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TEMMUZ-ARALIK 2010 DÖNEMİNE İLİŞKİN BEKLENTİLER VE

D- FİZİKSEL YAPI İLE İLGİLİ FAALİYETLER

III- TEMMUZ-ARALIK 2010 DÖNEMİNE İLİŞKİN BEKLENTİLER VE

Neste caso, a práxis sendo uma atividade teleológica, na qual a atividade perpassa pela possibilidade de pensar, refletir e imaginar o objeto após o processo de objetivação. Isto "distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha", pois o arquiteto ao construir o seu favo, ele, primeiramente, "construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador, e portanto idealmente" (MARX, 1996a, p. 298).

Entretanto, esta práxis no cotidiano, sofreu alterações no decorrer das mutações capitalistas. Como já se sabe, a Revolução Industrial possibilitou inventar novas formas de produzir, a inserção das máquinas, das rotinas organizacionais, da captura subjetiva, fez com que o homem perdesse sua possibilidade de criar, ele apenas faz conforme ditam os regulamentos, protocolos e manuais organizacionais.

O pensamento cotidiano orienta-se para a realização de atividades cotidianas e, nessa medida, é possível falar de unidade imediata de pensamento e ação na cotidianidade. As idéias necessárias à cotidianidade jamais se elevam ao plano da teoria, do mesmo modo como a atividade cotidiana não é práxis. A atividade prática do indivíduo só se eleva ao nível da práxis quando é atividade humano-genérica consciente; na unidade viva e muda de particularidade e genericidade, ou seja, na cotidianidade, a atividade individual não é mais do que uma parte da práxis, da ação total da humanidade que, construindo a partir do dado, produz algo novo, sem com isso transformar em novo o já dado. (HELLER, 2008, p. 49).

O cotidiano é regido e orquestrado conforme o sistema capitalista para a produção, com o objetivo da acumulação de lucros. O cortador de cana nada mais é que um corpo que executa suas ações em prol de poder alimentar as moendas que produzirão açúcar ou etanol. A cana cortada não é sua, não faz parte de sua produção, não recebe nada, além, daquilo que foi "concordado" entre as partes - organização e cortador. O trabalhador do corte de cana desconhece todo processo de produção, não sabe os cálculos complexos e manipulados do esforço de seu trabalho, seus direitos são camuflados, não possui alma nem história, são meras ferramentas do processo que facilmente são repostas, trocadas e descartadas, sua saúde apenas sob forma de dados estatísticos13, se tem dor é fingimento, se tem doença é licença médica, afastamento seguido de demissão. Sem possibilidades de retorno a empresa. O trabalho, mesmo nos dias atuais14, ainda é precário e penoso (GOMES, 2012).

O cotidiano é restringido, enquanto que a práxis dá "condições de orientar-se no mundo, de familiarizar-se com as coisas e manejá-las", o fenômeno inventado pelo sistema "não proporcionam, a compreensão das coisas e da realidade (KOSIK, 2011, p. 14) (Grifos do autor). O cotidiano de sua atividade passa a ser o cortar, despontar e amontoar, nada além do esforço físico. Não importa o que pensa, o que sente e suas ideias. Um ser limitado.

O reflexo próprio da vida cotidiana pressupõe um materialismo espontâneo: os homens intuitivamente percebem que o mundo exterior existe de modo independente de sua consciência. Mas o conhecimento das coisas fica bloqueado por uma outra característica da cotidianidade: a vinculação imediata entre teoria e prática, que conduz a uma imediatez do comportamento restrito à aparência manipulável das coisas, e desconhecedor da essência constitutiva dos fenômenos (FREDERICO, 2000, p 304).

Um ser limitado por pseudoconcreticidades criadas para enganá-lo sobre as manipulações. Afinal, porque o trabalhador deve ser manipulado? Porque o trabalhador deve ser limitado frente aos conhecimentos dos procedimentos? Para

13 A Norma Regulamentadora 31, só foi criada em 2005, depois de séculos de trabalho precário. Nela

dispõe sobre as partes responsáveis pela segurança e saúde no trabalho rural.

14 Com a atividade tendo um histórico de exploração, no dias atuais já foram criadas leis e decretos

com o objetivo de fornecer direitos a estes trabalhadores. Mas isto não garante ao trabalhador que elas são executadas, muitas das vezes são manipuladas. Por outro, ainda é necessário criar melhorias para a condição de trabalho, como o fim do salário por produção. Em vez disto, tem-se a prática de mecanizar o canavial, dando fim aos problemas enfrentados com estes trabalhadores e diminuindo os gastos salariais.

ser iludido e ludibriado. A ganância do capitalista pensa nos mais maquiavélicos cálculos para obter seu ganho, assim, o salário do trabalhador é manuseado em prol da "necessidade da vitória do capitalista" (MARX, 2008, p. 23).

