3. YÖNTEM
3.4. Veri Toplama Araçları
O conceito de auto-estima tem sido bastante estudado e considerado como um importante indicador da saúde mental (ANDRADE; ANGERAMI, 2001).
A auto-estima pode ser definida como a avaliação que o indivíduo faz, e que habitualmente mantém, de si próprio. Expressa uma atitude de aprovação ou desaprovação em relação a si mesmo e indica o grau em que o indivíduo se considera capaz, significativo, bem- sucedido, importante e valioso. Portanto, a auto-estima é um juízo de valor que se expressa
mediante as atitudes que o indivíduo mantém em face de si mesmo (COOPERSMITH, 1967; ROSENBERG, 1965).
Auto-estima é também considerada uma necessidade básica para a sobrevivência humana. Sendo satisfatória, ela torna o indivíduo mais confiante, uma vez que aborda seus valores, força interior, capacidade de realização e adequação, enquanto sua insatisfação associa-se à inferioridade e impotência (MASLOW, 1970).
A baixa auto-estima é, portanto, o desenvolvimento de uma percepção negativa sobre seu próprio valor em resposta a uma situação atual. Está relacionada a fatores como: alterações do desenvolvimento, distúrbio na imagem corporal, prejuízo funcional, perda, mudança de papel social, falta de reconhecimento/recompensa, comportamento inconsistente em relação aos valores, falhas e rejeições (NANDA, 2005).
A mastectomia após câncer de mama pode afetar os sentimentos que a mulher tem de si mesma, muitas vezes gerando diminuição na satisfação corporal e no autovalor (CAETANO; SOARES, 2005; RODRIGUES et al., 1998). Após cirurgia por câncer de mama, algumas mulheres sentem-se impossibilitadas de cuidarem de suas famílias, passando a viver em uma situação de dependência de outros para o cuidado com elas mesmas, o que pode ser, para muitas, motivo suficiente para gerar sentimentos de impotência em suas vidas (FERREIRA; MAMEDE, 2003). Além disso, a auto-estima pode ser influenciada pela alteração da imagem corporal, observada comumente em mulheres após cirurgia por câncer de mama.
A escala de auto-estima elaborada por Rosenberg (1965) é um instrumento que avalia a auto-estima pessoal. É uma escala unidimensional do tipo likert (concordo plenamente, concordo, discordo e discordo plenamente), traduzida para a língua portuguesa, adaptada ao contexto cultural brasileiro e validada por Dini (2001), sendo composta de dez itens.
De acordo com Dini, Quaresma e Ferreira (2004), do total de dez itens que compõem a escala, cinco avaliam sentimentos positivos do indivíduo sobre si mesmo os quais são apresentados a seguir: de uma forma geral (apesar de tudo), estou satisfeito(a) comigo mesmo(a); eu sinto que tenho um tanto (um número) de boas qualidades; eu sou capaz de fazer coisas tão bem quanto a maioria das outras pessoas, desde que me ensinadas; eu sinto que sou uma pessoa de valor, pelo menos num plano igual (num mesmo nível) às outras pessoas; eu tenho uma atitude positiva (pensamentos, atos e sentimentos positivos) em relação à mim mesmo. Os cinco itens restantes avaliam sentimentos negativos: às vezes, eu acho que não sirvo para nada (desqualificado(a) ou inferior em relação aos outros); não sinto satisfação nas coisas que realizei, eu sinto que não tenho muito do que me orgulhar; às vezes, eu
realmente me sinto inútil (incapaz de fazer as coisas); não me dou o devido valor, gostaria de ter mais respeito por mim mesmo(a); quase sempre eu estou inclinado(a) a achar que sou um(a) fracassado(a).
De acordo com Vargas, Dantas e Gois (2005), o escore varia de 10 a 40 (intervalo de 30), com altos valores indicando elevada auto-estima, da mesma forma como foi proposto por Rosemberg (1965), que descreve o intervalo de resultados possíveis entre 0 a 30, com altos valores indicando elevada auto-estima. Dini, Quaresma e Ferreira (2004) também descrevem o intervalo possível de 0 a 30, no entanto, com baixos valores indicando elevada auto-estima, pois a pontuação na escala é invertida, diferentemente da escala de Rosemberg (1965). A inversão da escala não altera o significado ou leitura final da auto-estima.
