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3. TURKISH UNIVERSITIES IN CENTRAL ASIA:

3.3. Kyrgyzstan-Turkey Manas University

3.3.1. The Comparision of Ahmet Yesevi University and Manas University

O lugar de fala do Executivo é de um tratamento do espectro técnico do Estado que referencia seus movimentos de “mecanização” da realidade social nos discursos sobre problemas e metas. Essa mecanização, orientada por uma tradição discursiva da formalidade oficial (onde cabe ao governo o domínio do saber numérico e plenamente pragmático), regula e descentraliza (retira de foco) a dimensão política e todos os elementos de escolha que a participação também convoca. Aqui o não-dito também retorna: quem são as agências envolvidas no plano mais amplo? Quais os personagens a que elas estão relacionadas?

As notícias frequentemente expõem uma didática seletiva: ora explicam ao leigo o contexto do feito, ora ignoram dados-base, cobrindo o conteúdo da aura perita que percorre o modelo de afirmação aqui inspirado. Essa escolha (que, como tudo o mais acima, está expresso nos exemplos de notícia abaixo), é paralela a outro não-dito complementar: em que sentido esse feito é relevante: quais os capitais simbólicos presentes nesses encontros? Aqui, uma vez mais, o sigilo é parte da validade: como dirigir-se a públicos difusos, a uma sociedade civil difusa, sem informar o que não pode ser informado aos demais atores políticos? Como contar o que interessa abertamente se o que interessa pode pôr em risco a realização (dados os detalhes de interesse)? A resposta, ao que parece, reside em uma pasteurização dos comunicados, homogeneizando a estrutura das falas e tornando os conteúdos informativos dentro de uma superficialidade rápida.

A relação entre os vários espaços institucionais permanece no centro das exposições do noticiamento. Ela é acompanhada dos elementos já citados, dos

conteúdos de valor e contínua atrelando os personagens clássicos da rede governamental em um panteão de significado: o planejamento também como um conjunto de relações e contatos.

O uso dos nomes e de material fotográfico segue como uma ênfase no factual. Em cada conjunto de matérias nas quais um evento relevante é apresentado (e cujo relevância é afirmada pelo lugar que ocupa) temos a fotografia como instrumento de realidade, de apresentação revisada ou de ratificação simbólica do ocorrido. Aqui, o feito é reencenado como ações- projeto, como um futuro realizado no agora através da participação ritual e do ritual de organização interna e presente no planejamento como ideia.

Por seu turno, a linguagem narrativa, explica as vinculações e constrói a publicação com um teor de esclarecimento, mas também com marcas de valorização dos elementos” estratégicos” da ação estatal. O movimento discursivo é produzido sobre uma tensão invisível, que é construída entre o fato e seu valor: as cenas narradas nas notícias da SEPLAG constantemente espelham o sentido linear da modernidade como ideia. O tecnológico é uma constante personagem paralela, cuja existência é sempre recoberta de dinamismo, organicidade e propósito. O tecnológico (em termos de materiais ou em termos de treinamentos) é deslocado pelos substantivos, como

demanda, experiência e desempenho. Eis a substância desta parte da fala. A

SEPLAG incorpora a responsabilidade de viabilizar os elos entre esses elementos e internalizar tais práticas no governo.

A noção de “demanda” presente nos textos, reitera o papel “fornecedor” do Estado, instruído como máquina de provimento. O “planejamento constante” entra nesta esfera, ampliada como propósito do Estado como gestor dos recursos do provimento. Mas mais do que isso, reforça a existência de uma demanda externa, que confirma a validade da prática e torna o projeto uma forma viável de ação.

As ações ligadas ao tema da tecnologia perfazem, por fim, uma estrutura de solidez e confirmação da estrutura discursiva moderna da ação. Juntam-se ao quadro palavras como desempenho, aperfeiçoamento, efetividade e

evolução. A matriz conceitual em voga gira em torno de um eixo de

consentimentos utilitários, movidos segundo uma lógica de produção da ação e do planejamento estratégico.

Neste ponto é conveniente observar a naturalização – dentro e fora da ciência política e das ciências econômicas e dentro e fora do discurso estatal – dessas expressões e das compreensões a que elas levam. A máquina pública, como máquina, é elaborada e reelaborada no sentido de um agente calculada, para o qual o numérico, o progressivo, o acumulativo e a eficácia são estruturas de execução; e a política, o desdobramento participativo no planejamento é pontual, limitado às nomenclaturas documentais e ao universo fronteiriço de participações institucionais.

