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3.2. ROMANLARINDA YAPI VE TEMA

3.2.2. Evlerde Sevgi Yoktu

3.2.2.1.4. Aile Đçi Şiddet

As mudanças educacionais ocorridas no país trouxeram, também, ventos de mudanças para Montes Claros. Conquanto tenha havido avanços significativos no ensino secundário, especialmente no que concerne à sua expansão, estruturação e organização curricular, a questão da formação de professores ainda carecia de maiores investimentos e atenção, pois nesse cenário somente o ensino primário dispunha de instituições para a formação de seus professores – as escolas normais.

A Reforma Francisco Campos, datada de 18 de abril de 1931, e instituída por meio do Decreto nº 19.890, trazia em seu bojo a exigência da formação superior para atuação no ensino secundário, a despeito de poucos professores no país atenderem a essa determinação.

No norte de Minas, a situação era ainda mais complicada, pois, para atender aos requisitos expostos na Lei, os professores deveriam se deslocar para os grande centros a fim de dar continuidade à sua formação numa escola de nível superior, conforme afirmou em seu depoimento a professora Maria Isabel de Magalhães Figueiredo Sobreira – Baby Figueiredo, esclarecendo que as oportunidades que as pessoas tinham de estudar, de fazer

um curso superior eram mínimas. Só famílias que possuíam recursos e com pais esclarecidos permitiam que os filhos saíssem de lá para outros centros maiores que o seu. Um dos centros mais próximos era Belo Horizonte.

Uma outra exigência legal emanada do Decreto Lei nº 4.244 de 9 de abril de 1942, também conhecido como Reforma Capanema, registra, especificamente, no artigo 69, que as escolas de ensino secundário deveriam compor seu corpo docente prioritariamente com educadores formados em cursos superiores voltados para as disciplinas que pretendessem ministrar.

Desse modo, podemos afirmar que tanto a Reforma Francisco Campos quanto a Reforma Capanema demandavam a formação superior como condição para os docentes atuarem no ensino secundário.

No norte de Minas Gerais, não havia, até os anos 1960, qualquer iniciativa para a constituição de uma escola superior que pudesse suprir a demanda de formação de professores para atuar no ensino secundário. Como vimos, os docentes que lecionavam nesse segmento eram certificados pela CADES. Essa situação incomodou um grupo de intelectuais norte mineiras, dentre elas Isabel Rebello de Paula, Dalva Santiago de Paulo, Maria da Consolação de Magalhães Figueiredo, Maria Isabel de Magalhães Figueiredo e Maria Florinda Ramos Marques, que tomaram a iniciativa de criar, em 1964, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Montes Claros. A professora Baby Figueiredo fez o relato a seguir.

Três anos após Isabel Rebello e Dalva68 terem ido para Belo Horizonte para fazer os cursos de História e Geografia, Mary69, eu e Florinda70 também saímos para fazer cursos, de licenciatura, que não eram assim chamados, mas, cursos de Filosofia, com especificidade em Letras, Pedagogia, História e Geografia. Sentíamos o peso da responsabilidade de sermos privilegiadas, e eu digo privilegiadas, porque eram as mulheres que saíam para fazer cursos de formação de professores, deixando para trás companheiras que sentiam a mesma vontade, eram igualmente inteligentes pesquisadoras, mas não tinham oportunidade semelhante.

Ainda estudantes, jovens acadêmicas em Belo Horizonte, reuníamo-nos várias vezes, na Faculdade de Filosofia, juntamente com alguns dos nossos mestres para discutir a relevância do ensino superior no desenvolvimento regional do norte de Minas.

Lembro-me bem desses grandes mestres e grandes incentivadores: Prof. Tabajara Pedroso71 e Prof. Amaro Xisto de Queiroz72. Eles nos ajudaram, e bastante, a pensar em implantar o ensino superior em Montes Claros.

68

A professora refere-se a Dalva Santiago de Paulo, também uma das fundadoras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL).

69 Trata-se de Maria da Consolação de Magalhães Figueiredo, irmã da entrevistada e igualmente uma das

fundadoras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL).

