3.2. ROMANLARINDA YAPI VE TEMA
3.2.4. Trenler Yine Gidiyor
A Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) é resultado da transformação da Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM), conforme texto da Constituição Mineira de 21 de setembro de 1989, em seu artigo 82, parágrafo 3º, do “Ato das Disposições Constitucionais Transitórias” que diz: “Fica transformada em autarquia, com a denominação de Universidade Estadual de Montes Claros, a atual Fundação Norte Mineira de Ensino Superior” (MINAS GERAIS, 1989). As professoras Baby Figueiredo e Ruth Tolentino relataram, respectivamente, que a transformação da FUNM em UNIMONTES deveu-se aos aspectos abaixo relacionados.
Em 1962, foi criada a FUNM, pela Lei Estadual 2.615, através do deputado Cícero Dumont. Pela lei, o Estado deveria subvencioná-la e todas as suas unidades, mas o compromisso financeiro do governo de Minas somente se efetivou muito mais tarde, quando a FUNM, em 1989, foi transformada em UNIMONTES. Como mencionei anteriormente, toda a receita da FAFIL era baseada nas mensalidades dos alunos, e essas eram razoavelmente baixas. O custo da hora-aula era irrisório, mas foi aceito pelos professores, quase em caráter filantrópico, como uma forma de contribuição com a instituição (excerto do depoimento da professora Baby Figueiredo).
Há dois aspectos da transição da FUNM para a UNIMONTES que devem ser mencionados. Essa transição teria que ser feita, porque a FUNM não poderia mais ficar dependendo de anuidades escolares, o que onerava bastante os alunos. A Faculdade de Medicina, através da ideia brilhante de Mário Ribeiro, instituiu bolsas de estudo, em parceria com as prefeituras da região. Como todas as prefeituras precisavam de médicos, a ideia foi apoiada de imediato. A parceria implicava em retorno posterior para as prefeituras através de prestação de serviços dos recém-formados, durante dois anos. Essa parceria idealizada por Mário Ribeiro é o embrião do FIES79. O FIES nasceu daí e isso é reconhecido nacionalmente (excerto do depoimento da professora Baby Figueiredo).
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O Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) é um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na Educação Superior de estudantes matriculados em instituições não gratuitas. Podem
Sobre a transição da FUNM para Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), eu percebo que o doutor José Geraldo de Freitas Drumond foi muito empreendedor. Ele, realmente, via a necessidade de ter aqui em Montes Claros uma Universidade. Agora eu vou te contar outra história... Desde 1980, eles vinham tentando fazer uma Carta Consulta80 para a transformação da Fundação em Universidade, mas não
conseguiram. Em 1983, o professor Antônio Jorge disse: “Olha, se vocês querem que esta Carta saia, chamem a professora Ruth”. Falo isso sem modéstia nenhuma... Viajei para
São Paulo. O consultor de São Paulo falou comigo que estava tudo errado na Carta Consulta elaborada antes de minha entrada no projeto, que não tinha nada certo, estavam descritos na Carta anterior todos os defeitos que havia no Campus... Para a aprovação, a Carta deveria ser refeita. Quando voltei, novamente, para São Paulo, com a Carta refeita,
o consultor disse: “Se é esta aqui, já está aprovada!” (excerto do depoimento da professora Ruth Tolentino).
De lá fui para o Conselho Estadual de Educação. Tinha um conselheiro aqui em Minas Gerais, o professor Airton... Se ele subia as escadas, eu subia atrás... Se ele
descia as escadas, eu descia atrás... Ele telefonou para Belo Horizonte e disse: “Gente,
tira essa mulher do meu pé”. A Carta já chegou aprovada em Belo Horizonte. Valeu a insistência. Mas, minha história é uma história de bastidores... Viajei sozinha para Belo Horizonte, Sete Lagoas, Goiás, Divinópolis, para todos esses lugares procurando
professores para “disponibilizar os nomes e os currículos”... Nós tínhamos nove mestres
aqui em Montes Claros. Eram só esses e eu precisava de mais... Eu viajei para esses lugares todos e trouxe os currículos... Eram currículos de mestres e doutores. Mas em Minas Gerais não havia tantos doutores... Na época, bastava ser mestre e ter o currículo comprovado para mostrar. A pessoa não precisava atuar na Instituição (excerto do
depoimento da professora Ruth Tolentino).
recorrer ao financiamento os estudantes matriculados em cursos superiores que tenham avaliação positiva nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação. Fonte: http://sisfiesportal.mec.gov.br/fies.html . Acesso em: 28 jun. 2014.
80
Documento que descreve ações e custos previstos na execução dos projetos que se pretende contratar com recursos externos e a contrapartida que é oferecida pelo mutuário pretendente.
A professora Ruth ainda destacou que a estadualização repercutiu de forma
positiva no curso de Matemática, pois o interesse das pessoas foi maior em fazer o curso. Atraiu mais pessoas. O fato de o curso ser gratuito facilitou para muita gente.
Diante das circunstâncias narradas, somente em nove de março de 1990 foi assinado o Decreto nº 30.971 (Figura 11), pelo então governador do Estado – Newton Cardoso – consolidando a transformação da FUNM na autarquia UNIMONTES (JARDIM et al., 2002).
Em abril de 1994, aconteceu um ato solene de homologação do Parecer nº232/94, do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, de Reconhecimento da UNIMONTES (Figura 12).