Vários estudos avaliaram a auto-estima em mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama através da escala de Rosemberg (AL-GHAZAL et al., 2000; AL-GHAZAL; FALLOWFIELD; BLAMEY, 2000; TYKKA; ASKO-SELJAVAARA; HIETANEN, 2001). No Brasil, até o presente momento, apenas o trabalho de Oliveira et al. (2006) utilizou a escala em mulheres após neoplasia mamária.
3. OBJETIVO
3.1. Objetivo Geral
O estudo tem o objetivo de descrever os fatores associados à não-realização da reconstrução mamária e avaliar a qualidade de vida e auto-estima em mulheres submetidas à cirurgia por câncer mamário.
3.2 Objetivos Específicos
Dentre os objetivos específicos, destacam-se:
1. Identificar dados acerca da doença, bem como o tratamento realizado e suas repercussões em mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama;
2. Identificar os fatores associados à não realização da cirurgia reconstrutiva de mama entre mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama;
3. Avaliar a qualidade de vida e auto-estima das mulheres submetidas à cirurgia por câncer de mama;
4. MATERIAL E MÉTODO
4.1 Tipo de Estudo
O estudo apresentado é descritivo, exploratório e transversal. Os estudos transversais fornecem informações descritivas sobre as variáveis e seus padrões de distribuição; além disso, têm a vantagem de não gerar os problemas típicos de estudos de acompanhamento, com tempo prolongado, custos e abandonos (HULLEY et al., 2003).
4.2 Local do Estudo
O estudo foi desenvolvido no Rema, situado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP – USP).
O grupo Rema oferece atendimento às segundas, quartas e sextas-feiras, das 8:00 às 12:00 horas, e tem como objetivo a assistência integral na reabilitação da mulher com câncer de mama. Para isso contam com uma equipe multiprofissional composta por enfermeiras, psicólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
O grupo Rema possui um espaço amplo, com boas condições para realização das atividades oferecidas. As mulheres que o freqüentam realizam exercícios corporais em conjunto com outras mulheres a fim de favorecer a reabilitação da capacidade funcional do membro superior homolateral à cirurgia. Além dos exercícios físicos, as mulheres participam de um grupo de discussão dirigido pela equipe multiprofissional integrante do Rema. O grupo aborda aspectos relacionados ao enfrentamento da doença e suas implicações nas atividades diárias e/ou profissionais, imagem corporal, auto-estima, qualidade de vida, vida sexual, entre outros. As mulheres que possuem linfedema participam de um tratamento diferenciado, com o uso de técnicas linfoterápicas, em sala específica.
4.3 População de Estudo
A população deste estudo foi constituída por mulheres submetidas a tratamentos diversos de câncer de mama, que freqüentavam o grupo Rema de agosto a dezembro de 2006. A seleção da amostra obedeceu aos seguintes critérios:
4.3.1. Critérios de Inclusão:
1. Mulheres submetidas à cirurgia para tratamento do câncer de mama, dentre elas: mastectomia do tipo Halsted, Patey, Madden e quadrantectomia;
2. Mulheres que estavam freqüentando o Rema no período de agosto a dezembro de 2006.
4.3.2. Critérios de Exclusão:
1. Mulheres com reconstrução mamária após cirurgia de câncer de mama; 2. Mulheres submetidas à nodulectomia como tratamento do câncer de mama;
3. Mulheres sem condições físicas, mentais e intelectuais para comunicar-se com a pesquisadora.
4.4 Tamanho da Amostra
A amostra foi determinada pelo número de mulheres que freqüentaram o grupo Rema no período de agosto a dezembro de 2006, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, na Universidade de São Paulo, e que obedeceram aos critérios de inclusão, totalizando 53 mulheres. Não houve nenhuma recusa entre as mulheres abordadas para a participação da pesquisa.