• Sonuç bulunamadı

4. Magnetik Uyarı

2.7. Fasiyal Sinir Paralizinin Tedavis

2.7.4. Orta Kafa Çukuru Yaklaşımı

Apresentada ao mundo por Peter Koch e Wulf Oesterreicher (1985; 2013), o modelo da imediatez discursiva e da distância discursiva relaciona o espaço e as relações sociais quanto à concepção e demais propriedades de produção do texto. Por imediatez (extrema) e distância (extrema), entenda-se uma combinação tal de características comunicacionais (proximidade nas relações, nível de privacidade do ato de comunicação, fatores extralinguísticos etc.) que implicam no resultado daquilo que se produz, podendo estar (se prototípico) num extremo ou outro dos polos comunicativos (oralidade extrema ou escrituralidade extrema).

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Koch e Oestterreicher colocam a fala e a escrita sob duas perspectivas implícitas em um enunciado: uma refere-se ao meio (ou canal) e a outra, à concepção. Assim, quanto ao meio, a realização, como mencionado na subseção anterior, pode ser fônica (sonora) ou gráfica (visual), quanto à concepção, do oral (oralizada) à escrita (escrituralizada), tendo em vista o continuum entre os dois polos. Com base em Koch e Oestterreicher, Urbano (2011, p. 42-43) assim interpreta a questão do meio:

a) [fala] Produzida e transmitida sonoramente pela boca e recebida

acusticamente pelo ouvido. Sob esse aspecto, na fala, a

transmissão e recepção da mensagem literalmente estão “na cara”, ou seja, na boca (de quem fala) e no ouvido (de quem ouve), complementados, em geral, pelos gestos e expressões fisionômicos.

b) [escrita] Produzida e transmitida graficamente pelas mãos, sobre suporte físico do papel ou similar, e recebida visualmente pelos olhos.

Diante disso, pode-se inferir que, por consequência, têm-se, de um lado, apenas duas possibilidades de realização quanto ao meio (gráfica e fônica). No entanto, de outro lado, há inúmeras possibilidades de realização quanto à concepção. Dessa feita, inúmeras combinações entre meio e concepção podem ocorrer. Isso porque qualquer realização comunicacional, necessariamente, vale-se de uma das duas possibilidades do meio vinculando-se (ligando-se) a uma das inúmeras possibilidades da concepção. A figura a seguir busca ilustrar, genericamente, o exposto.

Figura 14 – Combinações entre meio e concepção

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Dado o grande número de elementos apresentados na Figura 14, cumpre uma breve descrição acerca de cada um deles. Na parte superior, encontram-se as duas alternativas de apresentação do meio: fônica e gráfica. Na parte inferior, o retângulo simboliza o continuum da concepção representado pela gradiência, sem limites demarcados, que vai do cinza escuro (oralidade extrema) ao branco (escrituralidade extrema). No polo da esquerda, encontra-se o extremo da oralidade (por isso, “+ oralidade”); no da direita, o extremo da escrituralidade (por isso, “+ escrituralidade”). A seta de duas pontas representa a possibilidade de movimentação entre as duas extremidades. Além disso, o gradiente de cores, do mais cinza para o branco, sem fronteiras definidas, demonstra a fluidez e sutileza das possibilidades do continuum. Ligando os elementos da parte superior aos da inferior, linhas tracejadas representando a ligação que parte do meio fônico e traço- pontuadas representando a ligação que parte do meio gráfico.

Cada linha, por sua vez, representa uma combinação entre meio e concepção. Assim, como exemplos, tem-se que linha 1, poderia ser uma conversa descontraída entre amigos; 2, uma conversa telefônica; 5, uma conferência apresentada a uma plateia especializada. A linha “A” poderia ser mensagens de texto (tipo sms) trocadas entre celulares de amigos; “B”, o texto de um diário pessoal; “E”, um artigo científico. Em suma, a representação gráfica visa a demonstrar que tanto um texto fônico pode ter traços de oralidade, quanto de escrituralidade, bem como um texto gráfico pode apresentar aspectos de escrituralidade ou de oralidade.

