2. MATERYAL VE YÖNTEM
2.4 Otomotivde Boya ĠĢlemi
2.4.2 Otomotivde boya kusurları
2.4.2.1 Nem kabarcıkları
No artigo “O Instituto de Educação no ano de 1936”, publicado nos Arquivos do Instituto de Educação de 193721, Lourenço Filho, destaca o Instituto de Educação do Rio de Janeiro como um “centro de documentação e pesquisa”, referindo-se à legislação em
vigor. Esta legislação, no entanto, não é Decreto 3.810, de 19 de março de 1932, que criou o Instituto de Educação do Rio de Janeiro, mas sim o Decreto 5.513, de 04 de abril de 1935, que institui a Universidade do Distrito Federal na cidade do Rio de Janeiro. Neste Decreto, em seu artigo 4º, o Instituto de Educação do Rio de Janeiro tem por fim “prover á
formação do magistério e concorrer, como centro de documentação e pesquiza, para formação de uma cultura pedagógica nacional”, ficando diretamente incorporado à UDF pela Escola de Educação (então Escola de Professores)22. No Decreto 5.513 não há explicações sobre o sentido atribuído a esta finalidade do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, mas podemos buscá-las nas palavras de Anísio Teixeira em seu discurso de inauguração da Escola de Professores, em 1932, no artigo “O Instituto de Educação no último triênio”, publicado sem autoria nos Arquivos do Instituto de Educação de 193623, e no artigo “O Instituto de Educação no ano de 1936”, não assinado, com autoria de Lourenço Filho no período posterior à saída de Anísio Teixeira da Diretoria Geral de Instrução Pública. No discurso de inauguração da Escola de Professores do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, Anísio Teixeira profere as seguintes palavras:
“Essa escola de professores não tem, assim, pretensão sinão de ser uma escola profissional, em que se preparem os mestres fazendo-os aprender e praticar directamente as materias que irão ensinar (...). Ao lado dessa escola de preparação de mestres ou sobre ella, poderá amanhã erguer-se o centro de pesquizas educacionaes, onde a nossa vontade tão nacional de fazer sciencia, quando não
21 Ao compararmos o texto do artigo “O Instituto de Educação no ano de 1936” com o do relatório escrito por Lourenço Filho e enviado ao reitor da UDF em março de 1937, verificamos que o artigo é uma versão com poucas modificações do relatório, como nos indica a nota de rodapé
“Excerptos do Relatório referente ao ano letivo de 1936, apresentado ao Exmo Prof. Dr. Affonso Penna Junior, D.D. Reitor da Universidade do Distrito Federal, pelo Prof. M. Bergström Lourenço Filho, diretor do Instituto de Educação”. Este relatório encontra-se no Arquivo Lourenço
Filho/CPDOC. Lourenço Filho, M. Bergström. Relatório relativo ao ano letivo de 1936. Distrito Federal, março de 1937. LF t Inst. Educ., pasta II.
22 Vale lembrar que as desavenças entre Anísio Teixeira e Lourenço Filho ganham visibilidade com as Instruções nº 1, baixadas por Anísio para regulamentar o funcionamento do Decreto 5.513. O Decreto em si não se constituía como um problema para Lourenço Filho.
23 Conforme explicado anteriormente, este artigo é uma versão modificada de um texto de Venâncio Filho, anteriormente publicado nos Arquivos do Instituto de Educação, sem assinatura Filho (ver nota de rodapé nº 1, deste capítulo).
conhecemos, ainda siquer, a que se acha feita no estrangeiro, de poderá exercitar com proveito.
Isso, porém, não importa em julgar que o futuro professor primário do Districto Federal tenha que ser uma pessoa dada a pesquizas scientificas. Com o elevarmos o nivel de seu preparo, queremos, bem certo, dar-lhe a attitude scientifica, isto é, de experimentação, de ensaio em relação á ideias e theorias e de respeito em relação aos factos comprovados, mas queremos, sobretudo, que elle saiba melhor e mais seguramente como executar o singelo programma da escola primaria, tão difficil, na sua singeleza, de ser realmente ensinado” (Anísio Teixeira. Discurso proferido, 1932).
No artigo “O Instituto de Educação no último triênio”, de 1936, são feitas referências ao artigo 4º do Decreto 5.513, com a seguinte justificativa: “nesse sentido, a
administração está providenciando para que, sem aumento de despesas, se desenvolvam os trabalhos de investigação e pesquizas, já existentes, considerados necessários ao próprio ritmo do ensino” (O Instituto de Educação, 1936, p. 156).
