedófilos ou o contato com situações de promiscuidade ou ainda ao papel estimulador da mídia. Atualmente, mesmo mais de cem anos depois de Freud, educadores e pais negam que suas crianças tenham quaisquer fantasias e impulsos sexuais que sejam apropriados e façam parte de seu crescimento e a escola não dá lugar para esse tipo de manifestação.
A sexualidade só entra no espaço escolar como conteúdo a ser estudado e discutido em termos teóricos, geralmente em uma atitude de amedrontamento e cautela. Grupos de orientação sexual são estruturados com o objetivo explícito de tentar retardar ao máximo a experiência sexual de adolescentes. Para crianças menores o tema se equivale praticamente à fisiologia e à biologia e é comum ouvir das crianças que é um assunto chato. Isso tudo, em um ambiente cultural dominado pela Indústria Cultural que faz da sexualidade um produto de consumo, inclusive para crianças. A exclusão da sexualidade, enquanto experiência pessoal de prazer e de troca de afeto no desenvolvimento dos jovens torna-os ainda mais suscetíveis aos apelos deste comércio8.
Para que as expressões da sexualidade não surjam espontaneamente no ambiente da escola faz-se necessária a remoção de toda a atividade livre. Os recreios precisam ser monitorados, quando não são dirigidos com atividades apropriadas. Não se permite às crianças brincar em lugares onde não possam ser vistas.
A tática da fiscalização ininterrupta está intimamente relacionada à inflexibilidade e à constância absoluta do caráter moderno. A sensação de controle contínuo faz com que a estrutura biofísica se torne uma barreira tenaz, que não permite tolerância. Na estruturação da couraça a vigilância anda de mãos dadas com a culpa, a vergonha e o temor.