De modo abrangente, pode-se dizer que a concepção está ligada ao fim a que se destina o texto e não, necessariamente, ao meio no qual será apresentado. Por intermédio da correta análise dessa diferenciação dupla (meio e concepção) é possível verificar que a relação entre os códigos fônico e gráfico deve ser entendida no sentido de uma dicotomia estrita, enquanto a diferenciação entre “oral” e “escrito” estabelece um continuum de possibilidades de concepção. De acordo com Hilgert (2000, p. 19), tomando por base as teorias de Koch e Oesterreicher, explica que:

Os termos fala e escrita são empregados em dois sentidos: num, denominam meios distintos de realização textual, correspondendo fala à manifestação fônica e escrita à manifestação gráfica; noutro, referem maneiras distintas de concepção de um texto. [...] A noção de concepção, nesta abordagem, é definida com base (a) nas

107 condições de comunicação do texto e (b) nas estratégias adotadas para sua formulação.

Nesse sentido, a “escolha” da concepção vincula-se não só às condições de produção, mas também às metas a que se pretende atingir. Isto é, as situações comunicacionais estão sujeitas às diversas condições de produção, aspectos, regras, parâmetros, propósitos que irão definir o produto final (linguístico-textual- discursivo), disposto no gradiente do continuum tipológico entre o polo da oralidade e da escrituralidade, também denominados por Koch e Oesterreicher (2013, p. 158) de polos da imediatez e da distância.

Acerca desses aspectos, Urbano (2011, p. 44) explica:

as mensagens, consideradas em teoria as inúmeras e infinitas situações comunicativas concepcionais possíveis, localizam-se necessariamente em uma linha contínua num campo que vai de um

polo de imediatez comunicativa máxima (caracterizada básica e

necessariamente pela interação oral “face a face”, mas não só) a um

polo de distância comunicativa máxima (caracterizada básica e

necessariamente pela interação escrita “não face a face”, mas não só). Em outras palavras, vai da máxima oralidade à máxima

escrituralidade.

Quanto a isso, cumpre aqui enfatizar que os conceitos de “imediatez” e “distância” não se relacionam exclusiva e/ou necessariamente ao espaço físico entre emissor e receptor. Isso porque se deve considerar, além de outros fatores, também o grau de intimidade, proximidade social, entre os participantes de uma realização comunicacional. Isso quer dizer que uma interação face a face entre, por exemplo, um chefe e seu subordinado, será caracterizada pelo distanciamento hierárquico entre ambos, acarretando que resultado dessa comunicação seja disposto mais para o polo da escrituralidade do que da oralidade, embora o meio de produção seja o fônico.

Isso porque a língua em uso não é estática. Move-se e presta-se ao que lhe é demandado. Dessa feita, como afirma Marcuschi (2010, p. 43), “a determinação da relação entre fala-escrita torna-se mais congruente levando-se em consideração não o código, mas os usos do código”. Desse modo, torna-se central, conforme esse autor “a eliminação da dicotomia estrita e a sugestão de uma diferenciação gradual ou escalar”. Nesse sentido, ambas as realizações (fala e

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escrita), comumente, frequentam-se, tomando por empréstimo tipicidades (tomadas estritamente) umas das outras.

De acordo com Marcuschi (2010, p. 46), embora fala e escrita sejam diferentes, tais “diferenças não são polares e sim graduais e contínuas. São duas alternativas de atualização da língua nas atividades sociointerativas diárias”. São, em sua essência, instrumentos de interação, utilizadas a todo o momento para transmissão de ideias, pensamentos e toda sorte de comunicação.

Desse modo, um dado texto pode, (i) quanto ao meio, ser fônico e quanto à concepção, escrita; (ii) quanto ao meio, fônico e quanto à concepção oral; (iii) quanto ao meio pode ser gráfico e, à concepção, escrita; ou (iv) quanto ao meio, ser gráfico e, à concepção, oral. A tabela a seguir demonstra essas possibilidades mais claramente:

Tabela 5 – Possibilidades de combinações entre as perspectivas da fala e da escrita

POSSIBILIDADES

Meio Concepção Exemplos

Fônico Oral Conversa entre amigos Escrita Palestra

Gráfico Oral Entrevista transcrita em uma revista Escrita Texto de uma lei

Fonte: elaboração própria.