O apego à aparência fenomênica faz com que o homem, no cotidiano, se relacione com um mundo heterogêneo e descontínuo. Todas as atenções são mobilizadas nesse relacionamento, mas a fragmentação do mundo aparencial impede o homem de relacionar os fenômenos entre si (FREDERICO, 2000, p 304).

Nem por isto, pode-se dizer que o ser vive na ilusão, em um mundo fantasmagórico. O cotidiano é constituído pela mescla do real e do manipulado. O manipulado acaba se tornando o "real". Assim, o fenômeno é composto por infinitas mediações que fazem parte do cotidiano do ser, mediações estas que possuem pinceladas de verdades e mentiras. Como método, cabe quebrar estas pseudoconcreticidades para limpar a imagem fosca que encobre o concreto. De modo seguro para que a singularidade não seja denegrida com o simples fato de ser/estar "enganado"; de modo cauteloso para que o cotidiano não perca seu significado.

O pensamento comum é a forma ideológica do agir humano de todos os dias. Todavia, o mundo que se manifesta ao homem na praxis fetichizada, no tráfico e na manipulação, não é o mundo real, embora tenha a "consciência" e a "validez" do mundo real: é "o mundo das aparências" (Marx) (KOSIK, 2011, p. 19).

Os fenômenos e as formas fenomênicas das coisas se reproduzem espontaneamente no pensamento comum como realidade (a realidade mesma) não porque sejam os mais superficiais e mais próximos do conhecimento sensorial, mas porque o aspecto fenomênico da coisa é produto natural da práxis cotidiana (Idem).

Neste ponto, os argumentos indicam que para cada singularidade existe uma cotidianidade. Cada indivíduo deste mundo possui sua própria rotina, o seu cotidiano, isto é fato. No caso dos trabalhadores do corte de cana, cada qual possui sua rotina, uns vão para casa após a exaustiva jornada de trabalho, outros para o bar, para o culto religioso, outros preferem dormir, uns comem ao chegar, outros dormem de barriga vazia. Existem inúmeros cotidianos, mas que estão ligados a um determinante comum: todos estão inseridos em um sistema capitalista.

O núcleo motor de todas as vidas é dirigido pelo capital, sem exceções. O cotidiano é da base capitalista. Com isto, a peça chave deste quebra-cabeça é a forma com que o capital intervém no cotidiano das pessoas. Quais são os mediadores que informam esta imposição dos valores capitais nas vidas das pessoas? Como age a ideologia capitalista? E, principalmente, como a subjetividade é capturada pelo capital?

Tais questões estão escondidas no cotidiano, seja dos trabalhadores como, também, por mim15. Conhecer e unir as particularidades que mediam a relação do singular com o universo, isto não quer dizer que a totalidade do fenômeno será conhecida, impossível, mas possível compreender como se estrutura os agentes do sistema capitalista, como afirma Mészáros (2011),

a verdadeira relação ontológica entre humanidade e natureza é totalmente deturpada, com consequências potencialmente devastadoras, a serviço da eternização do mundo do capital, de forma que não haja a menor esperança de fugir dele nas circunstâncias históricas em mudança (p. 40).

Se a condição ontológica do ser social é deturpada, assim é por causalidades16 que determinam a objetividade. Causalidades com base na "eternização do mundo do capital", que institui as necessidades e limitam as possibilidades17. Nesta dicotomia, o sujeito ludibriado pelos benefícios das necessidades submete-se às suas possibilidades impostas e determinadas pelo capital.

O trabalhador sem escolaridade, sem escolhas possíveis18, advindo de uma família miserável só lhe resta à possibilidade do corte de cana. O sistema cria um

15 Muitas vezes é necessário refletir, apagar e reescrever os argumentos deste texto. Perceber o que

é concreto e o que é uma pseudoconcreticidade não é uma tarefa fácil, mesmo porque, partes deste quebra-cabeça são desconhecidas por mim, como é o caso de questões jurídicas, econômicas e técnicas do setor de açúcar e álcool no Brasil.

