3. GEREÇ VE YÖNTEM
3.1. Cerrahi Teknik
3.1.1. Transmastoid Fasiyal Sinir Dekompresiyonda Genel Basamakları
Em sua obra Da escrita para a fala: atividades de retextualização, Marcuschi (2010) apresenta uma metodologia que, por meio de operações, permitem executar a atividade de retextualização. Nesse primeiro momento, contudo, será aqui apresentado o modelo sem considerar que ele foi desenvolvido para atuar, em princípio, apenas da fala para a escrita, de modo que essa limitação não interfira no entendimento do sistema, que, como será possível verificar mais adiante, pode ser adaptado para outros tipos de retextualização.
Marcuschi (2010, p. 54-55) aponta quatro variáveis no que concerne ao foco de abordagem na retextualização: o propósito ou objetivo da retextualização; a relação entre o produtor do texto original e o transformador; a relação tipológica entre o gênero textual original e o gênero da retextualização; e os processos de formulação típicos de cada modalidade. A seguir, cada uma dessas variáveis será explicada, com auxílio de Matencio (2002, p. 112):
(i) propósito ou objetivo – a finalidade da transformação determina as escolhas referentes ao conteúdo temático do texto-base e às estruturas que se pretende preservar;
(ii) relação entre o produtor do texto original e o transformador – (a) a
retextualização realizada pela mesma pessoa que produziu o texto original – as mudanças são mais drásticas, decorrendo, comumente,
em um novo texto ou em um bastante diferente do original. Isso porque o autor sente-se à vontade para realizar alterações de forma e conteúdo; (b) a retextualização realizada por pessoa diferente
daquela que produziu o texto original – o retextualizar procura
“respeitar” o texto original, realizando menor número de mudanças no conteúdo, porém, ainda podem ser significativas as mudanças concernentes à forma;
(iii) relação entre o gênero do texto original e o gênero da retextualização – a transposição de um meio para outro, mantendo- se o gênero, implica mudanças menos drásticas do que quando a
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transposição é de um gênero para outro, uma vez são necessárias adaptações que podem exigir mudanças mais perceptíveis;
(iv) processos de formulação de cada modalidade – a retextualização da fala para a fala ou da escrita para a escrita produz diferenças menos radicais, ao passo que a mudança de modalidade naturalmente implica na necessidade de alterações e adaptações para que se atenda às tipicidades de cada uma delas.
Portanto, qualquer análise de uma retextualização deve considerar essas quatro variáveis a fim de compreender as possíveis manutenções e/ou alterações e/ou adaptações. Além disso, aspectos linguísticos, textuais e discursivos devem ser considerados no processo de retextualização. Marcuschi (2010, p. 69) apresenta um quadro, reproduzido na figura a seguir, no qual expõe os referidos aspectos:
Figura 19 – Aspectos envolvidos nos processos de retextualização
Fonte: Marcuschi (2010, p. 69)
Diante do exposto, têm-se, basicamente, quatros aspectos no que se refere a um processo de retextualização. Dois deles – A e B – o autor informa que são processos linguísticos, textuais e discursivos e dizem respeito às operações que atuam sobre o código, mas cujas implicações refletem no discurso, uma vez que ambos vinculam-se de maneira indissociável. O aspecto C refere-se ao tratamento dos turnos e envolve operações mais complexas em relação aos dois aspectos anteriores, além disso, devem considerar os processos A,B e D. Por fim, a execução
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de D, cognitivo, envolve processos ainda mais complexos do que o anterior. Isso porque a retextualização de um texto envolve, necessária e indispensavelmente, a compreensão.
