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4.17. MALZEME TAŞINMASI VE GÜVENLİĞİ
As perífrases verbais no italiano encontram seu principal e mais aprofundado desenvolvimento teórico em Bertinetto (1991). O autor, em seu exaustivo trabalho,
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busca uma definição minimamente satisfatória sobre os critérios de identificação e hierarquia de perifrasticidade, considerando insuficiente, por assim dizer, a compilação bibliográfica anterior de trabalhos sobre o assunto. É notável citar que o autor busca em seu trabalho, expor um estudo amplo sobre os critérios de perifrasticidade que muito se assemelham aos mecanismos de Gramaticalização num continuum, evidenciados por Heine (1991).
Por meio de uma vasta lista, embora considerada não plenamente suficiente pelo autor para precisar uma definição dos critérios de perifrasticidade, Bertinetto expõe um ponto de vista detalhado, respaldando-se em estudos prévios como o de Dietrich (1973). Abaixo são elencados alguns critérios descritivos que buscam expor quais os processos que influem para a distinção paradigmática das perífrases verbais no contexto do sistema verbal do italiano:
(A) Integração semântica: Uma perífrase expressa um significado complexo que não pode ser vislumbrado a partir da soma dos significados individuais dos lexemas que a compõe. Esse é um critério universal de perifrasticidade.
(B) Estrutura morfológica: Toda construção perifrástica é expressa pela presença de um verbo modificador ou auxiliar conjugado em algum tempo verbal finito aliado a um verbo principal, não conjugado em uma forma verbal não-finita (gerúndio, particípio ou infinitivo). Segundo Bertinetto, a presença de um elemento de ligação entre esses elementos é uma característica variável, podendo ser na maioria dos casos uma preposição, e em outros raros casos conjunções. Esse é também considerado um critério geral, embora nem sempre seja explícito.
(C) Número restrito de modificadores: É uma discussão que envolve muitos estudiosos da área. Em cada lista elaborada verifica-se uma quantidade distinta de
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verbos que são colocados na lista de modificadores. (Dietrich, 1973, p.9 In: Bertinetto, 2003) aponta a seguinte lista:
- verbos de estado: essere, stare, sedersi,...
- verbos de movimento: andare, venire, tornare, volgersi,... - verbos de posse: avere, tenere,...
- verbos que indicam uma ação direcionada ao objeto: prendere, portare,... - verbos que indicam uma fase do evento: começar, continuar, terminar,...
(D) Dessemantização dos modificadores: Os modificadores também atuam autonomamente com um sentido pleno. Esse sentido, no entanto, revela-se comprometido quando o verbo se encontra na construção de uma estrutura perifrástica, sendo notável seu esvaziamento semântico. (Martin, 1971. In: Bertinetto, 2003), (Dietrich, 1973. In: Bertinetto, 2003), (Coseriu, 1976. In: Bertinetto, 2003), (Böckle, 1980. In: Bertinetto, 2003), (Schemann, 1983. In: Bertinetto, 2003) falam sobre subducção ao tratar desse argumento.
É pertinente evidenciar que um desdobramento desse critério seria chamado por (Schemann, 1983:5. In: Bertinetto, 2003), de subordinação semântica do modificador (E).
(F) Organicidade sintática: Esse é um critério unânime entre os estudiosos dos fenômenos de Gramaticalização, e prevê que as perífrases, como unidades sintaticamente compatíveis, não podem ter seus elementos constituintes separados por um número muito amplo de elementos outros, restringindo-se inclusive a certos parâmetros. A interposição de alguns elementos gramaticais na perífrase andare a + infinitivo, como advérbios locativos, provocam um ressurgimento do sentido pleno do verbo andare na construção.
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(G) Organicidade semântica: Quando as perífrases são modificadas por um advérbio, por exemplo, todo o conjunto sofrerá alteração de sentido, conforme expresso pelo critério acima. (Dietrich,1973: 153-154. In: Bertinetto, 2003) cita os seguintes exemplos:
- comincia rapidamente a dire ( = é veloz na ação de iniciar a falar) - quer decididamente vir ( = está decididamente intencionado a vir) - Il veut biêntôt rentrer ( = deseja retornar logo)
Apenas o primeiro enunciado, respeitando o critério em questão, se qualificaria como uma possível perífrase. Nos dois exemplos posteriores, o advérbio modifica tanto o modificador quanto o verbo principal.
(H) Oposição funcional: Esse critério é uma reunião conceitual dos critérios (A, D, E e F). Este aponta assim como àqueles, que as autênticas perífrases são submetidas a testes de comutação somente no caso de integridade, não sendo considerados, portanto, individualmente cada elemento que compõe a estrutura.
(I) Relevância tempo-aspectual: Bertinetto, com base nas considerações de (Coseriu,1976: 99. In Bertinetto, 2003) afirma que as perífrases verbais envolvem as noções de Schau e/ou Phase. Essa última sugere valências semânticas dos tipos: iminencialidade, incoatividade, continuatividade, egressividade, etc. Já a primeira noção envolve o ponto de vista que é assumido em relação ao desenvolvimento de um processo referindo-se, desse modo, diretamente à dimensão aspectual.
