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DETERMINATION OF SOIL DISPLACEMENTS DEPENDING ON THE SOIL BEHAVIOUR DURING EARTHQUAKES

4. YANAL YAYILMALAR

4.6 Yanal Yayılma Deplasmanlarını Tahmin Etmek İçin Mevcut Yöntemler

4.6.2 Basitleştirilmiş Analitik Modeller

4.6.2.1 Newmark’ın Kayan Blok Modeli

Na conexão operada pelas conjunções adversativas e concessivas, além de estarem envolvidos aspectos semântico-argumentativos, como se apontou na seção anterior, estão envolvidos aspectos lógico-semânticos.

Para que as adversativas e as concessivas sejam aqui vistas sob a perspectiva lógico- semântica, explicitam-se, primeiramente, conceitos referentes a três processos lógicos: pressuposição, implicação e inferência.

No que se refere ao processo de pressuposição, Mateus et al. (1983) dizem que uma asserção A1 pressupõe outra asserção A2 se a verdade de A2 for condição necessária mas não suficiente para a verdade de A1, ou seja, a verdade de A2 não garante a verdade de A1:

A1) Todos os cães da quinta são mansos.

A2) A quinta tem cães. (MATEUS et al., 1983, p. 166)

As autoras explicam que o fato de que todos os cães da quinta são mansos pressupõe o fato de que a quinta tem cães. No entanto, o fato de que a quinta tem cães não garante que todos os cães são mansos. Em outras palavras: a verdade de A2 não garante a verdade de A1, pois os cães podem ser selvagens, traiçoeiros, manhosos, entre outros aspectos.

Em relação ao fenômeno de implicação, Mateus et al. (1983) afirmam que A implica B se a verdade de B depende necessariamente da verdade de A:

A) Ontem à noite a Helena viu aquele deputado na boite.

B) Aquele homem foi visto ontem à noite na boite. (MATEUS et al., 1983, p. 165)

Como explicam as autoras, se alguém é deputado, então é, necessariamente, homem. Sendo assim, a frase B está implicada na frase A. Dessa forma, se a frase implicante A é verdadeira, a frase implicada B é, necessariamente, verdadeira, uma vez que constitui um subconjunto das condições de verdade da frase implicante.

Martin (1976, apud CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2006, p. 404) afirma que a pressuposição se opõe à implicação. Na relação de pressuposição, a proposição p pressupõe a proposição q se q, que é necessariamente verdadeira se p é verdadeira, mantém-se necessariamente verdadeira mesmo quando p é negada (“Pedro impediu Maria de partir” pressupõe “Maria tentava partir”).24 Na relação de implicação, por outro lado, se q é apenas implicada por p, essa proposição, que é necessariamente verdadeira se p é verdadeira, pode ser verdadeira ou falsa se p é negada (“Pedro vendeu seu fusquinha” implica “Pedro vendeu um carro”).

No que diz respeito ao fenômeno de inferência, Charaudeau & Maingueneau (2006) afirmam que se trata de uma atividade de raciocínio que diz respeito à passagem de uma proposição a outra quanto a seu possível valor de verdade, o que distingue a relação de inferência da relação de implicação. O autor diz que, na relação de inferência, há dois casos particulares: a dedução e a indução. A dedução é o modo de inferência que liga duas premissas à conclusão; ela vai do geral ao particular. A indução, por sua vez, é o modo de inferência que conclui o geral a partir do particular.

Tais conceitos referentes aos processos lógicos são aqui invocados porque as construções concessivas em especial são associadas aos fenômenos de pressuposição, de implicação ou de inferência, o que demonstra a sua natureza lógico-semântica. Essas construções também possuem natureza argumentativo-pragmática, de que se passa a tratar mais detidamente na seção 3.3.

Thompson et al. (2007) dizem que a construção concessiva apresenta em sua estrutura dois elementos: asserção e pressuposição. Os autores oferecem o seguinte exemplo:

52) Embora ela odeie Bartók, ela aceitou ir ao concerto.25 (THOMPSON et al., 2007, p. 263) O seguinte esquema explica o funcionamento lógico-semântico dessa construção:

Asserção: ela aceitou ir ao concerto

Pressuposição: há uma expectativa de que, se ela odeia Bartók, então o fato de que ela aceitaria ir ao concerto não seria verdadeiro

24 As letras p e q são notações lógicas utilizadas para indicar diferentes proposições. 25 Although she hates Bartók, she agreed to go to the concert.

