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2. Bölüm

3.3. Veri Toplama Araçları

Terra de Água Boa

Lá na província a lua é cheia e bela de se apreciar

Lá na província tem gente: velho e menino e tem barulho de vida familiar

Lá na província a mesa é farta

e a água é boa, mesmo sem sabor de mar Mas lá na província a vida é engraçada as moças se enfeitam

e precisam se casar

os homens andam nos seus cavalos, sempre a ostentar os cavalos não são brancos, como nos contos de fadas quase sempre são pretos e fazem barulho de se estranhar Lá na província a taberna fechou

aquela taberna onde se reuniam os plebeus e agora eles estão a vagar

o mestre da plebe morreu

aquele mentor de um sem número e a plebe vive a chorar

Lá na província tem gente errante no meio da falsa lucidez dos destoantes Lá na província tem gente a cantar Mas tem rei Tirano

que nem sempre permite ver a plebe dançar

Lá na província a uva é escassa a fumaça é pouca

e a mocidade vive a esperar Lá na província a vida é engraçada e cheia de contradições

mas é aqui na província que meu coração se acalma e dá-se a voar. (LOPES, p. 13, 2011)

Iguatu, lugar da pesquisa, é um município localizado na Região Centro Sul do Estado do Ceará, distante 380 km da capital, que possui 92.260 habitantes, estando na lista dos 299 municípios mais populosos do Brasil e dos 9 mais populosos do Ceará. Possui o 10º PIB do Estado, com um Índice de Desenvolvimento Humano de 0,677, considerado médio. O município exerce o importante papel de centro regional de comércio e serviços, oferecendo bens e serviços para mais de 10 municípios da região onde se localiza. Sua economia é

baseada na agricultura, no entanto há grande destaque do setor industrial, pois, atualmente, há instaladas 72 indústrias na zona urbana do município. No âmbito da educação, merecem destaque as três Universidades Públicas abrigadas na cidade, sendo duas estaduais e uma federal. Terra natal dos músicos e compositores Eleazar de Carvalho, Evaldo Gouveia e Humberto Teixeira, o município é palco de eventos culturais reconhecidos além-fronteira.

Fotografia 1: Ponte sob o Rio Jaguaribe, cartão postal da cidade. Fonte:

http://www.mundi.com.br/Fotos-Iguatu-2711113.html

Cidade interiorana na qual também se destacam as grandes diferenças sociais e de condições de vida, Iguatu é um município com fortes marcas de símbolos de poder. Por um lado, há uma extensa frota (para o porte da cidade) de carros novos e importados circulando nas vias, espaços sociais e de lazer destinados às pessoas de alto poder aquisitivo, as quais representam o “Poder Social” da localidade. Enquanto de outro turno, o tráfico e o consumo de drogas, acompanhados da incessante prática de furtos, roubos, latrocínios e assassinatos, contribuem para os índíces de violência do município, haja vista que conforme informação prestada por servidor do Cartório de Polícia Civil de Iguatu, semanalmente, cerca de 200 ocorrências, delituosas e criminais, são registradas na Delegacia Regional de Iguatu.

Na política, o coronelismo e o “cabresto” ainda fazem parte do modus operandi da governança e da legislatura iguatuense. Com acirradas brigas pelo poderio político entre as famílias “Sobreira” e “Araújo”(esta no poder há mais de 10 anos), o clima é de eterna guerra e tensão, consubstanciada com a prática de torturas, de sequestros e de ameaças de morte constante entre o membros e apoiadores das respectivas famílias. O voto é trocado por

promessa de trabalho, de cargos, de “benefícios” e de outras “garantias” dadas ao eleitor. Os empresários com grande número de empregados, realizam comícios nas sede de suas empresas, com a presença dos candidatos escolhidos por eles, coagindo seus funcionários a votarem no político indicado, sob ameaça de demissão daqueles que não seguem o desejo do patrão.

No campo dos empregos públicos, os quais deveriam ser destinados à servidores concursados, assim como apregoa a Constituição Federal de 1988, boa parte dos cargos públicos municipais ainda são destinados a apadrinhados políticos, que devem se submeter aos mais diversos tipos de assédio e ilegalidade, tais como: trabalhar gratuitamente em campanhas eleitorais, com presença obrigatória, mediante realização de chamada com corte de ponto e demissão daqueles que se negam a realizar tal tarefa; participar de eventos, inclusive vestindo fantasias temáticas, a exemplo do “Iguatu Natal de Luz”, no qual há desfiles natalinos, bem como montagem de casas temáticas, nas quais os funcionários se fantasiam das mais diversas personagens, fugindo à suas atribuições originais; dentre tantas outras práticas abusivas, a que taiss servidores são submetidos, em detrimento de um emprego precário e um salário muitas vezes injusto.

Fotografia 2: Registro da festa popular “Iguatu Natal de Luz”. Na última imagem, o ex-prefeito da cidade, o então deputado estadual Agenor Neto, ao lado dos palhaços Patati e Patatá. Fonte:

Com um poder legislativo no qual as bancadas de situação e de oposição sofrem constantes mudanças em virtude dos interesses pessoais dos vereadores, que mudam de “lado” de acordo com os benefícios concedidos pelos grupos políticos, temos parcialidade e interesses privados na feitura das leis municipais. Não obstante a constante participação popular nas Sessões da Câmara Municipal, a palavra, raras vezes é facultada ao povo e, quando o é, geralmente é destinada a alguma pessoa que tem vínculo político com vereadores da situação ou da oposição.

É neste cenário de grandes contrastes sociais, marcado pela contínua luta pelo poder social, político e\ou econômico, que desenvolvemos nossa pesquisa, buscando destacar a representação do homem iguatuense, que exerce a dominação masculina, através dos inúmeros símbolos de poder, dos quais trataremos posteriormente.