É fundamental ainda acrescentar mais um tópico a este mapa. As notícias da SEPLAG incorporam um padrão de exposição que aponta para o encontro

formal, a reunião. As fotografias e os espaços descritivos dos encontros entre

figuras oficiais e sob o manto de temas definidos, registram essa imagem como central no discurso produzido pela secretaria. Ela é, sob todos os aspectos, um signo em elaboração e uma forma de tratamento do tipo de feito da SEPLAG: a racionalização do planejamento e da gestão das ações mais amplas na esfera estadual do Estado.

Assim as reuniões aparecem, sucessivamente, como ritual – além de prática, símbolo. Elas inundam as referências de notícia, esclarecendo (construindo) esse sentido de fazer institucional e agregando nele o peso e os capitais simbólicos da participação de figuras ou aparelhos chave. Eles estão lá, presentes e essa presença comprovada, registrada e formalizada pelo texto de informe é uma continuidade na produção do planejamento em seu caráter de vitrine, de relatório e de acomodação do que o imaginário político administra como representante da ideia de planejar e gerir.

Cada um desses pontos nos devolve ao imaginário central em discussão: as relações entre Estado e desenvolvimento na SEPLAG são embebidas em uma aura de relação e conexão. Elementos como tecnicidade e racionalidade são recobertos por esta presença da imagem do encontro, quebrando a ideia geral da gestão individual – em termos de imagem. Ao longo da leitura dos textos, da travessia por meio de uma rota de exposições-fragmento, encontramos essa dicotomia em um ato de economia simbólica – os investimentos estatais são entendidos sob a racionalidade do Plano Participativo e Plurianual Regionalizado (PPA) e suas ações moduladas por reuniões de decisão, mas a lógica estatal permanece reforçando, antes de mais nada, a razão e seu corolário de ideias diretas. É como se, para os efeitos de uma cultura das notícias, a ideia de decisão vivesse esse recorte entre as forças em jogo e a racionalidade que as alimenta – uma vez que cada agente apresentado, institucional ou individualizado é sempre apresentado como racional, funcional e oficial, para os fins de validação do feito de planejamento. A intimidade vai, dessa forma, sendo reconstruída: as decisões formais, as reuniões relatadas que as produzem, são, em sua imensa maioria, elaboradas dentro de espaços de poder fechados, limitados a representações executivas e

relações entre órgãos públicos. Mas essa intimidade, esse fechamento íntimo aparece aqui como instrumento público. Sua publicação, a publicação da intimidade, é ferramenta maior na concretização de uma imagem política daquilo que é técnico, encerrado em códigos e poderes que não estão abertos a todos, mas que precisam ganhar o apoio difuso da cultura para ter poder. Ou seja, especialmente ainda no caso deste tipo, os noticiamento agem como um sistema perito, que funda-se na exposição controlada daquilo que é capaz de executar.

Instituições como a SUDENE, o Banco do Nordeste e o Ministério da Integração Nacional ilustram aqui essa convocação das figuras para o complemento da imagem – colocando a análise tanto junto ao uso do icônico, como junto a centralidade da imagem-de-reunião. Duas notícias, por fim, completam a ilustração que procuro convocar aqui. Elas expressam a reunião

como uma reunião de personagens, onde o grau do icônico do encontro assume a marca final da personalização:

Por que, enfim, falar de massificação dos feitos? Essencialmente estamos discutindo neste ponto o tom de exposição que o planejamento representa, na nova dimensão da intimidade – e nas contradições de seu novo uso. É esse caminho traçado pela temática do planejamento na recriação da publicidade-intimidade, que regula os modos de uma “indústria” simbólica do feito. O feito, a realização ou ação que o Estado configura, aparece, aqui, não como os resultados do planejamento, mas no próprio planejamento como

realização. A reunião, sua imagem replicada e reproduzida em notícias que

buscam divulgar os afazeres da secretaria, faz o papel de protagonista nesta peça e neste rito.

As notícias acumulam-se em um turbilhão de repetições desta máxima do encontro – e do encontro personalista. Os “novos líderes” ou os representantes técnicos dos escritórios de planejamento, estão aqui porque demonstram um tipo reincidente de personagem: a figura que existe por um destaque enfatizado pelo próprio texto, em um exercício de produção do “ilustre”. Tais ilustres personagens recriam o ciclo de valorização dos encontros, em uma cadeia de retroalimentação simbólica bastante visível.

Em tempo: a intimidade redefinida do Estado na esfera estadual não está desprendida da história particular das forças políticas no Ceará. Ela emerge dentro da cultura já mencionada da modernização regional e, para ser mais direto no caso dos últimos seis anos, emerge da cultura de valorização e estruturação da modernidade como tema, ferramenta, pano-de-fundo e sustentação valorativa das realizações políticas (reais e imaginadas).