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2. Kırk Oda Eserinin Postmodern Açıdan İncelenmes

2.1. Postmodern Öğeler

2.1.2.9. Tutkunun Veronica Voss’u

1943 Início das atividades de pesquisa de petróleo 1956 Perfuração do primeiro poço no município de Grossos 1970 Petrobras realiza estudos e prospecções

1973 Primeira descoberta no mar – Campo marítimo de Ubarana 1976 Início da produção em Ubarana

1979 Primeira descoberta em terra - Campo terrestre de Mossoró 1985

Descoberta do Campo de Canto do Amaro

Instalação da Unidade de Processamento de Gás Natural I (UPGN-I) em Guamaré

Início das obras do gasoduto Guamaré-RN/ Cabo-PE 1986 Descoberta do Campo de Pescada-Arabaiana 1999 Inauguração da planta de diesel em Guamaré 2000 Entrada em produção do Projeto Pescada/Arabaiana

2001 Início da construção da Usina Termoelétrica do Vale do Açu - TERMOAÇU 2002 Instalação da Unidade de Processamento de Gás Natural II (UPGN-II), em

Guamaré

2003 Descoberta do poço CAM-883 no Campo do Canto do Amaro, em Mossoró Chegada das turbinas e caldeira da TERMOAÇU

2004 Entrada em operação do Parque Eólico de Geração Elétrica de Macau

Quadro 1 - Cronologia dos principais eventos da atividade petrolífera no RN Fonte: Petrobras.

Quanto às estatísticas de produção da Petrobras, estas apresentam crescimento em comparação com os últimos anos. A Empresa registrou, durante o ano de 2003, uma média de produção em todos os seus produtos superior ou igual à registrada no ano anterior (Tabela 11).

Tabela 11 - Produção da Petrobras no RN – 2002/2003

PRODUTO 2002 2003

Óleo 80.000 barris/dia 83.000 barris/dia

Gás 3.700 m³/dia 3.700 m³/dia

GLP – gás de cozinha 487 t 569 t

Diesel 3.773 barris/dia 3.836 barris/dia

Nafta 1.500 1.500

Fonte: Petrobras.

A atividade petrolífera no Estado executa as fases de exploração, per- furação, desenvolvimento da produção, transporte da produção (através de oleodutos e gasodutos) destinada à Unidade de Tratamento e Processamen- to de Fluidos da Petrobras – ou Pólo de Guamaré. O petróleo extraído dos poços é canalizado, através de oleodutos, para o Pólo, onde é processado. Parte desse óleo torna-se diesel, num volume diário de 4 mil barris, sui- ciente para o atual consumo de diesel do nosso Estado. Existem em opera- ção 556 Km de oleodutos e 542 km de gasodutos. (Figura 23).

Figura 23 – Rede de Oleodutos de superfície na Zona Rural de Mossoró em meio a

vegetação de caatinga

A chegada da Petrobras a Mossoró trouxe consigo um grande núme- ro de funcionários que demandavam por acomodações imediatas. Assim, concomitantemente à chegada da Petrobras, em decorrência da instalação da Empresa, muitos meios de hospedagens surgiram em pontos diferentes da Cidade. É o caso de hotéis, pousadas, imóveis residenciais, que muitos foram disponibilizados para a locação dos trabalhadores que provinham de outras cidades.

O Hotel “Ouro Negro” (Figura 24) foi um destes empreendimentos que surgiram com a Empresa na Cidade. Instalado na BR-304, o empre- endimento acomodava funcionários da Petrobras, bem como das Empresas Contratadas que também chegaram à Cidade. Este foi um dos primeiros hotéis desse período, mas outros chegaram também atraídos pela possi- bilidade de uma ocupação que independesse das altas ou baixas estações do Setor, pois a atividade somente tinha a expandir-se; tais foram: Hotel “Sabino Palace” (Figura 25), “Del Plata Hotel”, “Normandie Hotel”, Hotel “Imperial” e outros.

Figura 24 – Hotel “Ouro Negro” na BR-304 um dos primeiros hotéis criados no afã da

chegada da Petrobras à Cidade

Figura 25 – Hotel “Novo Mundo”, popularmente conhecido como “Sabino Palace”, no

bairro “Alto de São Manoel”, um dos hotéis que mantém contrato de hospedagem com a Petrobras

Foto: Prefeitura Municipal de Mossoró.

Figura 26 – Hotel “Thermas”, maior hotel da Cidade Foto: Prefeitura Municipal de Mossoró.

