6. TESİS PLANLAMA
6.2. Tesis Planlamada Kullanılan Teknikler
As dimensões que remetem ao sentido de estesia não destituem as precedentes, que são a manipulação e a programação, mas complementam o rigor da disciplina. De forma que, da ordem do inteligível e cognitivo, os regimes de manipulação e de programação
60. Tratam-se dos estudos que sucederam à publicação de “Da Imperfeição”, a última obra de Greimas, e a partir da qual, as investigações sociossemióticas incursionaram na dimensão do sensível na significação, a exemplo de “Do inteligível ao sensível” e de “Passions sans nom”.
61. Concerne a um registro em forma de apontamento, à explicação verbal do Prof. Dr. Eric Landowski, por ocasião do Seminário de Estudos Avançados, do curso de Comunicação e Semiótica, “Por uma semiótica da interação”, realizado no dia 03 de outubro de 2005, no prédio da Cogeae, da PUC, SP.
88 tratam da junção, a qual se estabelece entre dois sujeitos e um objeto de valor, que vai decorrer no estado de conjunção, determinado pelo sujeito que está junto do objeto de valor, ou no estado de disjunção, quando o sujeito está disjunto do objeto de valor. Em contrapartida, merece ser considerada uma dimensão estésica sensível, na qual o que se vê transformar é a relação do sentir do outro, que se estende aos regimes de ajustamento e de acidente, os quais tratam da união e conclamam dois actantes.
Trata-se, pois, de uma proposição de Landowski, que m apresenta um esquema lógico, no qual dispõe os quatro regimes e as categorias que os definem. A saber: programação, manipulação, acidente e ajustamento; categorizados em: continuidade / descontinuidade, inteligível / sensível, segurança / aventura, nas dêixes positiva e negativa respectivamente.
O regime de manipulação é marcado pela descontinuidade e pressupõe a intencionalidade e dois papéis actanciais, a do actante manipulador, que irá transformar e, a do actante manipulado, que sofrerá a transformação, portanto, da competência cognitiva. O programa narrativo da manipulação é modalizador, ou seja, um sujeito modaliza um outro sujeito, a fim de torná-lo competente para fazer, o que requer a performance do sujeito manipulado e implica num objeto de valor.
A manipulação pode ser articulada a partir do sistema de valores no qual o destinatário está inserido, ou seja, trata-se de reconhecer a capacidade cognitiva do destinatário; sempre se cria uma situação “virtual”, na qual o manipulado é “convidado” a reavaliar seus valores. A razão de manipular não é outra, senão a de desviar o sujeito daquilo para o qual ele está programado e a significação mais profunda da manipulação é a avaliação e a reavaliação dos valores, ou seja, o valor do valor.
Na revista “NOVA”, um enunciador-manipulador, cujo tipo de manipulação se dá pela sedução, atribui existência modal e doa competência modal a um enunciatário- manipulado. A título de exemplo, em “Técnicas eficientes para combater os elementos que envelhecem e enfeiam você”, o dever-fazer e o querer-fazer são modalidades virtualizantes que instauram o sujeito, a enunciatária de “NOVA”, que não deseja ser vista como velha e feia. Em contrapartida, o saber-fazer e poder-fazer, são modalidades atualizantes do sujeito operador, da enunciadora de “NOVA”, pois a qualificam para a ação, ou seja, ela pode transformar a enunciatária numa mulher jovem e bonita, uma vez que, detém o conhecimento e pode informar sobre as “técnicas eficientes”. A juventude e a beleza constituem objeto de valor para a enunciatária.
89 No que concerne à semântica narrativa, Barros diz que:
“No percurso gerativo, a semântica narrativa é o momento em que os elementos semânticos são selecionados e relacionados com os sujeitos. Para isso esses elementos inscrevem-se como valores, nos objetos, no interior dos enunciados de estado. (...) As relações do sujeito com os valores podem ser modificadas por determinações modais. (...) Do mesmo modo, a relação do sujeito com o seu fazer sofre qualificações modais. A modalização de enunciados de estado é também denominada modalização do ser e atribui existência modal ao sujeito de estado. A modalização de enunciados do fazer é, por sua vez, responsável pela competência modal do sujeito do fazer, por sua qualificação para a ação... (...) Tanto para a modalização do ser quanto do para a do fazer, a semiótica prevê essencialmente quatro modalidades: o querer, o dever, o poder e o saber.”62
Os objetos modais, o saber e o poder fazer, estão marcados nos textos verbais e são reiterados pelo simulacro feminino da capa. Observa-se que, “NOVA” é uma mulher que tem conhecimento de todos os conflitos da enunciatária, assim como, também conhece as pessoas capazes de solucionar esses conflitos. De forma que, o que ela não sabe, ela sabe quem sabe, portanto, ela pode. Essa competência é observada na delegação de vozes na enunciação, a exemplo de: “Consulta com Roberto Shinyashiki. 50 conflitos de trabalho apaziguados. Como vencer as injustiças, a estagnação profissional, a puxação de tapete, a overdose de tarefas, o medo de mudar, a falta de perspectiva...”, ou, ao enunciar que: “Aqui tem emprego! 1000 oportunidades em todo o Brasil, com nome e e-mail do seu futuro chefe. Uma é sua”, a mulher “NOVA” sabe onde há disponibilidade de empregos e, ainda mais, ela sabe e pode fornecer o endereço eletrônico do futuro chefe da enunciatária, bem como, garantir à enunciatária uma dessas oportunidades. Os textos com depoimentos instauram um sujeito que, por pressuposição, esteve num estado de disjunção com o objeto de valor e, após uma transformação passou a um estado de junção. Essas marcas estão na competência e na experiência do sujeito, que o texto deixa entrever ao enunciar que: “Tive um caso com o meu ídolo”, o tempo verbal no pretérito indica que, a competência desse sujeito para ter um caso com o ídolo já existe, ele realizou a ação e agora está apto para “confidenciar”, o que, de fato,
90 é doar essa competência a outro sujeito. Ao concretizar a articulação de uma estratégia de veridicção, “NOVA” se faz sujeito com competência para aconselhar, para contar suas experiências e é uma mulher que tem credibilidade. Por sua vez, o sujeito enunciatário ao querer saber o que “NOVA” tem para dizer, sai do estado de disjunção, de privação, para o estado de conjunção com o sujeito-enunciador. Ao desejar adotar o modelo do enunciador, o querer fazer, e as suas prescrições, o dever fazer, o enunciatário está sancionando positivamente o simulacro proposto.
