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3. YÖNTEM

3.3 Veri Toplama Araçları

A Educação Física enquanto um componente curricular obrigatório da Educação Básica, não pode ser excluída dos debates acerca da inserção das tecnologias no meio escolar. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (BRASIL, 2000), esta disciplina foi inserida na área de Linguagens Códigos e suas Tecnologias (Grifo nosso), acentuando a necessidade da área também se debruçar sobre estas questões.

Apesar de não apresentar justificativas para esta classificação proposta pelos PCN, esta disciplina é entendida como integrante das diversas formas de comunicação e precisa atender a esta demanda na medida em que se propõem a pensar sobre a cultura.

Darido e Rangel (2005, p. 34) entendem a Educação Física como uma prática pedagógica cuja função é “formar os cidadãos que irão usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar as manifestações que caracterizam essa área, tais como: o Jogo, o Esporte, a Dança, a Ginástica e a Luta”. Ou seja, esta disciplina compreende um conjunto de práticas corporais constituintes da cultura, e assim, deve ser contextualizada de acordo com o momento histórico e problematizada na escola, visando à formação crítica e integral desses alunos.

Todavia, Darido (2003) assume que, historicamente, as aulas de Educação Física se restringiam (e até certo ponto se mantém assim) em oferecer conhecimentos advindos da repetição e da prática dos movimentos. Ou seja, esta forte presença da dimensão procedimental, pode se traduzir em dificuldades para os professores em refletir a disciplina dentro de outras dimensões, bem como, considerar as tecnologias no contexto escolar.

Betti (2001) afirma que “a cultura corporal de movimento, senão no plano da prática ativa, ao menos no plano do consumo de informações e imagens, tornou-se publicamente partilhada na sociedade contemporânea” (p. 125). E, neste âmbito, é inevitável que se construam possibilidades para esta disciplina, uma vez que isto poderia significar maiores interações aluno/professor por meio da troca de informações, otimizando o aprendizado e tornando-o mais significativo.

Corroborando com estes apontamentos Bianchi, Pires e Vanzin (2008) destacam que:

A Educação (Física) tem sido o tema principal em inúmeros meios de comunicação (rádio, televisão, jornal, revistas e internet) há muitos anos [...]. Fora da escola, a Educação (Física) é dinâmica, interativa e moderna. No entanto, o que se vê na Educação (Física) dentro das escolas são conteúdos que se repetem a cada ano [...]. Acredita-se que ao incluir as TICs nas aulas de Educação (Física), ela estaria se conectando à mesma linguagem e frequência dos alunos, lançando conteúdos exibidos nas mídias em que os alunos têm interesse e curiosidade, discutindo-os, reconstruindo seus significados e inovando nas estratégias de ensino-aprendizagem dos seus próprios conteúdos escolares (BIANCHI; PIRES; VANZIN, 2008, p. 67).

Para que ocorram propostas pedagógicas mais efetivas no trato das TIC na Educação Física, duas áreas principais necessitam de modificações imediatas: o currículo, que ainda se apresenta arcaico; e a formação de professores incluindo a área tecnológica. Estas duas manifestações já significariam avanços no sentido de despertar olhares renovadores sobre a aprendizagem na modernidade.

Nesta perspectiva, o currículo precisaria aproveitar as novas tecnologias por meio de propostas de ensino, de maneira que tanto os professores como os alunos pudessem explorar formas diversas de compreender e vivenciar os componentes da cultura corporal, tão explorados pelo universo digital.

Sabe-se que propor mudanças curriculares é uma tarefa extremamente complexa, ainda mais no contexto da Educação Física que ainda vive um momento delicado quando o assunto é sistematização dos conteúdos, entretanto, desconsiderar todas as mudanças que já existem na sociedade contemporânea não seria viável.

No que tange à formação de professores de Educação Física voltada aos usos das TIC, apesar de parcos, Bianchi e Pires (2010), Mendes (2007, 2008) e Betti

(2006) são alguns exemplos de pesquisas com este cunho. Nelas foram utilizadas diversas estratégias pedagógicas para aproximar os professores do mundo digital e virtual. Contudo, percebe-se que ainda existem muitas dificuldades para diminuir o abismo entre os conhecimentos dos professores sobre as TIC e a sua relevância na atualidade.

A dificuldade que a Educação Física apresenta em lidar com as tecnologias ainda é corrente. Bianchi, Pires e Vanzin (2008) desenvolveram um estudo em escolas da rede municipal de Florianópolis, em que, apesar de existir incentivo à inserção das tecnologias nas escolas, a Educação Física ainda se mostra distante da utilização destes recursos, frente a possibilidades educativas concretas. Além disso, os professores desta disciplina foram apontados como aqueles que apresentaram forte resistência para lidar com as TIC, deixando inclusive de participar dos espaços de formação proporcionados pela escola.