(J) Generalização: É um conceito que implica à própria aplicabilidade da estrutura no contexto de cada língua. Por certo, a incompatibilidade será evidente em certos casos, no que concerne a transferência de uma língua à outra. A Generalização implicará, por vezes, em uma insuficiência conceitual, visto que uma mesma estrutura nem sempre se
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aplicará a outro contexto, no que tange, por exemplo, a questão mencionada acima relacionada à transferência entre línguas.
Bertinetto (2003) discorre sobre as diferentes nuances de possibilidades de uso de uma mesma estrutura formal em diversas línguas neolatinas que não seguem necessariamente os mesmos parâmetros do italiano. Segundo as observações de (Rohrer, 1977 e Schmitz, 1982. In: Bertinetto, 2003), a perífrase progressiva espanhola e do português do Brasil aceita um acompanhamento de verbos estativos, enquanto que
(Fente et alii., 1983. In: Bertinetto, 2003) mencionam que, no francês, é possível a ocorrência de locuções do tipo je vais aller.”
O tratamento teórico dado às formas perifrásticas na maior parte dos estudos italianos apresenta um posicionamento carregado de preconceitos e abstrações derivado de um sistema nocional de matriz estruturalista e, portanto, incapaz de dar conta de matizes de sentido das diversas formas perifrásticas em relação ao contexto ao qual estão inseridas. O autor em seu posicionamento cita: 6« ... certo, non v’è dubbio che ogni perifrasi acquista un senso preciso in relazione al contesto; e tuttavia la descrizione grammaticale deve potersi fondare su un ragionevole livello di astrazione. » (Bertinetto, 1988: 335)
Nesse sentido, é clara a postura do autor em defesa de um critério nocional que incida no contexto, ou seja, nas nuances que o mesmo pode soerguer através de matizes semânticos.
(Martin e Blücher, 1973 In: Bertinetto, 2003) falam sobre a presença de vazios de conjugação em alguns padrões de perífrases, sugerindo que esses vazios em relação ao paradigma verbal comum seriam um fator de não identificação com esse padrão, tratando-se então de um autêntico status perifrástico. Desse modo, poder-se-ia
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“... por certo, não há dúvidas que cada perífrase adquire um sentido preciso em relação ao contexto,
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considerar que a perífrase progressiva stare + gerundio teria um status +perifrástico que andare + gerundio, visto que este último se conjuga segundo todos os tempos verbais e o outro não.
Bertinetto é adepto dessa visão quando afirma que a manifestação de um fenômeno de desvios parece indicar que algumas perífrases estão tão integradas ao sistema morfológico, que algumas categorias aspectuais seriam preponderantes a outras.
Conclusões extraídas a partir do estudo exaustivo de Bertinetto sobre os critérios
de perifrasticidade, de um modo amplo, mostram que os critérios expostos não são por si mesmos discriminantes, e não definem o fenômeno, embora os mesmos forneçam questões de caráter fundamental. E, segundo ele, as perífrases, pelo fato de representarem instrumentos gramaticais com efeitos relativamente ambíguos e evasivos, as mesmas são analisadas como um fenômeno dificilmente delimitável, embora presente.
As constatações acerca de um mecanismo cíclico, no que tange à trajetória que hoje é observada quando se toma em questão o fenômeno das perífrases verbais, são muito plausíveis e demonstram uma lógica segundo a qual os Tempos Verbais Compostos são nada mais que uma forma plenamente gramaticalizada que, hoje, é parte integrante da morfologia verbal das línguas em termos gerais. Segundo Bertinetto, esse é um exemplo paradigmático no sentido de que as Perífrases Verbais percorreram ao longo do tempo um longo caminho que, teoricamente, está aberto a qualquer locução. No que se pode denominar, uma escolha teórica, Bertinetto inclui os tempos verbais compostos tecnicamente como Perífrases gramaticalizadas.
Esse estatuto, no entanto, deve ser cuidadosamente verificado para que se evite uma generalização acerca da definição de Perífrase Verbal. Essa estrutura formal apresenta algumas fronteiras delimitáveis que, conforme já apontado em outros estudos
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teóricos, tal como em Pontes (1973) e Cunha e Cintra (2001), devem ser levadas em consideração, a despeito de possíveis divergências teóricas. No entanto, em relação às suas ideias supramencionadas, Bertinetto (1988: 342) afima:
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« ... sarebbe irragionevole aspettarsi che ogni locuzione perifrástica riesca a raggiungere questo medesimo traguardo, e quand’anche fosse, il nostro punto di osservazione, legato ad um particolare stadio sincronico, ci porterebbe comunque a constatare livelli diversi di grammaticalizzazione da parte dei vari candidati allo status di perífrase pienamente realizzata»
Os fenômenos linguísticos, como um todo, não são redutíveis a meros critérios de identificação rígidos e absolutos, e isso pode ser averiguado em relação a quase todos os fenômenos lingüísticos macroscópicos. Nesse sentido, a Gramática de Construções dentro de uma visão funcionalista propõe que as mudanças, ou seja, as estruturas mais vulneráveis às mudanças pragmáticas são justamente aquelas que mantém as freqüências de uso mais elevadas (Hopper & Traugott, 2003).