Por fim, Lourenço Filho, em 1937, no artigo não assinado “O Instituto de Educação no ano de 1936”, anuncia que esta obrigação vinha sendo cumprida não só pelo corpo docente como também pelas alunas da Escola de Professores:
“No correr do ano de 1936, foram realizadas pesquisas relativas ao ensino de aritmética, nos vários gráus da escola primária; aos conhecimentos de cálculo e linguagem, nas crianças pela primeira vez matriculados nesta escola; à velocidade da leitura corrente, e sua correlação com a idade e graduação escolar; à velocidade e qualidade da caligrafia; à aprendizagem do rítmo pelas crianças de 4 a 6 anos, com freqüência no Jardim de Infância; à aplicação de testes motivados, na Escola de Educação e na Escola Secundária”
(O Instituto de Educação, 1937, p. 279).
É interessante observarmos a quantidade de pesquisas desenvolvidas no âmbito do Instituto de Educação do Rio de Janeiro por alunos e professores, mas é preciso destacar que, além das pesquisas de fato se realizarem por ser a investigação estimulada em todos os níveis de ensino oferecidos pelo Instituto de Educação, eram também ampla e estrategicamente divulgadas pela revista do mesmo. O centro de pesquisas educacionais idealizado por Anísio Teixeira e por ele anunciado na inauguração da Escola de Professores, na contracorrente das contrariedades em que vão se tornando visíveis no âmbito do Instituto de Educação, é oficialmente estabelecido em 1935, com a criação da
UDF, e consolida-se ao longo do período de reconfiguração de forças no cenário educacional tanto do Distrito Federal quanto em âmbito nacional. Ao acompanharmos os três primeiros números da revista Arquivos do Instituto de Educação, recheada de artigos produzidos pelo próprio corpo docente do Instituto, vemos o discurso de Anísio Teixeira materializar-se, porém, no completo apagamento do próprio Anísio. Os artigos “O Instituto de Educação no último triênio” e “O Instituto de Educação no ano de 1936” não são assinados, mas no primeiro há referência ao discurso do prefeito Cônego Olympio de Mello em nota de rodapé; e no segundo, também em nota de rodapé, ao relatório de Lourenço Filho enquanto diretor do Instituto de Educação. Estes são os atores possíveis – não necessariamente os autores – para a obra de realização que se anuncia nos Arquivos do Instituto de Educação. Vale ressaltar, também, que o próprio nome da revista torna-se sugestivo neste cenário de criação e consolidação de um “centro de documentação e
pesquiza, para formação de uma cultura pedagógica nacional”: Arquivos do Instituto de Educação24.
Lourenço Filho, em relatório do Instituto de Pesquisas Educacionais de 1936, assinando como diretor do mesmo, ressalta sua concepção de pesquisa para a formação de professores primários, aproximando-se daquela apontada por Anísio Teixeira em seu discurso de 1932:
“Será preciso ter em conta, igualmente, que o termo ‘pesquisa’ não é aqui aplicado com um sentido esotérico, em que só iniciados possam penetrar, mas com referência a todas aquelas investigações, que nos permitam julgar, com discernimento, do valor e eficiência do ensino, e de suas condições favoráveis ou desfavoráveis. Cada circunscrição, cada escola, e a rigor, cada classe poderá e deverá fazer as suas pesquisas, chegar às suas próprias conclusões. Havendo controle e medida do trabalho, com anotações das condições em que é feito, ha possibilidade de estabelecer relações entre essas condições e os resultados. Porque pesquisa não é outra coisa” (Lourenço Filho. Relatório do diretor do IPE,04/03/1936).
24 Segundo Lopes (2003), “o próprio nome escolhido para o periódico – Arquivos – demonstra com
clareza os objetivos perseguidos pelo seu criador [Lourenço Filho], pois embora pertencendo ao domínio da materialidade – um arquivo, aparentemente simples registro de dados –, esse tipo de suporte penetra também no terreno do simbólico e do funcional, uma vez que se propõe a marcar o ‘seu tempo’ como revolucionário, adotando um tipo de linguagem e práticas específicas de um determinado grupo, autor de um projeto para a nação através da educação renovada” (p. 91-92).
