B. PERAŞALAR
1. Tevrat’ın Bölümleri: 54 Peraşa
Questão que vem à tona quando se estuda os procedimentos relativos à repercussão geral e ao julgamento de recursos especiais repetitivos, refere-se à superação dos precedentes vinculantes formados no âmbito de mencionados institutos. Como é a sistemática a ser seguida e quais os seus efeitos?
A simples leitura dos arts. 543-A, 543-B e 543-C, que disciplinam as matérias ora analisadas, nos faz perceber que o legislador omitiu-se acerca dessa temática. Ora, a única menção a respeito de “revisão de tese” foi feita no § 5º, do art. 543-A, que assim dispõe: “negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para
223 Lembre-se que, como já demonstrado, o precedente é sempre uma decisão relativa a um caso
particular, capaz de solucionar não só este caso específico, mas também os casos sucessivos, de modo que a decisão sobre o caso precedente seja universalizável.
todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”.
Referido dispositivo, nada diz. Sua dicção não permite inferir qualquer regra a ser observada no momento em que for necessária a revisão da tese formada no âmbito da repercussão geral. A consulta ao Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal também não é de grande valia. Nenhuma disposição relativa a esse assunto é encontrada, a não ser uma única norma – o art. 327224 – que também nada diz a respeito do procedimento a ser adotado nas hipóteses em que deve haver a superação do precedente vinculante antes estabelecido.
No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a situação é a mesma. O Código de Processo Civil não disciplina a questão e o seu Regimento Interno igualmente não cuida de regulá-la.
Essa situação é bastante preocupante, tendo em vista a necessidade que o direito tem de evoluir, conforme as modificações da sociedade. Embora, como já se observou, as alterações no âmbito social não se deem de maneira abrupta, haverá casos em que o entendimento conferido pelo Poder Judiciário a de determinada questão jurídica deverá refletir os novos anseios da sociedade, o que implicará a necessária alteração da orientação antes fixada. “As constantes mutações sociais podem, hipoteticamente, tornar relevante e transcendente uma matéria constitucional que em uma determinada época não o era, passando, pois, a questão a ter repercussão geral e a viabilizar a admissão do recurso extraordinário”225.
Igualmente, as alterações sociais podem implicar na modificação de orientação firmada por anterior julgamento de recurso representativo da controvérsia. Portanto, de extrema importância se mostra a regulamentação, por parte dos legisladores, acerca da superação dos precedentes formados no âmbito da repercussão geral e do julgamento de recursos especiais repetitivos.
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“Art. 327. A Presidência do Tribunal recusará recursos que não apresentem preliminar formal e fundamentada de repercussão geral, bem como aqueles cuja matéria carecer de repercussão geral, segundo precedente do Tribunal, salvo se a tese tiver sido revista ou estiver em procedimento de revisão.”
225 LIMA. Tiago Asfor Rocha.
Essa necessidade ganha ainda maior força quando se pensa na eficácia temporal que se deve conferir ao julgamento que revoga o precedente antes firmado. Isto porque, inúmeras situações jurídicas estabelecidas sob aquele antigo entendimento podem restar desestabilizadas, a depender da eficácia ex tunc ou ex nunc confiada à decisão proferida nesse novo julgamento.
Diante do quadro apresentado, entendemos que, enquanto não houver disciplina sobre a matéria, devem-se aplicar, analogicamente, dispositivos dos respectivos Regimentos Internos das Cortes Superiores. Sendo assim, no caso de superação do precedente vinculante formado no âmbito da repercussão geral, aplicável se mostra a regra do art. 103 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal226, que assim dispõe: “qualquer dos Ministros pode propor a revisão da jurisprudência assentada em matéria constitucional e da compendiada na Súmula, procedendo-se ao sobrestamento do feito, se necessário”. Já no caso de superação
de precedente formado em sede de julgamento de recursos especiais repetitivos, deve-se utilizar “as disposições do art. 125, caput e parágrafos, do Regimento Interno do STJ, que cuidam da revisão dos enunciados sumulares”227.
Não se pode perder de vista, no entanto, que, em qualquer dos casos, a superação de precedentes vinculantes somente restará autorizada diante da manifestação dos jurisdicionados. É dizer, somente se houver uma quantidade significativa de novos recursos excepcionais veiculando novos argumentos, é que se
justificará a revogação do precedente vinculante em questão. Do contrário, deve-se manter estabilizado o entendimento sedimentado na Corte Superior, com vistas à promoção da segurança jurídica.