Aqui, verifica-se que a construção concessiva viola o elemento pressuposto, pois se pressupõe que, se ela odeia Bartók, ela não aceitou o convite, mas, na construção concessiva, afirma-se que ela o aceitou.

Lakoff (1971) mostra que a conjunção but (mas) também pode estabelecer a relação de pressuposição. O autor fornece os seguintes exemplos:

53) John é alto, mas Bill é baixo.26

54) John é alto, mas ele não é bom em basquete.27 (LAKOFF, 1971, p. 133)

Em 53, há expressões antônimas (alto opõe-se a baixo). Assim, não há como dizer que, como a primeira proposição é verdadeira, a segunda deveria ser falsa28. Em 54, por outro lado, há asserção e pressuposição implícitas na sentença, como se vê a seguir:

Asserção: John é alto e ele não é bom em basquete.

Pressuposição: Se alguém é alto, então se espera que ele seja bom em basquete.

26 John is tall but Bill is short.

27 John is tall but he‟s no good at basketball.

28Alguns autores, como Rivas (1989), consideram que tanto as adversativas quanto as concessivas exibem

sempre um valor pressuposicional:

a) Erasmo é inteligente, mas Evaristo é tonto. b) Evaristo é tonto, mas Erasmo é inteligente.

c) Embora Erasmo seja inteligente, Evaristo é tonto. (RIVAS, 1989, p. 245)

Rivas (1989) postula que os conteúdos de a e b não são coincidentes, pois, nesses casos, tal como ocorre em c, as frases têm valor pressuposicional; é por meio da comparação das pressuposições correspondentes que podem ser identificadas as diferenças conceptuais. Assim, para a autora, a e b relacionam-se, respectivamente, a expectativas deste tipo:

c) Erasmo é inteligente – Evaristo é inteligente

d) Erasmo é tonto – Evaristo é tonto

A autora salienta que o valor pressuposicional de uma construção não constitui nem um traço de concessividade nem um de adversatividade se não está apoiado por uma conjunção específica, como se mostra a seguir:

e) Erasmo está doente e sai.

Dessa forma, a autora considera que é a presença de uma conjunção do tipo pero (mas) ou aunque (embora) que remete sempre a um valor pressuposicional, pois os membros conectados não possuem por si mesmos esse valor.

Neste trabalho, entretanto, considera-se que, tal como mostra Lakoff (1971), as adversativas terão valor pressuposicional apenas quando exibirem o sentido de “negação de expectativa”, que, para o autor, também pode ser expressado pelas concessivas.

Lakoff (1971) atribui ao mas do primeiro exemplo (em 53) o valor de “oposição semântica” e, considerando que a pressuposição sempre envolve uma expectativa, atribui ao

mas do segundo exemplo (em 54) o valor de “negação de expectativa”.29

Para Lakoff (1971), as construções com but (mas) que expressam “negação de expectativa” têm como correspondente uma construção com although (embora). Assim, a construção concessiva correspondente da construção adversativa citada anteriormente, por exemplo, seria Embora John seja alto, ele não é bom em basquete. Dessa forma, observa-se que, do mesmo modo que a construção adversativa, a construção concessiva apresenta asserção e pressuposição. No caso da construção concessiva aqui considerada, a asserção e a pressuposição são equivalentes às da construção adversativa John é alto mas, ele não é bom

em basquete.

Longacre (2007), por outro lado, atribui a noção de “implicação frustrada” a construções que exibem “contrariedade à expectativa” (“expectancy reversal”). O autor diz que, na frase “Mesmo quando eu tiver dinheiro, não me casarei com ela”, há uma expectativa implicada (“quando eu tiver dinheiro, me casarei com ela”) que não se cumpre (LONGACRE, 2007, p. 385-86). Da mesma forma, o autor mostra que em frases como “Ela foi envenenada,

mas não morreu”, há uma “causa eficiente frustrada”, pois se espera que o veneno cause a morte (LONGACRE, 2007, p. 386). Como se vê, o autor mostra que tanto estruturas concessivas quanto estruturas adversativas frustram uma implicação, desde que tenham o valor de “contrariedade à expectativa”.

Observa-se que Lakoff (1971) e Longacre (2007) apontam casos tanto de construções concessivas quanto de adversativas que envolvem relação lógica por expressarem uma expectativa contrariada.

Neves (1984, 1999), por sua vez, mostra que a construção adversativa, assim como a concessiva, pode expressar o que chama de “negação de inferência”, como já se mostrou neste capítulo. Em uma construção concessiva, representada pela fórmula embora p, q, “q nega a inferência de p” (fórmula da concessiva) ou “p nega a inferência de q” (fórmula da concessiva invertida). Da mesma forma, em uma construção adversativa, simbolizada pela fórmula p,

29 Lakoff (1971) diz que, em alguns contextos de uso, o but pode ter tanto o sentido de oposição semântica

quanto o de negação de expectativa, tal como ocorre nesta frase: John é rico mas bobo. (LAKOFF, 1971, p. 133) O autor explica que, se a mãe quer que sua filha se case com John porque ele é rico, a filha, caso não queira se casar com John, pode argumentar que ele é rico, mas bobo, para expressar oposição semântica: ser rico é um ponto positivo, mas ser bobo é um ponto negativo. Por outro lado, se a mãe tiver como pressuposto que as pessoas ricas são espertas, a filha deve utilizar a expressão John é rico mas bobo com o sentido de negação de inferência, mostrando que John é rico, mas não é esperto.

mas q, “q nega a inferência de p” ou “p nega a inferência de q” (fórmula que corresponderia à “concessiva invertida”). A seguir, exemplificam-se os tipos de construção referidos:

- q nega a inferência de p:

55) Normalmente eu não estou assim muito por dentro dos preços dos alimentos (q), embora

eu ouça minha tia às vezes falar que está tudo muito caro (p). (NEVES, 1999, p. 554) (a

inferência de p, que é negada, é a de que “eu estou por dentro dos preços dos alimentos”) 56) Ora, eu não me chamo José ... Esqueci meu nome, é verdade (p); mas sei que não era

José (q). (NEVES, 1984, p. 29) (a inferência de p, que é negada, é a de que “eu não esqueci meu nome”).

- p nega a inferência de q:

57) Eu ouço minha tia às vezes falar que está tudo muito caro (q), embora normalmente eu

não esteja assim muito por dentro dos preços dos alimentos (p). (NEVES, 1999, p. 554) (a

inferência de q, que é negada, é a de que “eu estou por dentro dos preços dos alimentos”) 58) (...) E seu coração se apertou, de repente (p). Mas sabia que não devia sentir saudades (q). (NEVES, 1984, p. 30) (a inferência de q, que é negada, é a de que “seu coração não deveria se apertar”).

Até aqui, mostrou-se que a construção concessiva e a construção adversativa podem ser vistas sob um ponto de vista lógico-semântico, pois são relacionadas a essas construções noções lógicas de “pressuposição” (THOMPSON et al., 2007; LAKOFF, 1971), de “implicação” (LONGACRE, 2007) ou de “inferência” (NEVES, 1984, 1999, 2000).

Entretanto, costuma-se dispensar um tratamento lógico-semântico à construção concessiva, pois, como se verá, essa construção possui certa relação com causa e com condição30. A relação adversativa, por outro lado, como diz Rodríguez (1990), tem sido considerada como uma relação de oposição, pois a adversatividade se situa na conexão de contra-argumentos para uma conclusão. Assim, passa-se a tratar aqui da construção concessiva, especificamente, sob um ponto de vista lógico-semântico.

