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Tezin Önemi ve Önceki ÇalıĢmalarla Kıyaslanması

1. GĠRĠġ

1.2 Tezin Önemi ve Önceki ÇalıĢmalarla Kıyaslanması

A organização das matérias em seções e o planejamento realizado através de um conselho técnico de professores criava no Instituto de Educação do Rio de Janeiro possibilidades de integração de suas Escolas, no momento em que se traçavam as diretrizes dos trabalhos a serem desenvolvidos. Estas diretrizes, no entanto, deviam tomar como parâmetro, como já dissemos, a seção de Prática de Ensino. O professor-chefe da seção de Prática de Ensino da Escola de Professores, deveria ter completo controle dos trabalhos realizados nas escolas de prática, constituindo, juntamente com os demais professores- chefe e com o Diretor da Escola de Professores, uma comissão para dirigir toda parte administrativa e técnica do Instituto de Educação.

A seção de Prática de Ensino da Escola de Professores era considerada o eixo da formação de professores primários e para onde todas as demais matérias deveriam convergir, interferindo diretamente nos trabalhos realizados na Escola Primária do Instituto de Educação. A Prática de Ensino visava fazer com que o futuro professor compreendesse tudo quanto pudesse atuar sobre as crianças, situações estas muito complexas, tais como “teor geral da classe, situação material, estado biológico das

crianças, situações psicológicas dominantes, aprendizagem anterior (...), costumes da localidade do bairro” (Lourenço Filho, 1945), e, para tal, era dividida em três períodos ao longo do segundo ano da formação de professores: de observação, de participação no ensino e de direção de classe. A seção de Prática de Ensino, no entanto, deveria estar estreitamente articulada a uma outra seção – de Matérias de Ensino – que por sua vez deveria estar articulada com as diretrizes dos programas de ensino primário da Diretoria da Instrução Pública.

A estreita relação entre as seções de Prática e de Matérias de Ensino se justificava, pois, segundo Anísio Teixeira, os principais problemas apresentados pelas escolas normais eram relativos, “todos êles, intimamente, ao problema das ‘relações entre o ensino das

matérias e a prática do ensino’”. Desta forma, uma escola normal com uma “organização

adequada e eficiente” teria seus cursos voltados para uma “unidade de fim”, que seria a preparação profissional do mestre:

“A seleção, organização e constituição dos cursos serão, profundamente modificadas, de acôrdo com a finalidade da escola. A mesma matéria, dada em uma ou outra escola, determinará cursos totalmente diferentes. A matemática, por exemplo, será uma, se a escola visar ministrar cultura geral, e muitas outras se a escola destinar-se a aparelhar alguém para as mil e uma profissões que tiverem na matemática um de seus instrumentos de trabalho. A direção e o conteúdo dos cursos profissionais de matemática serão tantos quantos essas profissões.

Temos, pois, que, se a ‘escola normal’ fôr realmente uma instituição de preparo profissional do mestre, todos os seus cursos deverão possuir o caráter específico que lhes determinará a profissão do magistério” (Anísio Teixeira. Como ajustar os ‘cursos de matérias’, 1933).

Como exposto anteriormente, a Escola de Professores do Instituto de Educação organizava suas matérias em cursos fundamentais, cursos de integração ou de aplicação e

cursos intermediários. Das três qualidades de cursos, os intermediários eram responsáveis por conferir o conteúdo profissional ao professor, isto é, deveria fornecer “o material e

conteúdo pròpriamente ditos do tipo especial de ensino, a que se destina o estudante”

(Anísio Teixeira. Como ajustar os ‘cursos de matérias’, 1933). Tratava-se da seção de Matérias de Ensino, cuja professora-chefe era Maria dos Reis Campos. A proposta das Matérias de Ensino estava em que, a matéria a ser ensinada na escola primária deveria ser estudada em suas particularidades a partir do ponto de vista de seu ensino, e, uma vez

“tendo-se em vista todos êsses elementos, o cuidado do professor deve voltar-se para articulá-lo com os demais cursos, pela unidade de orientação e pela simultaneidade do seu progresso e desenvolvimento” (Anísio Teixeira. Como ajustar os ‘cursos de matérias’, 1933). Anísio Teixeira ressalta que, uma vez os cursos integrados, “entre o chefe de

prática, os seus assistentes e os professôres de matérias, deve haver uma perfeita correspondência dos cursos de matérias com os de Prática de Ensino”.

