DETERMINATION OF SOIL DISPLACEMENTS DEPENDING ON THE SOIL BEHAVIOUR DURING EARTHQUAKES
4. YANAL YAYILMALAR
4.6 Yanal Yayılma Deplasmanlarını Tahmin Etmek İçin Mevcut Yöntemler
4.6.2 Basitleştirilmiş Analitik Modeller
4.6.2.2 Towhata'nın Minimum Potansiyel Enerji Modeli
Nas gramáticas tradicionais, as orações adversativas e as orações concessivas são incluídas nos processos sintáticos de coordenação e de subordinação, respectivamente. Ambos os tipos de orações atuam em um período composto: na coordenação (adversativa), há a oração coordenada inicial e a oração coordenada adversativa e, na subordinação (concessiva), há a oração principal e a oração subordinada adverbial concessiva, colocada em qualquer ordem (anteposta, posposta ou intercalada).
Nas gramáticas tradicionais se mostra que há diferentes formas de manifestação das coordenadas e das subordinadas. As orações coordenadas (adversativas) são classificadas como: i) assindéticas (não apresentam conjunção); ii) sindéticas (apresentam conjunção). As orações subordinadas (adverbiais concessivas), por sua vez, são classificadas como: i) desenvolvidas (ocorrem na forma verbal); ii) reduzidas (manifestam-se nas formas nominais de infinitivo, gerúndio ou particípio); iii) justapostas (não apresentam conjunção). Como se vê, tanto nas coordenadas quanto nas subordinadas, pode haver a presença ou não de conjunção.
Nessas gramáticas a conjunção é definida, em geral, como o vocábulo gramatical que serve para “ligar” orações ou termos (CUNHA & CINTRA, 1985; ROCHA LIMA, 1994; BECHARA, 2003a). No entanto, ao se tratar do processo de coordenação e de subordinação, enfatiza-se, em geral, a junção entre orações.
Quando se trata de outros tipos de conexões que não a que se dá entre orações, faz-se referência à possibilidade, em específico, de a conjunção coordenativa “ligar” unidades menores (chamadas, aqui, de sintagmas). Bechara (2003b), por exemplo, diz que “as conjunções não só ligam orações, pois as coordenadas ligam ainda expressões do mesmo valor”, e exemplifica: “o e (ou qualquer conjunção coordenativa) entre duas expressões (Pedro e Paulo, no dia de ontem e no dia de hoje) é conjunção, e não preposição.” (BECHARA, 2003b, p. 117)
Além disso, nas gramáticas tradicionais em geral, não se aponta que a conjunção une, também, unidades maiores que a oração (aqui chamadas de enunciados). Apesar disso, em algumas gramáticas há exemplos, nos quais está envolvida a conjunção coordenativa, que ilustram esse caso, como se vê a seguir:
70) Eram mãos nuas, quietas, essas mãos; serenas, modestas e avessas a qualquer
exibicionismo. Mas não acanhadas, isso nunca. (CUNHA & CINTRA, 1985, p. 570)
Em 70, a conjunção coordenativa (mas) estabelece junção entre enunciados, que se caracteriza pela maior pausa entre os segmentos, marcada, em geral, pelo ponto final.
Como se vê, quando se trata da conjunção coordenativa, embora por vezes não se explique que ela pode estabelecer diferentes tipos de conexão, não é raro identificar exemplos nas gramáticas que ilustrem os três tipos de conexão: entre sintagmas, entre orações e entre enunciados. No entanto, quando se trata da conjunção subordinativa, não se encontram exemplos que ilustrem tipos de conexões que não ocorram entre orações.
Neste trabalho, dado que se analisam os usos efetivos das construções adversativas (com mas) e das construções concessivas (com embora), não só a conexão entre orações mas também a conexão entre sintagmas e entre enunciados são consideradas em ambos os tipos de construção.
Vistos esses aspectos, passa-se a verificar quais são as definições tradicionalmente oferecidas para os diferentes processos aqui estudados (a “coordenação” e a “subordinação”) e, a seguir, passa-se às diferenciações.