70

Baby fala de Maria Florinda Ramos Marques, outra fundadora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL)

71 Tabajara Casas Nogueira Pedroso foi Vice-reitor do Ginásio Mineiro, Diretor do Colégio Marconi, Diretor

da Escola Normal Modelo, atual Instituto de Educação, Professor da Escola da Fazenda do Rosário, Professor dos Colégios Santo Agostinho, Dom Silvério e Anchieta. Foi Professor Emérito, Professor Catedrático, Diretor e Fundador da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da UFMG, fundador da

Os primeiros passos para a criação de uma faculdade em Montes Claros foram iniciados em agosto de 1963, quando a Fundação Educacional Luiz de Paula, que até então atuava na implantação de cursos ginasiais em cidades da região onde só havia cursos primários, aceitou patrocinar “a criação da primeira escola de nível superior do Norte do Estado e ampará-la até sua incorporação à futura universidade da região” (PAULA, 1987, p. 13).

Caminhando na direção do desenvolvimento regional, a elite norte mineira põe- se em defesa da melhoria e da expansão da educação na região, como se pode constatar em trechos da palestra realizada em 1965 pelo ex-prefeito de Montes Claros, Simeão Ribeiro Pires.

Ao nosso ver, qualquer processo de desenvolvimento regional só atingirá etapas superiores, se tiver a sustentáculo um vigoroso e adequado sistema de ensino.[...] É urgente a necessidade de um sustentáculo educacional para que sejam alcançados níveis satisfatórios de desenvolvimento. [...] A matriz de nosso atraso é o alto índice de analfabetos, sendo sua rápida redução o primeiro passo para qualquer tentativa de soerguimento regional e nacional. [...] Não constitui novidade para educadores que o rendimento da escola depende da sintonização entre ela e o meio. [...] É que cumpre, urgentemente, fazer a terra produzir mais, pois é lição eterna, que nunca é demais repetir, mormente agora, para todos os quadrantes do país: – A miséria não deve ser combatida pela simples Distribuição dos

que possuem e sim e mais pela Produção dos que são capazes (REVISTA

MONTES CLAROS EM FOCO, 1965, s/p, grifos do original).

Evidencia-se, nos registros acima, uma articulação intencional entre educação e desenvolvimento. Desse modo, conforme Forquin (1995)73, as concepções globalizantes de escola como instrumento de desenvolvimento socioeconômico – Teoria do Capital Humano

FaculdadeSanta Maria (ministrou a primeira aula), que depois se transformou em parte da atual Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, onde também foi professor. Foi Reitor e Professor Catedrático do Colégio Estadual, Chefe Censitário – Censo 1970 – IBGE, Chefe da Comissão Estadual de Moral e Cívica. FONTE: http://www.cultoaciencia.net/o%20professor.htm. Acesso em: 02 ago. 2013.

72

Professor de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFICH) da UFMG.

73 A análise que Forquin (1995) faz das produções dos pesquisadores (europeus e norte-americanos) mostra

que, no início da década de 1960, havia uma acentuada preocupação em estudar a desigualdade de acesso à escola segundo os grupos sociais e seus efeitos nos processos de estratificação social, abalando a crença liberal de que a expansão dos sistemas de ensino, a promoção do acesso à escola, a propagação da meritocracia nos estudos seriam fatores suficientes para a democratização da educação. Levando o “olhar” para o sistema, para a distribuição desigual do “capital cultural” e para a diferença do “ethos de classe”, os pesquisadores da época passaram a investigar o que acontece na “caixa preta” das instituições de ensino e como se efetivava a perpetuação da “cultura dominante”. Ainda conforme o autor, nessa perspectiva, a desigualdade nas trajetórias escolares poderia ser atribuída a fatores institucionais e sociais.

ou ainda, como reprodutora de desigualdades, deram lugar às “relações microssociológicas” em seu interior, enfatizando determinantes estruturais presentes nas práticas cotidianas e nas interações entre os sujeitos.

Entre os anos de 1960 e 1970, houve a intensificação da organização do ensino no Brasil, liderada pelos órgãos governamentais, num movimento denominado desenvolvimentista, o qual ampliou o número de escolas primárias, secundárias e a educação superior, tanto nos grandes centros quanto no interior do país, demandando, ainda, a formação de professores para atuar nesses níveis de ensino (ROMANELLI, 1983).

Na visão da autora (1983, p. 69), “a educação é tida como fator de desenvolvimento e, como tal, não só corresponde às necessidades quantitativas da demanda, como, e principalmente, cria e orienta essa demanda”. Portanto, podemos inferir que a demanda pela formação de professores foi guiada pela expansão do ensino no Brasil, provocando a busca por profissionais que pudessem suprir a carência de docentes para ministrar o ensino no interior do país.

