Cihaz Ölçüm Değeri (cm) Gerçek Derinlik Sapma Payı
5. YOL VE TRAFİK GÜVENLİĞİ
5.3. TRAFİK İŞARETLEME STANDARTLARI
5.3.1 Terimler ve Tarifleri
Esta subseção busca mostrar de modo sucinto que a Gramaticalização de um mesmo fenômeno em estudo nessa Dissertação, também está presente em outras línguas vivas do mundo, sendo que as mesmas acompanham as transformações sociais.
Embora se perceba o fenômeno em estudo em todas as grandes línguas do mundo, e até mesmo em outras menos faladas e menos conhecidas, é de fundamental importância tratar do caso do inglês, a língua em que se encontram a grande maioria dos princípios teóricos e estudos de caso que aprofundam ainda mais a Gramaticalização como um fenômeno indiscutivelmente presente, sincronicamente ativo.
Outras línguas como o espanhol e o francês, além do português (que apresenta um maior aprofundamento nessa tese) são aquelas que servem de referência para mostrar
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que o futuro perifrástico, na atualidade, é uma forma alternativa variante do futuro simples e do presente do indicativo para expressar futuridade.
No inglês, o verbo to go + infinitivo vem se implementando ao longo dos séculos como forma analítica de expressão de futuro. É um exemplo clássico de Gramaticalização, de um verbo pleno que vem se tornando ou que se tornou auxiliar, perpassando as etapas desse processo, os mecanismos interrelacionados propostos por Heine (2002). Ainda segundo Hopper & Traugott (2003), a estrutura pré- Gramaticalização era composta por [be going] + [to + infinitivo] no âmbito sintático; posteriormente ocorre o fenômeno denominado reparentetização (rebracketing) e a estrutura é reanalisada como [be going to + infinitivo] . Em um outro estágio, já no âmbito morfológico e fonológico, going to se reduz a gonna.
Poplack (1999) em um estudo sóciolinguístico amplo sobre as variantes na expressão de futuro simples do inglês do leste canadense, na ilha de Nova Escócia, constataram que há quatro formas distintas de expressão de futuro: a) a perífrase com be going to; b) o presente do indicativo; c) a forma clássica com o auxiliar will; e d) a forma perifrástica com gonna.
Alguns exemplos dos corpora das autoras são evidenciados abaixo: (1) I’m goin’ to China again this year.
(2) I go to China in September. (3) I think I’ll have a little ice cream.
(4) Granny, you gonna have a lunch tonight?
Essa análise sociolinguística considerou o fator etnia como o mais relevante dentre outros. Foram distinguidos brancos e negros, e suas respectivas distinções linguísticas para a pesquisa. Para o inglês dos brancos, foi selecionada a variável
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[proximidade do futuro] , sendo que a variante gonna é mais utilizada para a expressão do futuro imediato e a variante will + infinitivo é mais utilizada para a expressão de um futuro distante. Cognitivamente, no inglês utilizado pelos negros, não há uma estratificação das variantes e a forma gonna é empregada em todos os contextos, sem especificação temporal. Conclusivamente, pode-se dizer que essa variação não decorre de um fenômeno universal ou regional, mas é resultado de uma herança dos colonizadores da região.
Seguindo os pressupostos teóricos desse estudo, o futuro com be going to é resultado da evolução de go como verbo de movimento no espaço para alcançar o estágio de verbo auxiliar. Esse processo é explicado como um caso de metáfora (Heine et alii, 1991), embora o autor não exclua que alguns fatores metonímicos são pertinentes e, portanto, possivelmente aplicáveis aos casos de Gramaticalização. Na língua inglesa, o processo de Gramaticalização do verbo em estudo já está no último estágio, em que, segundo Heine (1991), ocorre o mecanismo denominado erosão, ou redução fonética, quando já há perda de substância fonética da construção.
No francês, a história atesta que o uso das formas de representação do futuro nas línguas neolatinas é bastante antigo, e são registradas tão logo essas línguas ganham reconhecimento oficial e seus estatutos de línguas literárias.
O futuro sintético em francês detém registro bastante antigo, datando do século IX, com o primeiro documento registrado, o Serments de Strasbourg, no qual se encontram as formas derivadas do futuro analítico latino como cantare habeo: salvarai (port. salvarei) e prindrai (port. tomarei). A forma perifrástica com o verbo avoir (port. haver) + infinitivo atesta uma trajetória bastante par àquela do português. Segundo os estudos de Oliveira (2006) sobre a trajetória dessa construção no português, fazendo
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uma breve exposição do fenômeno nas línguas neolatinas, no francês, num primeiro estágio, tratava-se do verbo habere (port. haver, fr. avoir) em seu sentido pleno de posse com uma nuance de obrigação: “j’ai une lettre à pôster” (“tenho uma carta a postar”). Num estágio sucessivo, essa forma perde o valor de posse e o de obrigação se acentua: “j’ai une lettre à écrire” (“tenho uma carta a escrever”). Num estágio seguinte, ocorre uma mudança da ordem dos constituintes da frase: “j’ai à écrire une lettre” (“tenho de/ que escrever uma carta”). Há, então, uma reanálise da estrutura e os dois verbos são vistos como uma unidade, por meio da reparentetização, permitindo o apagamento do objeto: “j’ai à écrire” (“tenho de/que escrever”). É nesse momento que nasce, de fato, o que se poderia denominar uma estrutura locucional ou uma estrutura perifrástica segundo a abordagem de cada autor. Fleischman (1982: 58-59) assere que nessa etapa do processo, que se pode dizer, de Gramaticalização, o traço de obrigação já mantém uma aproximação de um valor de futuro, que atualmente, no entanto, voltou a exprimir somente obrigação.
No francês de hoje, o futuro apresenta três modalidades de expressão, representadas pela forma simples (futur simple), pelo presente do indicativo (présent) e pela forma perifrástica com o verbo aller (ir) + infinitif (futur proche), mostradas nos exemplos abaixo:
(1) Il viendra demain. (2) Il vient demain. (3) Il va venir demain.
Fleischman (1982:82) explicita que a forma perifrástica surge no francês (assim como no português e no espanhol) a partir dos séculos XIII e XIV, antes mesmo de ser atestada no inglês (apenas no século XV), tendo a mesma se generalizado no uso
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coloquial durante o século XV e passando a registros mais formais apenas nos séculos XVI e XVII.
Vet (1980), sobre o comportamento das estruturas que expressam futuro na língua francesa constata que aparentemente as diferenças concernentes a (4) e (5) (representadas abaixo) ocorrem somente quanto ao efeito de seus produtos. A partir desse conceito induz-se que sintaticamente não é feita distinção entre o futuro simples e o futuro próximo (futur proche) ou perifrástico.
(4) Attention, tu vas tomber.
(5) Attention tu tomberas. (Confais (1990: 280))
O autor cita ainda que a diferença entre as duas estruturas formais desaparece nos casos em que a frase contém um advérbio de tempo, como se evidencia nos exemplos abaixo:
(6) Jean se mariera l’année prochain. (7) Jean vase marier l’année prochain.
Evidencia-se, desse modo, que as duas formas expressam futuro, sendo possível para certos locutores que a idéia de proximidade de I (intervalo de verdade) em relação a S (ponto referencial) se expresse mais ou menos presente.
O Le Bescherelle (1984), assim como todas as gramáticas normativas das línguas em estudo, trata apenas das formas tradicionais presente e futuro simples do indicativo para indicar futuridade, mas omite a construção perifrástica como uma modalidade de futuro. O autor considera que essa forma seria um presente com aspecto prospectivo, mostrando que a perífrase não indica futuridade, mas um projeto, uma decisão tomada pelo falante no momento da fala. No entanto, essa é uma definição que contrasta com o que consta em inúmeros outros estudos consistentes que apontam para uma substituição do futuro simples pelo perifrástico. O resultado das análises desses estudos mostra que o
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processo de Gramaticalização da estrutura aller + infinitif em francês encontra-se mais avançado que a estrutura equivalente em português ir + infinitivo, ou até mesmo no inglês, pois dentre outras evidências, não há mais restrição (como no inglês) à combinação de aller auxiliar com aller pleno:
(8) Je vais aller à la plage demain. (fr.) (9) *Vou ir à praia amanhã. (pt.)
No espanhol, provavelmente, a Gramaticalização da estrutura em estudo se encontre em um estágio tão ou mais avançado que nas demais línguas em evidência. Esse fato pode ser confirmado através da análise descritiva das perífrases verbais nessa língua, que consta de um estudo muito vasto, e cujo uso tanto na fala quanto na escrita é muito produtivo. A perífrase ir + a + infinitivo no espanhol consta descrita inclusive em grande parte nos manuais de L2, um sinal de que há um movimento forte em direção à implementação dessa estrutura nas gramáticas.
A expressão de futuridade no espanhol castelhano apresenta um sistema tão diversificado quanto o das diversas regiões geográficas nas quais esse idioma é utilizado. Os parâmetros de uso se distinguem nas diversas regiões, e não se pode afirmar com precisão que a utilização da perífrase vem a tornar-se o uso preferencial dos falantes, no entanto, pode-se afirmar com base nos estudos de (Mateo & Rojo Sastre, 1984. In: Oliveira, 2006), a existência dos três padrões de uso instituídos no universo da língua castelhana: a) o futuro do indicativo, um tempo pouco empregado na fala; b) a perífrase ir + a + infinitivo, que substitui a variante anterior na fala; e c) o presente futuro, que expressa ações das quais se tem segurança ou intenção de realizar.
a) Mañana iremos a Madrid. b) Mañana vamos a ir temprano.
82 c) El martes voy al teatro.
Nos estudos de Parra (2005) está presente a hipótese de que há uma mudança em curso no castelhano no sentido de uma implementação do futuro perifrástico em detrimento do futuro simples. A autora afirma que o fato se comprova em estudos sobre o espanhol argentino, chileno, cubano, colombiano, mexicano e venezuelano. Mas ressalva que o espanhol peninsular ainda utiliza o futuro sintético como forma preferencial de expressão de futuro, em detrimento do que ocorre na Hispanoamérica. Bentivoglio & Sedano (1992) sobre o espanhol venezuelano afirmam que as formas mais correntes de expressão de futuro nessa comunidade são o futuro simples (“lo haré”) e o futuro perifrástico (“lo voy a hacer”), e constatam que, em termos gerais, o futuro perifrástico supera amplamente o simples e que esse último é mais empregado no estilo formal. Isso pode ser evidenciado inclusive nos estudos sobre a mesma estrutura na língua portuguesa. É importante mencionar a ressalva das autoras supramencionadas sobre o uso dessa estrutura. Elas constatam que há, na verdade, uma complementaridade no uso dessas variantes, sendo a perífrase utilizada para ações mais imediatas e em contextos mais informais, e a forma sintética indicando ações distantes no tempo e de realização duvidosa.
Orozko (2005), em um estudo amplo sobre o futuro perifrástico no espanhol colombiano, menciona que a forma perifrástica é aquela preferida, com 46% dos casos de uso, seguida do presente, com aproximadamente 36% dos casos e o futuro simples, com 18% dos casos. O autor defende a hipótese do processo de auxiliarização do verbo ir em espanhol na Gramaticalização da construção perifrástica com infinitivo para indicação do tempo verbal futuro.
Bertinetto (2003) sobre as perífrases verbais progressivas e contínuas no italiano, cita que essas construções são muito características do sistema verbal das línguas
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românicas, manifestando que as mesmas apresentam-se com uma morfologia ainda mais rica no sistema verbal do espanhol, principalmente. No trecho da obra de Javier Marías (1994), na introdução do texto Le perifrasi Progressiva e Continua nella narrativa dell’Otto/ Novecento de Bertinetto (2003), nota-se a presença da perífrase verbal no espanhol formada por três verbos idênticos, o que é de possível ocorrência nesse idioma, diferindo da mesma possibilidade no italiano e no português.
9 “ – Es tarde. Voy a irme yendo. – ‘Tres veces el mismo verbo’, pense, ‘cómo matizan también nuestras lenguas, como las antiguas. “Voy a irme yendo” indica que no se va todavia, va a esperar todavia un poco, por lo menos hasta que se beba la mitad de su whisky...” (Javier Marías, Mañana en la batalla piensa em mí).
9“ – Está tarde. “Voy a irme yendo” (Tradução livre: Já estou indo). – Três vezes o mesmo verbo, pensei,
como distam nossas línguas, assim como as antigas. “Voy a irme yendo” quer dizer que ainda não se vai,
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