DETERMINATION OF SOIL DISPLACEMENTS DEPENDING ON THE SOIL BEHAVIOUR DURING EARTHQUAKES
4. YANAL YAYILMALAR
4.7 Oturmaların Belirlenmesi İçin Geliştirilen Yöntemler
4.7.1.4 Shamoto (1998) Yöntemi
No tópico seguinte, partindo-se das considerações feitas neste tópico, relacionam-se os aspectos sintáticos aos aspectos discursivos para o tratamento das construções adversativas e das construções concessivas.
3.2 A organização das construções adversativas e das construções
concessivas no fluxo de informação
De acordo com Chafe (1987), o fluxo de informação se refere ao modo como o conteúdo do enunciado é empacotado e apresentado ao interlocutor. O locutor organiza seus enunciados de acordo com suas intenções comunicativas em relação ao interlocutor.
Um dos aspectos do fluxo de informação que tem sido discutido, especialmente em relação às construções hipotáticas, diz respeito ao estatuto informacional das orações65.
Em relação à construção “subordinada”, Towsend (1997) considera que a oração “subordinada” frequentemente contém informação pressuposta ou dada, ao passo que a oração “principal” traz em geral informação asseverada ou nova. O autor diz que na frase “Sara sabe
65 Em relação ao estatuto informacional, os autores a serem citados fazem referência ao par “informação dada
(velha)” / “informação nova”, pois tomam como base a tipologia proposta por Chafe (1987, 1994). Lembre-se, entretanto, que a análise dos dados será feita com base na tipologia estabelecida por Prince (1981), como se mencionou no capítulo 1.
que a aula começa às 9h em ponto”66 a informação dada é “que a aula começa às 9h em ponto”67, e a informação nova é “Sara sabe”68 (TOWSEND, 1997, p. 267).
O tratamento dado por Winter (1982, apud MATTHIESSEN & THOMPSON, 1988) à construção “subordinada” se aproxima do de Towsend (1997). O autor estabelece um contraste entre oração “independente” (ou seja, coordenada) e oração “subordinada” no que diz respeito ao seu estatuto informacional, novo e dado, respectivamente.
Matthiessen & Thompson (1988), por outro lado, consideram que essa dicotomia deve ser revista. Os autores mostram que, em seu córpus, nenhuma das orações adverbiais traz informação dada (no sentido de que se assume que o ouvinte conheça a informação), como se vê nos dois trechos destacados pelos autores:
a) Meus dedos polegares começaram a me dar problemas há cerca de 4 meses b) e eu marquei uma consulta com o melhor cirurgião de mão do Valley c) para ver se minhas atividades de trabalho eram o problema.
d) Usar os polegares não é o problema e) mas a herança é
f) e o resultado final não é o uso dos polegares
g) se eu não fizer algo agora.69 (MATTHIESSEN & THOMPSON, 1988, p. 313)
Givón (1979) também questiona a atribuição do estatuto de pressuposição ou informação velha à oração “subordinada” adverbial, discutindo estes exemplos:
78) Porque João saiu, Maria saiu também.70
79) Se João sair, Maria sairá também.71 (GIVÓN, 1979, p. 176)
O autor diz que o trecho destacado na primeira frase é pressuposto e, assim, presumivelmente não asseverado. O trecho destacado na segunda frase, por outro lado, não é pressuposto72.
66 Sarah knows that class starts at 9:00 a.m. sharp. 67 that class starts at 9:00 a.m. sharp
68 Sarah knows
69 a) Thumbs began to be troublesome about 4 months ago
b) and I made an appointment with the best hand surgeon in the Valley c) to see if my working activities were the problem.
d) Using thumbs is not the problem e) but heredity is
f) and the end result is no use of thumbs g) if I don’t do something now.
70 Because John left, Mary left too. 71 If John leaves, Mary Will leave too.
Como se vê, Matthiessen & Thompson (1988) e Givón (1979) colocam em xeque o estabelecimento da dicotomia oração “subordinada” (dado) x oração “principal” (novo).
Pode-se dizer que, no texto, deve haver, de fato, um balanceamento entre informação dada e nova, pois, como diz Koch (2000, p. 31), “é com base na informação dada, responsável pela locação do que vai ser dito no espaço cognitivo do interlocutor, que se introduz a informação nova, que tem por função introduzir nele novas predicações a respeito de determinados referentes, com o objetivo de ampliar e/ou reformular conhecimentos já estocados”. No entanto, isso não significa que se pode pré-determinar qual será a informação dada e a nova na construção “subordinada” (e em qualquer tipo de construção), pois, dependendo do contexto em que se insere uma determinada construção, o tipo de estatuto informacional de seus segmentos pode variar. Além disso, ambos os segmentos da construção podem, por vezes, apresentar o mesmo tipo de estatuto informacional, como se verá na análise dos dados.
