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2.4. Liderlik Çeşitleri

2.4.9. Transformasyonel (Dönüşümcü) Liderlik

Um novo contorno precisa ser delineado, uma nova especificidade se impõe quando se fala de ciência e de investigação no campo educacional, por se tratar de um objeto envolvido com a prática histórico-social dos homens.

É na escrita e pela escrita que alguém se constitui como pesquisador na área das ciências humanas. A escrita está presente desde a graduação, perpassando o ingresso no programa de pós-graduação até a finalização do processo de pesquisa. Perpetua-se, ao longo da carreira, por meio da elaboração de artigos, capítulos de livros, livros, projetos de pesquisa etc. Assim, não se pode desvincular o trabalho de pesquisa daquele feito para textualizar os frutos de uma dada investigação, já que ambos constituem o pesquisador.

Por este motivo, desde o início deste trabalho, defendemos a importância da consideração do trabalho da escrita (RIOLFI, 2003). Ele ganha relevo em um contexto formativo no qual a escrita pode exercer várias funções, sendo: a) O instrumento por meio do qual o pesquisador vai aprender a escrever nos moldes aceitos pela comunidade acadêmica; b) O suporte para o pensamento do pesquisador (LACAN, 1975-76); c) O veículo pelo qual o pesquisador apresentará à comunidade científica suas descobertas, colocando-as à prova; d) O veículo por meio do qual o sujeito do desejo inconsciente será mostrado ao pesquisador, podendo, assim, causar deslocamento subjetivo; e e) O instrumento por meio do qual o pesquisador pode construir um “si”, um Sinthoma (LACAN, 1975-76), tal como iremos ainda definir nesta tese.

Analisando as exigências institucionais da universidade, especificamente daquela onde as informantes fizeram o mestrado, vê-se uma grande valorização da escrita. Para que se tenha uma ideia, uma das provas obrigatórias para o ingresso no curso é escrita. Em seguida, avalia-se o projeto do candidato. E, caso ingresse no programa, o pós-graduando fará disciplinas que exigirão como trabalho final do curso a produção escrita de um ensaio ou monografia. Outra exigência é o relatório de pesquisa, apresentado em dois momentos, na qualificação do trabalho e na defesa.

Ao pensar a relação entre a especificidade da pesquisa na área da educação e a escrita produzida nesse processo, pensamos que seja necessário refletir acerca de alguns fundamentos que sustentam a pós-graduação e o pesquisador que será formado nessa área. Para desenvolver essa reflexão, vamos retomar o trabalho do professor Antônio Joaquim Severino (2007), intitulado “A pesquisa na pós-graduação em educação”. A nosso ver, este trabalho é preciso ao destacar uma série de elementos da formação do pesquisar na área da educação que excedem à realização da pesquisa ou os cursos que feitos ao longo do percurso.

Sendo a pós-graduação em educação no Brasil uma experiência consolidada, com quase meio século de existência, o autor defende três pressupostos que a pesquisa nessa área precisa atender. O primeiro é a relevância social do conhecimento. Trata-se do compromisso com a sociedade brasileira, a ponto de se buscar fazer uma pesquisa que contribua para resolver os problemas socialmente relevantes e para “a emancipação dos homens, investindo nas forças construtivas das práticas reais mediadoras da existência históricas”. (SEVERINO, 2007, p. 33). Em poucas palavras, nessa visão, toda pesquisa precisa trazer algum retorno em forma de subsídio prático-reflexivo para os problemas enfrentados pela sociedade brasileira.

O segundo pressuposto é a natureza constitutiva do processo do conhecer, que consiste em levar a cabo uma concepção de conhecimento como um processo subjetivo de construção de conteúdos objetivos. Para o autor, todo professor precisa ter passado pela experiência de ser constituído na e pela pesquisa para poder bem ensinar. Isso porque o processo de construir um objeto de conhecimento, de aprendê-lo em suas próprias fontes e em sua particularidade é essencial para a aquisição de uma postura investigativa.

Já o terceiro pressuposto é a pós-graduação como lugar institucional de pesquisa. Trata-se de entender a pesquisa como âmago do investimento acadêmico, como objeto prioritário nesse tipo de formação. Na página 34 de seu texto, o autor defendeu que é preparando o bom pesquisador que se prepara o bom professor universitário ou qualquer outro profissional.

Severino (2007) sustentou que, nesse nível de formação, trata-se de fazer ciência e não somente de transmiti-la. É a partir do aprendizado de mecanismos de pesquisa, como desenvolvimento de fundamentação teórica, de reflexão sistemática, de levantamento de dados empíricos, documentais e históricos que o pós-graduando desenvolverá uma postura investigativa e criadora. Nesse ponto, para o autor, a escrita da tese ou dissertação é decorrente do aprendizado desses procedimentos. Para nós, ela é constitutiva do processo de formação.

Outro ponto defendido por Severino (2007) são atitudes dialógicas do pesquisador em educação. Para ele, o pós-graduando precisa conduzir sua vida de modo a integrá-la na incorporação de um espírito investigativo e dedicá-la a uma efetiva prática de pesquisa, que envolve não somente frequentar os cursos, os eventos, escrever os trabalhos, mas valer-se de todos os ambientes que a universidade lhe oferece. Podemos resumir dizendo que se trata de o pesquisador viver a universidade e não

somente ser um frequentador pontual dos ambientes de pesquisa. Nas palavras do autor, é como se o ambiente onde a pesquisa se realiza se tornasse uma “sementeira” de uma experiência problematizadora.

Severino (2007) defende que para haver a produção do conhecimento e a formação do pesquisador, as atividades intelectual e acadêmica devem se realizar mediante três formas de interatividade, dirigida aos seus três interlocutores presentes no percurso: o objeto buscado, os parceiros de caminhada e a cultura, estabelecendo então um tríplice diálogo.

O autor aponta para a necessidade de: 1) recortar um objeto de pesquisa, mediante o projeto de pesquisa, a partir de um contexto problematizador, centrado numa linha de pesquisa; 2) da parte do pesquisador, estabelecer um diálogo produtivo com seus companheiros de caminhada, tanto o orientador do trabalho, interlocutor direto, quanto os demais membros da comunidade acadêmica; e, por fim, 3) romper com “os muros de casa, expandir a vida científica e mergulhar na cultura humana, sincrônica e diacronicamente” da área (SEVERINO, 2007, p. 47). Isso significa submeter o trabalho e colocar as ideias à prova, no seio da comunidade nacional e internacional.

A partir dos elementos destacados neste capítulo, podemos voltar à pergunta subtítulo desta seção: o que caracteriza o trabalho de pesquisa na educação? Por uma construção tecida com a amarração de três pontos: 1) a seleção de um objeto de relevância educacional para a sociedade; 2) a aquisição, por parte do pesquisador, do espírito científico (que envolve a apropriação dos instrumentos teórico-metodológicos da pesquisa); e 3) um meio de o pesquisador elaborar e expressar, por escrito, a sua diferença junto à comunidade científica.

Quanto ao “perfil” desse pesquisador, trata-se de alguém sensível à realidade na qual está inserido, curioso e permeável ao aprendizado que construirá ao longo do percurso de pesquisa; capaz de se relacionar com a comunidade acadêmica à sua volta e com coragem para submeter seu trabalho à análise de outras pessoas.

Posto isso, tendo caracterizado a formação do pesquisador na área da educação e delimitado o contexto em que nossas informantes foram formadas, no próximo capítulo, buscaremos caracterizar e discutir o que se concebe, na universidade brasileira, como uma dissertação de mestrado.

2. A concepção de dissertação de mestrado

Benzer Belgeler