1.2. KÜMELENME
2.1.4. Turizmin Yapısal Özellikleri
Nos romances de Jules Verne, há uma relação determinante entre as disposições morais de um personagem e sua representação física que nos permite fazer uma distinção entre brancos e habitantes dos “mundos primitivos”. Somos levados a acompanhar a tentativa dos narradores dos romances do corpus desse trabalho de estabelecer essa distinção usando uma referência racial.
Numa sociedade que se desejava avançada, com conhecimentos científicos e gosto pela classificação, Verne mostra-se tentado a experimentar este critério determinante cuja importância se impunha de maneira evidente após estudos como o Essai sur l’inégalité des
races humaines, do diplomata, escritor, etologista e filósofo francês Joseph-Arthur de
Gobineau (1816-1882), publicado em 1853. Gobineau foi também autor literário. Entre seus primeiros contos, encontram-se Scaramouche (1843) e Mademoiselle d’Irnois (1847). Seus livros de ficção incluem o Souvenirs de voyage, de 1872; Pléiades, de 1874 e Les Nouvelles
Asiatiques, de 1876. Arthur de Gobineau foi igualmente autor de livros sobre a História como Histoire des Perses, de 1869; Religions et philosophie dans l'Asie Centrale, de 1865; e La Renaissance, de 1877. Além disso, entre suas missões diplomáticas, podemos destacar sua
estada no Rio de Janeiro, no ano de 1869. Também manteve correspondência com o imperador do Brasil, Dom Pedro II.
Apesar de diversos trabalhos publicados, Gobineau ficou conhecido, sobretudo, pelo ensaio sobre a desigualdade das raças humanas, considerado como a obra inicial da filosofia racista. O ensaio, a partir do qual podemos mostrar uma relação interdiscursiva nos textos de Verne, não é somente um estudo simplista concluindo a superioridade do homem branco sobre o homem negro, mas, em geral, aponta para um “racismo” que distingue personalidades com qualidades mais ou menos próprias a dominar o mundo e a estabelecer grandes civilizações.
Na introdução do ensaio, na dedicatória feita a Georges V, rei de Hanovre, Gobineau deixa transparecer sua ideia principal pela síntese sobre as diferenças raciais:
Depois de ter reconhecido que existem raças fortes e raças fracas, ative-me a observar de preferência as primeiras, a distinguir suas aptidões e, sobretudo, construir a cadeia de suas genealogias. Seguindo esse método, convenci-me de que tudo o que há de grande, nobre, de fecundo sobre a terra, em termos de criações humanas, a ciência, a arte, a civilização, leva o observador em direção a um único ponto, é proveniente apenas de um mesmo germe, resultou apenas de um só pensamento, pertence a uma só família cujas diferentes ramificações reinaram em todas as regiões civilizadas do universo. A exposição dessa síntese encontra-se nesse livro.161
Em geral, o ensaio é dividido em seis livros e, cada um dos livros, em diversos capítulos, concluindo-se com uma história das civilizações do ponto de vista étnico. Gobineau parte de uma constatação inicial: o fato de que as civilizações morrem, assim como os organismos vivos; e de uma pergunta: qual é a razão que leva à decadência e à morte das civilizações? O primeiro livro “A condição mortal das civilizações e das sociedades resulta de uma causa geral comum”, formado por dezesseis capítulos, é dedicado a analisar questões gerais, como a causa da morte das civilizações, o fator racial nas lutas sociais, as diferenças étnicas da espécie humana, as raças humanas, as características e a desigualdade das raças, a superioridade da raça branca e o efeito “degenerador” das misturas (mélanges) entre as raças. No capítulo VIII apresenta sua definição para a palavra civilização, que guiará toda sua obra:
Utilizo a cada instante uma palavra que comporta na sua significação um conjunto de ideias importantes a definir. Falo com frequência da civilização, porque é somente pela existência relativa ou ausência absoluta dessa grande particularidade que posso graduar o respectivo mérito das raças. Falo da civilização europeia e a distinguo das civilizações que digo ser diferentes. [...] A civilização não é um fato, é uma série, um
encadeamento de fatos mais ou menos logicamente unidos uns aos outros e
engendrados por um concurso de ideias múltiplas.162
161 “Après avoir reconnu qu’il est des races fortes et qu’il en est de faibles, je me suis attaché à observer de
préférence les premières, à démêler leurs aptitudes, et surtout à remonter la chaîne de leurs généalogies. En suivant cette méthode, j’ai fini par me convaincre que tout ce qu’il y a de grand, de noble, de fécond sur la terre, en fait des créations humaines, la science, l’art, la civilisation, ramène l’observateur vers un point unique, n’est issu que d’un même germe, n’a resulté que d’une seule pensée, n’appartient qu’à une seule famille dont les différentes branches ont regné dans toutes les contrées policées de l’univers. L’exposition de cette synthèse se trouve dans ce livre.” GOBINEAU, Joseph-Arthur de. “Essai sur l’inégalité des races humaines” In: ___.
