Silah K avramı*
I. KAVRAM OLARAK SİLAH
4. Bazı Suçların Faili Olarak Nöbetçinin Sahip Olduğu Silah (AsCK m. 15)
Outra característica típica da escola que se engendra desde o início da era moderna é o seu distanciamento em relação à sociedade. A instituição escolar nasce entre muros.
O primeiro grande modelo escolar desse período foi criado pelos jesuítas para poder executar sua tarefa de recuperação e propagação da tradição papal, fazendo frente ao movimento da reforma e servindo como instrumento de catequização e conquista de novos adeptos. Sua constituição foi um trabalho coletivo de mais de cinco décadas de experiências em diferentes condições e lugares que, ao final do século XVI, resultaram em um grande tratado, a Ratio Studiorum, em que se estabelecia o sistema que deveria ser adotado por todas as instituições da Ordem. Nele, como afirma Franca em seu prefácio à edição da Ratio, é possível reconhecer a contribuição da tradição escolástica por meio da Universidade de Paris, assim como do regime disciplinar dos monastérios, além da influência da experiência militar de Ignácio de Loyola, reconhecidamente um dos segredos do êxito da obra da Companhia (In: O MÉTODO, 1952).
O protótipo jesuíta de educação pretende isolar as crianças, afastando-as das impurezas do mundo exterior. Para isto, cria-se um novo ambiente, limpo, sem máculas, sem vícios e sem pecados. Nem mesmo a língua comum utilizada do lado de fora dos muros pode ser falada, dentro da escola usa-se apenas o latim. Estuda-se a cultura clássica devidamente expurgada de seus aspectos pagãos e, principalmente, mantêm-se os alunos a salvo das tentações e da má influência da sociedade.
A construção desse espaço à parte, área de proteção, mundo ideal, serve ao propósito de educar as novas gerações para serem bons cristãos, não contaminados pelo despudor, pelo pecado e pela perdição presentes na coletividade ao seu entorno. As crianças não deveriam estar expostas aos vícios e defeitos da sociedade. Na escola elas iriam encontrar um mundo purificado, imaculado, feito à imagem de Deus, para formar um novo homem (SNYDERS, 1977).
A concepção da escola como lugar apartado vai estar presente não apenas nas propostas dos jesuítas. Para Coménio “a escola deve estar num lugar tranquilo, afastado dos ruídos e das distrações” (1657/1985, p. 225). Há uma necessidade de encontrar um espaço especial onde as crianças estejam disponíveis para a influência dos educadores e de ninguém mais. A idéia de que a sociedade vai exercer uma influência nefasta sobre a criança está expressa em quase todo o ideário moderno dos projetos religiosos mais radicais até em Rousseau. Reforçada pela concepção de inocência infantil justificará o aparecimento da instituição escolar com as características de apartamento que se espalha de tal maneira a ponto de ser considerada como natural.
Por outro lado, a própria noção de infância na Modernidade surge como o negativo do mundo adulto, a falta de razão e de maturidade. A escola servirá, portanto, não apenas para educar a criança que é considerada incompleta e protegê-la da sociedade em seu entorno, mas para isolar o elemento não racional, não compatível com o funcionamento moral disciplinado, em uma função análoga a da instituição do hospício e a da prisão. A reclusão da infância em um ambiente especialmente construído para abrigá-la livra a sociedade de sua má influência, da mesma forma que protege a inocência infantil.
O isolamento da escola deu a ela a característica de instituição independente que permitiu que chegasse aos dias de hoje com um papel próprio, autônomo. Também fez com que ela se distanciasse da vida comum de tal forma que boa parte da cultura escolar se desenvolveu distinta da civilização ao seu redor (CHERVEL, 1990).
Com o passar dos anos, muitas experiências educacionais diferentes foram surgindo e a escola conheceu diversas possibilidades sem que a noção de insulamento perdesse sua força. A escola se torna um espaço que não faz parte da vida da comunidade em que está inserida, muitas vezes recusando-se a permitir que esta se aproxime. Até chegar aos dias de hoje quando o argumento da proteção e da libertação das crianças da má influência da vida social em torno da escola é utilizado para justificar a necessidade de manter os educandos sob sua tutela pelo maior período de tempo possível. Vide as recentes discussões para proposição da escola pública integral.
