EMPLOYMENT IMPACT OF RENEWABLE ENERGY SOURCES IN TURKEY
4. TÜRKİYE’DE YENİLENEBİLİR ENERJİ İLE İSTİHDAM İLİŞKİSİNİN AMPİRİK SONUÇLAR
4.2. JEDI Rüzgar Model
86 A preocupação com a melhoria da seleção de integrantes da Força Pública é muito clara nessa fase. Há
uma necessidade de melhor recrutar o profissional que desempenhará a dupla missão policial-militar (MONTEIRO, 1953, 1954(a), 1954(b); FRANÇA, 1953(a), 1953(b), 1953(c)). Uma estatística apresentada pelo Tenente Sérgio Vilela Monteiro evidencia a dificuldade em se manter o homem numa atividade difícil, num regime rigoroso e com rendimentos muito aquém do mercado.
Período Alistamento na FP Exclusão (disciplina/deserção) %
1946-1951 8.001 2.880 36
1952 2.105 68 3,2
Quadro 05: Integrantes da Força Pública alistados e excluídos (1946-1952) Fonte: Monteiro, 1953, 8-9
O 1º Tenente Monteiro procura demonstrar que, a partir de 1952, quando começaram a ocorrer critérios mais rígidos e técnicos para seleção, as saídas (por indisciplina ou por deserção) diminuíram substancialmente. De um percentual de saída beirando os 36%, no período 1946-1951, cai para 3,2%, em 1952. Atribui-se a melhora do rendimento a um melhor processo de seleção. Outro fator, não mencionado, mas que mereceria ser tomado como hipótese de trabalho é que a média anual no primeiro período é de 1.333, ao passo que em 1952 é de 2.105, ou seja, quase o dobro da média anual anterior, o que também facilitaria e aumentaria a possibilidade de melhor seleção. A década de 1950 marca o ingresso dos exames psicotécnicos na Força Pública. ―Sem uma tropa eficiente, moderna, culta e educada, nunca nos imporemos como instituição útil à sociedade (MONTEIRO, 1954(a), 6). O Tenente Sérgio Vilela Monteiro cita o exemplo de um soldado que, em três anos de serviço, passou mais de 140 dias entre prisão e detenção. E conclui: quando ―não mais era possível manter o elevado número de claros, arrebanhava-se um a dois milhares de homens no interior ou em outros Estados‖ (MONTEIRO, 1954(a), 6-7). A este respeito, ver o capítulo 10, sobre o policiamento, onde também se alinhavam idéias sobre o alistamento e seleção.
87 O 1º Tenente Sérgio Vilela Monteiro escreveu três artigos intitulados ―Aperfeiçoamento Profissional‖,
em que estabelece parâmetros para melhorar a qualidade do profissional da Força Pública. De um lado ele enfatiza a seleção e a educação; de outro a verificação e a orientação (MONTEIRO, 1954(b), 6).
88 Em meados dos anos 50, a Força Pública enviou seis oficiais do DASOP para trabalhar com Mira y
Lopes, na Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro; para o Instituto de Estudos Pedagógicos, do Ministério da Educação; e para a Prefeitura do Distrito Federal (RJ). Além disto, dois oficiais fizeram estágio de psicologia aplicada na Sorbone (―Chemin de Fer‖ e ―Regie Societé Renault‖) e no Instituto de Orientação Profissional de Paris (MONTEIRO, 1955(a), 25). Também por este período já começavam a estudar a correlação entre salário, vencimentos e atuação profissional, chegando-se à conclusão que, quando melhoram os salários, melhora também a seleção e, por conseqüente, ―a disciplina‖ interna
Tenentes, sargentos, cabos e soldados89 faziam os respectivos cursos que os habilitavam a trabalhar na Força Pública com outro conteúdo curricular, diferente de seus antecessores. Era nítida a passagem para o policiamento.
Os oficiais faziam um curso de 3 anos no Centro de Formação e Aperfeiçoamento (CFA) com as seguintes matérias: Introdução à Ciência do Direito, Direito Constitucional, Direito Penal, Direito Civil, Processo Penal, Sociologia, Organização Policial, Técnica Policial, Prática Geral do Policiamento, Criminologia, Criminalística e Organização, Técnica e Tática de Bombeiros (BRITO, 1952, 69-70).