Oeuvres I. Paris: Gallimard, 1983, p. 139. (Bibliothèque de la Pléiade)
162 “Je me sers à chaque instant d’un mot qui enferme dans sa signification un ensemble d’idées important à
définir. Je parle souvent de la civilisation européenne, car c’est par l’existence relative ou l’absence absolue de cette grande particularité que je puis seulement graduer le mérite respectif des races. Je parle de civilisation
Seguindo o conceito de Gobineau sobre o que é civilização, o que é “ser civilizado” e, por extensão, o que é ser “não-civilizado”, podemos encontrar em Jules Verne inúmeras passagens que se coadunariam com esse conceito. Por exemplo, em Cinq semaines en ballon os personagens sabem que partirão em uma missão de descoberta científica num local onde os habitantes não são civilizados como os europeus:
Cette découverte des sources du Nil était-elle vraiment nécessaire? Aurait- on travaillé pour le bonheur de l’humanité? Quand, au bout du compte, les peuplades de l’Afrique seraient civilisées, en seraient-elles plus heureuses? On était certain, d’ailleurs, que la civilisation ne fût pas plutôt là qu’en Europe?163
No mesmo romance, destacamos a expressão “un peu plus”, a nuança que gradua as raças em mais ou menos civilizadas, no excerto: “les peuplades rapprochées de l’équateur semblent être un peu plus civilisées”164; ou, numa perspectiva cristã e colonialista: “Ce sont des âmes à racheter, dit le jeune prêtre, des frères ignorants et barbares que la religion seule peut instruire et civiliser.”165
No capítulo XII do ensaio de Gobineau, intitulado “Como as raças se separaram fisiologicamente e quais variedades elas formaram por suas misturas. Elas são desiguais em força e em beleza” temos os três grandes grupos nos quais o etologista aloca as raças humanas: a branca, a amarela e a negra.166 Mais adiante, devido a características físicas e à história do surgimento de cada raça, Gobineau menciona a superioridade da raça branca em relação às outras duas:
As inclinações essencialmente civilizadoras da raça branca, raça de elite, a compeliam constantemente a se misturar com os outros povos. Quanto aos dois tipos, amarelo e negro, lá onde os encontramos nesse estado terciário, eles não t
européenne et je la distingue des civilisations que je dis être différentes [...] La civilisation n’est pas un fait, c’est
une série, un enchaînement de faits plus ou moins logiquement unis les uns aux autres, et engendrés par un
concours d’idées multiples. GOBINEAU, 1983, p. 211.
163 VERNE, 1975a, p. 22. 164 VERNE, 1975a, p. 94. 165
VERNE, 1975a, p. 129.
m história porque são selvagens.167
Para evitar uma profusão de citações concernentes à superioridade do homem branco explicitada nos romances do corpus, reservamos a passagem a seguir do romance Les enfants
du capitaine Grant que trata cabalmente da questão. Na trama, com diversas repetições,
percebemos um espírito de classificação e hierarquização por parte do narrador em relação aos personagens. Nesse aspecto, Paganel, possuidor de conhecimento científico e, portanto, argumento de autoridade na embarcação, menciona o gosto dos felinos que estão no topo da cadeia alimentar, os jaguares, deixando nítida a ideia do narrador sobre a superioridade caucasiana:
Quand il a goûté de la chair humaine, il y revient avec sensualité, ce qu’il aime le mieux c’est l’indien, puis le nègre, puis le mulâtre, puis le blanc. - Eh bien, c’est humiliant! répondit l’intraitable Paganel. Le blanc se proclame le premier des hommes! Il paraît que ce n’est pas l’avis des messieurs les jaguars.168
Num panorama geral do ensaio de Arthur de Gobineau, o segundo e o terceiro livros apresentam treze capítulos, se somados. Tratam da civilização antiga da Ásia, da Índia do século XIX, da raça amarela, dos chineses, e das origens da raça branca. O quarto livro tem quatro capítulos que versam sobre a civilização dos semitas do sudeste e sobre a importância das nações brancas para o desenvolvimento das civilizações. O quinto livro intitulado “Civilização europeia semitizada” tem sete capítulos sobre as populações primitivas da Europa. O sexto e último livro – “A civilização ocidental” - tem oito capítulos dedicados em sua maior parte a analisar o povo germânico.
Na perspectiva da frenologia e, portanto, científica – traço que aproxima a construção dos retratos vernianos do discurso de Gobineau – o etologista e diplomata chega às conclusões para a confecção dos capítulos acima listados, pois comparou a conformação do crânio do homem das diferentes etnias e concluiu que havia uma relação entre seu volume e o
167 “Les penchants essentiellement civilisateurs de la race blanche, race d’élite, la poussaient constamment à se
mélanger avec les autres peuples. Quant aux deux types jaune et noir, là où on le trouve à cet état tertiaire, ils n’ont pas d’histoire, car ce sont des sauvages.” GOBINEAU, 1983, p. 283.
grau de civilização. Segundo ele, a mistura de raças era inevitável, e levaria a raça humana a graus sempre maiores de degenerescência, tanto física quanto intelectual. Em Les enfants du
capitaine Grant notamos a ideia negativa da “mistura” quando os personagens estão em
Tristão d’Acunha e o narrador descreve sua população:
La population de Tristan d’Acunha ne s’élève pas à cent cinquante habitants. Ce sont des Anglais et des Américains mariés à des négresses et à des Hottentotes du Cap, qui ne laissent rien à désirer sous le rapport de la laideur. Les enfants de ces ménages hétérogènes présentaient un mélange très désagréable de la roideur saxonne et de la noirceur africaine.169
Ao longo do seu ensaio, Arthur de Gobineau postula a superioridade da raça branca sobre as demais, e nesta, distinguia os povos arianos, os alemães, representando o povo mais civilizado. Sustenta a teoria de que o destino das civilizações é determinado pela composição racial; que os brancos, e em particular as sociedades arianas, floresceriam desde que ficassem livres dos negros e amarelos, e que quanto mais o caráter racial de uma civilização se dilui através da miscigenação, mais provável se torna que ela perca a vitalidade e a criatividade, mergulhando na corrupção e na imoralidade. Podemos afirmar que, numa visão global, os romances do nosso corpus apresentam relação interdiscursiva com essas ideias. A hierarquia que se estabelece entre brancos e negros, como veremos no capítulo das análises dos retratos, torna-se ainda mais nítida quando a comparamos com o que Gobineau esboça no retrato das três grandes raças. No capítulo dezesseis, intitulado “Recapitulação; personalidades das três grandes raças; efeitos sociais das misturas, superioridade do tipo branco e, nesse tipo, da família ariana”, temos a apresentação dessas raças:
Mostrei o lugar reservado que a nossa espécie ocupa no mundo orgânico. Pôde-se ver que profundas diferenças físicas e morais a separavam de todas as outras classes de seres vivos. [...] A variedade com melanina é a mais humilde e jaz no grau baixo da escala. O caráter de animalidade impresso na forma da sua bacia lhe impõe seu destino desde o momento da sua concepção. Ela nunca sairá do círculo intelectual mais restrito. Não é, porém, uma besta pura e simples, este negro de testa estreita e alongada que traz, na parte mediana do seu crânio, os indícios de certas energias grosseiramente poderosas. Se estas faculdades pensantes são medíocres ou até mesmo nulas, ele possui no desejo e, por conseguinte, na sua vontade, uma intensidade terrível. Diversos de seus sentidos são desenvolvidos com
um vigor desconhecido das duas outras raças: o paladar e o olfato principalmente. A esses principais traços de personalidade, ele soma uma instabilidade de humor, uma variabilidade de sentimentos que nada é capaz de fixar e que anula, para ele, tanto a virtude quanto o vício. A raça amarela apresenta-se como a antítese desse tipo. O crânio, ao invés de ser projetado para trás, porta-se precisamente para frente. A testa larga, ossuda, frequentemente saliente, desenvolvida para o alto, pesa sobre o aspecto triangular do rosto em que o nariz e o queixo não apresentam nenhuma das saliências grosseiras e rudes que distinguem o negro. Uma tendência geral à obesidade não é nessa raça um traço completamente especial, mesmo assim, ela se apresenta mais frequentemente nas tribos amarelas do que nas outras variedades. Pouco vigor físico, disposições à apatia. No moral, nenhum desses estranhos excessos, tão comuns nos de melanina. Desejos fracos, uma vontade mais obstinada do que extrema, um gosto perpétuo, mas tranquilo, pelos prazeres materiais, com uma rara gula, mais escolhas que os negros nas iguarias destinadas a satisfazê-la. Em todas as coisas, tendência à mediocridade; compreensão bem fácil do que não é nem tão elevado nem tão profundo; amor pela utilidade, respeito das regras, consciência das vantagens de uma certa dose de liberdade. Os amarelos são pessoas práticas no sentido restrito da palavra. Eles não sonham, não provam as teorias, inventam mais, mas são capazes de apreciar e o que serve. Seus desejos se limitam em viver o mais calma e mais comodamente possível. Nota-se que eles são superiores aos negros. É uma plebe e uma pequena burguesia que todo civilizador desejaria escolher por base da sua sociedade. Vêm agora os povos brancos. De energia no raciocínio, melhor dizendo, uma inteligência enérgica; o senso da utilidade, mas numa significação muito mais ampla dessa palavra, mais elevada, mais corajosa, mais ideal do que nas nações amarelas; uma perseverança que se dá conta dos obstáculos e encontra, à distância, os meios de afastá-los; com um maior poder físico, um instinto extraordinário da ordem como meio indispensável de conservação e, ao mesmo tempo, um pronunciado gosto pela liberdade, mesmo extrema; uma hostilidade declarada contra essa organização formalista em que se distraem os chineses, assim como o despotismo orgulhoso, único freio suficiente aos povos negros. Os brancos distinguem-se ainda por um amor singular à vida. Parece que, sabendo melhor utilizá-la, eles lhe atribuem mais valor. Sua crueldade, quando ela se exerce, tem a consciência dos seus exageros, sentimento muito problemático nos negros. Ao mesmo tempo, essa vida ocupada, que lhes é tão preciosa, eles descobriram razões de exercê-la sem murmúrio. A primeira dessas motivações é a honra que, com nomes aproximadamente parecidos, ocupou um enorme lugar nas ideias desde o início da espécie. Não tenho necessidade de reiterar que a palavra honra e a noção civilizadora que ela comporta são, igualmente, desconhecidas pelos amarelos e negros. Para terminar o quadro, acrescento que a imensa superioridade dos brancos, no âmbito da inteligência, associa-se a uma inferioridade não menos marcada na intensidade das sensações. O branco é muito menos dotado que o negro e que o amarelo no que diz respeito à relação sensual. Ele é, assim, menos solicitado e menos absorvido pela ação corporal, mesmo que sua estrutura seja nitidamente mais vigorosa.170
170 “J’ai montré la place réservée qu’occupe notre espèce dans le monde organique. On a pu voir que de
