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3. Veri Seti, Model ve Teorik Çerçeve
Além do embate que se verifica entre propostas de ensino militar e propostas de ensino policial; do abalo de um modelo que, naquele momento, remontava há quarenta anos (primeira década do século XX); do encaminhamento para uma nova destinação pública, qual seja, a policial, a Força Pública como que começou a procurar onde poderia encontrar fontes para preparar o futuro oficial — e também as praças — para essa sua ―nova‖ — que na realidade não era tão nova assim — função. As atividades de polícia administrativa, de preservação da ordem pública, de prevenção e repressão ao crime exigiam novo arcabouço teórico que ela até então não dispunha.
Neste contexto, ela foi ter como destino a Polícia Civil (PC) de São Paulo. A turma de aspirantes de 1947 deu início a esta passagem pela Escola de Polícia72 da
70 ―Naturalmente não iremos empregar nenhuma unidade blindada mas, como cultura profissional, tais
conhecimentos devem fazer parte da bagagem dos oficiais aperfeiçoados‖ (PEREIRA, 1948, 48).
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Os cursos de informações dos anos 40 e 50 têm um entendimento diverso do que é dado, atualmente, ao temo ―informações‖. Nos dias de hoje, ―informações‖ tem um sentido similar a ―inteligência‖. Naquele período, cursos de informações eram cursos que tinham o intuito de ―informar‖, preparar, por vezes especializar. É o caso dos Cursos de Informações Policiais, que se verá adiante.
72 A Escola de Polícia era um órgão de ensino que tinha diversos cursos: a) Cursos superiores:
Criminologia e Criminalística; b) Cursos técnicos: Preventivo de Falsificação de Documentos e de Detetives; c) Cursos de formação: Escrivães de Polícia, Radiotelegrafistas, Guardas Civis e Inspetores e Guardas de Presídios. Eles eram abertos, assim, a profissionais de diversas outras carreiras, instituições e
PC. Eles passaram dois meses e meio na ―nossa co-irmã, a Polícia Civil‖, onde tiveram oportunidade de assimilar ―muita coisa de grande interesse para o nosso serviço policial militar‖. A este respeito, assim se pronuncia o jovem Aspirante Evandro Francisco Martins:
Analisando tudo o que nos foi dado ver, chega-se a conclusão de que muito pouco é dado ao conhecimento de um aluno-oficial73, durante os seus três anos de curso. Seria de utilidade inestimável se fossem introduzidas algumas modificações no nosso ensino, em proveito de u‘a maior dosagem de instrução policial. Por várias vezes nos encontramos em situação melindrosa, por desconhecer completamente assuntos dos mais bisonhos, em relação aos serviços de policiamento, e ao mecanismo de trabalhos burocráticos, que, de passagem eu digo ser de uma complexidade enervante e desnecessária. O Curso de Polícia para Oficiais Combatentes não satisfaz, por completo, às nossas necessidades e às necessidades de um serviço que deve ser feito com a maior presteza e conhecimentos, aliados a um bom senso capaz de conciliar em situações diversas (MARTINS, 1948, 45, grifos nossos).
Nessa época, o aluno-oficial freqüentava a Escola de Polícia apenas no terceiro e último ano do Curso de Formação de Oficiais do então Centro de Instrução Militar74, com quatro aulas semanais, descontando-se as férias de julho e os feriados. A sugestão do jovem oficial era a de que este curso passasse a ser ministrado nos três anos seguidos, ―paralelamente ao curso de instrução militar que se faz no C.I.M.‖. Para ele, haveria maior produção no serviço e os oficiais estariam capacitados a substituir muitas autoridades civis em qualquer caso de prejuízo de sua eficiência. Isto é tão ou mais importante quando a Força Pública estava a tratar com o público (MARTINS, 1948, 45).
Um ano depois, discursando na formatura de entrega de espadas para a turma de 1948, o Tenente Coronel Heliodoro Tenório da Rocha Marques também reconhece o papel da Polícia Civil na formação dos futuros oficiais. Diz ele, durante a solenidade, que com a ―valiosa colaboração da Escola de Polícia — onde adquiristes, jovens aspirantes, conhecimentos do maior interesse profissional — procurou o C.I.M.
conduzir-vos a uma base de partida de onde podereis marchar com segurança [...]‖
(MARQUES, 1948(b), 89).
Em outro discurso, dois anos depois, novamente na entrega de espadas para a turma de 1950, desta vez não mais Tenente Coronel, mas Coronel, Heliodoro T. da Rocha Marques, além de enfatizar sobremaneira a função policial, ressalta que, ―finalmente, os alunos que terminaram o Curso de Especialização Policial daqui saem
Estados. Em 1952, oficiais de Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Sul freqüentaram os cursos superiores pela Escola de Polícia ministrados (MATA, 1952(b), 38-39).
73 O posto de ―aluno-oficial‖ é o equivalente ao de ―cadete‖ das Forças Armadas, e corresponde ao
período em que o ingressante à carreira do oficialato permanece na Escola de Formação de Oficiais para receber o ensinamento necessário ao desempenho de suas futuras funções de tenente e capitão.
74 O CIM passou por várias mudanças e atualmente se denomina Curso de Formação de Oficiais da
habilitados no desempenho de funções policiais especializadas, em novos setores onde a Fôrça Pública precisa justificar, cada vez mais e melhor, a sua elevada finalidade‖ (MILITIA, 1951, 43, grifos nossos).
As palavras do Aspirante Evandro Francisco Martins se constituem num vaticínio do que viria a ocorrer, de maneira muito acentuada, no governo Jânio Quadros. O preparo para que os oficiais estivessem em condições de ―substituir muitas autoridade civis em qualquer caso de prejuízo de sua eficiência‖ ocorreu com a substituição de delegados por oficiais nos distritos onde não havia profissionais da Polícia Civil em quantidade suficiente para o exercício da função. Em que pese esta medida ter gerado grande insatisfação no seio dos delegados, esta foi uma realidade por longos anos, conforme se verá no quadro de substituição de delegados. 75