Em se tratando da formação de professores primários, a Escola Primária do Instituto de Educação ocupava lugar fundamental na organização das seções de Prática e de Matérias de Ensino. Segundo o Decreto nº 3.810, de 19 de março de 1932, em seu artigo 56º: “Os professores assistentes das secções de Matérias de Ensino, de Prática de Ensino,

de Desenho, Artes Industriaes e Domesticas, de Musica e de Educação Physica, Recreação e Jogos serão escolhidos de entre os professores primários da Directoria de Instrucção, ou de entre professores diplomados por escolas normaes officiaes que tenham cursos especializados”. Pelo que podemos observar nos ofícios do Diretor do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, grande parte dos professores assistentes da Escola de Professores eram provenientes da Escola Primária do Instituto de Educação13. No mesmo decreto se estabelece a relação entre as Escolas de Professores e Primária do Instituto, através do professor-chefe da seção de Prática:

“Art. 16º - A secção de Pratica de Ensino, com a incumbencia de orientar a observação, participação e pratica real do ensino, terá um professor chefe e tantos professores primarios quantos forem as classes de prática.

Paragrapho unico – O professor chefe da secção de Pratica de Ensino superintenderá, tecnicamente, o Jardim de Infância e a Escola Primaria” (Distrito Federal. Decreto nº 3.810, 19/03/32).

Este artigo é regulamentado de maneira mais precisa através do Decreto nº 4.759, de 03 de abril de 1934, que estabelece ser a Diretora da Escola Primária do Instituto de Educação professora assistente da seção de prática, cargos ocupados por Orminda Isabel Marques. No entanto, há, em diversos momentos, indícios na documentação de que existia um lugar ocupado oficialmente e outro, efetivamente. Oficialmente a professora-chefe da seção de Prática de Ensino era Alfredina de Paiva e Souza, enquanto Orminda seria professora assistente. No entanto, nos ofícios do Diretor do Instituto de Educação, Alfredina é mencionada, diversas vezes, como professora assistente da seção de Matérias de Ensino, que tinha como professora-chefe Maria dos Reis Campos, não havendo menção sobre o posto de chefe da seção de Prática. Este é mencionado por Lourenço Filho num artigo publicado em 1945, onde afirma que a Diretora da Escola Primária do Instituto de Educação era também professora-chefe da seção de Prática. Apenas no ofício nº 181 de 04 de abril de 1934 – no dia seguinte à publicação do Decreto nº 4.759 – Orminda é referida

13 Os professores assistentes de Música e Educação Física, Recreação e Jogos eram indicados pelos respectivos superintendentes do Departamento de Educação.

como professora assistente.

Como professora-chefe ou assistente, Orminda Isabel Marques e outras professoras da Escola Primária do Instituto de Educação mantinham uma prática efetiva de integração das duas Escolas. Através dos ofícios do Diretor do Instituto de Educação e da Diretora da Escola Primária do mesmo, pode-se observar a movimentação das professoras primárias pela Escola de Professores e das professorandas pela Escola Primária do Instituto de Educação, seja participando da elaboração de testes em colaboração com o Serviço de Matrículas e Eficiências Escolares do Instituto de Pesquisas Educacionais, seja para elaboração de questionários e inquéritos para a seção de Prática de Ensino, seja recebendo alunas-mestres através da seção de Matérias de Ensino. No Decreto nº 3.810, esta circulação estava prevista: “Art. 17º - Os professores primarios que servirem na secção de

Pratica de Ensino acompanharão os alumnos da Escola de Professores nos periodos de observação, participação e pratica de ensino, podendo, por designação do professor chefe da secção, reger classes do Jardim de Infancia e da Escola Primaria”.

Enquanto as professoras da Escola Primária do Instituto de Educação estivessem em exercício como professoras assistentes na Escola de Professores, a Escola Primária deveria contar com substitutas para regerem turma e, para isso, a Escola Primária do Instituto de Educação deveria contar com corpo docente organizado, fato que, como veremos no terceiro capítulo, demorou a se realizar. Segundo os planos de Anísio Teixeira, os professores regentes da Escola Primária onde os alunos-mestres realizariam a Prática de Ensino deveriam estar em total harmonia com a Escola de Professores: “os professôres dos

diferentes departamentos devem ter constantes conferências com os professôres das escolas de prática para organizarem mais efetivamente a pratica das teorias e métodos ensinados” (Anísio Teixeira. Como ajustar os ‘cursos de matérias’, 1933). No entanto, até abril de 1934, temos na Escola Primária do Instituto de Educação um corpo docente desorganizado e professoras de matérias que, “capacitadas de sua deficiencia no ensino,

perturbam-se extraordinariamente, à simples entrada de alunos da Escola de Professores”

(Oficio do Diretor nº 174A, 28/04/34).

