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2. Bölüm

2.4. İlgili Araştırmalar

2.4.4. Ebeveyn kabul-reddi, duygusal davranışsal problemler ve duygu düzenleme ile

No dia 09 de março de 2015, foi sancionada no Brasil a Lei nº 13104/15, que é decorrente do Projeto de Lei 8305/14, elaborado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher e de iniciativa do Senado Federal. A nova legislação altera o artigo 121 do Código Penal Pátrio, o qual trata acerca do crime de homicídio. A referida alteração estabelece o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio.

A lei que trata do feminicídio também modificou o art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, incorporando o assassinato de mulher, quando resultante de violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de ser mulher, como crime hediondo.

Na justificativa do projeto, a CPMI destacou o homicídio de 43,7 mil mulheres no Brasil de 2000 a 2010, sendo que mais de 40% das vítimas foram assassinadas dentro de suas casas, muitas pelos companheiros ou ex-companheiros. Além disso, a comissão afirmou que essa estatística colocou o Brasil na sétima posição mundial de assassinatos de mulheres.

Segundo a nova legislação, o feminicídio é o crime motivado pelo ódio, pelo desprezo e pelo sentimento de perda da propriedade sobre a mulher, fatos típicos praticados numa sociedade machista e marcada pela desigualdade de gênero.

Com a promulgação da nova lei aqui apresentada, o Brasil se coaduna com a postura adotada por cerca de 15 países integrantes da América Latina, dentre eles, Chile, Guatemala, Argentina, Colômbia e Peru, que já inseriram o crime de feminicídio nas suas legislações penais pátrias.

Trazemos aqui, a redação dos dispositivos mais importantes da Lei nº 13104/15: Art. 1º- O art. 121 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Homicídio simples Art. 121 [omissis] Homicídio qualificado § 2º [omissis]

Feminicídio

VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino:

§ 2º - A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve

I - violência doméstica e familiar

II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Aumento de pena

§ 7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado:

I - durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto;

II - contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência;

III - na presença de descendente ou de ascendente da vítima.” (NR)

Art. 2º -O art. 1º da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, passa a vigorar com a

seguinte alteração: “Art. 1º [omissis]

I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV, V e VI)” (NR). (BRASIL. Lei n.º 13.104\15, de 9 de março de 2015. Diário Oficial da República Federativa, Poder Legislativo, Brasília, DF, 9 mar. 2015).

Ao inserir o feminicídio no rol dos crimes hediondos, a legislação penal pátria prevê punições mais pesadas para aqueles que praticarem o crime de homicídio contra a mulher, em razão do gênero. A Constituição Federal da República (art. 5º, XLIII) previu que se deve ter um tratamento diferenciado para com os crimes hediondos, ou seja, mais gravoso em relação aos outros previstos na legislação penal. Sendo o feminicídio tipificado como crime de homicídio qualificado, a sua pena poderá variar entre doze e trinta anos de prisão, de acordo com o caso concreto. A lei prevê ainda aumento da pena em um terço se o crime acontecer durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto, se for contra adolescente menor de

14 anos ou adulto acima de 60 anos ou ainda pessoa com deficiência e se o assassinato for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima.

Nos crimes hediondos a progressão de regime penal, ou seja, a possibilidade de cumprir a pena em regime semiaberto ou aberto, só poderá ocorrer após o cumprimento de 2\5 da pena arbitrada em sentença judicial, se for réu primário, além de ter bom comportamento. No caso de ser reincidente18 deverá, então, cumprir 3/5 da pena, conforme preceitua o art. 2º,

§ 2º da Lei nº 8.072/90.

No que se refere ao livramento condicional da pena, além do bom comportamento por parte do réu durante a execução da pena, aquele que for condenado por feminicídio só terá direito a liberdade condicional, após o cumprimento de mais de 2/3 de sua pena. Tal benefício é aplicado apenas aos réus primários, aos reincidentes, a lei veta o direito de gozo de liberdade antes do cumprimento pleno da pena, conforme entendimento do artigo 83, V, do Código Penal:

"Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

[...]

V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. (Incluído pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990). (BRASIL. Decreto Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal. Diário Oficial da República do Federativa do , Poder Legislativo, Brasília, DF, 7 dez. 1940)

Vale ressaltar que com a vigência da nova lei, aquele que vier cometer crime de feminicídio, não terá direito aos institutos penais da anistia19, da graça e do indulto20, que são

causas extintivas de punibilidade. Não terá também direito ao arbitramento de fiança, conforme preceitua inteligência do art. 5º, XLIII, da CF/88 e do art. 2º da Lei 8.072/9 (Lei dos Crimes Hediondos). Além disso, a tipificação do feminicídio poderá aprimorar procedimentos e rotinas de investigação e julgamento, com a finalidade de coibir assassinatos de mulheres.

18

Repetição da mesma conduta criminosa – tipificação penal.

19

A anistia é uma das causas de extinção de punibilidade prevista no Art.107, II do Código Penal. Segundo Damásio de Jesus "a anistia opera Ex tunc, para o passado, apagando o crime, extinguindo a punibilidade e demais consequências de natureza penal".

20

A graça é espécie da indulgência de ordem individual, pois só alcança determinada pessoa. O indulto é medida de caráter coletivo, entretanto. Tanto a graça quanto o indulto são formas de extinção da punibilidade, conforme o Art. 107, II, CP. Ambos só podem ser concedidos pelo Presidente da República, mas ele pode delegar a atribuição a Ministro de Estado ou outras autoridades, não sendo necessário pedido dos interessados, nos termos do Art. 84, inciso XII, parágrafo único, da CF.

A Lei do feminicídio é mais uma evolução na legislação pátria que tutela o direito da mulher e, sobretudo, que busca coibir a violência de gênero. Trata-se de uma lei punitiva, que visa, principalmente, reverter o grande registro de assassinatos contra mulheres no Brasil.