Em 1990, o Setor Hoteleiro apresentava apenas 450 leitos. Nesse período o Hotel “Thermas” (Figura 26), um dos primeiros da cidade, tinha 60 apartamentos (hoje é o maior da Cidade possuindo 120 apartamentos).

A atividade petrolífera garante uma boa média de ocupação dos ho- téis e pousadas da Cidade. Há uma dependência direta do Setor com esta atividade, já que a Empresa mantém contrato de prestação deste serviço com os hotéis da Cidade. Esses contratos são responsáveis pela viabilidade econômica da maioria dos Meios de Hospedagem em Mossoró. Há uma diferença quanto às taxas de ocupação dos hotéis da Cidade - uma particula- ridade no comportamento do Mercado, em relação aos valores apresentados nas demais Cidades do País. Os hotéis apresentam uma menor taxa de ocu- pação nos períodos tidos pelo Mercado como de alta (meses de dezembro e janeiro), pois, segundo depoimentos de proprietários de hotéis, este é um período de férias de boa parte dos funcionários das Empresas Petrolíferas. O que evidencia a relação direta com a atividade petrolífera e não-turística contrariando, portanto, o que acontece na maioria das Cidades, que têm, no período de férias, os maiores índices de ocupação das suas unidades ho- teleiras.

Segundo o Sr. João Sabino - Presidente do Sindicato dos Hotéis, Ba- res e Restaurantes -, em 6/06/2004, a Rede Hoteleira de Mossoró contava com 1.300 leitos e 500 apartamentos entre pousadas e hotéis. Se levarmos em consideração outros Meios de Hospedagem e Moradia, que não cons- tam nas estatísticas oiciais, como quartos para locação, certamente estes números serão bem maiores. Há uma quantidade considerável de quartos para locação, em todos os bairros da Cidade, onde essas formas espaciais proliferaram signiicativamente. Considerações sobre esta realidade, em re- ferência ao Centro e aos bairros foram publicadas, nos anos de 2002 e 2004, em jornal local.

No ano de 2002:

As construtoras esqueceram esse segmento de mercado e precisam investir em empreendimentos para este público.

A procura deve ser longa. Solteiros ou casais sem ilhos que buscam a segurança de um apartamento de pequeno porte, descobrem que isso é uma raridade em Mossoró. A cidade não tem um único con- domínio com apartamentos de um quarto e, os de dois quartos, são pouquíssimos. Nos último 12 meses foram apenas dois lançamentos imobiliários. Para este tipo de inquilino as opções se limitam aos apartamentos construídos em cima das lojas. O problema é que a maioria ica no centro da cidade e oferecem pouca infra-estrutura. (JORNAL DE FATO, 26 de maio de 2002).

E no ano de 2004:

Em algumas avenidas do centro comercial, quase não se percebe as portas estreitas que dão para as calçadas cheias de compradores que transitam pelas lojas. No entanto, os moradores do centro não se cansam de falar do passado e de como tudo era diferente há anos atrás. A avenida Augusto Severo ainda é uma das poucas que possui moradores. Mais recentemente várias lojas começaram também a construir apartamentos ou kitinetes em cima das lojas com inalida- de de aluguel, aumentando assim um pouco a população que passou a residir na área. (JORNAL DE FATO, 15 de agosto de 2004).

As construções de pequenas moradias para locação estão distribuídas na maioria dos bairros da Cidade. No Conjunto Liberdade, no bairro “Pla- nalto 13 de Maio”, muitos proprietários de comércios ou de residências, construíram no pavimento superior de seus imóveis este tipo de moradia (Figuras 27 e 28). São quarto/sala e banheiro em que os locatários, em sua grande maioria, são funcionários da Petrobras ou das Empresas Contratadas prestadoras de serviços para esta, os quais trabalham, de segunda a sexta- feira em Mossoró, e retornam no inal de semana para as suas cidades de ori- gem. Ao mesmo tempo, a população local encontrou uma nova modalidade de aumentar a sua renda com os proventos dos aluguéis recebidos.

Figura 27 – 4XDUWRVSDUDORFDomRQR&RQMXQWR/LEHUGDGHPDVSUHFLVDPHQWHXPDHGL¿FD- ção defronte a outra, o que demonstra a grande demanda por hospedagem na Cidade.

Foto: Aristotelina.