16 As causalidades aqui referidas são as naturais como as postas. O ditado que "aqui só não fazemos

chover, de resto fazemos tudo" está cada vez mais sendo desbancada com projetos tecnológicos que interferem e modificam a própria natureza: já é possível fazer chover. Se não modificam a natureza do universo, criam sistemas que podem ser manipulados conforme a natureza desejada, como é o caso das estufas de hortaliças.

17 As necessidades são apresentadas e inventadas, isto não quer dizer que todos têm a possibilidade

de acesso. Como o caso da ralé brasileira, de Jessé de Souza, que não tem possibilidade de acesso ao mínimo para a sobrevivência.

18 Em uma cidade pequena, como é o caso de Jacarezinho - PR, são poucas as possibilidades de

enquadre, na qual este trabalhador se identifica, e deste enquadre só será possível sair dele com muito "esforço e dedicação", já que "o trabalho enobrece o homem". O cotidiano não é feito pelo sujeito, ele é imposto pelo sistema, como no "mito da caverna" onde os sujeitos são algemados e levados a crer que a realidade é a sombra refletida no fundo da caverna. O cotidiano "é o mundo da intimidade, da familiaridade e das ações banais" (KOSIK, 2011, p. 80).

O ser está familiarizado com um cotidiano sistematizado e doutrinado pelo "mundo do capital", na qual ele faz parte não como um sujeito portador de uma subjetividade crítica deste sistema, mas como uma ferramenta de ação para a sobrevivência do capital, alienada ao sistema "formado de aparelhos e equipamentos que ele próprio determinou e pelos quais é determinado" (KOSIK, 2011, p. 74) (Grifos do autor). O sujeito passa a ser objeto, a dialética é entre objeto- objeto, "a particularidade foi superada e substituída pela universalidade absoluta" (KOSIK, 2011, p. 76).

O sujeito é apenas um objeto identificado pelos seus números: número de identificação, tonelada cortada, absenteísmo, turn-over. Tudo delimitado no início da safra, o cálculo é complexo e, como aponta Furtado; Svartman (2009),

o trabalho é planejado sobre a base de um cálculo racional de lucratividade e, dessa forma, realizam-se uma previsão e um cálculo cada vez mais exatos de todos os resultados a serem atingidos (p. 96).

A lucratividade passa pelo número de contratados conforme o dossiê histórico do sujeito, basicamente da tonelada cortada e números de faltas. A tonelada cortada deve ser acima de 8 ton/dia, diferenciando entre homens e mulheres, dando destaque para aqueles que conseguem ganhar perto dos R$ 2.000,00 mensais, abaixo dos R$ 800,00 é descartado, se durante os 90 dias de experiência19 não conseguir chegar na média, também é descartado, procedimento realizado para os trabalhadores que não possuem histórico de passagem pela empresa. O sistema determina o cotidiano dos trabalhadores. Para Heller (2008), "a vida cotidiana não está 'fora' da história, mas no 'centro' do acontecer histórico: é a verdadeira 'essência' da substância social" (p. 34).

impostas pelo capital: sem escolaridade e sem condições (políticas públicas) de aprimoramento e conhecimento em outras atividades.

19 Conforme Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 que aprova a Consolidação das Leis do

Para saber quem fará parte das turmas do corte de cana e a quantidade necessária para a safra também não á fácil. E neste cálculo que está o futuro das pessoas, serão integradas ou não ao grupo de trabalhadores do corte de cana. Basicamente está pautado no total de áreas plantadas, para que se tenha o número de hectares a ser colhido no ano. Sabendo disto, há o cruzamento com os números da indústria, que trabalha na potência máxima, conforme a capacidade de moagem de 7,2 mil20 toneladas/dia. Estes 7,2 mil são divididas em colheita mecanizada, colheita manual e colheita de fornecedor. Antes de esclarecer sobre o cotidiano e sobre a consciência do trabalhador do corte de cana e seus mediadores, é importante destacar o como os outros meios de colheita interferem na rotina dos trabalhadores rurais.

Sabe-se que das 7,2 mil toneladas de capacidade diária da indústria: 2 mil toneladas são de fornecedores (não importa como), 3,2 mil de colheita mecanizada (funcionando 24 horas, apenas com trocas dos operadores) e que, o restante, 2 mil toneladas deve ser por meio de colheita manual, na qual, a produção da mais-valia ganha maior destaque. Cabe explorarmos o cálculo racional de lucratividade (FURTADO; SVARTMAN, 2009).

