1. A/D VE D/A DÖNÜŞÜM
1.4. Mikroişlemcinin Rogramlanması
1.4.4. TMS320C5000 DSP serisi
Conquanto tenha estabelecido as espécies de sanções administrativas, o Código de Defesa do Consumidor não cuidou da regulamentação do procedimento de aplicação das referidas sanções, cabendo a tarefa, inicialmente, ao Decreto n°861/93.
Objeto de incontáveis críticas, notadamente no campo doutrinário e judicial,203 o Decreto n°861/93 foi revogado pelo Decreto n°2.181/97, cuja finalidade é organizar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e estabelecer normas de aplicação de sanções administrativas, entre outras providências. Nesse sentido, conquanto consista em relevante evolução quando comparado com o decreto anterior, acabou o Decreto n°2.181/97 inaugurando um novo debate, desta vez em torno da competência dos entes federativos para apurar e punir infrações ao Código de Defesa do Consumidor.
A Constituição Federal de 1988, em seu art.24, §2°, determina que a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos Estados. Entretanto, no parágrafo anterior (art.24, §1°), determina a Constituição Federal de 1988 que a competência da União no âmbito da legislação concorrente limita-se a estabelecer normas gerais.
Em decorrência destas previsões constitucionais, questiona-se: com a regulamentação do Código de Defesa do Consumidor pelo Decreto n°2.181/97, estaria suprimida a
202 ALMEIDA, João Batista de. A proteção jurídica do consumidor. 7.ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2009, p.215. 203 A maior resistência enfrentada pelo Decreto n°861/93 talvez tenha sido exteriorizada na Ação Direta de
Inconstitucionalidade n°996-6, promovida pelo Estado de São Paulo sob os fundamentos de que: a) o decreto usurpava a competência concorrente dos entes federativos prevista no art.24, V e VIII da Constituição Federal, em caráter exclusivo, quando autoriza a União, os Estados e o Distrito Federal a legislar sobre “produção e consumo”, bem como sobre “responsabilidade por danos causados ao consumidor” e b) o presidente da República, violando o princípio da legalidade e em desacordo com os arts.5°, II e 37, caput, da Constituição Federal, inova a ordem jurídica, criando tipos e sanções administrativas sem consulta do Poder Legislativo. (DENARI, Zelmo. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto. v.1. 10.ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p.658).
competência dos demais entes federativos para legislar sobre o tema, sob pena de não contribuir para desenvolver e aperfeiçoar o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor?204
Acerca dos contornos da competência legislativa concorrente, reconhecendo que propicia a consecução de esforços com vistas a atingir um benefício comum pretendido pela Constituição, entende Fernanda Dias Menezes de Almeida:
Além de partilhas entre os diversos entes federativos certas competências exclusivas, que cada um exerce sem participação dos demais, o constituinte demarcou uma área de competências exercitáveis conjuntamente, em parceria, pelos integrantes da Federação, segundo regras preestabelecidas. Trata-se da competência concorrente, assim tradicionalmente denominada porque, relativamente a uma só matéria, concorre a competência de mais de um ente político. O que o constituinte deseja é exatamente que os Poderes Públicos em geral cooperem na execução das tarefas e objetivos enunciados205.
No mesmo sentido, reconhecendo que a competência concorrente não supre a competência dos demais entes da Federação, além de consistir em relevante mecanismo de regulamentação dos temas que lhe são inerentes, é o ensinamento de José Afonso da Silva:
Não é, porém, porque não consta na competência comum que Estados e Distrito Federal não podem legislar suplementarmente sobre esses assuntos. Podem e é de sua competência fazê-lo, pois que nos termos do §2° do art.24, a competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui (na verdade até pressupõe) a competência suplementar dos Estados (e também do Distrito Federal, embora não se diga aí), e isso abrange não apenas às normas gerais referidas no §1° desse mesmo artigo no tocante à matéria neste relacionada, mas também às normas gerais indicadas em outros dispositivos constitucionais, porque justamente a característica da legislação principiológica (normas gerais, diretrizes, bases), na repartição de competências federativas, consiste em sua correlação com competência suplementar (complementar e supletiva) dos Estados.
Tanto isso é uma técnica de repartição de competência federativa que os §§ 3° e 4° complementam sua normatividade, estabelecendo, em primeiro lugar, que, inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para atender as suas peculiaridades, e, em segundo lugar, que a superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for contrária. Note-se bem, o constituinte foi técnico: a lei federal superveniente não revoga a lei estadual nem a derroga no aspecto contraditório, esta apenas perde sua aplicabilidade, porque fica com sua eficácia suspensa. Quer dizer, também, sendo revogada a lei federal pura e simplesmente, a lei estadual recobra sua eficácia e passa outra vez a incidir206.
204 Vitor Morais de Andrade e Renan Bueno Ferraciolli assim contextualizam a problemática: “No entanto, apesar do
referido Decreto, da mesma forma que seu antecessor, estabelecer normas para aplicação das sanções administrativas previstas na Lei n°8.078/90, muitos Estados e Municípios aplicam normas diversas para imposição das referidas sanções, sejam leis ou decretos estaduais e municipais, além de portarias ou atos normativos emitidos pelo próprio órgão responsável para imposição das sanções. [...] Diante da constatação da multiplicidade de sistematização dos processos e procedimentos para imposição de sanções administrativas com base no Código de Proteção e Defesa do Consumidor, questionamos se tal fato deve ser entendido como uma situação sadia para aplicação pontual (regional) das sanções administrativas com fundamento no CDC ou mesmo se tal situação é irrazoável, prejudicial ao desenvolvimento e fortalecimento do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.” (ENTERRIÁ, Eduardo Garcia; FERNÁNDES, Tomás-Ramon apud ANDRADE, Vitor Moraes de; FERRACIOLLI, Renan Bueno. Sanções administrativas. In: SODRÉ, Marcelo Gomes; MEIRA, Fabíola; CALDEIRA, Patrícia. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Verbatim, 2009, p.340-341)
205 ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes. Competências na Constituição de 1988. São Paulo: Atlas, 1991, p.139-148. 206 SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 33.ed. São Paulo: Malheiros, 2010, p.504.
A circunstância da Constituição Federal de 1988 estipular que à União compete legislar sobre normas gerais, diversamente do quanto possa parecer em um primeiro momento, não exclui a competência dos demais entes da federação e não é prejudicial à efetiva tutela dos consumidores. Não tivéssemos a perspicácia de regulamentar o Código de Defesa do Consumidor, a sistemática constitucional da competência legislativa concorrente supriria essa deficiência, de maneira que não há prejuízo ao tema, além da permissão para maior difusão da tutela do consumidor e da aplicação das sanções administrativas.207
207 Nesse sentido: DENARI, Zelmo. Código brasileiro de defesa do consumidor: comentado pelos autores do anteprojeto.
v.1.10.ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p.662-663; ALMEIDA, João Batista de. A proteção jurídica do
6 A REFORMATIO IN PEJUS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE