DETERMINATION OF SOIL DISPLACEMENTS DEPENDING ON THE SOIL BEHAVIOUR DURING EARTHQUAKES
4. YANAL YAYILMALAR
4.6 Yanal Yayılma Deplasmanlarını Tahmin Etmek İçin Mevcut Yöntemler
4.6.1 Bünye Modelleri (Sonlu Eleman Modeller, FEM)
Como já se apontou, as adversativas e as concessivas se aproximam semanticamente. Aqui, mostra-se que, na base dessas construções, está envolvido não somente o aspecto semântico como também o argumentativo.
A observação da origem da conjunção mas contribui para que se estabeleça um cotejo entre as adversativas (com mas) e as concessivas (com embora), levando a que seja contemplado também o aspecto argumentativo.
Com base no fato de que a conjunção mas deriva do item linguístico latino magis (que era advérbio comparativo de superioridade), Ducrot & Vogt (1980) oferecem explicações para demonstrar a relação de sentido existente entre a conjunção mas e o advérbio que constitui o seu étimo. Os autores dizem que as línguas românicas que utilizam o derivado de magis como conjunção adversativa principal atribuem-lhe duas funções: a de masSN (correspondente ao espanhol sino) e a de masPA (correspondente ao espanhol pero). O masSN tem a função de retificar: no segmento inicial introduz-se uma proposição negativa (não-p), e no segmento iniciado por mas introduz-se uma proposição (p) que substitui a proposição negada. Por outro lado, no caso do masPA, no segmento inicial se introduz uma proposição (p) que leva a uma certa conclusão (r), e no segmento iniciado por mas introduz-se uma proposição (q) que conduz a outra conclusão (não-r), contrária à da primeira proposição. Como salientam os autores, o masPA é argumentativo em sentido estrito, diferentemente do mas SN. Estes são alguns exemplos oferecidos:
32) Ele não é inteligente, masSN apenas esperto. (DUCROT & VOGT, 1980, p. 104) 33) Ele é inteligente, masPA estuda pouco. (DUCROT & VOGT, 1980, p. 104)
Em 32, há construção com masSN: um elemento presente no segmento adversativo (esperto) substitui um elemento expresso no segmento inicial (inteligente). Em 33, há construção com masPA: o argumento da oração inicial (ele é inteligente) conduz à conclusão
de que ele estuda bastante, no entanto o argumento que vem expresso na oração adversativa (estuda pouco) aponta para a conclusão contrária.
Ducrot & Vogt (1980) mostram que a existência dos dois subtipos de mas representa um estilhaçamento semântico do advérbio comparativo de superioridade. Esse elemento, ilustrado pela estrutura “A mais que B”16, pode expressar desvalorização de B e valorização de A simultaneamente, enquanto, na construção com masSN (representada pela estrutura “Não-B, masSN A”), há a desvalorização de B e, na construção com masPA (simbolizada pela estrutura “B, masPA A”), há a valorização de A.
Para estabelecer o cotejo entre a estrutura comparativa e as estruturas adversativas, Ducrot & Vogt (1980) utilizam-se das noções de “negação” e de “manutenção”. Em relação à estrutura comparativa, toma-se como exemplo o seguinte trecho citado pelos autores:
34) [Pedro]A é mais inteligente que [João]B.17 (DUCROT & VOGT, 1980, p. 119) [A] mais que [B]
Nesse caso, pelo fato de um dos elementos comparados ser desvalorizado (B)18, ele é negado sob o ponto de vista argumentativo.19 A negação demonstra a presença do outro no enunciado, pois, ao negar algo, o locutor se opõe a uma afirmação de um interlocutor, mesmo que seja imaginário. Essa negação confere um peso menor ao discurso do outro. Da mesma forma, na estrutura comparativa o elemento B é mantido, e a manutenção consiste no relato do discurso do interlocutor. Sendo assim, embora seja negado, o discurso do outro é considerado no enunciado do locutor.