Nas gramáticas tradicionais, é fortemente estabelecida uma dicotomia entre coordenação e subordinação. Diz-se que as orações coordenadas possuem função sintática idêntica (CUNHA & CINTRA, 1985; ROCHA LIMA, 1994; MELO, 1971), já que uma oração não funciona como termo de outra, e que as orações subordinadas (substantivas, adverbiais e adjetivas) exibem funções sintáticas dependentes (MELO, 1971), pois a oração subordinada atua como um constituinte da oração principal.
Desse modo, afirma-se que a oração coordenada, por não funcionar como termo de outra oração, é independente, e que a oração subordinada, por servir de termo de outra oração, é dependente (MELO, 1971; CEGALLA, 1994, ROCHA LIMA,1994; BECHARA, 2003b). Nesse caso, a distinção entre ambos os tipos de processos é feita com base em critérios sintáticos. Contudo, os gramáticos, em geral, também utilizam, por vezes, critérios semânticos para definir os processos de coordenação e de subordinação44. Cegalla (1994), por exemplo, em relação à coordenação, diz que “no período composto por coordenação as coordenadas são independentes (isto é, não funcionam como termos de outras)” (CEGALLA, 1994, p. 282) e,
44Quando o aspecto semântico é considerado, costuma-se dizer que as orações coordenadas (independentes) têm
“sentido completo” (BECHARA, 2003b), “sentido próprio” (BRANDÃO, 1963; CUNHA & CINTRA, 1985), “sentido pleno” (OLIVEIRA, 1960) ou “autonomia” (MELO, 1971; CUNHA & CINTRA, 1985).
no que se refere à subordinação, afirma que “oração subordinada é a que depende da principal: serve-lhe de termo e completa-lhe o sentido” (CEGALLA, 1994, p. 285). Como se vê, ao definir o processo de coordenação, o autor utiliza critério sintático e, ao conceituar o fenômeno de subordinação, faz uso de critério sintático e, também, semântico.
Bechara (2003b), por outro lado, conceitua coordenação com base em critério sintático e semântico e define subordinação com base em critério sintático apenas. No que concerne ao processo de coordenação, o autor diz que “independente é a oração que não exerce função sintática de outra a que se liga” (aspecto sintático) e que “as orações de sentido completo se chamam independentes” (aspecto semântico) Em relação ao processo de subordinação, o autor afirma que “dependente é a oração que exerce função sintática de outra a que se liga (...)” (BECHARA, 2003b, p. 114).
Assim, observa-se que tanto as orações coordenadas quanto as orações subordinadas são definidas com base ora em critérios sintáticos ora em critérios semânticos (ou em ambos os critérios). Além disso, como se viu, em uma mesma gramática chega-se até mesmo a utilizar diferentes critérios para definir coordenação e subordinação.
Poucos são os casos nos quais, em uma mesma gramática, empregam-se os mesmos critérios para definir os processos de coordenação e de subordinação. Das gramáticas consultadas, a de Oliveira (1960), por exemplo, diferentemente das gramáticas tradicionais em geral, conceitua coordenação e subordinação com base nos mesmos critérios. O autor afirma que, no período composto por coordenação, as orações são independentes porque “uma oração não depende de outra, quanto ao sentido” (OLIVEIRA, 1960, p. 136) e porque a oração coordenada “não está exercendo nenhuma função (de S, PD, OD, etc.)” (OLIVEIRA, 1960, p. 142). Em relação à oração subordinada, o autor assevera que ela é dependente, pois, “isolada, não tem sentido”; a “oração subordinada sempre exerce uma função” (de sujeito, objeto direto, adjunto adverbial, entre outras) (OLIVEIRA, 1960, p. 142). Assim, os fenômenos de coordenação e de subordinação são conceituados de acordo com critérios semânticos e sintáticos.
Esse tratamento tradicional dado à coordenação e à subordinação tem sido questionado por linguistas, como Carone (1991), Decat (1993) e Sousa e Silva & Koch (1998).