Figura 11: Decreto nº 30.971 de 09/03/1990.
Figura 12: Ato solene de homologação do Parecer do Conselho Estadual de Educação de
Reconhecimento da UNIMONTES.
Fonte: Centro de Pesquisa e Documentação Regional – CEPEDOR.
Em 1994, a UNIMONTES foi reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) como Universidade, por meio da Portaria nº 1.116, de 21/07/94.
Por meio das Leis Estaduais nº 11.517, de 13/07/1994; 11.660, de 02/12/1994, 12.154, de 21/05/1996 e 12.648, de 22/10/1997, foi prevista a organização administrativa da UNIMONTES, sendo que as cinco faculdades existentes à época (1990) foram reestruturadas em Centros de Ensino e contam, hoje, com os seguintes cursos81:
Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA): Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Ciências Sociais, Direito e Serviço Social.
Centro de Ciências Humanas (CCH): Artes - Habilitação em Teatro, Artes Visuais, Ciências da Religião, Filosofia, Geografia, História,
81
Fonte: Pró-Reitoria de Ensino/UNIMONTES. http://portal.unimontes.br/index.php/a-pro-reitoria-de-ensino. Acesso em: 31 ago. 2014.
Letras - Habilitação em Espanhol; em Inglês; em Português, Música, Pedagogia.
Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas (CCET): Agronomia, Engenharia Civil, Engenharia de Sistemas, Física, Matemática, Química, Sistemas de Informação, Zootecnia.
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS): Ciências Biológicas (Bacharelado e Licenciatura), Educação Física (Bacharelado e Licenciatura), Enfermagem, Medicina, Odontologia, Tecnologia em Sistemas Biomédicos.
Centro de Educação Profissional e Tecnológica (CEPT): Tecnologia em Agronegócios e Tecnologia em Gestão Pública.
Centro de Educação a Distância (CEAD): Administração Pública, Artes Visuais, Ciências Biológicas, Ciências da Religião, Ciências Sociais, Educação Física, Geografia, História, Letras Espanhol, Letras Inglês, Letras Português e Pedagogia.
Os Centros de Ensino (Figura 13) – CCSA, CCH, CCET, CCBS são unidades acadêmicas de deliberação e execução, que coordenam as atividades ligadas a ofertas de cursos pela universidade, cabendo-lhes ainda: a atuação nos campos do conhecimento fundamental e aplicado; o planejamento, a organização e a coordenação das ações de ensino, pesquisa e extensão nas respectivas áreas do conhecimento. A UNIMONTES, com autonomia didático-científica, administrativa, financeira e disciplinar, se rege por seu Regimento Geral, aprovado em reunião extraordinária do Conselho Universitário realizada em 20/12/1999, por seu Estatuto aprovado pelo Decreto Estadual n.º 39.820 de 19/08/98 e pela legislação educacional pertinente (MONTES CLAROS, 1999).
Figura 13: Vista frontal dos prédios do CCSA, CCH (1ª linha), CCET, CCBS (2ª linha). Fonte: Centro de Pesquisa e Documentação Regional – CEPEDOR.
As imagens acima mostram os prédios onde funcionam atualmente os cursos da UNIMONTES. Note-se que as edificações do CCSA, CCH, CCET e CCBS apresentam a tipologia arquitetônica modernista, caracterizada pela forma geométrica simples, valorizando a pela racionalidade e funcionalidade do espaço. Essas obras não possuem ornamentos. A própria construção se configura como ornamento na paisagem (MARTINS, 1993).
No caso de edifícios com fins educacionais, frequentemente enfatiza-se a integração dos espaços, a facilidade na circulação, a amplitude das salas de aula e dependências, com o intuito de possibilitar o aumento do número de vagas e o acesso das camadas populares ao ensino formal (BUFFA, 2002).
CAPÍTULO 4
HISTÓRIAS DE UM CURSO E
DA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA
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Nossas lembranças permanecem coletivas e nos são lembradas por outros, ainda que se trate de eventos em que somente nós estivemos envolvidos e objetos que somente nós vimos. Isso acontece porque jamais estamos sós82.
A trajetória histórica da formação de professores de Matemática no norte de Minas Gerais pode ser compreendida parcialmente a partir das estratégias de organização do primeiro curso de licenciatura criado para esse fim, conforme o capítulo anterior. Neste capítulo, intencionamos contar e analisar, por meio da utilização de fontes orais e do exame de documentos escritos, as histórias desse curso e do processo de formação de professores de Matemática egressos do mesmo.
Acreditamos, conforme Garnica (2007, p.59), “ser possível, face aos depoimentos, compreender a realidade que nos cerca e, a partir dessas compreensões, criar hábitos de ação”. Como o autor, consideramos que essa proposta é tão importante como a de “compreender, a partir das narrativas do outro, seus modos de narrar, os modos pelos quais o outro atribui significado às suas próprias experiências” (Idem, Ibidem).
Assim, as muitas histórias presentes nas narrativas de nossos colaboradores nos fornecem indícios para a compreensão da questão de pesquisa. Elaboramos, então, nossas interpretações considerando aspectos que nos saltaram aos olhos nas textualizações elaboradas. Embora os depoimentos tenham sido acomodados, na íntegra, nos apêndices de nosso trabalho, queremos frisar que essa estratégia não deslegitima ou secundariza as narrativas de nossos depoentes, pois elas são, em muitos momentos, retomadas em nossa própria narrativa.
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