Em 1973 eclode a crise do petróleo, países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP51 ocasionaram a redução das quotas de produção, promoveram embargos de exportações para os Estados Unidos e alguns países da Europa e triplicaram os preços do petróleo, esta série de acontecimentos causou uma crise mundial afetando diretamente os Estados Unidos.
Antes de discutirmos o mercado global, é importante formalizar a implantação do mercado de combustíveis e óleos dentro do Brasil, percebendo um caminho paralelo com os acontecimentos do mercado interno com o externo. Resgatando um artigo de autoria de Celso Fernando Lucchesi (1998), que na época de sua publicação era superintendente executivo de Exploração e Produção da Petrobrás, o autor apresenta a história do Petróleo no Brasil. Interessante perceber a participação do governo em pesquisas para descobrir bacias de óleo e gás. Para o autor, a exploração no Brasil está relacionada com a legislação do petróleo no Brasil, na qual, ele a divide em fases: Período Pré-Petrobrás (1858 - 1953), Período de exclusividade da Petrobrás (1954 - 1997) e o Período pós-lei 9478/97– A transição (1997 em diante).
Com o intuito de descrever sobre os órgãos empenhados no assunto, vale destacar a corrida pela tecnologia para a exploração do petróleo com medidas legislativas para o trabalho envolvendo a produção de óleos e derivados, isto confluente - consciente ou não - do mercado estrangeiro, assim, averigua-se que neste capítulo muitos dados podem ser ajustados ou até mesmo duplicados no capítulo sobre a participação do Estado.
Retornando aos estudos de Lucchesi, a primeira fase, chamada de Período Pré-Petrobrás (1858 - 1953), esta é marcada por duas etapas, a primeira de 1858 até 1938 que pouco se mostrou ao Brasil em respeito à qualidade de um real e próspero produtor de petróleo. Pelo contrário, todo o período ficou a cargo da iniciativa privada, a de pesquisa e de abertura de bacias que, só entre 1892 e 1897 o "fazendeiro Eugênio Ferreira de Camargo perfurou em Bofete (SP) o que foi
considerado o primeiro poço petrolífero do Brasil, tendo sido reportada a recuperação de dois barris de petróleo" (LUCCHESI, 1998, p. 20). Dentro desta mesma etapa, foi criado o Serviço Geológico e Mineralógico Brasileiro - SGMB -, em 1907, que aumentou as atividades de perfuração, através de novas tecnologias, como as sondas e de profissionais da área de engenharia e geologia.
Ainda com poucos incentivos financeiros e tecnológicos, em 29 de abril 1938, o então presidente Getúlio Vargas, promulga o Decreto-Lei nº 395 que, em seu art. 4º, cria o Conselho Nacional de Petróleo - CNP, incumbida de autorizar, regular e controlar tudo a que se refere ao petróleo em "defesa dos interesses da economia nacional", além de autorizar as operações financeiras das empresas; fiscalizá-las, bem como as operações mercantis (BRASIL, 1938). Com isto dá-se início a segunda etapa do Período Pré-Petrobrás, mas sem muitos avanços na produção de petróleo, apenas com aberturas de poços de pequena produção de óleo e gás e de importantes pesquisas para descobertas de bacias petrolíferas.
O Período de exclusividade da Petrobrás (1954 - 1997) deu início com a criação da Petrobrás que,
[...] foi criada, após longa campanha popular, para servir de base à indústria do petróleo no Brasil e para exercer, em nome da União, o monopólio de exploração, produção, refino, transporte e comercialização do petróleo e seus derivados. Fazia parte de um ciclo histórico no qual se tentou montar as bases industriais brasileiras por meio da criação de estatais nas áreas de siderurgia, metalurgia e petróleo. A empresa tinha como missão suprir o mercado interno com petróleo e seus derivados, fosse pela produção nacional, fosse pela importação. Criada pela lei 2004 (3/10/1953) e instalada em 10/5/1954 (ibidem, p. 21).