A produção capitalista não é apenas produção de mercadoria, é essencialmente produção de mais-valia. O trabalhador produz não para si, mas para o capital. Não basta, portanto, que produza em geral. Ele tem de produzir mais-valia. Apenas é produtivo o trabalhador que produz mais-valia para o capitalista ou serve à autovalorização do capital (MARX,1996b, p. 138)

Neste instante não se fala em corpos, apenas nos números; nada palpável, e sim, calculado; usa-se planilhas, estatísticas, capacidades, calculadoras, médias, índices etc; nada escapa, nem mesmo as causalidades naturais, ela faz parte das médias: chuva, sol, desastres etc.

Um dado já se sabe: o corte manual deve ser responsável por colocar dentro da indústria 2 mil toneladas de cana por dia. Neste ponto, o corpo bom é o que produz muito, quase não tenha faltas e de poucas incidências com problemas de saúde.

O cálculo é complexo, mas útil para o planejamento da lucratividade. Primeiro, a indústria trabalha 24 horas por dia e 7 dias por semana, ou seja, no período de

20 Os cálculos e valores informados são referentes ao planejamento e capacidade da empresa para a

safra21 a indústria não para, só em caso de quebras. Como a empresa deve respeitar os Direitos Trabalhistas - CLT e os Acordos Coletivos, o trabalhador deve seguir as normas básicas: jornada de 8 horas de trabalho, parada para almoço e descansos22. Transformando em números a média da capacidade de corte de cada trabalhador é de 7 toneladas por jornada de trabalho, mas o trabalhador não trabalha no domingo, ou seja, deve compensar em sua jornada de trabalho. Com a meta de 2 mil ton/dia dentro da indústria, multiplicado por 7 dias, teremos 14 mil ton/semana. Como não trabalham no domingo, esta quantidade é dividida em 6 dias23, totalizando 2.333 toneladas24. O que antes era de 2 mil, passa a ser 2,3 mil toneladas diárias.

Deste montante, sabe-se qual o número parcial de trabalhadores: 2,333 mil divididos pela média de corte de cada trabalhador: 7 ton. Resultado: tem a necessidade de 333,33 trabalhadores, mas não se encerra por aí, tem sempre trabalhadores que faltam, que estão afastados, em serviço leve25, estes são inclusos nos números de absenteísmo26, que está em 8%. Longe de chegar ao final, soma-se o valor de absenteísmo ao número parcial de trabalhadores: 333,33 + 8% = 359 trabalhadores necessários para o corte de cana.

Temos o número de cortadores, continuando a complexidade, para este grupo de trabalhadores executarem sua atividade, necessita-se de outros corpos: motorista do ônibus, banheirista, fiscais. Corpos do mesmo estigma, que ocupam espaço, espaço este que poderia ser ocupados por quem produz, espaço que tem seu custo. Os cortadores são divididos em grupos formando as turmas, normalmente cada turma possui seu ônibus, como a lei é cumprida, cada ônibus tem a capacidade de

21 Em 2013 foi de abril a dezembro. 22 Não obrigatório.

23 Segunda a Sábado.

24 Não se pode esquecer os valores das casas das dezenas e centenas. Faz uma grande diferença

no final do cálculo.

25 São os trabalhadores que não podem exercer o trabalho do corte por motivos de saúde, mas

podem realizar atividades leves: montar barracas, cuidar do acampamento, instalar banheiro, etc.

26

(S + A + J) * MP

= P 100

S - Serviço leve A - Afastados J - Ausência no trabalho MP - Média de Absenteísmo nos últimos anos P - Índice de Absenteísmo

acomodar 50 pessoas, este é o espaço de custo. Dentro do ônibus um lugar é garantido: o motorista. A empresa também necessita do fiscal, pois é ele quem irá fazer o controle no campo, este pode ser 1 ou 2, conforme o tamanho e a capacidade da turma; e, por fim, o banheirista, responsável por montar os banheiros, normalmente realizado por trabalhadores em situação de "trabalho leve". Enfim sobra-se 4627 lugares específicos para os trabalhadores do corte de cana.