No que tange à eficácia da decisão proferida no julgamento que revoga o precedente anterior, nosso posicionamento é no sentido de que deve atingir tão somente os casos futuros, ou seja, deve ser ex nunc. Do contrário, haveria grave
ofensa não só à segurança jurídica, com também ao art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, segundo o qual “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
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Idem ibidem. p. 294.
227 LIMA. Tiago Asfor Rocha.
perfeito e a coisa julgada”228. Bem por isso, entendemos, ainda, pela impossibilidade
de se manejar ação rescisória com o objetivo de desconstituir a coisa julgada em virtude da nova orientação firmada pela Corte Superior, tendo em vista que a decisão que se pretenderia rescindir estava, à época, de acordo com a jurisprudência então pacificada. Situação diversa, que autorizaria o ajuizamento da ação rescisória, seria a hipótese de trânsito em julgado de decisão contrária à atual orientação firmada pelas Cortes Superiores229.
228 Nesse sentido, também é o entendimento de Thiago Asfor Rocha Lima:
“Deve, pois, o Superior Tribunal de Justiça atentar para os casos já julgados e ainda para aqueles jurisdicionados (pessoas físicas, jurídicas, entes despersonalizados etc.) que adequaram seu modo de ser à própria orientação da Corte, por depositarem confiança no Direito jurisprudencial ali sedimentado.
A mudança desavisada e repentina da jurisprudência consolidada num tribunal impacta grosseiramente contra a segurança jurídica, despreza a confiança depositada pelo jurisdicionado, produz instabilidade no sistema, ignora o princípio da irretroatividade do Direito, faz descaso da boa- fé, base das relações entre Estado e indivíduo, e, em última medida, abala as estruturas do Estado de Direito.
Isso explica, racionalmente, a necessidade de a Corte, ao rever entendimento por ela consolidado, comportar-se coerentemente e apresentar solução que alcance aqueles jurisdicionados que padronizaram suas ações em conformidade com a orientação pretoriana.
A eficácia pro futuro ou ex nunc é, pois, medida que se impõe, a depender do caso concreto, mediante o qual os julgadores têm o dever de sopesar os valores em conflito, inclusive para, se for o caso, adiar a entrada em vigor do novo entendimento” (Idem ibidem. p. 321).
229 Nesse sentido, inclusive, já se posicionou o Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL.
AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA RESCINDENDA. JULGAMENTO CONTRÁRIO A
ENTENDIMENTO SUMULADO NO STJ (SÚMULA N. 289). DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL SUPERADO. SÚMULA N. 343/STF. NÃO INCIDÊNCIA.
SEGURANÇA JURÍDICA. UNIFORMIDADE E PREVISIBILIDADE DA PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL. NECESSIDADE.
1. A principiologia subjacente à Súmula n. 343/STF é consentânea com o propósito de estabilização das relações sociais e, mediante a acomodação da jurisprudência, rende homenagens diretas à segurança jurídica, a qual é progressivamente corroída quando a coisa julgada é relativizada.
2. Porém, o desalinho da jurisprudência - sobretudo o deliberado, recalcitrante e, quando menos, vaidoso - também atenta, no mínimo, contra três valores fundamentais do Estado Democrático de Direito: a) segurança jurídica, b) isonomia e c) efetividade da prestação jurisdicional.
3. A Súmula n. 343/STF teve como escopo a estabilização da jurisprudência daquela Corte contra oscilações em sua composição, para que entendimentos firmados de forma majoritária não sofressem investidas de teses contrárias em maiorias episódicas, antes vencidas. Com essa providência, protege-se, a todas as luzes, a segurança jurídica em sua vertente judiciária, conferindo-se previsibilidade e estabilidade aos pronunciamentos da Corte.
4. Todavia, definitivamente, não constitui propósito do mencionado verbete a chancela da rebeldia judiciária. A solução oposta, a pretexto de não eternizar litígios, perpetuaria injustiças e, muito pelo contrário, depõe exatamente contra a segurança jurídica, por reverenciar uma prestação jurisdicional imprevisível, não isonômica e de baixa efetividade.
5. Assim, a Súmula n. 343/STF não obsta o ajuizamento de ação rescisória quando, muito embora tenha havido dissídio jurisprudencial no passado sobre o tema, a sentença rescindenda foi proferida já sob a égide de súmula do STJ que superou o mencionado dissenso e se firmou em sentido contrário ao que se decidiu na sentença primeva.
4.4.4. Finalidades da Técnica de Julgamento de Recursos Excepcionais