Neste período, divido em fases que, em sua primeira (1954/1968), foi caracterizada pela instalação da Petrobrás. Para isto, foram contratados técnicos estrangeiros para pesquisas no Recôncavo Baiano e na Amazônia, em especial, do geólogo norte-americano Walter Link que foi contratado para implantar uma estrutura organizacional nos moldes da indústria norte-americana, talvez como parte de uma "política de divisão dos lucros" e que acionava o Brasil como “área de teste para os modernos métodos científicos de desenvolvimento industrial baseado no capitalismo intensivo”, pautando-se na “americanização do Brasil”, conforme as
palavras de Gerald Haines52 (CHOMSKY, 1999, p. 15). Em 1960, foi fundada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo - OPEP53 -, do mesmo modo que, em 1961, foi divulgado o Relatório Link que apresentava resultados negativos quanto a bacias de grande porte em áreas terrestres (LUCCHESI, 1998, p. 22).
Este período, marcado pela Guerra Fria que acarretou na maior guerra pós a II Guerra Mundial, a Guerra do Vietnam (1961 - 1975), travada entre o Vietnam do Sul e os EUA com o Vietnam do Norte para tentar (sem sucesso) evitar que as forças comunistas e nacionalistas unificassem o país. Nesta mesma época, os Estados Unidos, governado pelo democrata John Kennedy, aplicavam a "Aliança para o Progresso" (1961), programa assistencial para a América Latina, destinado a combater o antiamericanismo decorrente da vitória da revolução cubana. Em 1962, é criado a Organização dos Estados Americanos - OEA, que exclui Cuba da organização, por manter relações políticas com a União Soviética e combate movimentos "subversivos de ideologia marxista", fazendo com que a "'política norte- americana para o Brasil' como 'extremamente bem-sucedida', 'uma verdadeira história de sucesso americano'" (CHOMSKY, 1999, p. 15).
Neste bojo, a "política norte-americana para o Brasil" deu continuidade nos próximos anos de governo militar, do mesmo modo caminhou as políticas para o Petróleo no Brasil com a segunda fase (1969 - 1974), sem muito sucesso nas bacias terrestres, em 1972 o Brasil cria a Braspetro para trazer do exterior o petróleo que o Brasil não produzia, neste ponto, um dos principais acordos do Brasil foi firmado com o Irã54 em 1971 (FARES, 2007).
Com o novo cenário criado pela primeira crise do petróleo, o Iraque vinha sendo considerado um dos melhores mercados do mundo árabe pelo governo brasileiro. Como era de se esperar, não havia uma política única para todos os países do Oriente Médio. A “opção iraquiana” parecia, desde o princípio, se não a melhor alternativa para o Brasil entre os produtores de
52 Especialista em história da diplomacia e antigo historiador da CIA: “Depois da 2ª Grande Guerra, os
Estados Unidos assumiram, por interesse próprio, a responsabilidade pela prosperidade do sistema capitalista mundial” (CHOMSKY, 1999, p. 11).
53 Formada originariamente por Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela.
54 A relação Brasil - Irã pode ser controvérsia sob a perspectiva do Brasil em relação aos Estados
Unidos, já que este possui forte rasco ao Oriente Médio. Cabe lembrar que até 1979 o Irã era governado por Mohamed Reza Pahlevi que mantinha boas relações com os Estados Unidos, talvez por "políticas de trocas de favores". Com a crise econômica a ocidentalização do país, o governo de Pahlevi entrou em crise e em 1º de abril de 1979 o aiatolá Ruhollah Khomeini assumiu o governo transformando o país em uma república islâmica, dando fim as relações com os Estados Unidos e aplicando as políticas "religiosas" por nós conhecidas, como a aplicação estrita da lei do Alcorão.
petróleo, aquela com excelentes perspectivas para o futuro. A ação diplomática brasileira tornou-se pró-ativa em relação ao Iraque. Afinal, o país necessitava importar praticamente tudo, de alimentos a manufaturados e, ao mesmo tempo, era grande exportador de petróleo, produto do qual o Brasil dependia (ibidem, p. 131).