Ao explanar sobre as estratégias de manipulação, Landowski diz que, há dois modos fundamentais de manipular, em ambos, pode-se privilegiar a dimensão econômica ou identitária, a valorização dos objetos, os custo moral e físico e os simulacros de ambos os sujeitos. A dimensão econômica, porque se trata de comparar o valor do objeto, e também uma dimensão identitária, que é a questão do simulacro (a imagem), a posição de quem faz a promessa, ou seja, o fazer persuasivo do sujeito manipulador, no intuito de valorizar o objeto. Daí, a construção do simulacro que vai designar a confiança e a credibilidade, o contrato fiduciário. Com relação ao contrato de fidúcia, por exemplo, o excesso de garantias por parte do destinador pode produzir a suspeita, ou a desconfiança, por parte do destinatário. As estratégias de manipulação constituem formas de fazer o sujeito fazer. Por exemplo, Landowski diz que, na sedução e na provocação, observa-se a construção do simulacro do sujeito incapaz, mas a intenção é a de impulsioná-lo a fazer. A dimensão do status do destinador também vai determinar o patamar dessa provocação, por exemplo, no duelo, restrito aos homens da nobreza, no qual o nível social e o reconhecimento são os determinantes. O desejo de ser reconhecido por alguém com autoridade, que faz com que o destinador se coloque em posição de superioridade com o destinatário. Na sedução o destinatário irá se esforçar para corresponder ao simulacro positivo que lhe é atribuído pelo destinador na relação intersubjetiva.
Na narrativa de narrativa de “NOVA” são objetos de valor, ou seja, são valores circulantes no texto de da revista: a auto-suficiência, a liberdade, a independência, a autoconfiança da mulher, revestidos de outros valores que, no nível mais superficial, constituem: o prazer, a sedução, a sexualidade e o erotismo. A narrativa de “NOVA” está fundada em paixões simples, baseadas no querer-saber, um valor cognitivo que no texto se dá na forma de curiosidade, e no querer-ser desejável, provavelmente, mais do que isso, no querer ser desejada. Sobre as paixões Barros diz que: “(...) entende-se a paixão como um
91 efeito de sentido de qualificações modais, que, na narrativa, modificam a relação do sujeito com os valores. O querer-ser, por exemplo, pode produzir o efeito de sentido de ambição.”63
No texto de “NOVA”, o sentido de curiosidade e de sensualidade, também desvela esse sentido de ambição, da enunciatária querer ser igual à mulher “NOVA”, ou seja, a mulher que não tem problemas e que conhece pessoas que resolvem todos os problemas. A mulher destituída de preconceitos, que não só assume que tem um caso, como tem um caso com o ídolo e fala sobre isso abertamente. A mulher que não tem tabus e que conhece a sua sexualidade, uma mulher completamente “resolvida”. De forma que, o querer ser da enunciatária, está condicionado, por exemplo, a vestir o manequim 44, no máximo ; a descobrir como se resolvem todos os problemas de ordem profissional e afetiva e a aguardar o encontro com o ídolo, de preferência, com o “manual de instruções para namorados”. Contudo, os gramas que impedirem essa enunciatária de entrar no “jeans sexy”, os tópicos que faltarem na prescrição dos “médicos de alma” e o desencontro com o ídolo, um e outros, ou todos, com ou sem o manual de instruções na bolsa, serão motivos suficientes para que se instaure a frustração como “estado de alma”. Então, o que se segue é a espera pela próxima edição, com as novas prescrições e, novamente, o estado de conflito irá se instaurar. E, é nesse estado conflitante, ditado pela continuidade, em a enunciatária assume o simulacro do sujeito incapaz, construído pelo o discurso pedagógico de “NOVA” que, automaticamente, ela passar do regime de manipulação para o regime de programação.
O regime de programação é marcado pela continuidade e pressupõe a regularidade e um papel actancial, ou seja, contempla o comportamento regular do sujeito e sua expectativa inteligível. O programa narrativo não é transformador da identidade do sujeito, ao contrário, trata de confirmá-la por meio de um fazer repetitivo e de manter o actante programado para desempenhar sempre o mesmo papel temático.
Pode-se então postular que, os actantes de “NOVA” são: um destinador- manipulador, que é a “mulher NOVA”, o sujeito do fazer (S1); um destinatário-manipulado, a “mulher leitora de NOVA”, o sujeito de estado (S2) e um objeto de valor (Ov) que são a auto- suficiência, a liberdade, a segurança e a sensualidade, entre outros. Trata-se de um programa narrativo de base, no qual um suj eito do fazer (enunciadora “NOVA”) rege um sujeito de estado (enunciatária “NOVA”), modalizando o sujeito para querer-fazer e para querer-saber, ou seja, para realizar a performance de ler a revista, a fim de adquirir o objeto de valor
92 sensualidade, através da competência do sujeito-enunciador em seduzi-lo, ou seja, a fazer- fazer.