Outra questão a ser discutida diz respeito à associação posição inicial-informação dada / posição final-informação nova. É consenso entre os autores funcionalistas, como Givón (1990) e Chafe (1984, apud DECAT, 1993), que, no fluxo de informação, em geral se parte de uma informação dada para uma informação nova, ou seja, a informação dada tende a ocorrer em posição inicial e a informação nova tende a aparecer na posição final73.
Isso levaria a pensar, por exemplo, que a oração “coordenada” adversativa, por ocorrer sempre na posição posposta, traz geralmente informação nova, e que a oração “subordinada” adverbial concessiva, que pode aparecer em diferentes posições sintáticas, apresenta informação dada quando vem em posição inicial (caso da posição anteposta) e informação nova quando ocorre em posição final (posposta). Entende-se, aqui, que isso também pode ser questionado, pois, como já foi discutido, o contexto de uso influi na determinação do estatuto informacional das orações.
Assim, levando-se em consideração o contexto de uso, pretende-se verificar, neste trabalho, com base em Prince (1981), por que os segmentos da construção adversativa e da construção concessiva veiculam um tipo de estatuto informacional e não outro.
Martelotta (1998), por exemplo, registra que o segmento adversativo costuma trazer de forma mais recorrente informação nova, mas que, quando carrega informação dada, apresenta retomada de assunto (retomada do que já foi mencionado) ou conclusão (conclusão de um
conjunto de argumentos a partir da retomada de argumentos básicos ou a ideia central desses argumentos)74.
Thompson et al. (2007), por sua vez, tratando especificamente das adverbiais concessivas, apontam um caso em que ambos os segmentos da construção fazem referência a conteúdos anteriores, servindo a construção toda como uma espécie de resumo, como se vê na seguinte passagem de texto, apresentada pelos autores numa sequência de frases:
a) A Febre Mediterrânea é uma doença „periódica‟.75
b) A partir do momento em que os sintomas, febre e mal-estar, apareceram, eles recorrem esporadicamente e imprevisivelmente durante toda a vida do indivíduo.76
c) Há, pelo menos, febre, que dura um ou dois dias, dores na junta e dor no peito e no abdómen.77
d) Em casos mais graves, há comprometimento da articulação, descalcificação dos ossos e insuficiência renal.78
e) Embora muitos dos indivíduos afetados não fiquem permanentemente e seriamente
incapacitados, cerca de 10% dos casos estudados até hoje apresentaram complicações
renais.79 (THOMPSON et al., 2007, p. 286)
Os autores apontam que, nesse caso, a oração adverbial destacada parece se referir ao conteúdo de a, b e c, ao passo que a oração nuclear parece fazer referência ao conteúdo de d. Sendo assim, a construção concessiva toda (o segmento concessivo e o nuclear) apresentaria uma espécie de resumo que traz as possíveis consequências da doença.
Observações como essas que se acaba de apresentar podem servir como encaminhamento para a investigação do estatuto informacional nas adversativas e nas concessivas.
Outra questão referente ao fluxo de informação é o relevo informativo, representado pelo par figura/fundo. Como se apontou no capítulo 1, consoante Givón (1990) a figura é a linha principal do enunciado e o fundo é a porção tida como adicional.
Pesquisas desenvolvidas por McClure & Geva (1983) indicam que a conjunção but (mas), como figura, introduz informação saliente, enquanto although (embora), como fundo, introduz informação menos saliente. Tal fato, de certa forma, não surpreende, pois a oração adversativa (com mas) introduz argumento forte e a oração concessiva (com embora) introduz
74 O autor não oferece exemplos.
75 a) Mediterranean Fever is a „periodic‟ disease.
76 b) Once the symptoms, the fever and malaise, have begun, they recur sporadically and unpredictably during
the individual‟s lifetime.
77 c) At least there is fever, lasting a day or two, joint pains, and chest and abdominal pain.
78 d) In advanced cases, there is a joint involvement, decalcification of the bone and kidney insufficiency. 79 e) Though most of the affected individuals are not permanently or seriously disabled, about 10% of cases
argumento fraco, como se verá ainda neste capítulo. Além disso, no caso das concessivas (com embora), especificamente, o segmento adverbial, como se mostrou no tópico 3.1, por ser satélite, margem, traz informação adicional, o que seria compatível com a natureza de fundo.