Carone (1991, p. 61) considera que o único sentido válido em que se pode entender a independência das orações coordenadas diz respeito ao fato de que a conjunção coordenativa, diferentemente da subordinativa, não insere uma oração em algum ponto de outra para estar a seu serviço. A autora, assim, reconhece que, sintaticamente, as orações coordenadas são, de certa forma, independentes, mas questiona a atribuição de independência semântica às orações
coordenadas, e diz que uma frase como “Mas você não responde!” é tão dependente como “Se eu fosse um mágico...”.
Decat (1993) também apresenta uma visão crítica a respeito da dicotomia tradicionalmente estabelecida entre coordenação e subordinação. A autora defende que o estabelecimento dessa separação com base na possibilidade de uma oração poder, ou não, constituir por si só um enunciado é refutável. Assim, Decat (1993, p. 109) mostra que em uma frase como “Eu o esperei mas ele não veio”, não se pode dizer que a oração adversativa tem autonomia de sentido. Da mesma forma, em um enunciado como “Se ao menos alguma coisa acontecesse!”, há uma frase completa, embora seja originalmente uma subordinada.
Vale citar, ainda, Sousa e Silva & Koch (1998), que dizem que, do ponto de vista semântico e pragmático, as frases de um período composto (tanto por coordenação quanto por subordinação) são necessariamente interdependentes. Repare-se que as autoras se referem não só ao aspecto semântico como também ao pragmático. Koch (1997) explica que, em qualquer período composto por duas ou mais orações, há entre elas uma interdependência, pois a presença de cada uma delas é necessária para veicular o sentido pretendido. Embora, em muitos casos, a primeira oração do período possa ser enunciada independentemente, o acréscimo da segunda traz um novo significado para o conjunto: ora é responsável pela introdução de relações semânticas como as de causa/consequência, meio/fim, condição/condicionado, entre outras, ora encadeia-se sobre a primeira contribuindo para a progressão do discurso e apresentando, consequentemente, valores pragmáticos.
Pelo que foi exposto até aqui, observa-se que tanto as ditas orações subordinadas quanto as chamadas orações coordenadas são, de certa forma, interdependentes semântica e
pragmaticamente, o que levaria a que se questionasse o estabelecimento da dicotomia
“coordenação” x “subordinação”. Além disso, coloca-se em xeque até mesmo a dicotomia dependência x independência sintática tradicionalmente determinada, posto que, como se verá a seguir, no grupo das subordinadas (em específico), há tipos de orações que apresentam diferente natureza sintática. Antes que se mostre isso, apresentam-se as considerações que aparecem nas gramáticas tradicionais a respeito dos tipos de subordinação.
São dadas, nas gramáticas tradicionais, classificações particulares aos tipos de subordinação: classificam-se as subordinadas em substantivas, adjetivas e adverbiais. Diz-se que as subordinadas substantivas, as subordinadas adjetivas e as subordinadas adverbiais desempenham funções que “são comparáveis às exercidas por substantivos, adjetivos e advérbios” (CUNHA & CINTRA, 1985, p. 584), respectivamente. Ou seja, como aponta Bechara (2003b), a oração substantiva exerce todas as funções sintáticas que, na oração, pode
desempenhar um substantivo45; a oração adjetiva funciona como adjunto adnominal de um termo antecedente; e a oração adverbial atua como adjunto adverbial da oração principal.
Apesar de serem atribuídas três denominações às orações subordinadas, nas gramáticas tradicionais em geral essas orações são divididas em dois subgrupos. Como aponta Brandão (1963, p. 137), subordinação é a proposição: i) “que se prende intimamente a outra, completando-a como sujeito ou complemento necessário (Convém QUE NÃO FAÇAS ISSO.)”;
ii) “que restringe ou modifica um termo de outra, servindo-lhe de complemento atributivo ou circunstancial” (É interessante o livro / QUE LI.) / (Sairei QUANDO CHEGARES.).