O quadro demonstra que as comunicações não se limitam a serem faladas ou escritas, uma vez que leva em consideração a possibilidades de haver tipicidades (em maior ou menor escala – como será explorado mais adiante) inter- relacionando-se conforme a finalidade a que se destinam. Portanto, uma conversa entre amigos é realizada fonicamente e sua concepção é oral. Possui, desse modo, maior grau de tipicidades da fala. Por outro lado, em oposição, o texto de uma lei, tendo meio gráfico e concepção escrita, traz em si maior grau de tipicidades da escrita. Contudo, uma palestra, na qual o palestrante se expressa oralmente (meio fônico), possui um roteiro no qual ele se baseia. Já um bilhete de recado, embora seja produzido no meio gráfico, possui a concepção oral.

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Exemplifique-se para que possam ficar mais claras as ideias expostas. Tome-se o seguinte bilhete, escrito, deixado pendurado na geladeira, que traz os seguintes dizeres: “Esqueci de comprar leite Compra hoje, tá Bjim”. Quanto ao meio, é gráfico. Contudo, são evidentes as marcas da oralidade. Isso porque sua concepção é marcadamente oral, haja vista, por exemplo, o estilo íntimo, sua informalidade e ausência de pontuação. Embora escrito, quase é possível ouvir o autor dizendo tal recado, tamanha é a proximidade do texto com a oralidade. Trata- se, assim, de um texto cuja produção se deu em meio gráfico, mas que tem concepção oral.

De outro lado, relembre-se a posse da presidência do Superior Tribunal de Federal (STF) pelo Excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa, de cujo discurso proferido à ocasião reproduz-se trecho a seguir:

Excelentíssima Senhora presidente Dilma Roussef, em nome de quem cumprimento todas as autoridades aqui presentes. Excelentíssimos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal. Minhas senhoras, meus senhores.

O Brasil é um país em franca e constante evolução. Um olhar retrospectivo e generoso sobre o nosso pacto sócio-político e sobre a nossa história como nação nas últimas cinco ou seis décadas, revelará sem dúvida a trajetória vitoriosa de um povo que soube desvencilhar-se da nada confortável posição de quase pária no concerto das nações livres. Esta posição, evidentemente, decorrente das graves iniquidades pelas quais éramos caracterizados. E passou a ingressar no seleto grupo das nações respeitáveis cujas instituições políticas podem, sem a menor sombra de dúvida, servir de modelo a diversos Estados cuja institucionalidade ainda está em vias de construção [...]. (BARBOSA, 2012)

Note-se, por exemplo, o evidente cuidado com o arranjo das palavras (planejamento – em oposição à falta de planejamento do exemplo anterior), o formalismo nos tratamentos e a escolha vocabular. Tais traços, típicos da escrituralidade (quando considerada no modelo dicotômico), demonstram sua concepção marcadamente escrita, embora tenha sido apresentado oralmente (meio fônico), na forma de discurso. Vale ainda pontuar esse é um pronunciamento não espontâneo, ou seja, houve uma formulação prévia (planejamento prévio). Primeiramente, foi escrito e, posteriormente, lido. Percebe-se com isso que há, assim, a possibilidade de transposição de um meio para outro, bem como adaptações concepcionais necessárias a tal mudança de produção, mas essa questão será tratada em momento oportuno, na subseção 2.5, “Transposição de meio: a retextualização”, que tratará da retextualização.

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Diante dos conceitos e ideias expostos, consideradas as perspectivas do meio e da concepção e, consequentemente, do continuum entre os polos da imediatez (oralidade) e distância (escrituralidade), é possível dizer que praticamente todos os textos, salvo aqueles prototípicos, possuem traços concepcionais de oralidade e escrituralidade em maior ou menor grau, o que, por consequência, faz com que esses textos tenham maior ou menor grau de hibridismo, questão que será explorada na próxima subseção.

Benzer Belgeler