Por fim, para encerrar a etapa teórico-metodológica desta pesquisa, apresenta-se o que o proponente do modelo denomina de “Modelo diagramático para análise dos processos de retextualização” como na Tabela a seguir:
Tabela 6 – Modelo diagramático para análise dos processos de retextualização
Texto
original Retextualização
Operações e análises Tipo de
operação Eliminações Transformações
Acréscimos/ Alterações 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª Operações especiais Fonte: Marcuschi (2010, p. 123)
O autor (ibid., p. 77-88) elabora nove possíveis operações de editoração (regras para edição de textos), subdividas em operações de regularização e
idealização (1 a 4) e operações de transformação (5 a 9):
1ª operação: eliminação de marcas estritamente interacionais, hesitações
e partes de palavras (estratégia de eliminação baseada na idealização linguística) – eliminação de hesitações, elementos lexicalizados ou não lexicalizados e tipicamente produzidos na fala, tais como marcadores conversacionais, principalmente quando aparecem no interior de unidades discursivas;
2ª operação: introdução da pontuação com base na intuição fornecida
pela entonação das falas (estratégia de inserção em que a primeira tentativa segue a sugestão da prosódia) – inserção de pontuação
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diacrítica e formal, tendo em vista que a fala não dispõe desse recurso. Atende à necessidade de que na escrita as unidades sejam visualmente marcadas;
3ª operação: retirada de repetições, reduplicações, redundâncias,
paráfrases e pronomes egóticos (estratégia de eliminação para uma condensação linguística) – as repetições, típicas da oralidade, sejam de itens lexicais, sintagmas, orações ou estruturas, geram construções paralelas em grande quantidade. Junte-se a essas, as redundâncias informacionais e algumas reformulações parafrásticas. Não se trata, nesse momento, de condensação informacional, mas apenas da eliminação de elementos reduplicados desnecessariamente;
4ª operação: introdução de paragrafação e pontuação detalhada sem
modificação da ordem dos tópicos discursivos (estratégia de inserção) – passo em direção a uma transformação e não apenas uma idealização. Não implica na reordenação tópica, mas tão somente na disciplina do texto para que este tenha aparência da escrita, que teria normas mais específicas;
5ª operação: introdução de marcas metalinguísticas para referenciação
de ações e verbalizações de contextos expressos por dêiticos (estratégia de reformulação objetivando explicicitude) – tendo em vista que a fala utiliza o contexto físico de maneira sistemática para orientação e referenciação espacial, a retextualização deve inserir informação que os recupere;
6ª operação: reconstrução de estruturas truncadas, concordâncias,
reordenação sintática, encadeamentos (estratégia de reconstrução em função da norma escrita) – ações bastante diversificadas e de grande importância, pois aqui se acha o peso maior da normatização da escrita;
7ª operação: tratamento estilístico com seleção de novas estruturas
sintáticas e novas opções léxicas (estratégia de substituição visando a uma maior formalidade) – nessa e na próxima operação surgem os problemas relativos ao fenômeno cognitivo da interpretação encontrado
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na compreensão textual. Nesse sentido, para transformar é necessário compreender o texto. A não compreensão não impossibilita a retextualização, mas pode conduzir a uma transformação problemática, chegando ao falseamento. Aqui é possível ocorrer alterações sintáticas que podem ser compreendidas como não acarretando alterações no valor-verdade do enunciado (entendendo-se que tal alteração não apresenta relevância semântica), no entanto, se considerar-se que escolhas sintáticas são também escolhas semânticas, alterações de qualquer natureza sintática podem conduzir a outra força ilocutória;
8ª operação: reordenação tópica do texto e reorganização da sequência
argumentativa (estratégia de estruturação argumentativa) – necessidade de alto domínio da escrita; aplica-se em textos mais complexos com predomínio do aspecto argumentativo ou diálogos cuja retextualização pode ser mais global, sem atenção para detalhes informacionais;
9ª operação: agrupamento de argumentos condensando as ideias
(estratégia de condensação) – estabelece a diferença entre resumir e transformar. No primeiro caso, há uma compreensão textual que objetiva ao macrotexto, com predomínio de seleção de conteúdos e condensação (por eliminação de informações secundárias) e agrupamento sistemático de informações. No segundo caso, a eliminação pode atingir maior ou menor grau, determinada pelo fim a que se destina o texto final. Parte-se do pressuposto de preservação do mesmo volume de informações, embora a manutenção integral do conteúdo não seja vista como condição da retextualização.
O modelo apresentado, bem como as operações elencadas, serão a base, o ponto de partida para as aplicações. Evidentemente, também serão, a seu momento, realizadas as adequações necessárias de modo que se moldem às peculiaridades do corpus.
Com isso, encerra-se aqui a primeira parte desta pesquisa, que buscou apresentar um panorama teórico e metodológico como constructo para a segunda parte, prática.
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