Figura 28 – Quartos para locação no Conjunto Liberdade, muito utilizados por trabalha-

dores da atividade petrolífera

Em nosso entendimento, o número e a mobilidade da força de traba- lho da Indústria Petrolífera em Mossoró, enquanto condição e produto do processo de acumulação de capital, criados por esta atividade, apresentam- se intimamente relacionados com essas construções e com a produção dessas áreas urbanas; conirmando as inter-relações existentes entre a mobilidade dessa força de trabalho e a produção do espaço urbano, quer seja nas áreas centrais ou valorizadas da cidade, quer também na periferia.

A relação entre as atividades do petróleo e o Mercado Imobiliário (de aluguel e de compra e venda de imóveis) pode ser mensurada pela demanda por imóveis residenciais para alugar no mês de novembro, pois segundo proprietário24 de Imobiliária em Mossoró “[...] neste período Mossoró recebe muitas pessoas, é a época em que muita gente migra por transferência de trabalho, tudo isso provoca o aquecimento do mercado”. Certamente, novembro não se con-

igura comumente como um bom mês para negócios em outras Cidades, o que denota uma relação de dependência direta da atividade petrolífera também com o Setor Imobiliário.

Além dos serviços requeridos pela atividade petrolífera, o Comércio local também é bastante beneiciado pelo Setor.

No ano de 2004, foram investidos no Estado R$ 516,5 milhões em contratos e serviços e R$ 267,4 milhões para aquisição de materiais. Do orçamento da UN-RNCE previsto25 para o ano de 2005, R$ 843 milhões serão destinados às atividades da Petrobras em Mossoró. Desse total, R$ 647 milhões serão aplicados em investimentos e R$ 196 milhões, no cus- teio das atividades. Tratando-se especiicamente dos recursos de custeio que circulam em território mossoroense no Setor Terciário, estes têm um peso signiicativo na Economia Local. Somente no ano de 2003, a Empresa com- prou na Praça do Município US$ 17,7 milhões (Gráico 2).

24 Jornal Gazeta do Oeste, outubro de 2002.

25 Valores divulgados em janeiro de 2005 durante almoço oferecido pela Petrobras à imprensa. O evento aconteceu no salão “Ouro Verde” do Hotel “Thermas’ onde foram apresentados resultados e investimentos em vários municípios do Rio Grande do

Aristotelina P

ereir

a Barreto R

É uma soma considerável o valor das compras realizadas pela Pe- trobras em Mossoró, não somente para uma Cidade Média Brasileira mas dentro da realidade nacional a aquisição de mercadorias nesse montante em qualquer Mercado é muito signiicativa.

Os produtos adquiridos no Mercado Local são principalmente fer- ragens, materiais hidráulicos, chapas de ferro, mangueiras etc. Contudo, segundo o Sr. Jorge Luís, responsável pelo Setor de Compras do ATP-MO, em algumas situações certas mercadorias não são adquiridas na Cidade pela Empresa principalmente por dois motivos: ou o produto não atende às es- peciicações nos quesitos de padrão e qualidade exigidos pela Petrobras, ou a diferença de preço, pois “[...] é comum encontrar em outras praças comerciais

mercadorias a preços inferiores. E esta semana mesmo encontramos um rolamento em Fortaleza que nos custou R$3 mil, enquanto que aqui em Mossoró custava R$ 6 mil” (Informação Verbal).

Outro aspecto a considerar é que os negócios com as atividades de petróleo e gás criam uma cadeia de outros serviços, tais como: alimenta- ção, oicinas de manutenção, postos de abastecimentos, telecomunicações, transportes, hospedagem etc. Além do novo sentido dado ao urbano e das transformações que causam, esses negócios geram um luxo signiicativo de pessoas que visitam a Cidade. São técnicos ou proissionais das mais diver- sas áreas, que contribuem, com a sua estada, para aumentar a demanda por serviços.

A importância econômica desse potencial de produção também pode ser avaliada através dos valores que demonstram o volume dos recursos transacionados no Estado. No período de 1976 a 1993, a Petrobras investiu US$ 7 bilhões na Unidade do Estado e, no ano de 1993, o montante foi de US$ 300 milhões, o que correspondem a 50% do Orçamento do Rio Gran- de do Norte nesse ano26. Ressalta-se a importância da Indústria de Petróleo

em Mossoró a partir de 1985, quando atingiu a produção de 707.000 barris e alcançou, em 1991, o patamar de 11.452.000 barris27, graças a uma con-

siderável soma de investimentos. O Orçamento da Empresa para o ano de 2004 no RN previu R$ 2 bilhões dos quais, R$ 843 milhões destinados para investimento e R$ 1,155 bilhão para custeio.