Dependia e muito, "o Brasil era o maior importador de petróleo entre os países em desenvolvimento e o sétimo em escala mundial, sendo necessários cerca de 40% das exportações brasileiras para pagar a importação somente desse produto" (SANTOS, 2000, p. 56.). Desta forma, necessitava haver uma saída que poderia ser resolvida com a produção de álcool, assim, o governo brasileiro assumiu o compromisso de regular a produção de combustível a álcool, talvez como uma saída aos altos custos do petróleo externo. Em 6 de agosto de 1966, publicam o Decreto-Lei nº 16, na qual, se dá o total controle da produção de álcool e açúcar ao governo que designa a produção de forma "clandestina" (BRASIL, 1966). Este decreto dá o controle do açúcar e do álcool à autarquia do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), que procura "corrigir as irregularidades havidas nesse setor da economia", já que a produção "não têm proporcionado resultados eficazes que a conjuntura atual exige". Ou seja, ao invés de ser uma política para sustentar / alavancar o mercado (interno / externo) numa possível crise (7 anos depois), este controle é para uma "conjuntura atual" que, no momento, estava buscando aliviar os gastos com a compra do petróleo externo como uma fonte energética alternativa.
Com isto, grande parte das usinas e destilarias se regularizaram mediante os órgãos públicos, como é o caso das seis usinas e destilarias existentes e extintas na região do Norte Pioneiro do Paraná: Usina Bandeirantes, localizada na cidade de Bandeirantes - PR, que se inscreveu no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica no dia 26 de agosto de 1966; a Companhia Agrícola Usina Jacarezinho, hoje Grupo Maringá, situada na cidade de Jacarezinho - PR, tem seu CNPJ inscrito do dia 20 de julho de 1966; Usina Cambará S/A - Bioenergética, da cidade de Cambará - PR, com CNPJ inscrito em 29 de agosto de 1966.
Após 1966, temos a Dacalda Açúcar e Álcool Ltda., da cidade de Jacarezinho - PR, inscrita em 20 de novembro de 1973; Destilaria Americana S/A, da cidade de Nova América da Colina - PR, inscrita em 25 de maio de 1981; Dail S/A Destilaria de
Álcool Ibaiti, da cidade de Ibaiti - PR, inscrita em 09 de setembro de 199355 (RECEITA FEDERAL, 2013).
Enfim, a crise de 1973 eclodiu após a Guerra do Yom Kippur envolvendo israelenses e árabes que, de forma irônica, Yom Kippur é o dia dedicado ao perdão e à expiação de culpas para os judeus, como muçulmanos nada têm a ver, ocorre a luta de setembro a dezembro encerrando com a intervenção da ONU (não é de se assustar que os Estados Unidos também estavam envolvidos no confronto). Este conflito gerou uma série de medidas impostas principalmente pela OPEP e pelos países exportadores de petróleo do oriente médio que elevaram o preço do barril de petróleo (de US$ 3 para US$ 12) afetando toda a economia mundial dos países importadores, dentre eles, o Brasil56.
Para Mészáros (2011a; 2011b) as crises ocorridas na década de 1970 culminou numa "crise estrutural do capital", na qual foi o estopim para eclodir uma nova mudança ideológica (ibidem, 2004), dando fim a toda uma ideologia pós-guerra nos moldes dos estudos keynesianos57, além do mais, foi o colapso do Estado de bem-estar. Nesta década, há o surgimento de um "novo estado industrial", título do livro de Galbraith (1967-1971) superando o "cenário keynesiano do desenvolvimento e do progresso econômico" afundando o sonho da soberania capitalista já que era o "modelo insuperável para o futuro" (MÉSZÁROS, 2004, p. 131).
No período de 1969-73, os Estados Unidos adotam uma política monetária frouxa, e a capacidade de imprimir moeda, em qualquer montante que parecesse necessário para manter a economia estável, contribui para a
55 Dados coletados pelo Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, pelo Comprovante de Inscrição e de
Situação Cadastral, da Receita Federal.
56 Como exemplo do aumento do preço do barril, no caso do Iraque "o aumento no preço do barril do
petróleo, o governo iraquiano tinha dinheiro e determinação suficientes para investir em infra- estrutura com vistas ao projeto de modernização do país e fazer pesados investimentos militares. Do ponto de vista financeiro, o país passava a faturar mais que o triplo em 1973 quando comparado ao ano anterior. Em 1974 esse número havia se multiplicado em cerca de dez e, em 1980 (ano de maior pico nas receitas com o petróleo), em cinqüenta, tendo como base ainda 1972. Tudo isso teve repercussões claras na política externa iraquiana" (FARES, 2007, p. 130).