Não havia nenhuma instituição de ensino superior na cidade ou região; o nível mais alto existente era o ensino secundário. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, no período de 1957 a 1960, sobre Montes Claros foi registrado que

conta ainda o município cinco estabelecimentos do ensino ginasial, dois do comércio, duas escolas normais e um curso científico. A Escola Normal Oficial de Montes Claros data de 1879 e é no seu gênero um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino da terra mineira (BRASIL, 1957-1960, p.145).

Quanto ao nível de alfabetização, os resultados do Censo Demográfico de 1960 (volume 1), nos fornecem os dados relativos à população da microrregião de Montes Claros (que compreende os municípios de Bocaiúva, Brasília de Minas, Coração de Jesus, Francisco Sá, Janaúba, Jequitaí, Juramento, Montes Claros e São João da Ponte) informados na Tabela 3. É preciso esclarecer que, conforme registrado no documento citado (BRASIL, 1957-1960, p. 14), “foram consideradas alfabetizadas somente as pessoas capazes de ler e escrever um bilhete simples em um idioma qualquer”. Aquelas que somente soubessem assinar o próprio nome foram classificadas como analfabetas.

Tabela 3: Índices de Alfabetização na microrregião de Montes Claros

Pessoas presentes de 5 anos e mais

TO TA L D A P O P U LA Ç Ã O S A B EM LE R E ESCR EV ER ESTU D A N TES

5 a 9 anos 10 a14 anos 15 a 19 anos 20 anos e mais TO TA L S A B EM LE R E ESCR EV ER ESTU D A N TES TO TA L S A B EM LE R E ESCR EV ER ESTU D A N TES TO TA L S A B EM LE R E ESCR EV ER ESTU D A N TES TO TA L S A B EM LE R E ESCR EV ER ESTU D A N TES 3 0 0 .1 3 8 8 4 .6 0 6 3 2 .8 9 7 6 2 .6 4 0 4 .9 9 9 1 0 .7 6 1 4 9 .7 6 5 1 6 .8 3 3 1 7 .0 0 7 3 9 .3 0 3 1 4 .9 2 4 4 .2 2 3 1 4 8 .4 3 0 4 7 .8 5 0 906

Fonte: BRASIL. IBGE, 1957-1960

Podemos verificar que, do total de 300.138 pessoas residentes na microrregião (entre 5 a 20 anos e mais), somente 84.606 (pouco mais de 28%) sabiam ler e escrever, ou seja, pelo menos ler e escrever um bilhete simples (conforme informado no Censo). Tal informação corrobora a carência e urgência de criação de estabelecimentos de ensino em todos os níveis – os elementares, para atenderem a demanda inicial de alfabetização, e os secundários e superiores, para formar docentes para todos os níveis de ensino.

3.5 A constituição da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL) em Montes Claros

“Fazer história é uma prática”, afirmou Certeau (1982, p. 78). Ao construir uma história do curso de formação de professores de Matemática na primeira instituição de ensino superior em Montes Claros, norte de Minas Gerais, estamos constituindo uma prática (ao lidar com fontes diversas) e uma escrita (com todos os condicionantes impostos pelas circunstâncias e pelo lugar de produção da mesma), portanto, fazendo história, ou no momento presente, recontando histórias.

Ao caracterizar nosso cenário de pesquisa – Montes Claros, norte de Minas –, verificamos que a implantação dos cursos de licenciatura efetivou-se pela demanda localizada de formar docentes para atuar nos níveis secundário e, posteriormente, superior.

Para situar essa implantação, vamos nos valer, inicialmente de artigos publicados na Revista Vínculo, editada pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – FAFIL.

Conforme Paula (1987, p.12),

em 30 de julho de 1962, no auditório do Colégio Imaculada Conceição, representando o Sr. Governador do Estado, Magalhães Pinto, o Prof. Zair

de Carvalho Rocha procedeu à “instalação” da Universidade que seria

mantida pela Fundação Norte Mineira de Ensino Superior – FUNM, criada pela Lei Estadual 2.615 de 24/05/1962 de autoria do ex- deputado Cícero Dumont. Pretendia o governo convocar a comunidade,

já demasiadamente solicitada a resolver seus próprios problemas, para

mais um ‘esforço de guerra’, sustentando a Universidade que lhe fora

outorgada por lei. Consequentemente, passou a nossa Universidade, tão sonhada, a um compasso de espera e de desânimo até sua desativação (grifo nosso).

O que Paula (1987) expressa, nas últimas linhas do excerto, é que não foram efetivamente instalados, em julho de 1962, os cursos de Agronomia e Veterinária propostos pelo Estado para a Universidade Norte Mineira. Somente em 1963, com o apoio da Fundação Educacional Luiz de Paula, foi criada a primeira escola de ensino superior do Norte de Minas, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – FAFIL. A FAFIL foi efetivamente instalada em 1964, com cursos de Geografia, História, Letras e Pedagogia, nas dependências do Colégio Imaculada Conceição. Silveira (1989, p. 17) destaca que

o principal objetivo da sua criação foi formar professores para o exercício do magistério de 1º e 2º graus, até a data a cargo de advogados, engenheiros, médicos, odontólogos e normalistas, todos competentes, porém, não especializados para o mister de educar.

Conforme relato da professora Baby Figueiredo, o grupo teve, também, a

enorme felicidade de ter o incondicional apoio do Ministério da Educação - Darcy Ribeiro, à época, era Chefe da Casa Civil do governo João Goulart. Continua Baby: Empreendemos uma longa viagem a Brasília, enfrentando estradas em condições

desfavoráveis. Estávamos, entretanto, determinadas a perseguir nosso objetivo. Isabel, Mary e eu, acompanhadas de Luiz de Paula Ferreira, Presidente da FELP, a primeira mantenedora da FAFIL, e assessorados por Mário Ribeiro74, mantivemos contato, em janeiro de 1964, com Darcy Ribeiro, Lauro de Oliveira Lima, então Chefe do Ensino Secundário e vários membros do Conselho Federal de Educação que nos apoiaram nesse projeto de uma visão ampla e grandiosa.

Destarte, foi realizada uma assembleia no dia 02 de agosto de 1963 para, finalmente, instituir a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL), cuja ata de fundação é apresentada em fragmento (Figura 8) na página seguinte e na íntegra no Anexo 1 deste trabalho.

74 Mário Ribeiro da Silveira, irmão de Darcy Ribeiro. Criou o curso de Medicina em Montes Claros, idealizou

o crédito educativo, implantou na cidade salas de cinema. Foi vereador e prefeito (1989 a 1992). Chegou a ser preso pelo regime militar sob a acusação de ser comunista. Falecido em 1999. Fontes: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/1999; http://anpuh.org/anais/pdf/ANPUH.S23.1212. Acesso em: 14 set. 2015.

Figura 8: Página 1 da Ata de Fundação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Norte

de Minas.

Pautando-nos pelas narrativas de alguns de nossos colaboradores, podemos afirmar que foi enfrentada por eles certa perseguição política, pois o fato de o grupo ter ligação com exilados políticos trouxe certas dificuldades. A professora Baby Figueiredo relatou que:

Em seguida ao golpe de 1964, com energia e coragem, implementamos em abril, sob a égide da FELP, a Faculdade de Filosofia/FAFIL. Passamos por grandes dificuldades. A FAFIL foi considerada de natureza subversiva, uma vez que havíamos tido a chancela de Darcy Ribeiro, Lauro de Oliveira Lima, e de outros conselheiros que apoiavam o governo João Goulart. Em consequência, foi muito difícil obter o reconhecimento desses primeiros cursos. Enfrentamos lutas inglórias, diversos embates, mas sem desânimo, inspiradas pelos benefícios futuros que nosso projeto produziria. Finalmente, seis anos depois, em 1970, os cursos foram reconhecidos pelo Conselho Federal de Educação.

Foi também em 1964 que chegaram os primeiros alunos para os cursos de Letras, Pedagogia, Geografia e História, que funcionariam nas dependências do Colégio Imaculada Conceição, espaço cedido pelas Irmãs, que também eram alunas. “Era uma dimensão nova na cidade que, se antigamente passara à História por dar tiros... já, agora, era um centro de cultura” (PAULA, 1973, p. 13). Antes do ingresso nos cursos, foi oferecido um curso preparatório com o intuito de promover o nivelamento dos estudantes para o processo seletivo/vestibular da Faculdade de Filosofia, conforme noticiado no Jornal

Figura 9: Notícia do Jornal Diário de Montes Claros, Montes Claros, 20/10/1963.

No ano de 1965, houve a transferência de funcionamento dos cursos do Colégio Imaculada para o casarão centenário da FUNM, localizado na Rua Coronel Celestino, nº 75, no Centro de Montes Claros75. Nesse mesmo ano, tiveram início as aulas da Faculdade de Direito – FADIR, primeira unidade de ensino superior da FUNM, criada em novembro de 1964.

Em 1966, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL) desligou-se da Fundação Educacional Luiz de Paula – FELP e integrou-se à FUNM (conforme podemos verificar em duas atas: Ata da FELP – Anexo 1 e Ata da FUNM – Anexo 2). Em 1968, são somados aos cursos existentes na FAFIL os cursos de Matemática, Ciências Sociais e Filosofia.