Desde a sua implantação no estado do Rio Grande do Norte, a Com- panhia vem investindo uma massa considerável de recursos em Economia do Estado, sob a forma de impostos, taxas, royalties pagos ao Estado e aos Municípios, indenizações aos proprietários de terras, compras de bens e ser- viços, investimentos, massa salarial, entre outros. O montante acumulado no pagamento de royalties do período de 1976 a 2003 foi de R$ 1,3 bilhão e, em investimento e custeio, em igual período, foi de US$ 14,8 bilhões.

Entre janeiro a maio de 2003, a atividade de exploração e produção de petróleo e gás natural (E&P) no Brasil distribuiu cerca de R$ 2,6 bi- lhões, somente a título de royalties, entre a União, Estados e Municípios. Os 777 Municípios beneiciários dos royalties petrolíferos foram aquinhoados com cerca de 34% dessas receitas: o equivalente a R$ 879,2 milhões. Des- ses Municípios, os 35 maiores beneiciários (4,5% do total de beneiciários) receberam R$ 664,1 milhões, o que corresponde a aproximadamente 76% dos repasses totais de royalties à Esfera Municipal.

No Rio Grande do Norte, os pagamentos referentes a royalties al- cançaram em 2003 mais de R$ 140,94 milhões, para o Estado, e R$ 97,01 milhões, para 92 Municípios (Figura 29).

Mossoró está entre os Municípios que mais recursos têm recebido, o que se constitui um diferencial na Economia Local. O exame da Tabela 12 não deixa dúvida de que a atividade de E&P reveste os Municípios de potencialidade em termos de capacidade de investimento. O volume de

Figura 29:

Mapa dos municípios pr

recursos repassados aos seletos Municípios “produtores de petróleo” (prin- cipais beneiciários) é de tal magnitude, que possibilitaria a realização de “quase tudo” o que pode almejar um austero gestor. Logo, as cobranças são imediatas, as denúncias fartas e o debate acalorado. É quase irresistível, quando o assunto é royalty do petróleo, a indagação de como os Alcaides dos Municípios “produtores” estão aplicando seus volumosos recursos.

Tabela 12 - Pagamento de royalties do petróleo no RN

– 1996 a 2003 (R$ MILHÕES) PERÍODO 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Royalties Estado RN 12,45 13,92 18,85 49,69 85,15 90,13 103,43 140,95 Royalties Municípios 6,00 6,55 9,04 26,42 43,77 47,43 67,22 97,01 Macau 0,55 0,70 1,02 2,79 5,04 12,14 12,12 16,67 Guamaré 0,43 0,51 1,05 5,97 7,37 10,67 10,67 16,34 Mossoró 1,13 1,21 1,48 3,23 5,00 8,9 12,55 15,68 Areia Branca 0,65 0,80 1,06 2,96 5,91 7,07 7,07 10,07 Outros Municípios 3,24 3,33 4,43 11,47 20,45 7,49 27,34 38,25 QUANTIDADE DE MUNICÍPIOS BENEFICIADOS 87 93 93 93 93 93 92 92 Fonte: Petrobras.

É importante destacar, no entanto, que alguns cidadãos são também diretamente beneiciados com percentuais inanceiros sobre a produção de petróleo em suas terras. São pelo menos 100 famílias em Mossoró que so- brevivem do dinheiro do petróleo extraído de suas terras. O pagamento varia de R$260,00 (um Salário Mínimo) a R$200 mil por mês. Dos meses de janeiro a julho de 2004, somente os proprietários de terras em Mossoró

receberam R$5.911.818,91, o que representa mais da metade do recebido por toda ATP-MO e mais de 1/3 de todos Municípios integrantes da UN- RNCE (Tabela 13).

Tabela 13 - Valores pagos a proprietários rurais a título de

participação sobre a produção de petróleo

TOTAL PAGO ENTRE AGOSTO/1998 A AGOSTO /2004 VALOR (R$)

UN-RNCE 93.732.870,04

ATP-MO 61.111.803,84

Mossoró 27.159.791,60

TOTAL PAGO DE JANEIRO/2004 ATÉ JULHO/2004

UN-RNCE 14.568.859,07

ATP-MO 10.222.365,25

Mossoró 5.911.818,91

TOTAL PAGO EM JULHO/2004

UN-RNCE 2.517.249,35

ATP-MO 1.746.110,09

Mossoró 1.085.473,52