Os principais motivos apresentados pelos professores para este distanciamento é a falta de percepção acerca das relações entre as TIC e a Educação Física, uma vez que o local da disciplina é quadra, ou o campo de futebol (BIANCHI; PIRES; VANZIN, 2008). Esta justificativa apenas ressalta o discurso sobre a importância da prática que ainda é explorado na Educação Física, deixando as dimensões conceitual e atitudinal em segundo plano, ou na forma de currículo oculto (FORQUIN, 1993).

Apesar do grande enfoque que se tem dado a necessidade de formação aos professores para lidar com as TIC em sala de aula, seria interessante refletir sobre algumas de suas possibilidades de utilização como mais uma opção de formação continuada. Os professores poderiam encontrar no ambiente digital conhecimentos complementares, estratégias diferenciadas, novas informações, bem como, uma fonte segura de pesquisa.

Ginciene (2012) desenvolveu em sua pesquisa de mestrado um banco de dados acerca da prova de 100 metros rasos do atletismo. O autor reuniu na plataforma Moodle um vasto corpo de conhecimento acerca desta prova, agregando em um mesmo espaço virtual, sites, jogos, vídeos, blogs e redes sociais. Desta forma, o professor passou a possuir em uma única fonte de pesquisa um amplo

apanhado sobre a prova dos 100 metros rasos, com dados sobre a história, técnicas, regras, bem como alguns atletas desta modalidade.

O governo estadual também realiza algumas experiências desta forma por meio do programa RIVED6 (Rede Interativa Virtual de Educação), que se trata de uma plataforma on-line desenvolvida pela Secretaria de Educação a Distância (SEED) possuindo como objetivo principal a produção de conteúdos pedagógicos digitais para diferentes disciplinas. A proposta do programa é que por meio dos materiais desenvolvidos o professor possa estimular o raciocínio e o pensamento crítico dos alunos, associando a informática e as abordagens pedagógicas.

Os materiais produzidos pelo RIVED estão disponibilizados na plataforma, com acesso livre e gratuito. Os conteúdos disciplinares estão divididos em pequenos trechos, que podem ser explorados em diversos ambientes de aprendizagem, por meio de imagens, atividades multimídia, páginas HTM, animações e simulações (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2013b).

O site reúne ainda alguns artigos que podem ser utilizados pelos professores para entrar em contato com projetos que utilizaram os materiais elaborados pelo programa, no entanto, até o presente momento, não foi desenvolvido nenhum conteúdo destinado à disciplina de Educação Física.

Além disso, outras possibilidades bastante exploradas no que diz respeito à utilização de tecnologias como apoio à formação, são os cursos oferecidos na forma de Educação a Distância (EaD). Estes são proporcionados por diversas instituições, justamente com fins de formação continuada em diferentes temáticas.

A EaD tem suscitado discussões diversas acerca de seus pontos positivos e negativos, todavia, o que não se pode negar é a sua viabilidade dentro da organização da sociedade moderna, considerando todos os recursos tecnológicos e informacionais disponíveis para a sua exploração no contexto educacional (BELLONI, 2001).

Percebe-se, no entanto, que muitos professores não aproveitam de forma significativa este espaço de formação, realizando os cursos desta natureza apenas para obtenção do certificado, justamente pela possibilidade de burlar os mecanismos de avaliação. Assim, se faz necessário a criação de outros espaços virtuais, em que

os professores possam consultar quando sentirem necessidade de explorar e aprimorar conhecimentos diversos, sem a intensão direta de fazer um curso específico.

Portanto, utilizar as possibilidades que estas tecnologias apresentam, em prol da formação continuada dos professores, proporcionaria ambientes virtuais para que eles pudessem complementar os seus conhecimentos acerca da dança, principalmente por esta se apresentar como um conteúdo marginalizado na escola. Como acentuado por Silva (2011) é necessário investir no professor que já está atuando na escola, oferecendo condições para que este formador possa melhorar sua prática pedagógica, e consequentemente atinja melhorias consideráveis na educação como um todo.

Diante do exposto, a ampliação de discussões das tecnologias dentro da Educação Física parece necessária, para que se criem outros espaços na problematização do conteúdo de danças folclóricas, proporcionando ao professor maiores ferramentas didático-pedagógicas para tratá-lo.