57 "A essência da fórmula keynesiana consiste em deixar as decisões particulares sobre a produção,
mesmo as que envolvem preços e salários, aos homens que atualmente executam. A área de ação do homem de negócios não fica de modo algum restringida. A decisão centralizada só é aplicada em relação ao clima em que estas decisões são tomadas: assegura apenas que os fatores que influenciam a decisão livre e inteligente conduzam a uma ação privada que contribua para a estabilidade econômica. Portanto, em épocas de depressão, o aumento dos gastos do governo ou a redução da tributação provocarão ou permitirão um aumento na demanda. As decisões empresariais resultantes quanto à produção e ao investimento, embora não submetidas a um controle, resultarão em aumento de produção e emprego" (GALBRAITH, 1963 apud MÉSZÁROS, 2004, p. 131, n.r.).
onda inflacionária. Observa Harvey (1992, p. 135): "O mundo capitalista estava sendo afogado pelo excesso de fundos; e, com as poucas áreas produtivas reduzidas para investimento, esse excesso significava uma forte inflação". Além disso, a formação do eurodólar na década de 1960 colabora para a redução do poder norte-americano de regulação do sistema financeiro internacional (ALVES, 2011, p. 13).
É neste cenário que também ocorre uma crise no modelo fordo-taylorista de produção, o declínio de uma "administração científica" que coloca a ciência a favor da opressão e da exploração dos trabalhadores dentro das fábricas, conforme as palavras de Taylor (1990, p. 53): "um dos primeiros requisitos para um indivíduo que queira carregar lingotes de ferro como ocupação regular é ser tão estúpido e fleumático que mais se assemelhe em sua constituição mental a um boi". Nessas condições de "bovino", o trabalhador fica incapaz de questionar o próprio trabalho, de "entender a ciência que regula a execução desse trabalho", para isto, cabe ao "homem mais inteligente" treinar o trabalhador e ditar as ordens do processo. Algo se assemelha com os trabalhadores rurais?
Com o colapso do modelo fordo-taylorista e econômico na década de 70, pautado na máxima produção de bens, que surge com Eiji Toyoda e seu engenheiro Taiichi Ohno o modelo toyotista de administração organizacional, tendo como pontos fundamentais: eliminação de desperdício e fabricação com qualidade; assim seu sistema faz com que haja um maior comprometimento e envolvimento do trabalhador não só na produção, mas também no processo de decisão (RODRIGUES-FILHO, 2011). Segundo Antunes (1999, p. 54) o toyotismo utiliza-se de,
Novas técnicas de gestão da força de trabalho, do trabalho em equipe, das “células de produção”, dos “times de trabalho”, dos grupos “semi- autônomos”, além de requerer, ao menos no plano discursivo, o “envolvimento participativo” dos trabalhadores, em verdade uma participação manipuladora e que preserva, na essência, as condições do trabalho alienado e estranhado.
Neste sentido, a mudança comportamental do trabalhador passando de um subalterno para um trabalhador polivalente, multifuncional, qualificado e de decisão, rompendo com as grandes pirâmides hierárquicas para uma estrutura horizontalizada, neste novo processo que surge com a "crise estrutural do capital" é que Castillo (1996 apud ANTUNES, 1999, p. 52) emprega a expressão “liofilização organizativa” para um padrão de acumulação flexível.
Segundo David Harvey, a acumulação flexível caracteriza-se a partir do confronto direto com a rigidez do fordismo. Aquela se apoiaria na "flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo" e "caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional" (HARVEY, 1992, p. 138. Para ele, o conceito de acumulação flexível envolveria também rápidas mudanças nos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores (por exemplo, o crescimento do emprego no chamado setor de serviços) como entre regiões geográficas (o surgimento de conjuntos industriais completamente novos na Terceira Itália, no Flandres e nos vários vales e gargantas do silício, na Califórnia, e a vasta profusão de atividades em países recém-industrializados) (ALVES, 2011, p. 13).
