1. BÖLÜM
3.3. Veri Toplama Araçları
Diante do exposto, considerando o papel primordial da ação comunicativa como princípio norteador das ações de formação inicial e continuada dos professores da área de ciências ligados ao grupo de pesquisa, bem como a limitação evidente dos espaços de discussão (lista de e-mail e reuniões do grupo) para tratar da diversidade e complexidade das distintas realidades enfrentadas pelos professores em exercício e em formação, sentimos a necessidade de buscar
alternativas que ampliassem o agir comunicativo do grupo assim como suas reais possibilidades de interação e colaboração.
Para isso, nos dispomos a seguir um percurso investigativo a partir do seguinte problema de pesquisa:
Como o uso das novas tecnologias da informação e comunicação (mais especificamente, dos recursos da web 2.0) pode contribuir para a ampliação do agir comunicativo de um grupo de professores e pesquisadores em processo de formação inicial e continuada vinculados a um grupo de pesquisa?
Ao propor essa questão, nossa intenção é colaborar para que a interação do grupo de pesquisa, que ocorre principalmente através das reuniões trimestrais e da lista de discussão online, se amplie mediante o uso de recursos virtuais que possibilitem transcender a comunicação via e-mail, permitindo dar maior vazão à demanda comunicativa reprimida no grupo em função da limitação dos encontros, da diversidade de interesses e realidades vividas pelos integrantes do grupo, das dificuldades (distância geográfica, custeio de viagem, dentre outras) enfrentadas para que todos os interessados participem dos encontros. Dessa maneira, entendemos que o uso de tais recursos pode nos ajudar a manter um nível maior de interação e diálogo entre os interlocutores, principalmente, nos intervalos entre os encontros do grupo, que atualmente são caracterizados por um esfriamento das discussões e colaborações, na medida em que o distanciamento limita temporariamente o agir comunicativo do grupo, que no nosso ponto de vista não é plenamente viabilizado pela lista de discussão, que mesmo assim ainda cumpre um papel essencial de proporcionar um vínculo mínimo sistemático e contínuo entre os participantes do grupo.
Portanto, nesse trabalho partimos da hipótese de que é possível ampliar o agir comunicativo do grupo, estendendo os debates e discussões realizados nos encontros do grupo para a esfera virtual.Para isso,precisamosdispor de canais de comunicação que ofereçam condições minimamente adequadas para que tais interações aconteçam. Entenda-se por condições adequadas, a disponibilidade de recursos comunicacionais com diferentes características que atendam às especificidades da interação a ser realizada, qual seja: o número de interlocutores envolvidos, o tempo e a forma mais adequada para uma adequada comunicação, a necessidade de colaborar ou compartilhar ideias em tempo real (comunicação
síncrona) ou não (comunicação assíncrona), a necessidade de conversar (uso de áudio e/ou vídeo) ou de comunicar-se por meio da escrita (e-mail, chat, fórum, dentre outros).
No entanto, não podemos negar que o maior desafio dessa pesquisa é o de atuar para que essa interação virtual configure um agir comunicativo, pois consideramos que a comunicação através de recursos tecnológicos é imbuída de especificidades técnicas, contextuais e normativas que a diferem significativamente das interações dialógicas entre falantes no mundo real. Dessa maneira, não podemos tratar a questão como se as comunicações no meio virtual ocorressem com a mesma naturalidade e espontaneidade demonstrada por interlocutores num diálogo face a face.
De qualquer forma, acreditamos que, mesmo diante desses condicionantes, é possível aos falantes manifestar atos de fala e pretensões de validade visando ao entendimento, durante as interações virtuais. Essa possibilidade nos leva a sustentar a tese de que é possível promover a ação comunicativa nas interações mediadas por computador, desde que observadas e asseguradas as condições de fala caracterizadoras do agir comunicativo. Daí emerge o nosso interesse em investigar como e em que condições esse agir comunicativo pode ser viabilizado nas interações virtuais do grupo de pesquisa, visando a fortalecer as ações de formação inicial e continuada já existentes. Indo além do imediatismo de tal problemática, podemos pensar na possibilidade de se constituir uma esfera pública virtual de professores da área de ciência, a longo prazo, estreitando os vínculos com outros grupos de pesquisa constituídos pelos mestres e doutores egressos do Programa de Pós-Graduação e do grupo de pesquisa. Entretanto, salientamos que esta medida de longo prazo não entra no escopo desse trabalho, sendo apenas um vislumbre para um futuro mais longínquo.Na verdade, nesse trabalho, intentamos contribuir para que os primeiros passos sejam dados nessa direção, haja vista o fato de o agir comunicativo ser ainda um desafio mesmo nas interações entre falantes nas comunicações face a face.
Por ora, é importante ressaltar que o presente trabalho se fundamenta em dois princípios/pressupostos básicos, a saber:
1) o agir comunicativo é uma condição necessária para a formação do professor autônomo (emancipação do professor), de acordo com o
modelo de formação de professores assumido pelo grupo ao longo de sua história;
2) é possível viabilizar o agir comunicativo no âmbito das interações virtuais mediadas pelo computador (hipótese defendida nesse trabalho).
No que diz respeito à delimitação da pesquisa, é preciso esclarecer que o presente estudo ocorreu no quadriênio 2009-2012. Nessa perspectiva, procuramos compreender como a experiência inicial da interação universidade-escola (Projeto Urubunesp) ajudou a moldar as características atuais do grupo. Essa compreensão era um pré-requisito para entendermos o grupo tal qual ele é hoje e situarmos nossa pesquisa nesse contexto. Para efeitos de análise dos dados, encerramos nossa constituição de dados em meados de novembro de 2011, ocasião em que o grupo foi aprovado num edital do Projeto Observatório da Educação e passou a contar com financiamento da CAPES. A nossa opção de não incluir no escopo da dessa pesquisa nenhuma ação decorrente do Projeto Observatório da Educação se deve ao fato de não dispormos de tempo suficiente para investigar esse processo, constituir dados, analisar em tempo hábil para o cumprimento do tempo para a defesa do doutorado. Todavia, devemos deixar claro que a conquista desse Projeto representa para o grupo um reconhecimento institucional, governamental e dos pares acerca da experiência acumulada pelo grupo, que há tempos atua na interface universidade-escola. Nesse sentido, vemos nesse Projeto Observatório da Educação o coroamento da experiência iniciada no Projeto Urubunesp e o desafio de construir um novo Projeto de parceria, não com uma, mas com várias escolas do Estado de São Paulo e de outros Estados da Federação num patamar mais elevado de exigência e responsabilidade, que certamente contribuirá mais ainda para o desenvolvimento do grupo e da qualidade da formação dos professores e alunos dessas escolas.
Em seguida, apresentaremos os métodos e técnicas empregados na pesquisa, bem como o papel assumido pelo pesquisador nas diferentes etapas do processo investigativo.