Vale ressaltar que o Instituto de Educação da Universidade de São Paulo também possuía uma revista com o nome Arquivos do Instituto de Educação. Esta, segundo Evangelista (2002), teve quatro números publicados entre 1935 e 1937, contendo artigos produzidos predominantemente pelos docentes do próprio Instituto. As exceções cabiam a artigos de professores estrangeiros ligados à USP. Para um estudo detalhado do Instituto de Educação de São Paulo, criado em 1933 por Fernando de Azevedo, e incorporado à Universidade de São Paulo em 1934, sugiro leitura de Evangelista (2002).
A partir das palavras de Lourenço Filho e do artigo “O Instituto de Educação no último triênio”, podemos compreender, em parte, a insistência estratégica do sentido do Instituto de Educação do Rio de Janeiro se constituir como centro de documentação e pesquisa: a importância da pesquisa no âmbito de um instituto responsável pela formação renovada dos professores primários – não apenas do Distrito Federal – para o aprimoramento do ensino, sem que haja a necessidade do professor se transformar num pesquisador stricto sensu, ou, nas palavras de Lourenço Filho, num pesquisador em
“sentido esoterico”.
Conforme já apontado anteriormente em citação, o Instituto de Educação desenvolvera uma série de pesquisas no período entre 1932 e 1936. Darei um breve destaque a quatro destas pesquisas, por manterem uma relação estreita com a Escola Primária do Instituto de Educação e por exemplificarem bem a relação da pesquisa com o processo educativo.
Em artigo de Alfredina de Paiva e Souza25 sobre “O ensino da matemática no curso
primário – adição e subtração”, de 1936, a pesquisa sobre as principais dificuldades dos alunos do Distrito Federal em adição e subtração é descrita detalhadamente. Ao todo, foram examinadas crianças de sessenta e duas turmas de escolas situadas em bairros diferentes, “a fim de obter resultados que, de modo mais completo, correspondessem às
condições gerais das crianças do Distrito Federal” (Souza, 1936, p. 182). As escolas onde a pesquisa foi realizada são as seguintes: “Escola Elementar do Instituto de Educação;
Escola Honduras; Escola 11-5; Escola 11-9; Escola Pré-Vocacional Ferreira Vianna; Escola Conde de Agrolongo; Escola Gonçalves Dias; Escola Nilo Peçanha; Escola Estácio de Sá; Escola Francisco Cabrita; Escola Rio de Janeiro”. Em suas conclusões, Alfredina de Paiva e Souza diz que o ensino de matemática nas escolas, de uma maneira geral, carece de mais treino e sistematização dos estudos, e levanta a seguinte questão:
“verificar até que ponto a escassez do tempo destinado no horário às aulas de matemática, o problema da homogeneização das turmas, os processos didáticos, em geral, a falta de material, de treino sistemático, e a especialização do ensino estejam influindo na situação encontrada” (p. 222).
25 No artigo em questão, Alfredina é apresentada como Assistente da Seção de Matérias de Ensino da Escola de Professores do Instituto de Educação; mas, de acordo com os Arquivos do Inst. Educ, v. 1, n. 1, 1934 e Arquivos do Inst. Educ, v. 1, n. 3, 1937, Alfredina é também professora-chefe da Seção de Prática de Ensino. Na parte 2.4, deste capítulo apresentamos a confusão entre o cargo de professor-chefe da seção de Prática de Ensino assumido oficialmente por Alfredina, e efetivamente por Orminda Isabel Marques.
Podemos observar também a pesquisa sobre “A alimentação dos escolares”, de 1934, realizada pela aluna da Escola de Professores como tema de exame na seção de Biologia Educacional, Maria José Pegado Cahet. Segundo Maria José, sua pesquisa justifica-se não só pelo ponto de vista da Biologia Educacional, mas também pelas questões sociais: verificar as deficiências e os erros alimentares e divulgar “o número de
refeições aconselhado pela higiene alimentar”, com os intervalos necessários “para que se
faça uma boa digestão” e se mantenha “um bom estado geral de saúde” dentro de um
“horário compatível com o nosso clima tropical” (Cahet, 1934, p. 140). Esta pesquisa fora realizada nas escolas Pareto, Prudente de Morais, Celestino Silva e na Escola Primária do Instituto de Educação.