Também na estrutura de masSN e de masPA, a negação e a manutenção dos elementos estão presentes, o que já demonstra certa relação com a estrutura comparativa. A diferença é que a negação e a manutenção possuem graus diferentes em cada caso. Retomam-se os exemplos citados anteriormente:
35) Ele não [é inteligente]B, mas [apenas esperto]A. (DUCROT & VOGT, 1980, p. 104) Não-[B], masSN [A]
16 A magis quam B em latim.
17 Os colchetes e termos A e B foram acrescentados à frase (e a outras frases que serão citadas mais adiante) para
fins metodológicos. O esquema indicado abaixo da frase também foi acrescentado.
18 Ao se dizer que Pedro é mais inteligente que João, valoriza-se Pedro e, consequentemente, desvaloriza-se
João.
36) [Ele é inteligente]B, mas [estuda pouco]A. (DUCROT & VOGT, 1980, p. 154)
[B], masPA [A]
Na construção com masSN (primeiro trecho), toma-se B como tema (objetiva-se desvalorizar esse elemento que vem expresso no segmento inicial). Dessa forma, existe uma negação forte de B (pois B é refutado, o que vem marcado pela negação gramatical não) e uma manutenção fraca de B (o discurso do interlocutor é apenas registrado, havendo pouca adesão por parte do locutor). Na construção com masPA, por outro lado, toma-se A como tema (pretende-se valorizar esse elemento). Sendo assim, existe uma manutenção forte de B (faz-se uma concessão ao discurso do interlocutor – com o intuito de valorizar A) e uma negação fraca de B (a eficácia argumentativa é retirada de B).
Ao explicar o funcionamento do masPA e do masSN, Ducrot & Vogt (1980) mostram que as noções de negação e de manutenção têm caráter gradual. A negação constitui uma atitude argumentativa de oposição que é suscetível de diversos graus, indo da simples recusa de argumentar ao ato de refutação. Da mesma forma, a manutenção apresenta o grau de adesão ao discurso do outro, que pode variar do simples registro à concessão.
Assim, pode-se dizer que, quando a construção com mas apresenta a simples recusa de argumentar (negação fraca) e a concessão ao discurso do interlocutor (manutenção forte), ela se aproximaria do comportamento de uma construção concessiva. Para exemplificar tal fato, utiliza-se a conjunção concessiva embora em uma construção citada aqui:
37) [Embora ele seja inteligente]B, [estuda pouco]A.20
Observa-se que, nesse caso, também há uma manutenção forte de B (faz-se uma concessão como estratégia para valorizar o outro segmento) e uma negação fraca de B (a eficácia argumentativa é retirada de B).
A partir dessas considerações, observa-se que a construção do tipo masPA, ao apresentar o mesmo jogo entre negação e manutenção expresso na construção concessiva (ou seja, manutenção forte e negação fraca de B), aproxima-se do comportamento semântico e argumentativo desta, pois expressa concessão. O masSN, ao contrário, não expressa concessão, o que mostra que nem todos os tipos de construções com mas se aproximam das construções concessivas.
20 Ducrot & Vogt (1980) não comparam a construção adversativa do tipo mas
As observações feitas por Neves (2000) também permitem que se estabeleça uma comparação entre as adversativas (com mas) e as concessivas (com embora) no que se refere à questão semântico-argumentativa.
Neves (2000), partindo das considerações de Ducrot e Vogt (1980), propõe o valor semântico básico de “desigualdade”21 para o mas. A autora diz que essa conjunção expressa uma relação entre dois segmentos de certa forma desiguais entre si porque cada um deles não só é externo ao outro (“coordenado”), mas, também, marcadamente diferente do outro.
Levando isso em conta, Neves (2000) estabelece esta tipologia de valores semânticos para o mas:
1. Contraposição: o elemento do segmento com mas admite aquele que lhe precede (não o elimina), mas se contrapõe a ele.
1.1 Contraposição em direção oposta: o elemento do segmento adversativo vai em direção contrária ao do segmento inicial.
1.1.1 Contraste
38) Se é pecador; não sei, mas de uma coisa eu sei: é que eu era cego e agora vejo. (p. 758) 39) Vou bem. Mas você vai mal. (p. 758)
40) Muitos dos nossos homens dispuseram-se com nobreza e veemência a desfazer, aos
poucos, mas constantemente, equívocos passageiros. (p. 759)
Cada trecho exemplifica um tipo de contraste apontado por Neves (2000): entre elementos polares (não sei x sei), entre expressões de significação oposta (bem x mal) e entre elementos diferentes (aos poucos x constantemente), respectivamente.
1.1.2 Compensação
41) Tinha de resignar-se a tolerar, durante algumas horas, a presença de Susana, seu olhar
sardônico, as vingativas perguntas que não deixaria de fazer. Mas havia o menino, conversaria com ele. (p. 759)
Nesse caso, o fato de a presença de Susana ser incômoda é compensado pelo fato de que haveria o menino.
21 Neves (1984) diz que a desigualdade é registrada em relação a várias escalas (diferença de natureza, de
1.1.3 Restrição
42) Queria que o filho fosse ministro, sim, mas ministro protestante. (p. 762)
43) Para onde fugir? Nenhum navio no porto. Restaria entrar num daqueles botes e remar,
içar velas. Mas ir para onde? (p. 768)
Em 42, o conteúdo da oração adversativa restringe o conteúdo da oração inicial: não se trata de qualquer ministro, mas de ministro protestante. Neves (2000) mostra que, em 43, o emprego do mas é típico de início de turno, obedecendo a determinações pragmáticas. No trecho aqui oferecido, a restrição se dá, de acordo com a autora, por pedido de informação: questiona-se o que foi enunciado.
1.1.4 Negação de inferência
44) Estamos em Brasília agora – de novo em frente ao deserto, contemplando um mundo que é nosso, mas que precisamos conquistar. (p. 762)
O conteúdo do primeiro membro oracional faz que se infira que o mundo não precisa ser conquistado, já que é “nosso”. No entanto, o conteúdo do segundo membro oracional nega essa inferência, pois se mostra que o mundo precisa ser conquistado.
1.1 Contraposição na mesma direção: o segundo argumento é superior ou, pelo menos, não inferior ao primeiro, e a valorização é comparativa ou superlativa.
45) O sertão, para ele, não é uma coisa, mas principalmente uma idéia e um sentimento. (p. 763)
Nesse caso, o conteúdo da primeira oração não é desconsiderado, mas, na segunda oração, expressa-se algo que é mais valorizado: o sertão é mais uma ideia e um sentimento do que uma coisa.
1.2 Contraposição em direção independente: no segundo segmento é enunciado um argumento ainda não considerado no primeiro.
46) A empresa construtora o deixou a ver navios. Tanto que eles, condôminos, é que lhe
requereram a falência. Mas, como disse você ainda agora, passemos adiante: onde estão os condôminos? (p. 769)
Nessa ocorrência, a oração iniciada por mas muda o foco da oração anterior. Diz-se que os condôminos requereram a falência da empresa e, em seguida, pergunta-se onde estão os condôminos.
2. Eliminação: o conteúdo do membro iniciado por mas elimina o conteúdo do membro anterior.
47) Ela abriu a boca para responder à insolência. Mas conteve-se. (p. 765)
Nesse caso, a ação de responder passa a ser interrompida quando se diz que a pessoa a que se faz referência se conteve.
A partir da tipologia proposta por Neves (2000), observa-se, entre outros aspectos, que o mas pode apresentar uma grande variedade de valores semânticos, o que mostra que, como diz a autora, não é possível determinar classes fechadas na classificação das diversas manifestações da conjunção mas. Assim, a autora afirma que, na análise das relações semânticas presentes entre os segmentos da construção com mas, “se passa de uma desigualdade pouco caracterizada, para o contraste, a contrariedade, e se chega à oposição, à negação, à anulação” (NEVES, 1984, p. 23).
Dessa forma, Neves (1984, p. 23), aceitando a consideração de Ducrot & Vogt (1980) de que a estrutura adversativa é regida por um princípio de argumentatividade22, propõe que, “em todo enunciado em que ocorre o elemento mas, há algo de oposição (que vai de um mínimo, a condição de simples desigualdade, a um máximo, a anulação) e algo de admissão (que vai de um mínimo, o simples reconhecimento ou registro de existência, a um máximo, a concessão)”. Assim, pode-se pensar que, ao atingir o grau máximo de admissão, a construção adversativa se aproximaria mais semanticamente de uma construção concessiva.