O isolamento da escola, embora tenha sido um impulso positivo para que esta surgisse como um instrumento civilizador poderoso, tornou-se um dos maiores problemas da instituição nos dias de hoje. Obriga-a a proteger-se com grades e muros, a olhar desconfiada para a comunidade e a impedir seu acesso, mesmo quando diversas experiências de utilização de seu espaço como um centro de cultura público apontam para as vantagens de sua abertura e integração.
Da mesma forma que a escola separa e isola em relação ao mundo exterior, em seu interior essa tendência vai gerar uma grande atomização.
Dividem-se as classes, primeiro por nível de aprendizado, segundo as necessidades da didática. Tanto o padrão dos jesuítas como as propostas das escolas protestantes buscam separar as turmas de acordo com o grau de conhecimento em que se encontram, utilizando os modelos romanos e medievais de graus, ou estágios de progresso. Mais tarde essa divisão se fará por grupos de idade próximas até chegar, do século XIX ao XX, ao modelo anual seriado. Para facilitar o ensino repartem-se os conhecimentos a serem estudados, criam-se blocos de tempo e espaço apartados para cada disciplina. Afastam-se meninas de meninos, bons alunos de seus colegas menos comportados ou menos dotados. Usam-se avaliações de conteúdo e conduta para classificar turmas. Com o desenvolvimento da psicologia escolar os testes de inteligência serão utilizados para distribuir os grupos. A escola será destinada diferentemente segundo a classe social e o poder econômico.
A tendência atomista da escola não conhece limites e combina-se de forma exemplar com essa mesma disposição no desenvolvimento epistemológico da ciência. Essa tendência para a compartimentação também pode ser observada no próprio arcabouço caracterológico do homem moderno. Para entender essa relação é preciso examinar algumas características básicas de sua estrutura biofísica.
Em primeiro lugar trata-se de uma couraça periférica, ligada ao caráter social, que dá ao ser humano encouraçado uma atitude típica superficial e o separa definitivamente de seus sentimentos mais profundos. Diferente, por exemplo, da couraça da cisão esquizofrênica, que se estabelece no nível perceptivo e permite um contato com sentimentos ligados ao cerne do funcionamento vital. “O homo normalis bloqueia inteiramente a percepção do seu funcionamento orgonótico básico por meio do encouraçamento severo”. (REICH, 1949/1990a, p. 402). A superficialidade da couraça dá a ela uma característica de distanciamento. O homem da época moderna cada vez mais se afasta de si e do mundo que o cerca, isolando-se – ao menos do ponto de vista de sua personalidade mais profunda – da realidade externa. Essa característica, como foi visto no primeiro capítulo, está na própria base do primeiro conceito de couraça.
Junto com essa incrustação que o distancia de si e do mundo surge a necessidade de repartir os departamentos de sua experiência. Assim, o funcionamento da estrutura de caráter encouraçado é compartimentada internamente. O homem comum, adaptado à forma cultural da era moderna, terá um comportamento, uma ética e uma maneira de encarar o mundo em seu lar, junto à família e outra conduta totalmente diferente quando no bordel. Terá ainda outra diversa na igreja, ou no trabalho e assim por diante (REICH, 1949/1990a).
A experiência compartimentada protege a pessoa de encarar o mundo de uma só vez. Enfrentar a realidade como um todo significaria para ele penetrar no labirinto proibido da vida, o que seria uma prova enlouquecedora. Se essa vivência lhe fosse possível ele não mais necessitaria da couraça. Para enfrentar as sensações e o sentimento da experiência integrada sem romper-se em uma cisão esquizofrênica é necessário um funcionamento bastante saudável, com uma economia energética apta para a descarga orgástica (REICH, 1949/1990a). Essa incapacidade para a vivência unificada por parte do homem encouraçado exigirá que a realidade seja examinada sempre de forma atomista e gerará a constante necessidade de subdivisões sempre menores. As contradições e dificuldades geradas pelo encontro das novas estruturas virtuais, com seu comportamento volátil, que desconhece fronteiras e divisões, com a escola forjada no ambiente atomista, serão examinadas mais adiante.