O que se pretende mostrar é que a relação estabelecida entre a construção concessiva e a pressuposição/implicação/inferência demonstra que tal construção apresenta certa conexão com causa e com condição, pois, como se verá, a partir do que é expresso na construção

30 Como apontam König & Siemund (2000), novas denominações têm sido propostas à relação concessiva, como

as de “não-causal” (“incausal”), de “causa inoperante” (“inoperant cause”), de “anticausa” (“anticause”), de “causa contrária” (“cause contraire”), de “causalidade oculta” (“hidden causality”), de “condição contrária” (“condition contrecarré”). Tais designações já deixam mais evidente que a relação concessiva possui certa conexão com a relação causal e com a condicional.

concessiva, é possível verificar uma causa e uma condição pressuposta/implicada/inferida, causa e condição que são negadas na construção31, daí a violação da pressuposição/implicação/inferência envolvida nessa construção.

Primeiramente, pode-se pensar na relação que se estabelece entre as concessivas e as causais. Hermodsson (1996) mostra, por exemplo, que a conjunção obwohl (apesar de), em alemão, tem sentido oposto ao de uma expressão causal, pois anula uma causalidade prevista: 59) Eu não posso derrubar essa árvore apesar de que o machado está afiado.

60) Eu posso derrubar a árvore porque o machado está afiado. (HERMODSSON, 1996, p. 11)

O autor diz que se obtém na construção concessiva citada uma informação que é considerada como imprevista, já que o conteúdo dessa construção nega uma relação causal pressuposta, a de que eu posso derrubar a árvore porque o machado está afiado. Dessa forma, o autor sugere a denominação de “não-causal” às construções concessivas.

Verhagen (2000) chega à mesma conclusão: a negação de uma causalidade resulta em uma interpretação concessiva. O autor diz que a inferência causal, que pode ser simbolizada pela fórmula “p, então q”, é invalidada em uma construção concessiva, pois a verdade de q (do conteúdo expresso na nuclear da construção causal) passa a ser negada na construção concessiva. Assim, essa negação de inferência causal pode ser descrita nesta fórmula: embora p, ~q32.

Rodríguez (1990), por sua vez, diz que, em uma construção concessiva A, aunque B (A, embora B), B é a causa inoperante que implica não A, apesar de que se dá A. Considere- se esta frase:

61) O Governo estuda a especialidade em Gerontologia, embora ela ainda se encontre em

fase embrionária33. (RODRÍGUEZ, 1990, p. 50)

Em 61, há a implicação (causal) de que o fato de a especialidade em Gerontologia estar em fase embrionária leva o Governo a não estudar essa especialidade, mas essa implicação é violada, e o Governo a estuda.

31Saliente-se que, quando a construção adversativa estiver relacionada à pressuposição/implicação/inferência,

assim como a concessiva, ela, necessariamente, também apresentará certa relação com causa e com condição, pois haverá uma causa e uma condição pressuposta/implicada/inferida na construção. Entretanto, trata-se, aqui, especificamente da relação entre causa/condição e concessão, visto que, como já se apontou, existem aspectos lógico-semânticos envolvidos especialmente na construção concessiva.

32 O símbolo ~ corresponde ao termo não.

Até aqui, mostrou-se que a construção concessiva envolve uma causa pressuposta/inferida/implicada. Cita-se, ainda, Di Meola (1998, p. 348, apud KÖNIG & SIEMUND, 2000), que afirma que a relação concessiva não envolve uma causa apenas, como se vê a seguir:

62) Embora Carol esteja doente, ela vai ao trabalho hoje.34

63) Como Carol está doente, ela não pode ir ao trabalho.35

64) Como há uma importante reunião de negócios hoje, Carol vai ao trabalho.36

Mostra-se, aí, que a construção concessiva (em 62) é baseada nas duas causas hipotéticas citadas (em 63 e em 64), prevalecendo uma delas. Em 63, estar doente seria causa para não ir ao trabalho e, em 64, ter uma importante reunião de negócios seria causa para ir ao trabalho. Observando-se a construção concessiva exemplificada em 62, nota-se que a segunda causa (em 64) prevalece, o que leva a autora a denominar a relação concessiva de “causalidade oculta”37.

Como se mencionou anteriormente, a relação concessiva também se liga à relação condicional. König (1985) diz que, na construção concessiva, que pode ser representada pela fórmula “embora p, q”, há uma implicação de incompatibilidade entre os fatos expressos na oração concessiva e na nuclear. Essa incompatibilidade viola a condição descrita no seguinte esquema: “normalmente, se p, então ~q” (KÖNIG, 1985, p. 4).

Rivas (1989), por sua vez, diz que as construções concessivas expressam uma condição ineficaz para que algo ocorra. Estes são os exemplos fornecidos pela autora: 65) Embora chova, sairei.38

66) Normalmente, se chove, não saio.39 (RIVAS, 1989, p. 241)

A autora assevera que a oração “embora chova” constitui condição ineficaz para o cumprimento do que vem expresso na oração principal (“sairei”), ao contrário do que ocorre na construção condicional, na qual “se chover” constitui condição eficaz para o cumprimento

34 Although Carol is ill, she goes to work today. 35 Since Carol is ill, she cannot go to work today.

36 Since there is an important business meeting today, Carol goes to work.

37 Como a autora faz referência à “causa hipotética”, observa-se que também estão envolvidas na construção

citada em 62 duas condições, prevalecendo uma delas.

38 Aunque llueva saldré.

do que vem expresso na oração principal (“não saio”). Assim, a autora diz que existe entre os membros da construção concessiva uma relação de não implicação frente a uma relação de implicação, que pode ser descrita na construção condicional (citada).

Como se vê, as construções concessivas apresentam conexão causal, de um lado, e possuem conexão condicional, de outro. Saliente-se que o próprio fato de as concessivas possuírem certa relação com as causais já deixa implícito que também apresentam alguma conexão com as condicionais, pois, como mostra Harris (1988), há uma conexão causal (em sentido amplo) expressa nas concessivas e nas condicionais. Para o autor, há um espectro semântico que parte das construções causais (nas quais a conexão causal entre a oração causal e a nuclear é afirmada), via construções condicionais (nas quais a conexão causal é hipotética), chegando, por fim, às construções concessivas (nas quais o vínculo causal entre a oração concessiva e a nuclear é negado).

Verifica-se, assim, que as construções causais em sentido lato são vistas em um

continuum. A existência das construções condicionais concessivas, por exemplo, que, nesse continuum, encontram-se entre as construções condicionais e as construções concessivas,

deixa evidente que, como afirma Harris (1988), não existe um limite claro entre as categorias desse espectro semântico. Para ilustração, mostra-se, a seguir, por meio de exemplos oferecidos por Harris (1988), que as construções condicionais concessivas compartilham traços tanto das condicionais quanto das concessivas:

67) Oração condicional: se ele vier amanhã40,

68) Oração condicional concessiva: mesmo se ele vier amanhã41,

69) Oração concessiva: embora ele venha amanhã42, (HARRIS, 1988, p. 73)

Harris (1988) diz que, em 67, a sentença não envolve nem o antecedente nem o consequente43, mas afirma a verdade do consequente caso a hipótese se realize; em 68, a sentença envolve o consequente independentemente da realização da hipótese de uma circunstância normalmente vista como incompatível com o consequente; em 69, por sua vez, a sentença envolve tanto o antecedente quanto o consequente: o antecedente é tido como incompatível com o consequente, mas este não é mais visto como hipotético. A partir dessas informações, pode-se asseverar que a oração condicional concessiva apresenta hipótese,

40 If he comes tomorrow. 41 Even if he comes tomorrow. 42 Although he comes tomorrow.

característica da condicional, e incompatibilidade, traço da concessiva. Daí não ser possível incluir essa construção em uma classe discreta, ou seja, em uma categoria que traz características discretamente definidas de uma única classe.

A partir do exposto nesta seção, nota-se que estão envolvidos, especialmente nas concessivas, aspectos lógico-semânticos. Nessas construções, está presente uma causa ou uma condição pressuposta/implicada/inferida, que é negada. Assim, verifica-se que as adversativas

se aproximam das concessivas por apresentarem relação de

pressuposição/implicação/inferência negada.

No capítulo a seguir, trata-se das adversativas e das concessivas em relação aos aspectos sintático e discursivo, verificando-se tanto os pontos de contato quanto os de contraste entre elas.

3. ADVERSATIVAS E CONCESSIVAS: ESPECIFICIDADES E