Se dividir os 359 trabalhadores necessários para o corte pelo número de lugares, tem-se a necessidade de 7,80 turmas/ônibus. Como o espaço tem seu custo, o ônibus também tem o seu custo28, desta forma, procura-se amenizar o máximo possível. Agora, com a finalidade de se ter o número exato, soma-se os trabalhadores que cortam/bituca29 mais os que realizarão o trabalho de plantio, que também podem realizar o corte/bituca, na qual, fora constatado a necessidade de 100 trabalhadores30. Concluindo: serão necessários 459 trabalhadores envolvidos com o corte de cana, que ocupam 9,97 turmas/ônibus, ou seja, 10 turmas31 que devem ser provenientes de cidade mais próximas possíveis, a fim de evitar custos altos com km/rodado, e em cidades onde o agenciador consiga montar uma turma completa. Desta forma o quadro de proveniência das turmas ficou da seguinte forma:

Tabela 01. Nomes das turmas de cortadores de cana e sua cidade de procedência

Turmas Proveniência Turma 17 Andirá - PR

Turma 22 Sto. Antonio da Platina - PR Turma 32 Sto. Antonio da Platina - PR

27 Número variável.

28 Valor em R$ por Km rodado, o transporte é terceirizado.

29 Corta o restolho de cana que fica plantado para que fique rente a terra e amontoam o restolho já

cortado para ser moídos.

30 O pesquisador desconhece o cálculo para esta atividade. Este número fora relatado em reunião de

planejamento com muitos questionamentos, se era o bastante ou não, com o objetivo de amenizar o máximo possível, este número está sendo o mínimo. Caso necessite de mais trabalhadores durante a safra, poderá ser feito a contratação desde que a direção aprove, com questionamento. Pois esta necessidade já deveria estar estipulada e dentro do planejamento da safra (Diário de Campo, todo o mês de fevereiro de 2013).

31 O final da safra de 2012 encerrou com 11 turmas, conforme Diário de Campo de abril/2013, esta

Turma 34 Andirá - PR Turma 36 Andirá - PR Turma 38 Cambará - PR

Turma 39 Sto. Antonio da Platina - PR Turma 40 Andirá - PR

Turma 41 Sto. Antonio da Platina - PR Turma 43 Ribeirão do Pinhal

Com o fim do planejamento já se sabe o número exato para o cumprimento das metas, cabe montar quem fará parte da turma, neste momento não importa a subjetividade, mas a sua produção. Com uma ficha cadastral - modelo de currículo entregue a todos que chegam no RH - na qual é preenchido pelo próprio agenciador, pois muitos não sabem escrever nem ler, ou quando a letra é perfeita, sabe-se que foi a filha ou algum parente que auxiliou, não se percebe escolaridade, funções exercidas, históricos de vida, cursos etc., nada é visto, com o seu nome o sistema é acionado e se for um candidato que já passou pela empresa terá seu dossiê arquivado, dois dados: número de faltas e número de toneladas de corte. Caso se enquadre está dentro da empresa. Candidatos que não possuem um dossiê são aceitos, conforme idade, porte físico e, de preferência, do sexo masculino. Se cumprirem a meta nos 90 dias de avaliação, continuam, caso contrário, são demitidos e contratados outros para o lugar, o mais rápido possível.

A racionalidade instrumental e as estratégias financeiras atingem, pois, o objetivo: utilizar o sujeito, que acredita ser em grande parte autônomo, para super explorá-lo e aliená-lo. O processo de alienação é tão mais insidioso que muitas pessoas colaboram com a própria alienação. Tornam-se utensílios manuseados pelos dominantes no alto de sua potência (ENRIQUEZ, 2006, p. 6).

É desta forma que se dá a sustentação de que o cotidiano das pessoas está permeado pelo sistema capitalista, visando o lucro, dão-se as coordenadas de quem irá ou não fazer parte do grupo de trabalhadores do corte de cana. O cotidiano, a priori, "não se manifesta ao homem como realidade por ele criada, mas como um mundo já feito e impenetrável, no seio do qual a manipulação se apresenta como engajamento e atividade" (KOSIK, 2011, p. 75) (Grifos do autor).

Se entender que este Cálculo Racional de Lucratividade não possui nenhum resquício manipulado, que apenas são cálculos com base em números reais,

precisos e estatísticos, de fato tem razão caso a base seja encarada como pseudoconcreticidades existentes na totalidade do fenômeno. Resgatando a crítica de Lukács (2012) sobre a matematização da totalidade, provenientes de um pensamento positivista/neopositivista, portanto corre-se o risco de fazer da realidade apenas o calculável, dos números, esquecendo-se de fatores/fenômenos que afetam a ontologia do ser social.

Como pólo oposto e complementar, vê-se, de outro lado, que métodos teóricos também teoricamente corretos, fecundos, indispensáveis, podem ao mesmo tempo afastar os seres humanos da apreensão verdadeira do

Benzer Belgeler