Ainda seguindo a linha de raciocínio bertinettiana, o mais adequado modo de delimitar o âmbito desses fenômenos, consistiria em dispô-los em um sistema escalar, de crescente nível de pertinência. Em sua teoria, Bertinetto sustenta que quanto mais rico e articulado o número de parâmetros de análise, maior será a capacidade cognitiva, e consequentemente a definição. Essa é uma tendência de estudo que não se distingue
7“... seria insensato considerar que toda locução perifrástica alcance um mesmo padrão, e, ainda que assim o fosse, o nosso ponto de observação, ligado a um estágio sincrônico particular, levar-nos-ia, de qualquer modo, a constatar níveis distintos Gramaticalização quando considerados os vários candidatos ao estatuto pleno de perífrase.”
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muito de grandes linhas teóricas mundo afora, quando nos referimos a Moura Neves (1997), Martelotta (2010, 2011), Hopper & Traugott (2003), Heine (1991, 2002) et alii. Baseando-se nessa perspectiva, os estudos de Keenan (1985) consistem na desfragmentação da noção unitária de sujeito, em uma gama de parâmetros, cuja múltipla ativação nas diversas línguas consente uma definição de um grau específico de atualização dessa noção sintática em cada sistema lingüístico abordado.
O mesmo é aplicável a (Ramat, 1987, In: Bertinetto, 2003), que lista um conjunto de critérios para fixar o variável nível de auxiliaridade que compete aos verbos candidatos a assumir o papel de auxiliar nas línguas naturais.
Dentre os critérios que foram analisados, alguns podem ser interpretados em termos absolutos. Os critérios referentes à Integração Semântica (A) e aos Números restritos de modificadores (C) são tidos como indispensáveis no processo de identificação de uma estrutura perifrástica, e considerados como requisitos mínimos do grau de perifrasticidade. Como pontua Bertinetto (1988), todos os demais critérios são facilmente reinterpretados em sentido escalar. O autor elaborou uma exemplificação feita em escala, pautada em dados de pesquisas pessoais sobre as perífrases no italiano. Os graus variam de maior a menor perifrasticidade da esquerda para a direita, ou seja, quanto mais se desloca para a direita, menor a escala, até o alcance de uma ausência total de conotação perifrástica.
Considerando a maior ou menor relevância de um ou outro caso, essa dissertação buscou apontar os casos principais, que implicariam para as conclusões finais, sendo que os critérios mais preponderantes além dos outros dois apontados, seriam a Escala de Dessemantização e de Endocentrismo, critérios (D) e (E), a Escala de Organicidade Sintática (F) e a Escala de Pertinência Tempo-Aspectual (L).
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« Stare + Gerundio » > « Cominciare a + Infinito » > « Scoppiare a + Infinito » >
« Riuscire a + Infinito »
Os verbos modificadores representados possuem, cada um, suas devidas caracterizações morfossintáticas, no entanto, suas caracterizações icônicas, ou suas marcas semânticas são fatores que distinguem contextos de maior ou menor grau de perifrasticidade.
Em (F), nota-se:
« Sta studiando » > « sta in camera, studiando accanitamente » (“Está estudando” > “está no quarto, estudando ferozmente”)
Esse exemplo é um clássico. A partir de uma análise cuidadosa, é possível depreender que quanto maior é a distância entre os elementos constituintes da construção, maior será, também, sua possibilidade de desagregação, de perda da concepção de um sentido unitário.
Em (L), a hierarquia indicada entre as duas seguintes perífrases se justifica com base no fato de que a noção de ponto de vista aspectual (Schau) é mais central que a noção de fase no domínio semântico considerado:
« Andare + Gerundio » > « cominciare a + Infinito» > « andare + Part. Perfetto » A questão da hierarquia de perifrasticidade, conforme cita Bertinetto, requer uma união das escalas expostas acima. Isso equivaleria a traçar um critério para avaliar o nível de Gramaticalização alcançado por cada uma das estruturas ao papel de uma verdadeira perífrase.
Detalhamentos acerca da hierarquia de perifrasticidade não cabe a esse estudo, visto que aqui, almeja-se tratar de uma única estrutura que alcança, de certo modo, os
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principais critérios, segundo as teorias funcionalistas, de um estatuto perifrástico. Em outros estudos, tais como os de Amenta (2002) e Van Hecke (2005), constata-se que Andare a + Inf., – que não ganha um amplo espaço nas considerações de Bertinetto – possui um estatuto perifrástico, ainda que essa mesma estrutura mantenha parâmetros de uso perceptivelmente variáveis no italiano atual, tal como se poderá observar com um maior detalhamento no capítulo 5 dessa Dissertação.
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