profondes différences physiques et morales la séparaient de toutes les autres classes d’êtres vivants. [...] La variété mélanienne est la plus humble et gît au plus bas de l’échelle. Le caractère d’animalité empreint dans la forme de son bassin lui impose sa destinée, dès l’instant de la conception. Elle ne sortira jamais du cercle intellectuel le plus restreint. Ce n’est pas cependant une brute pure et simple, que ce nègre à front étroit et fuyant, qui porte, dans la partie moyenne de son crâne, les indices de certaines énergies grossièrement puissantes. Si ces facultés pensantes sont médíocres ou même nulles, il possède dans le désir, et par suíte dans sa volonté une
Contrastando os três retratos, percebemos que somente a raça branca ou ariana, criadora da civilização, possui as virtudes mais elevadas do homem: honra, amor à liberdade, vigor físico, etc – qualidades que poderiam ser perpetuadas apenas se a raça permanecesse pura. Em Jules Verne, o leitor pode se deparar com frases que permitem descobrir vestígios do discurso de Arthur de Gobineau. Em Les enfants du capitaine Grant temos as passagens que antecedem e precedem, respectivamente, o retrato do aborígene australiano (cf. item 4.3): “Il y a cinquante ans, ajouta Paganel, nous aurions déjà rencontré sur notre route mainte tribus de naturels, et jusqu'ici pas un indigène n'est encore apparu. Dans un siècle, ce continent sera entièrement dépeuplé de cette race noire”171; e “Mais lady Helena avait encore plus raison que Mac Nabbs, en tenant pour des êtres doués d'une âme ces indigènes placés au dernier degré de l'échelle humaine.”172 Nessas passagens não se lêem somente a ideia da existência de “raças”,
intensité terrible. Plusieurs de ses sens sont développés avec une vigueur inconnue aux deux autres races: le goût et l’odorat principalement. À ces principaux traits de caractère il joint une instabilité d’humeur, une variabilité de sentiments que rien ne peut fixer, et qui annule, pour lui, la vertu comme le vice. La race jaune se présente comme l’antithèse de ce type. Le crâne, au lieu d’être rejeté en arrière, se porte précisement en avant. Le front large, osseux, souvent saillant, développé en hauteur, plombe sur un faciès triangulaire, où le nez et le menton ne montrent aucune des saillies grossières et rudes qui font remarquer le nègre. Une tendance générale à l’obésité n’est pas là un trait tout à fait spécial, pourtant il se rencontre plus fréquemment chez les tribus jaunes que dans les autres variétés. Peu de vigueur physique, des dispositions à l’apathie. Au moral aucun de ces excès étranges, si communs chez les mélaniens. Des désirs faibles, une volonté plutôt obstinée qu’extrême, un goût perpetuel mais tranquille pour les jouissances matérielles, avec une rare gloutonnerie, plus de choix que les nègres dans les mets destinés à la satisfaire. En toutes choses tendance à la médiocrité; compréhension assez facile de ce qui n’est ni trop élevé ni trop profond; amour de l’utile, respect de la règle, conscience des avantages d’une certaine dose de liberté. Les jaunes sont des gens pratiques dans le sens étroit du mot. Ils ne rêvent pas, ne goûtent pas les théories, inventent plus, mais sont capables d’apprécier et d’adopter ce qui sert. Leurs désirs se bornent à vivre le plus commodément possible. On voit qu’ils sont supérieurs aux nègres. C’est une populace et une petite bourgeoisie que tout civilisateur désirerait choisir pour base de sa société. Viennent maintenant les peuples blancs. De l’énergie réfléchie, ou pour mieux dire, une intelligence énergique; le sens de l’utile, mais dans une signification de ce mot beaucoup plus large, plus élevée, plus courageuse, plus idéale que chez les nations jaunes; une persévérance qui se rend compte des obstacles et trouve, à la longue, les moyens de les écarter; avec une plus grande puissance physique, un instinct extraordinaire de l’ordre comme moyen indispensable de conservation, et en même temps, un goût prononcé de la liberté, même extrême; une hostilitée déclarée contre cette organisation formaliste où s’endorment les Chinois, aussi bien que le despotisme hautain, seul frein suffisant aux peuples noirs. Les blancs se distinguent encore par un amour singulier de la vie. Il paraît que, sachant mieux en user, ils lui attribuent plus de prix. Leur cruauté, quand elle s’exerce, a la conscience de ses