Em ofício de 26 de fevereiro de 1934, Lourenço Filho escreve ao Diretor Geral do Departamento de Educação estar a Escola de Professores “em regimen de organização,

não tendo ainda em funcionamento perfeito a Secção de Matérias de Ensino” (Oficio do Diretor nº 77, 26/02/34). Ao que se pode perceber no cruzamento de vários documentos, as professoras da Escola Primária do Instituto de Educação que passam a receber as alunas-

mestres são as professoras que trabalham também como assistentes nas seções de Matérias e de Prática de Ensino da Escola de Professores, como Nair Freire, Helena Mandroni, Alfredina Paiva, Ondina Marques, dentre outras. Com a primeira turma de alunas da Escola de Professores formada, diversas alunas diplomadas – as melhores – são chamadas a realizar estágio na Escola Primária do Instituto de Educação, com a chance de se tornarem, após o período obrigatório do estágio, professoras da Escola Primária do Instituto de Educação.

Com as exigências que recaiam sobre a Escola Primária do Instituto de Educação enquanto escola de demonstração e prática, era de se esperar a possibilidade de problemas em relação ao seu corpo docente. Lourenço Filho, ao explicar a relação da Escola Primária do Instituto de Educação e da Escola de Professores, lança a seguinte pergunta: “Como

obter tal situação, sem choques nem atritos?”, ao que responde de uma maneira bem próxima das evidências observadas em outros documentos de ser o real funcionamento das Escolas:

“Primeiramente, pela qualidade dos mestres encarregados do ensino pedagógico e da direção da ‘prática’. Depois, pela organização administrativa da própria escola de demonstração. No caso do Instituto de Educação do Distrito Federal, a direção dessa escola cabia à professôra-chefe da Seção de Prática de Ensino. Suas assistentes, eram professôras escolhidas mediante rodízio, entre regentes das próprias classes primárias. Além dos trabalhos regulares de coordenação, a cargo da professôra-chefe, tôdas assistiam à aulas das diferentes disciplinas teóricas, (biologia, psicologia, sociologia, matérias de ensino) discutindo-lhes os princípios expostos e as normas conseqüentes a adotar. Dêsse modo, ficava assegurada a coordenação geral dos trabalhos, pelos docentes” (Lourenço Filho, 1945, p. 39 – grifo no original).

A essa explicação, Lourenço Filho soma outra, esclarecendo não estar tratando de situações ideais:

“Há de a prática ser entregue, então, a super-educadores, figuras com tão alta e completa preparação?... Não, porque isso não seria possível. O que haverá de buscar-se, para êsse efeito, é um ambiente total nas escolas de preparação de professôres, um clima de entendimento e coordenação, harmonia de elementos de estudo e de situações, que se solidarizem e encaminhem as oportunidades que levam a viver, em cada aluno-mestre, uma personalidade esclarecida, confiante, capaz de auto-crítica, de sensibilidade em face das reações dos alunos – de capacidade criadora, enfim”

Em carta de Lourenço Filho a Orminda Isabel Marques, de 04 de outubro de 1938 – momento em que o Instituto de Educação não mais conta com a presença dos missivistas – Lourenço Filho atribui a Orminda o trabalho de integração das Escolas Primária e de Professores:

“Desculpe-me êste ar conselheiral, que me advém da circunstância de ter tido, mais diretamente as responsabilidades do Instituto, por tanto tempo, e a franqueza em dizer-lhe isto tudo a que me habituou o ambiente de perfeita comunhão de idéias e de sentimentos reinantes no Instituto. Para êsse ambiente, a Sra concorreu sempre, e muito. Um dia talvez se trace a história do Instituto e, nela, ver-se- à, então, que a ação do diretor foi muito pequena.

A Sra concorreu muito com o seu exemplo, de estar sempre pronta a reestudar cada caso; de dar de si antes de pensar em si própria; de submeter as suas próprias idéias e convicções à experiência, ao juizo objetivo da realidade. A integração da Escola Primária à Escola de Educação, pela Secção de Prática, foi obra integralmente sua. Minha atuação foi apenas a de sugerir, num ou noutro caso, não a de realizar, e realizar era o que importava”

(Lourenço Filho. Carta-resposta à Orminda, 04/10/1938).