Como se vê, são incluídas no primeiro grupo as subordinadas substantivas e, no segundo grupo, as subordinadas adjetivas e as subordinadas adverbiais. Isso ocorre porque, nas gramáticas tradicionais em geral, o adjunto, função atribuída às orações adjetivas e às orações adverbiais, é considerado “termo acessório”, ao passo que o sujeito, o predicado, o objeto (direto e indireto), o complemento nominal e o agente da passiva, funções de que se incumbem as orações substantivas, não são tidos como “termos acessórios”. Pelo contrário, as duas primeiras funções referidas (sujeito e predicado) são consideradas “básicas” (ROCHA LIMA, 1994) ou “essenciais” (CUNHA & CINTRA, 1985) e as demais são tidas como “termos integrantes” (ROCHA LIMA ,1994; CUNHA & CINTRA, 1985)46.
A partir dessas observações presentes nas gramáticas tradicionais consultadas, caberia perguntar se deveriam ser incluídas no mesmo grupo (o da subordinação) orações que atuariam como “adjunto” e orações que não atuariam como “adjunto”.
Além disso, caberia pensar se seria pertinente incluir em um mesmo grupo (o do “adjunto”) as adjetivas restritivas e as adjetivas explicativas. Cunha & Cintra (1985, p. 588- 589) dizem que as orações adjetivas restritivas restringem a significação do termo antecedente, sendo “indispensáveis ao sentido da frase”, e que as orações explicativas “não são indispensáveis ao sentido essencial da frase”, pois acrescentam ao antecedente uma qualidade “acessória”. Rocha Lima (1994, p. 271), bem como os gramáticos em geral, apresenta considerações semelhantes às de Cunha & Cintra (1985) no que se refere às duas subclasses de oração adjetiva. O autor afirma que a oração restritiva delimita o antecedente, formando “um todo significativo” e, assim, não pode ser suprimida, sob pena de a oração
45 Na gramática tradicional, confunde-se, nesse caso, classe gramatical com função sintática. Pode-se dizer que
as chamadas orações substantivas exerceriam papel que exerce o sintagma nominal (que é função sintática), e não o substantivo (que é classe gramatical).
46 Há, ainda, a função de aposto, que também é atribuída às orações substantivas, mas não se diz se o aposto é
principal ficar prejudicada em sua compreensão. A oração explicativa, por outro lado, é termo “adicional”, que não é indispensável para a compreensão do conjunto.
Essas observações feitas nas gramáticas fazem pensar que são apenas as orações adjetivas explicativas que têm natureza mais compatível com a de adjunto, tal como este é concebido tradicionalmente, já que elas são tidas como elementos “acessórios” ou “adicionais”, ao contrário das adjetivas restritivas, que, como sugerem os gramáticos em geral, incidem sobre um termo para restringi-lo. Apesar disso, como já se apontou, ambos os tipos de construção são incluídas em uma mesma classe, o que contradiz, de certa forma, as próprias afirmações presentes nas gramáticas. Portanto, como se disse, caberia pensar se tal classificação adotada tradicionalmente se mostra adequada para a contemplação da natureza real das construções em questão.
Mais adiante, ao se tratar do aspecto sintático das adversativas e das concessivas sob um ponto de vista funcionalista, procura-se trazer respostas para esses questionamentos.
Na sequência, partindo-se das considerações apresentadas nas gramáticas tradicionais sobre os processos de coordenação e de subordinação, reflete-se sobre os processos sintáticos sob um ponto de vista funcionalista.
Os autores funcionalistas, em geral, colocam em xeque a divisão tradicionalmente estabelecida pela gramática entre “coordenação” e “subordinação”. Autores como Givón (2001) e Hopper & Traugott (1994) propõem que a dita coordenação e a chamada subordinação não são categorias estanques. Portanto, de acordo com a visão funcionalista da linguagem, não se deve fazer uma separação rígida entre coordenação e subordinação.
Givón (2001, p. 328) questiona o estabelecimento de uma separação rígida entre coordenação e subordinação porque nenhuma oração presente em um discurso coerente é completamente independente de seu contexto local (linear) ou global (hierárquico)47. Assim, o autor considera, por exemplo, que a dimensão funcional da integração dos eventos e a dimensão sintática da integração das orações formam duas escalas “isomórficas” paralelas, ou seja, a integração das orações está diretamente relacionada com a dos eventos.
Hopper & Traugott (1994), também questionando a existência de independência total entre orações, propõem que três grupos de relações se apresentam em um continuum, que pode ser assim representado:
47 Givón (2001) considera “local” a relação que se estabelece entre orações adjacentes e “global” o contexto
Parataxe Hipotaxe Subordinação - dependência + dependência + dependência - encaixamento - encaixamento + encaixamento
Para os autores, na parataxe, as orações possuem relativa independência48; na hipotaxe, as orações são relativamente dependentes, pois há um núcleo e uma ou mais sentenças que não podem ocorrer isoladamente; na subordinação, por seu turno, há dependência total entre as orações, pois a margem49 (a oração subordinada) é inteiramente encaixada num constituinte do núcleo (a oração nuclear).
Hopper & Traugott (1994) estabelecem uma relação entre os processos sintáticos e a gramaticalização: as três etapas descritas (parataxe, hipotaxe e subordinação) corresponderiam a três fases do processo de gramaticalização das “orações complexas”50. De acordo com tais autores, as orações se apresentam em um continuum, no qual se parte da parataxe, passa-se pela hipotaxe e se chega à subordinação. Os autores afirmam que, quanto mais próximas da parataxe, menos integradas são as orações e, quanto mais próximas da subordinação, mais integradas são as orações.
Na tipologia de Hopper & Traugott (1994), a parataxe inclui grupos de orações que denotam desde relações mais simples (justaposição) até relações mais complexas (coordenação); a hipotaxe engloba as orações adjetivas explicativas e as orações adverbiais, e a subordinação, por sua vez, abrange as orações adjetivas restritivas e as orações substantivas. Halliday (2004), por sua vez, ao tratar da articulação de orações, faz referência ao sistema lógico-semântico. No entanto, da mesma forma que Hopper & Traugott (1994), o autor estabelece três tipos de processos sintáticos, embora não os inclua em um continuum.
Halliday (2004) postula que há dois sistemas que determinam a maneira pela qual as orações se relacionam: o do grau de interdependência e o da relação lógico-semântica.
No sistema do grau de interdependência, há duas relações: a parataxe e a hipotaxe. No sistema de relação lógico-semântica, também há duas relações: a expansão (que ocorre por meio de elaboração, extensão ou realce) e a projeção. A seguir, apresenta-se um esquema dessas relações, desconsiderando-se, entretanto, a projeção, que não será tratada neste trabalho.
48 Dizem os autores que, para serem independentes, basta que as orações façam sentido e que obedeçam ao
princípio de relevância.
49 A relação entre “margem” e “núcleo” será tratada de forma mais detalhada a seguir, quando se apresentarem
as considerações de Longacre (2007).
1) Sistema do grau de interdependência (sistema tático):
a) Parataxe (orações de mesma natureza): um elemento dá início à estrutura oracional e outro dá continuidade a ela.
b) Hipotaxe (orações de natureza distinta): um elemento é tido como dominante e outro como dependente na estrutura oracional.
2) Sistema da relação lógico-semântica:
a) Expansão: a segunda oração expande a primeira por meio de elaboração, extensão ou realce.
- Elaboração: uma oração expande a outra por elaboração especificando ou exemplificando. - Extensão: uma oração expande a outra por extensão acrescentando informações novas ou oferecendo alternativas.
- Realce: uma oração expande a outra por realce qualificando esta com circunstâncias de tempo, lugar, causa, condição.