Da mesma forma, a construção concessiva, denotando relações de desigualdade entre os segmentos, aproxima-se semanticamente da construção adversativa. É o que se explicita a seguir.
Neves (1999), levando em consideração a natureza lógico-semântica da construção concessiva, postula que o seu valor é o de negação de inferência23. No entanto, a autora mostra que tal construção expressa, ainda, relações de desigualdade (antonímia, restrição e diferença de grau), do mesmo tipo que ocorre em contextos de construções com mas. Exemplificam-se esses valores com trechos oferecidos pela autora:
48) ... normalmente eu não estou assim muito por dentro dos preços dos alimentos ... embora
eu ouça minha tia às vezes falar que está tudo muito caro... (NEVES, 1999, p. 554)
22 Lembre-se que Ducrot & Vogt (1980) tratam de noções ligadas à argumentatividade, a de manutenção e a de
negação, mostrando que elas têm caráter gradual.
23 A autora não designa a relação concessiva de “contrariedade à expectativa”, denominação comumente
atribuída às concessivas. Em vez disso, emprega o termo “negação de inferência”, que deixa mais evidente a natureza lógico-semântica da construção concessiva, como se verá a seguir.
Nesse caso, o conteúdo expresso na oração nuclear nega a inferência que se pode fazer a partir do conteúdo expresso na oração concessiva: o fato de eu não estar por dentro dos preços dos alimentos nega a inferência de que eu estou por dentro dos preços dos alimentos. 49) ... a verdade é que tanto no sexo feminino quanto no masculino há sempre uma produção
significante embora pequena mas de hormônio do sexo oposto... (NEVES, 1999, p. 577)
Nesse trecho, há uma relação de antonímia (contraste) entre as expressões significante e pequena, presentes, respectivamente, na oração nuclear e na oração concessiva.
50) Mesmo que seja só de nome a gente já ouviu falar nessa taxionomia. (NEVES, 1999, p. 577)
Nesse excerto, a expressão só de nome (presente na oração concessiva) restringe a expressão a gente ouviu falar (presente na oração nuclear).
51) Eles querem sempre... por mais que a gente dê, eles querem sempre mais coisas, né? (NEVES, 1999, p. 577)
Nesse trecho, há uma relação de diferença de grau, pois, na oração concessiva, mostra- se que se dão muitas coisas e, na oração nuclear, explicita-se que se quer mais do que se dá.
Como se vê, de acordo com a tipologia de Neves (1999, 2000), apesar de as adversativas apresentarem “contraposição” e as concessivas expressarem “concessão”, as construções adversativas, assim como as concessivas, podem indicar negação de inferência, e as concessivas podem exprimir contraste, restrição e diferença de grau, valores ligados à relação de desigualdade, que é exibida pelas construções adversativas. Daí se dizer que tais construções, por vezes, compartilham valores semânticos.
No entanto, Neves (1999) salienta que “concessão” e “contraposição” não se confundem nem se opõem. A autora faz a seguinte afirmação: “a questão da contraposição se refere à diversidade que, realmente, o mas evidencia; a questão da concessão, por sua vez, se refere a uma admissão (real ou retórica) que precede a expressão da diversidade” (NEVES, 1999, p. 576).
Entende-se que as considerações de Neves (1999, 2000) a respeito dos valores do mas e do embora oferecem uma orientação que permite contemplar tanto as afinidades quanto as especificidades semânticas das adversativas em relação às concessivas.
A partir do que se expôs, de acordo com as considerações de Ducrot & Vogt (1980), observa-se que as adversativas se aproximam das concessivas sob um ponto de vista semântico-argumentativo por apresentarem o mesmo jogo entre manutenção e negação
presente nestas, expressando, da mesma forma, concessão, apesar de que, conforme se mostrou, isso nem sempre ocorre. Como se viu, Neves (1984, 1999, 2000) aceita esses postulados de Ducrot & Vogt (1980) e acrescenta que as adversativas e as concessivas compartilham os valores de negação de inferência, contraste e restrição.