A questão do relevo informativo, representada pelo par figura/fundo, é relacionada, por vezes, à questão representada pelo par dado/novo, na distribuição da informação. Como já se mostrou, Givón (1979), por exemplo, chama a atenção para o fato de que alguns autores funcionalistas consideram que a oração “subordinada” adverbial traz informação dada (pressuposta). Acrescenta-se, aqui, que, como informa o autor, a oração “subordinada” adverbial vem associada à informação dada porque essa oração atua como fundo. No entanto, como se verá na análise dos dados, apesar de a oração adverbial (concessiva) atuar mais caracteristicamente como fundo, na maioria das vezes ela não traz informação dada. Isso levaria a se questionar a dicotomia oração adversativa (informação nova) x informação concessiva (informação dada).
Na questão do fluxo de informação, estão envolvidas também as funções discursivas que são particulares da construção (adverbial) concessiva. A condição de “margem” (LONGACRE, 2007), “satélite” (DIK, 1989; MATTHIESSEN & THOMPSON) da oração concessiva faz que ela, por vezes, atue como “guia” (CHAFE, 1984, apud DECAT, 1993) ou como elemento topicalizador (ZAMPRONEO, 1998).
Chafe (1984, apud DECAT, 1993) mostra que a informação trazida na oração adverbial anteposta pode orientar a informação que será veiculada na oração “principal”, servindo de “guia”. Trata-se da estratégia de fornecer uma moldura antes de fornecer o conteúdo da moldura. Decat (1993, p. 186), com base em Chafe (1984) oferece exemplos de construções em que a oração adverbial atua como “guia”, dentre os quais se destaca este: 80) então quando eu voltei... eh em oitenta e quatro... tá? o tipo de crime... da cidade havia
mudado um pouco a característica.
A autora afirma que, nesse caso, o trecho destacado serve como uma orientação para o material seguinte ou como um guia para a atenção do receptor.
Decat (1993, p. 187) mostra, ainda, que, em alguns casos, a oração adverbial anteposta não só orienta, guia, como também delimita a interpretação da porção de discurso subsequente, como se vê neste excerto:
81) se a escola... domestica... eh... o corpo como que a Educação Física pode contribuir para
Zamproneo (1998, p. 157), por sua vez, mostra que a oração adverbial (concessiva) intercalada pode funcionar como elemento topicalizador:
82) A ambivalência material/humano no artefato, ainda que pareça abstrata, adquire
importância capital.
Nesse caso, a oração concessiva topicaliza o sujeito da oração nuclear (“a ambivalência material/humano”). No entanto, a autora mostra que a oração concessiva intercalada pode operar topicalização de outros elementos da oração nuclear, como o verbo.
Assim, parte-se, aqui, do pressuposto de que a anteposição e a intercalação da oração adverbial concessiva do córpus em análise podem ser motivadas, entre outros aspectos, pela necessidade de orientar conteúdo subsequente (função de guia) ou de topicalizar algum elemento da oração (função de elemento topicalizador), respectivamente. Isso levaria a pensar que a opção pelo uso de uma construção hipotática adverbial concessiva, em vez de uma construção paratática adversativa, poderia ocorrer pela possibilidade de as concessivas exercerem funções discursivas que lhe são particulares, obtendo-se, assim, diferentes efeitos de sentido.
Por outro lado, Decat (1993, p. 184), com base em Chafe, afirma que a posposição das hipotáticas adverbiais, como decorrência de necessidade de realçar/emoldurar, faz que certas ocorrências se assemelhem a adendo (afterthoughts), como se verifica neste trecho apresentado pela autora:
83) “então eh eh ... aí nós começamos a trabalhar formamos dois subgrupos ... não é? Fundamentos I e Fundamentos II... embora a minha ambição no projeto inicial... era a de fazer todo um trabalho ... das das áreas de de to/que integrasse todas as disciplinas de formação específica... no curso normal...”
O adendo constitui uma pós-reflexão sobre o que já foi enunciado; trata-se de uma informação acrescentada que não teria sido planejada ao mesmo tempo em que o enunciado. Devido a isso, é provável que o adendo ocorra com mais frequência na fala do que na escrita. O trecho citado, por exemplo, foi retirado de córpus que traz um conjunto de textos da língua falada.
Entretanto, verifica-se que a hipotática adverbial concessiva (posposta), quando ocorre em textos escritos, também pode atuar como adendo. Martelotta (1998, p. 49), por exemplo, identifica 4 (de 13 ocorrências) segmentos concessivos pospostos que funciona como adendo, dentre os quais um deles ocorre em texto de língua escrita:
84) Alguma coisa tem que ser feita, e sem dúvida tem que começar por nós, mesmo sabendo
que o resultado não virá tão cedo. Daqui a 20, 50 anos, quem sabe...
Martelotta (1998) mostra, ainda, que o segmento adversativo também funciona como adendo: de 153 ocorrências, em 13 delas o segmento adversativo tem essa função. No entanto, o autor não oferece ocorrências para exemplificação.