Halliday (2004) mostra que os sistemas de grau de interdependência e de relação lógico-semântica estão inter-relacionados, sendo determinadas, assim, diferentes combinações. Oferecem-se, no quadro a seguir, algumas construções que ilustram os tipos de combinações possíveis entre os dois sistemas:
Sistema Lógico- Semântico
Sistema Tático
Parataxe Hipotaxe
Elaboração John não esperou; foi embora.51 John fugiu, o que surpreendeu todos.52 Extensão John fugiu e Fred ficou para trás.53 John fugiu, enquanto Fred ficou para trás.54
Realce John ficou assustado, então fugiu.55 John fugiu porque estava assustado.56
Adaptação de quadro apresentado por Halliday (2004, p. 380)
51John didn‟t wait; he ran away.
52 John ran away, which surprised everyone. 53 John ran away and Fred stayed behind. 54 John ran away, whereas Fred stayed behind. 55 John was scared, so he ran away.
Na classificação proposta por Halliday (2004), a construção adversativa corresponderia à relação paratática de extensão e a construção concessiva equivaleria à relação hipotática de realce. Assim, na construção adversativa, o segmento iniciado pela conjunção (mas) acrescenta informações novas e, na construção concessiva, o segmento iniciado pela conjunção (embora) funciona como um realce e apresenta a circunstância de concessão.
Halliday (2004) distingue, ainda, as relações táticas (parataxe e hipotaxe) das relações de encaixamento. O autor diz que a parataxe e a hipotaxe são relações entre orações, ao passo que o encaixamento é um processo no qual uma oração ou um sintagma funciona como um constituinte dentro da estrutura de um grupo, que, por seu turno, é um constituinte de uma oração.
Matthiessen & Thompson (1988) aceitam o postulado de Halliday (2004) de que existem dois tipos de articulação de oração no sistema tático (parataxe e hipotaxe) e acrescentam algumas considerações ao contemplar as orações em um âmbito discursivo. Para os autores, a estrutura oracional reflete a organização do discurso. O texto é composto por componentes (codificados por orações) denominados unidades retóricas do discurso. As relações estabelecidas por essas unidades no texto são definidas de acordo com a função que cumprem. Sendo assim, essas unidades podem apresentar dois tipos de relações, de núcleo- satélite e de listagem, que correspondem, respectivamente, à distinção gramatical entre hipotaxe e parataxe. Na relação de núcleo-satélite, assim como na de hipotaxe, um membro da estrutura oracional é ancilar do outro e, na relação de listagem, assim como na de parataxe, nenhum membro é ancilar do outro.
Matthiessen & Thompson (1988), atendo-se especificamente à relação de núcleo- satélite, dizem que, nessa relação, certas porções do texto (os núcleos) representam os objetivos centrais do emissor, ao passo que outras (os satélites) trazem os objetivos suplementares. Os autores salientam que é o usuário da língua, por meio de suas percepções, que determina o que é nuclear e o que é suplementar no texto. A relação hipotática apresenta essa mesma organização: há o núcleo (oração nuclear), que expõe os objetivos principais do locutor, e o satélite (oração adverbial), que traz informações suplementares. Assim, os autores veem a relação hipotática como uma gramaticalização da relação núcleo-satélite.
Dik (1989), embora não adote, tal como Matthiessen & Thompson (1988), um tratamento discursivo, também atribui ao elemento adverbial o caráter de “satélite”. Ele propõe quatro níveis de organização da estrutura frasal: 1º) predicador (designa relações e propriedades) e termos (refere-se a entidades que ocupam casas argumentais); 2º) predicação
(designa um estado de coisas); 3º) proposição (indica um fato possível); 4º) frase (corresponde a um ato de fala). Considerando-se esses níveis, o autor faz a distinção entre o argumento e o satélite. O argumento é o elemento requerido pelo predicado para formar a predicação nuclear, sendo, portanto, essencial para denotar o estado de coisas designado pela estrutura do predicado. O satélite, por outro lado, não é requerido pelo predicado, pois fornece informação opcional relacionada a características (adicionais) do estado de coisas (satélite de nível 1), à localização do estado de coisas (satélite de nível 2), à atitude/avaliação do falante em relação ao conteúdo proposicional (satélite de nível 3) ou ao caráter do ato de fala (satélite de nível 4). Assim, o autor afirma que os argumentos são obrigatórios e os satélites são