Nos anos seguintes, foram criadas outras faculdades integrantes da FUNM, a saber: em 1969, a Faculdade de Medicina (FAMED); em 1972, a Faculdade de Administração e Finanças (FADEC), com os cursos de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas; em 1986, a Faculdade de Educação Artística (FACEART).

A cronologia a seguir (Figura 10) assinala o processo de implantação do ensino superior no norte de Minas, por meio de Leis, reuniões, assembleias, eleição de diretorias e criação de cursos.

75 “Atualmente, esse endereço abriga o Museu Regional do Norte de Minas aprovado pelo Ministério da

Cultura, no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC). A meta da UNIMONTES é que a instituição funcione com a compilação de manifestações e tradições culturais dos municípios do Norte de Minas. A primeira etapa do Museu Regional – já concluída – constou das obras de restauração do Casarão da FAFIL, no centro histórico de Montes Claros. Foram recuperadas e resgatadas as características originais do prédio, construído em 1889. Foi elaborado o Inventário Geral do Acervo do Norte de Minas e o Plano Museológico. Na segunda e última fase de implantação do projeto, serão organizadas exposições e adquiridos equipamentos, além de complementadas as obras de acessibilidade”. Informação publicada em 14 de fevereiro de 2011 e disponível em: http://portal.unimontes.br/index.php. Acesso em: 04 ago. 2013.

24 de maio de 1962 Lei 2.615/62, que criou a Universidade Norte de Minas, que mais tarde passou a chamar-se Fundação Universidade Norte-Mineira.

25 de julho de 1962

Reunião, em Montes Claros, para delineamento do funcionamento da FUNM.

02 de agosto de 1963

Assembleia de fundação da FAFIL, definida a Fundação Educacional Luiz de Paula como mantenedora.

Janeiro de 1964

Eleita a primeira diretoria da FAFIL, tendo a Profª Isabel Rebello de Paula como sua primeira diretora.

13 de abril de 1964

Início das aulas da FAFIL, nos cursos de Geografia, História, Letras e Pedagogia.

Novembro de 1964

Criação da Faculdade de Direito – FADIR, incorporada à FUNM.

01 de maio de 1965 Início das aulas da FADIR.

06 de dezembro de 1965

A FAFIL é transferida para a Fundação Universidade Norte- Mineira.

18 de outubro de 1967

Nomeada comissão para construir o projeto da Faculdade de Medicina do Norte de Minas - FAMED.

Agosto de 1968

Início das discussões para a criação da Faculdade de Administração e Finanças do Norte de Minas –FADEC.

1968

Início dos cursos de Filosofia, Ciências Sociais e Matemática, vinculados à FAFIL.

Abril de 1969 Início das aulas da FAMED.

13 de maio de 1972

Início da aulas da FADEC, com os cursos de Administração de Empresas e Ciências Econômicas.

19 de fevereiro de 1973

Criação do curso de Ciências Contábeis, vinculado à FADEC.

08 de maio de 1986 Ato de criação da Faculdade de Educação Artística do Norte de Minas – FACEART.

Figura 10: Cronologia do processo de implantação do ensino superior norte-mineiro, relacionada à

FUNM.

Cumpre-nos destacar que, até o ano de 1990, a FUNM foi mantida pelo pagamento de mensalidades dos acadêmicos, bem como por doações de fazendeiros, empresários e comerciantes locais. Segundo a professora Baby, nos dez ou quinze primeiros

anos, faltavam-nos recursos financeiros. Cerca de 90% da receita provinham das mensalidades pagas pelos alunos. A FELP era mantenedora de outras instituições de ensino médio76 com as quais tinha obrigações. Faltavam-lhe recursos suficientes para manter o ensino superior. Sempre fomos, e somos imensamente gratas à FELP por ter atuado como um instrumento legal que permitiu a aprovação da primeira escola de ensino superior da região – a FAFIL.

A Profª Baby ainda argumentou que fundamental foi a incessante luta e o

prestígio político do Dr. João Valle Maurício, nomeado primeiro Presidente e Reitor da FUNM. Destacou, ainda, que foi constituída uma missão de grande significado regional

para aquisição do terreno onde hoje funciona o campus da UNIMONTES. Informou que a Profª Maria da Consolação Figueiredo (Mary, sua irmã gêmea) – representando a FUNM e como coordenadora do setor acadêmico – participou de uma série de negociações em

Benzer Belgeler