Em sua pesquisa, Maria José Pegado Cahet analisa a relação da merenda escolar com o desempenho escolar das crianças. Aos alunos do turno da manhã de todas as escolas era oferecida uma refeição de leite, pão com manteiga ou doce às 10 horas; o turno da tarde não oferecia merenda. A justificativa para a merenda na parte da manhã refere-se à eficiência do escolar: “parece, e nisso quasi não temos objeções a fazer, que o trabalho
escolar não teria, até certo ponto, a eficiência esperada pelos professores, se essa merenda não viesse recompor as energias despendidas pelas crianças, no decorrer do trabalho escolar”. Já no turno da tarde, Maria José registra o horário para o lanche com uma variação entre 14 e 17 horas, argumentando que “o horário da escola faz que a hora
do lanche seja função do mesmo”, apesar das escolas não servirem merenda. A variação entre 14 e 17 horas nos mostra, também, uma não regularidade entre os horários e intervalos de aula de uma escola para outra. Na Escola Primária do Instituto, o lanche da tarde é realizado entre 14 e 15 horas. Em relação à qualidade das refeições, nenhuma observação específica consta sobre cada escola particularmente, exceto sobre a Escola Pareto, que serve um copo de leite diariamente.
Outra pesquisa que vale ser destacada, publicada em artigo intitulado “Como melhorar a freqüência de nossas escolas”, é de Ondina Marques, assistente da Seção de Prática de Ensino da Escola de Professores. Nesta pesquisa encontramos referência não só ao número de escolas insuficiente para a população infantil do Rio de Janeiro, mas à precária freqüência nas mesmas:
“Pelos dados estatísticos publicados pelo Sr. Diretor Geral do Departamento de Educação, em seu relatório de 1932, sabe-se que, das 196.000 crianças em idade escolar, existentes no Distrito Federal, apenas 85.000 têm escolas para freqüentar, isto é, menos
de 45%. E êsse fato se tornará ainda mais grave, se lhe juntarmos uma simples observação feita em nossos mapas estatísticos: dos alunos matriculados em nossas escolas, pouco mais de 65% as freqüentam regularmente” (Marques, Ondina, 1934, p. 91).
Além da precariedade quantitativa de escolas, Ondina Marques aponta o baixo rendimento escolar ocasionado pela baixa freqüência, lamentando num tom crítico: “não
basta, pelas diretrizes que as vão orientando atualmente, que elas possam fornecer a poucos indivíduos ‘os meios para participar plenamente da vida social e econômica da civilização moderna’”26. Para Ondina, de nada adianta crianças matriculadas nas escolas, se os matriculados não a freqüentam. Ao longo de seu artigo, Ondina apresenta propostas para a melhoria da freqüência escolar27.
Por fim, em artigo de Orminda Isabel Marques28 sobre a “Contribuição para o ensino da escrita nas escolas primárias”, de 1934, são realizados estudos comparativos sobre o ensino da caligrafia na Escola Primária do Instituto e em três escolas municipais cujos nomes não são divulgados. Orminda Isabel Marques, então diretora da Escola Primária do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e assistente da Seção de Prática de Ensino da Escola de Professores, destaca a importância da caligrafia como um modo de socialização e lamenta que as crianças “de hoje” escrevam muito “peior que dantes”. Orminda Isabel Marques afirma ser a boa escrita uma prática imprescindível à vida moderna, que exige a combinação da eficiência com a rapidez, além do aprimoramento estético, “precioso à educação sentimental”, mas que vem encontrando problemas:
“A civilização apressada, a mudança rápida que tudo atingiu, trouxe-nos o ‘corre-corre’ da vida moderna. Mais ainda: o progresso da humanidade, seus inventos, os novos meios mecânicos da escrita, como a tipografia, a máquina de escrever, representam, por certo, das principais, entre as mais importantes, das causas da decadência da bôa escrita” (Marques, Orminda Isabel, 1934, p. 57).
“Ganhar tempo”, “leitura fácil e rápida”, “uniformidade na inclinação, nas
ligações e nos espaçamentos”, atender à “crescente solicitação de eficiência”,
“diagnosticar as dificuldades individuais”, desenvolver a relação entre o “ajustamento
26 O trecho grifado refere-se a uma citação de Anísio Teixeira presente no texto de Ondina Marques.
27 As sugestões de Ondina serão abordadas no terceiro capítulo.
28 Segundo Accácio (1993), apesar das semelhanças de nome entre Ondina Marques e Orminda Isabel Marques, não há qualquer parentesco entre as duas.
correto do corpo e a produção eficiente da escrita”, “disciplina mental”, são algumas das justificativas oferecidas por Orminda sobre a importância do treino de caligrafia nas escolas primárias. Na publicação de sua pesquisa, Orminda Isabel Marques descreve e analisa o inquérito que realizou em algumas escolas primárias do Distrito Federal, especificamente sobre caligrafia, tornando visível não só a prática do exercício da caligrafia nestas escolas, como também ressaltando sua importância para a formação das crianças29.