Sendo assim, verifica-se que o segmento adverbial concessivo, quando vem posposto, não apresenta uma função que lhe seja particular (diferentemente do que ocorre na posição anteposta e na intercalada), pois, como se viu, o segmento adversativo também funciona como adendo. Contudo, procura-se investigar, na análise dos dados, se um dos tipos de construção (a parataxe ou a hipotaxe adverbial) favoreceria a presença de tal função.
Há outra questão ainda, referente ao fluxo de informação, que pode ser tratada para comparar as adversativas com as concessivas. García (1994) mostra que cada tipo de construção atua de forma particular no que se refere à relação tema/rema80.
O autor afirma que o tema é caracterizado prioritariamente por ser conhecido e subsidiariamente por ser inicial (ou seja: o tema é a figura do par informativo e o fundo do par sequencial). O rema, por sua vez, se define prioritariamente por ser não inicial e subsidiariamente por ser novo (isto é: o rema é a figura do par sequencial e o fundo do par informativo).
De acordo com o autor, tais considerações estão de acordo com a observação de alguns fenômenos que têm chamado a atenção dos estudiosos: i) o fundamental na unidade temática é trazer algo novo, daí existirem orações que não possuem tema, mas não existirem orações sem rema; ii) enquanto o tema pode pospor-se, o rema não pode antepor-se. É possível, por exemplo, que uma oração concessiva ocorra tanto anteposta (embora não
estivesse seguro, me decidi) quanto posposta (me decidi, embora não estivesse seguro), mas
só é possível, por exemplo, que uma oração adversativa ocorra em posição posposta (não
estava seguro, mas me decidi), pois, se ocorresse na posição anteposta, a construção
adversativa seria agramatical (*mas me decidi, não estava seguro). (GARCÍA, 1994, p. 105) Pelos exemplos aqui citados, observa-se a possibilidade de a oração concessiva, dada a sua condição de membro “interordenado” (hipotático adverbial), ocorrer anteposta ou posposta, o que faz que ela atue como tema; a oração adversativa, por outro lado, visto a sua
80 Saliente-se que García (1994) não adota uma abordagem funcionalista, no entanto entende-se que as
considerações feitas no que se refere ao par tema/rema podem servir como encaminhamento para uma análise funcionalista das adversativas e das concessivas, pois já está em García (1994), por exemplo, a consideração de que existem elementos novos e elementos dados nas construções.
condição de segmento “coordenado” (paratático), só pode aparecer na posição posposta, o que faz que ela funcione como rema.
Assim, García (1994, p. 105) mostra que expressões como tinha medo / me dominei podem ser organizadas de duas maneiras: com ênfase no tema (embora tivesse medo, me
dominei) ou com ênfase no rema (tinha medo, mas me dominei). Entretanto, o autor faz a
ressalva de que a concessiva não enfatiza simplesmente um tema, mas um tema que se apoia em um tema anterior, ao qual se junta um rema anterior que contradiz o rema da construção concessiva. A construção embora tivesse medo, me dominei, por exemplo, tem como informação contextual (ou textual) prévia (de tipo causal) o medo faz perder o domínio de si
mesmo. Desse modo, o tema embora tivesse medo reitera seu tema implícito (o medo), mas
não compartilha seu rema implícito (faz perder o domínio de si mesmo). Da mesma forma, a adversativa não enfatiza meramente um rema próprio, mas um rema que se apoia em um rema anterior, ao qual se junta um tema anterior, que contradiz o tema da adversativa. A construção
tinha medo, mas me dominei supõe uma informação prévia não ter medo faz dominar-se. O
rema dessa frase (faz dominar-se) coincide com o rema da construção adversativa (mas me
dominei), mas o tema (não ter medo) contradiz o tema da construção adversativa (tinha medo).
Dessa forma, pode-se afirmar que a opção pelo uso de uma das construções tem a ver com as estratégias utilizadas: reitera-se um tema implícito, deixando o rema no segundo plano (caso das concessivas), ou se reforça um rema implícito, colocando o tema no segundo plano (caso das adversativas).
A partir do exposto, verifica-se que, quando está em questão o fluxo de informação, as adversativas e as concessivas podem ser comparadas levando-se em conta a distribuição de informação (par dado/novo), o relevo de informação (par figura/fundo) e a articulação tema/rema81. Além disso, cabe considerar a questão das funções discursivas: a de adendo, que pode aparecer no segmento concessivo e no adversativo, e as de guia e elemento topicalizador, que ocorrem especificamente no segmento concessivo.
Esses aspectos aqui tratados são investigados na análise deste trabalho a fim de cotejar as concessivas e as adversativas. Nesse exame, tem-se como foco a rigidez posicional das adversativas e a flexibilidade posicional das adverbiais concessivas.