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2. THE DISINTEGRATION OF THE USSR: A NEW PERIOD FOR TURKEY

2.3. Socio-Cultural Relations

2.3.2. Educational Relations

2.3.2.2. Turkish Schools Opened in Turkic Republics and Communities

2.3.2.2.2. Turkish Private Schools

O reconhecimento da notícia enquanto um elemento próprio de fala, como um tipo de ação, convoca uma outra dimensão da observação. Sua especificidade exige o exame de dois pontos. Em primeiro lugar como um tipo de comunicação que exerce o poder de atestado de fato, de narrativa do real. Segundo, por tratar-se, essencialmente no caso estatal, de um pauta cronológica, uma espécie de biografia institucional – uma biografia autorizada ou uma autobiografia.

A noção do fato, de acontecimento testemunhado e narrado, dinamiza a análise dos noticiamentos na medida em que mescla as ideias de ação e estrutura. Se por um lado estamos diante de uma prática de sentido, de escrita, de comunicação e exposição, do outro, encontramos na notícia estatal um senso de replicação do institucional, uma estreita aproximação na instauração da licitude de fatos transcorridos, de um anteparo ao espírito de intervenção e ação que a máquina pública incorpora e reafirma. Nessa linha de análise, a notícia como fato contado é uma ação no que diz respeito a sua elaboração prática (alguém a escreve, alguém a edita, alguém a pública), mas o desaparecimento inegável de seu autor – que em determinados momentos é uma secretaria, uma assessoria; mas em tantos outros é o Estado sem nome – transmuta sua produção social em algo que é estrutural ou sistemático: uma linguagem, um intento deliberado, ligado a outras publicações e a outras formas de fala e contexto. O fato, a realidade concreta representada e refeita

na comunicação é, portanto, parte de um projeto de exposição, não fragmentado ou, pelo menos não fragmentário (sendo a fragmentação não uma naturalidade de sua forma, mas, no máximo, uma contingência de seu desempenho como texto autônomo em aparência).

O outro ponto é ainda mais vasto; uma vez que a autobiografia executada na notícia não é representação simples do Estado-personagem, mas sim de seus feitos, de suas produções. Essa distinção, diferenciada na base do significado de instituição, implica que a notícia compõe uma mitologia de acessos e recortes; uma espécie de espelhamento que permita adjetivar o público e seu sentido moderno. É aqui, como elemento de prática comunicativa em um ambiente de capitais políticos, que insere-se, com a notícia, um sistema

de produção da definição.

Tal sistema começa por seus meios e suas forças produtivas: a imagem, a formalidade da fala, a capacidade de difusão eletrônica de um aldo; a validação dada pelo nome do Estado no cabeçalho do sítio (que não destrói o desaparecimento do autor, apenas reforça-o, na medida em que desloca para outro lugar o poder legitimador e o personagem que o cria), a reedição e retomada dos conteúdos e temas, a constante referência aos números e ao potencial transformador como encarnação dos segundos. Na sequência deste modelo, a cadeia de noticiamentos é incorporado a toda a dinâmica de

publicação estatal – como o conjunto documental que é. As ferramentas e

práticas de destaque, a exploração de formas de interação de imagens (literais ou discursivas) impõe uma racionalidade interna a estes meios, fazendo-os parte do processo moderno que é promessa da máquina governamental há décadas.

Para Foucault (1999) a linguagem é significada pela ruptura na qual se insere. Se essa ruptura é indiciada como a modernização, como é o caso do Brasil e do Ceará desde meados dos anos 1960, podemos antever na inscrição das notícias esse jogo de reforços e acordos racionais. O racional sustenta e cobra sentido de sua afirmação, de sua garantia. Esse sustentáculo e sentido surgem em elementos tais como realizações, obras visíveis, programas integrados cujos resultados são expostos, contratações, ordenações de sistemas antes desarticulados, etc. A racionalização expressa-se, de tal forma,

como orientação dos recortes e produção do novo, do ordenado, mas, sobretudo, do controle – essa ruptura com a instância flexível do passado tradicional.

O aprofundamento de Foucault segue caminhos mais explícitos de confirmação do discurso como operação simbólica das identificações estratégicas do passado. Se o passado é fonte da legitimidade, mas também é o ângulo da negação – a cada novo passo de aumento do valor do presente, mais o simbólico do antes perde capital, em uma transação de silenciamentos, de esquecimentos do caráter processual das mudanças – a ruptura moderna do desenvolvimento como tarefa precisa canibalizar os modos pelos quais os modelos anteriores se perpetuaram; e ela faz isso, discursivamente pelo menos, por meio da elevação de personagens e projetos que transmitam ordem, ainda que nova e diferente.

São esses os pontos que nos ligam a observação intertextual da notícia. A compreensão de seu estado de diálogo involuntário, de referência sequencial, mas não dependente de outros conjuntos simbólicos de validação e confirmação, assim como a instrumentalização de sua produção imagética – no sentido de signos e objetos metafóricos – constituem um aparelho de exposição que pede análise. As adjetivações que ele projeta ou recebe (clareza, minúcia, vagueza, publicitário, técnico, político) são a ponte por meio da qual acessamos o circuito de valores que repercutem no modelo de discurso que aquelas mesmas notícias sustentam.

Repor e descrever as adjetivações implícitas, motivadas mais pela análise do que pela existência determinada do que é analisado, é um exercício que também cobra conceitos. Para os fins deste trabalho, o arcabouço de instrumentos envolve dois fundamentos básicos, no que diz respeito a espinha deste círculo temático (a noticiabilidade e suas expressões estatais).

O primeiro conceito elementar é a noção de habitus, convencionalmente mantida sob o crivo de aplicações pessoais, de disposições interligadas ao comportamento do indivíduo em sua participação nos contextos sociais que são os campos. No caso do texto de notícia o habitus repercute e administra as estratégias repetidas, obedecendo a um mercado de valor-notícia que o Estado incorpora de modo parcial, ao “imitar” um sentido de valorização do que é

realizado tal qual uma mercadoria na prateleira. Isso merece mais explicações, mas, por enquanto, o habitus é nosso conceito-de-acesso a dinâmica de repetições e disposições de fala que o texto de notícia envolve.

O segundo conceito é extraído de outra escola, mas ainda assim, não pode ser desligado do exame das codificações culturais das relações modernas na Teoria Social e nos espaços em que esta observa ação e agência. A ideia de sistema perito, que Giddens explora e articula, tem um notório potencial indireto: interpretar o mecanismo do saber e de sua validade, com base no caráter cifrado de sua produção real; transição pela qual a notícia passa – e a política também. Por que, como já dissemos o modo pelo qual a informação vaza e é replicada obedece a sistemas cujo funcionamento real não compreendemos ou não nos é esclarecido – o nós aqui é válido para todos aqueles que acessam a informação pública. Mas isso não é limitado a dimensão técnica do problema: o tom de sistema codificado vale para as regras de uso do político na mesma ação de publicar que é a notícia de Estado.

O uso dos dois conceitos pode parecer desintegrado, dados os passados singulares de cada apropriação, mas é preciso observar que a premissa que os recorta é unidicadora: uma ferramenta de análise que separa a prática de conhecimento como algo socializado, socializador e, ao mesmo tempo, dotado de codificação e exclusão: o sujeito social não é socializado de modo homogêneo, atribuindo a sociabilidade um plano de ranhuras, de encaixes, de feixes estruturadores dos sentidos na cultura.