Minha intenção ao expor resumidamente estas quatro pesquisas realizadas no âmbito do Instituto de Educação, é dar destaque à prática de pesquisa das personagens que por ali circulam. Alfredina de Paiva e Souza é, oficialmente, professora-chefe da Seção de Prática de Ensino da Escola de Professores do Instituto de Educação e Assistente da Seção de Matérias de Ensino; Orminda Isabel Marques é professora assistente da Seção de Prática de Ensino e Diretora da Escola Primária do Instituto; Ondina Marques, professora assistente da Seção de Prática de Ensino. Aos professores que ocupavam função nas seção de Prática de Ensino e de matérias de Ensino da Escola de Professores cabia a responsabilidade de delinear “a marcha geral do ensino” na Escola Primária do Instituto de Educação, com uma “séria unidade de objetivos” e uma “perfeita correspondência de
ações” (Anísio Teixeira. Como ajustar os ‘cursos de matérias’, 1933). E, além disso, as três professoras citadas, mais Maria José Pegado Cahet, aluna da Escola de Professores, vivenciavam o dia-a-dia da formação de professores e o cotidiano da Escola Primária do Instituto; pesquisavam e acreditavam nos novos métodos de ensino e de formação, como podemos verificar analisando a própria continuidade dos artigos; e mais, eram professoras (e uma professoranda) como as que se pretendia formar: com capacidade de reflexão sobre a realidade educacional que as cercava, professoras que articulavam teoria e prática da maneira que se buscava com a formação oferecida no Instituto. Seus relatos de pesquisa, portanto, não trazem apenas questões específicas sobre cálculo, merenda escolar, freqüência e caligrafia, mas o fazem resgatando a realidade escolar do Distrito Federal: oferecem propostas de melhoria pautadas em argumentos sólidos advindos de estudos e pesquisas desenvolvidas no âmbito do próprio Instituto de Educação e publicadas em sua revista – Arquivos do Instituto de Educação –, que trazia como finalidade “registrar e
divulgar trabalhos e investigações sobre ensino e organização escolar, realizados no Instituto de Educação, do Rio de Janeiro, Brasil” (O Instituto de Educação, 1936).
29 Vidal (2000a) analisa as novas práticas escolares da escrita nos anos 20 e 30, dando especial ênfase às pesquisas sobre caligrafia muscular desenvolvidas por Orminda Isabel Marques.
* * *
Em artigo publicado nos Arquivos do Instituto de Educação, Francisco Venâncio Filho faz um balanço dos resultados do trabalho realizado pelo Instituto em seus últimos 15 anos, enfatizando o foco de irradiação que se constituiu o Instituto de Educação do Rio de Janeiro30:
“Nos seus quinze anos completos de funcionamento, o Instituto já pode apresentar resultados tangíveis do seu trabalho. Em 1934 formou a sua primeira turma de professôres, nos moldes de nível universitário, dando-lhes não só base cultural mais segura, como atitude profissional mais compatível com os deveres a cumprir.
Os cursos de aperfeiçoamento do pessoal docente, já formado, irradiando o espírito novo que o anima, são também resultados indiscutíveis.
Dois Estados da Federação, São Paulo e Pernambuco, remodelaram o seu ensino normal segundo as mesmas diretrizes do Instituto, o que mostra como o sistema foi bem acolhido e poderá a pouco e pouco generalizar-se no país, elevando assim o nível de formação do magistério.
Outros Estados procuram seguir aproximadamente os mesmos rumos, no ensino normal.
Por outro lado têm acorrido para os cursos extraordinários de aperfeiçoamento, professôres de vários Estados, como Baía, Ceará, Maranhão.
Em 1934 o Instituto iniciou a publicação dos seus Arquivos destinados a divulgar os ensaios e as pesquisas realizadas, o que será um outro meio de irradiação das duas experiências e dos seus trabalhos.
O Instituto de Educação do Distrito Federal constitui hoje, o foco mais intenso de ação e irradiação do movimento educacional e um dos padrões mais elevados de cultura do Brasil” (Venâncio Filho, 1945, p. 31).
O retorno da publicação dos Arquivos do Instituto de Educação datada de dezembro de 1945, após um grande intervalo em relação aos três primeiros números – 1934, 1936 e