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4.SANAYİLEŞMEDE REKABET

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aspectos de preconcebidos para o exercício do policiamento, que mais lembram a guerra que o serviço policial. Os termos ―inimigo‖ e ―combate‖ não são próprios para o policiamento.

A língua inglesa possui um verbo muito interessante para expressar a idéia de impor a lei, fazer cumprir os ditames legais, executar a norma, impor a legislação que é o verbo enforce. Aos órgãos encarregados de aplicar a lei os anglo-saxões denominam enforcement agencies. Estas vão desde a polícia até uma guarda de parque encarregada de fiscalizar a preservação das espécies da flora e fauna.

Inexistindo um vocábulo tão enxuto e sintético para expressar o cumprimento de regras legitimamente instituídas, valemo-nos de sua idéia para expressar uma das funções mais importantes da polícia — que, aliás, poderia abarcar todas as demais funções — qual seja, o difícil papel e impor a lei.

Em fins dos anos 40, em razão da proximidade com a Segunda Guerra Mundial, que desencadeou desarranjos econômicos em todo o mundo, como escassez de matéria-prima e alta desenfreada dos preços (inflação), foram criadas no país as Comissões de Preços (federal, estaduais e municipais). Seu objetivo era fiscalizar a oferta de produtos e os preços cobrados.

Havia reclamos quer contra a carestia, quer contra a atuação da Comissão Estadual de Preços (CEP). ―A razão de tal estado de coisas repousava na falta de uma fiscalização conveniente por parte da CEP. Legislar não é o bastante. É preciso velar pela execução da lei‖ (SERRAT FILHO, 1951, 63).

Um mal que graça o país, talvez há centenas de anos, não poderia deixar de estar ausente: a corrupção156. Os interesses econômicos envolvidos eram grandes

e, por decorrência, a possibilidade de se locupletar de forma ilícita157 (SILVEIRA, 1953, 42).

Estava aí o ponto fraco do mecanismo de defesa da economia popular. O corpo de fiscais era venal. Muitos comerciantes contribuíam mensalmente para a ―caixinha‖ da fiscalização e não eram molestados. Outros ―amoleciam a grana‖ no ato da intimação, e

156 A Força Pública também fora chamada a assumir algumas funções na Escola Oficial de Trânsito em

razão de escandalosos casos de corrupção ali existentes (SANTOS, 1953(b), 8). A imprensa falava em ―cartas tiradas pelo telefone‖ e subornos a todo o momento. O diretor, Canuto Coelho pediu ao governador o fechamento da Escola. Em 1º de abril de 1952, por ato do governo do Estado, foram nomeados diversos oficiais para assumir a Escola de Trânsito: Major Romeu de Carvalho Pereira; Capitães Hamilton Rangel Gama, Alfredo Costa Junior, Hélio Afonso da Cunha, Paulo Afonso, Mário Gonçalves Teixeira Filho; Tenentes José Silva Bueno, Edmur Moura Sales, Jalmar de Carvalho Costa, Roberto Mondino, Avivaldi Nogueira e Luiz Gonzaga de Oliveira Filho. ―Oficiais da Fôrça Pública na Escola de Trânsito‖. Militia n. 31, Nov/Dez/1952, 78-80).

157 A atuação da Força Pública na atividade fiscalizatória foi elogiada por alguns meios de comunicação. A

Folha da Tarde, de 14 de outubro de 1953, publicou matéria de autoria do jornalista Osny Silveira, em que afirma existirem ―elementos assim, que compreendem a importância e a responsabilidade das suas funções e as executam com inteiro critério e enérgica sobriedade. Entre eles, os militares da Força Pública destacados para o serviço de policiamento econômico da COAP. Acompanhar uma de suas diligências, tomar contato com seus homens [...] é fazer um curso de administração pública e reconciliar- se definitivamente com ela‖ (SILVEIRA, 1953, 29). O jornalista Eduardo Palmério, em 13 de novembro de 1952, cujo título era ―Os oficiais e a COAP‖, registrava críticas a atuação desse órgão, a exceção ―de alguns bons serviços ao povo‖, estes prestados ―graças à honestidade e à eficiência pessoal dos oficiais da Fôrça Pública‖. In ―A Imprensa aplaude a Fôrça Pública‖, Militia n. 32, Jan/1953.

os mais resistentes chegavam a ir até ao Departamento de Fiscalização da Economia Popular.

Mas lá, segundo nos afirmou o Sr. José Ortiz de Camargo, ascensorista do prédio, a infração era resolvida no próprio elevador com a maior desfaçatez dos agentes da fiscalização. Os infratores eram ameaçados com pesadas multas e de ser processados por crime contra a economia e, entre a alternativa de ser verem as voltas com a justiça e a de ―escorregar a gaita‖,, optavam por esta última.

Poucos chegavam a prestar declarações, só mesmo aqueles que não se submetiam ao regime da escorcha, então existente. Em suma, não havia fiscalização (SERRAT FILHO, 1951, 63).

Através da intermediação do vereador Major Cantídio Nogueira Sampaio158

com Aldo Lupo, então vice-presidente da Comissão Estadual, o corpo de fiscais da CEP foi substituído por oficiais da Força Pública.159 Num primeiro momento foram

designados 81 oficiais e, num segundo momento, outros 93, totalizando 174 fiscais. A substituição de Aldo Lupo por Otávio Mendes Filho não alterou o quadro. Os 174 oficiais pediram demissão para dar liberdade ao novo presidente de remontar sua equipe. Ele convidou o Capitão Jaime dos Santos para chefiar os oficiais que para lá retornaram. Um desses oficiais era o Tenente Edilberto Ferrarini.160

Veja abaixo as estatísticas referentes à ação dos integrantes da Força Pública. Natureza 1950 1951 1952* Queixas recebidas 11.600 13.900 920 Fiscalizações 1.260 1.830 125 Estabelecimentos fiscalizados 23.290 27.380 375 Processos 2.538 2.742 51 Termos de advertência 393 1.057 17 Ofícios expedidos 198 387 16 Comunicado à imprensa 83 303 13 Quadro 05: Produtividade do Departamento de Fiscalização do CEP. Fonte: Militia n. 26, Jan/Fev1952.161

* O ano de 1952 possui dados computados até o dia 23/01/1952.

Em fins de 1951 e início de 1952 é extinto o CEP e criada Comissão de

Abastecimento e Preços (COAP), que manteve, no Estado

de São Paulo, os oficiais trabalhando no setor de fiscalização. O Departamento de Fiscalização era composto por um capitão diretor, um capitão chefe geral de fiscalização, um major da reserva técnico em carnes e derivados, 6 tenentes fiscais,

158 Cantídio Sampaio foi oficial da Força Pública antes de se tornar vereador.

159 Tem-se notícia de que, na década de 70 do século 19, os integrantes do Corpo de Municipais

Permanentes foram designados para o setor de fiscalização de preços, por solicitação da Câmara de Vereadores ao Presidente da Província (TORRES, 1953, 14).

160 Edilberto Ferrarini chegou ao posto de Coronel da Polícia Militar, comandou a ROTA e hoje é

deputado estadual da Assembléia Legislativa.

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