É seguindo esta flexibilidade que há a mudança ideológica, não só com o trabalhador, mas em todo o cenário social mundial descrito por Meszáros, justificando o "poder da ideologia" para a soberania do capitalismo. Visto isto, pode- se questionar sobre estas mudanças estruturais do capital visando à abertura de uma economia por meio da "profusão de atividade em países recém- industrializados". Ora, se pegarmos o seguimento automobilístico no Brasil, conforme o gráfico 1, perceberemos que esta procura por "países recém- industrializados" não ocorrera na década de 70 e 80 no Brasil de forma impactante. Analisando o gráfico, é possível ver que a instalação das empresas automobilísticas ocorrera em 4 períodos: o primeiro período (57 - 59), foi com as políticas de industrialização do governo de Juscelino Kubitschek, dando destaque à produção de caminhões e ônibus, já que neste governo procurou-se diminuir as barreiras regionais no Brasil com construção de estradas e rodovias. Como marco, a construção de Brasília, onde seria a futura sede do governo federal a partir de 1960; o segundo período (76 - 83), é o momento que ocorre a mudança "estrutural do capital", principalmente nos Estados Unidos da qual a crise fez com que suas empresas procurassem expandir o mercado, a globalização. Nesta ânsia em cruzar fronteiras, nos parece que o Brasil não foi um país de interesse das montadoras de veículos, já em outros seguimentos (caminhões, ônibus e comerciais leves), a instalação ocorreu de forma tímida; se foi de forma tímida na década de 70 e 80, ao invés disto, ocorrera na década de 90 e 2000, mais precisamente de 1996 a 2002, o terceiro período, que ganha destaque por ter o incentivo do governo liderado por Itamar Franco, que assume o poder após o impeachment de Fernando Collor com a
missão de combater a alta inflação, para isto, nomeia Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazendo, após várias tentativas de indicação. Em fevereiro de 1993, Itamar Franco assina o protocolo do carro popular que aplica o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sendo de 0,1%, com isto buscou levantar a economia tendo o "Fusca Itamar" como exemplo a ser seguido com o seu motor 1.0 custando menos de R$ 8 mil (CR$ 700 mil), é neste período que se dá a "implantação e sustentação" do modelo econômico neoliberal, sendo que, para os países latinos é caracterizado como modelo econômico neoliberal periférico, para Filgueiras (2006) é chamado de periférico por ser,
[...] resultado da forma como o projeto neoliberal se configurou, a partir da estrutura econômica anterior do país, e que é diferente das dos demais países da América Latina, embora todos eles tenham em comum o caráter periférico e, portanto, subordinado ao imperialismo (p. 179, n. r.).
Nada incomum em ser subordinado ao imperialismo (norte-americano), mesmo por que já éramos alvo em outros tempos de uma "americanização do Brasil", conforme já vimos acima. O sucesso do projeto neoliberal só foi possível após as classes trabalhadoras não conseguirem "tornar hegemônico seu projeto nacional, democrático e popular"58, dando brechas "à unificação das diversas frações do capital em torno do projeto neoliberal - classes dominantes e interessadas (ibidem, 2006). Como pode ser visto desde a década de 90 até o presente momento, o fim das grandes greves lideradas pelo, então, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, Luis Inácio Lula da Silva.
Com o governo de Fernando Henrique Cardoso, o acordo com as empresas automobilísticas de manter o IPI em 0,1% até dezembro de 1996, conforme o acordo, não se manteve. Em fevereiro de 1995 o IPI subiu para 7%, nem por isso as empresas deixaram de investir no Brasil durante os dois mandatos de FHC, mesmo enfrentando fortes crises, como a quebra dos Tigres Asiáticos. Até o momento, o que nos parece convincente é que, em momentos de crises que afetam as grandes economias (Estados Unidos, Europa e Japão), os olhos dos investidores são voltados para os países subdesenvolvidos, como foi em 2008 com o declínio
58 Após "intensa atividade política desenvolvida pelas classes trabalhadoras na década de 1980 – que
se expressou, entre outros eventos, na constituição do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Partido dos Trabalhadores (PT) e na realização de cinco greves gerais entre 1983 e 1989" (ibidem, ano, p. 181).
imobiliário nos Estados Unidos, naquele período, os investidores focaram, principalmente, nos países supostamente com potencial, os BRICS59. Em 2002, vence as eleições Luís Inácio Lula da Silva,
Decidido a evitar o confronto com o capital, Lula adotou política econômica conservadora. Nos dois primeiros meses de 2003, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou os juros de 25% para 26,5%. De modo a pagar a dívida contraída com essa elevação, o Executivo subiu a meta de superávit primário de 3,75% em 2002, já considerada alta, para 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) e anunciou em fevereiro enorme corte, de 14,3 bilhões de reais, no orçamento público, quase 1% do produto