No Curso de Cabos, o soldado tinha aulas de: Noções da Lei de Contravenções Penais, Código Penal, Regulamento Policial do Estado, Organização Policial do Estado, Prática de Policiamento e de Organização e Técnica de Bombeiros (BRITO, 1952, 69).
No Curso de Sargentos, o cabo estudava: Noções de Direito, Prática de Processo Penal, Lei das Contravenções Penais, Técnica Policial, Prática Geral de Policiamento e Organização Técnica e Tática de Bombeiros (BRITO, 1952, 69).
O Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (CAO) destinado a preparar os capitães para o exercício do oficialato superior — major, tenente-coronel e coronel — continha as seguintes disciplinas: Estatística, Economia Política, Direito Penal, Direito Administrativo, Criminologia, Criminalística e Organização, Técnica e Tática de Bombeiros (BRITO, 1952, 70).
8.6C
ONCLUSÃO:
MUDANDO RUMOS–
O ENSINO DO POLICIAMENTOAs evidências mostram que houve grande debate e discussão interna acerca de como deveria, realmente, a Força Pública preparar seu efetivo no período de redemocratização pós-1946. Em outras palavras, qual a razão de ser de uma instituição, que desde a Constituição de 1934, repetida na de 1946, era incumbida da ordem pública? Nestas circunstâncias, como formar o futuro integrante da instituição? O indivíduo já incorporado, careceria de uma atualização e novo preparo para um serviço que passaria a ser, cada vez mais, prioridade da instituição?
Oficiais como o Capitão Otávio Gomes de Oliveira, os Tenentes Monte Serrat, Manoel de Souza Chagas, o Aspirante Evandro Francisco Martins não deixam
(MONTEIRO, 1955(c), 13). Também os médicos do Hospital Militar da Força Pública discorriam sobre patologias que poderiam prejudicar o serviço policial (D‘ANDRETTA, 1955, 6-9).
89 O Curso de Soldados tinha um total de 765 horas de instrução, sendo que, desse total, apenas 175
sombra de dúvida que a atividade primordial da Força Pública era o policiamento. E este deveria ser priorizado no conteúdo curricular e nos cursos de especialização. A
contrário senso, é exemplo o Capitão Romeu de Carvalho Pereira — e, provavelmente
uma parcela majoritária da Força — que preconizava a ―modernização‖ da Força Pública com as mais recentes modificações ocorridas após o fim da guerra, na aplicação das estratégias e técnicas de emprego de unidades de infantaria, hipo- móvel e de blindados, compatibilizando-se a doutrina francesa com a americana, a fim de evitar confusões internas na instituição.
O período foi tão conturbado que a força Pública foi desaguar nas duas instituições que lhe eram mais desafetas: o Exército e a Polícia Civil. A primeira, em breve tempo deixaria de ser rival, dada sua supremacia bélica e a ausência de indicativos separatistas na elite política do Estado. A segunda, cada vez mais se tornaria uma desafeta, dado que ambas disputariam o mesmo espaço de atividade: o policiamento. Ainda assim, nesse lustro inicial pós-ditadura varguista, a Força Pública, meio que sem saber bem ―para onde correr‖, encaminhava oficiais, ora para fazer o CAO no Exército, ora para fazer estágios e cursos na Polícia Civil. Difícil encruzilhada!
Observa-se, assim, uma dicotomia entre a realidade e o preconizado. Não é difícil chegar a conclusão de que havia uma tensão clara entre o que se pretendia e o que existia. Mas se a tensão existia, no final dos anos 40 e década de 50, é porque havia um conjunto de integrantes da Força Pública que pretendia alterar o quadro, e ele foi sendo modificado paulatinamente.
A democracia trouxe à tona a discussão sobre o que se espera de uma instituição mantenedora da ordem. Ou seja, se a instituição é policial, seus meios e seus fins devem, também, serem policiais. Difícil, no entanto, mudar a formação e a especialização de oficiais e praças quando estavam estes, desde o início do século 20, a ser preparados para a guerra. O processo, a par de doloroso e dicotômico, seguiu seu curso rumo a, paulatinamente, abandonar os ensinamentos da guerra. Seu destino e destinação eram, sem dúvida, o papel de controle social pela fiscalização da norma jurídica.