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Adim 7: Turbo Mod ne kadar açik kalsin?

2. Temizle seçenegine tiklayin

Foucault se consolidou como um estudioso do poder, sendo referência nesse tema obras como Vigiar e Punir (FOUCAULT, 1997), além da coletânea de artigos, conferências e entrevistas sobre o tema publicadas sob o título de Microfísica do poder (FOUCAULT, 1993). Vale ressaltar que sua teoria do discurso e sua teoria do poder não são, de maneira alguma, independentes, mas podem ser vistas próximas, como em A ordem do discurso (FOUCAULT, 1999).

Mesmo reconhecendo que as abordagens de análise do discurso e do poder em Foucault abrangem inúmeras discussões que poderiam orientar nossa pesquisa, precisaremos restringir a influência do seu trabalho para conseguirmos operar com base na proposta de Dijk (2015), perspectiva que escolhemos para o desenvolvimento dessa proposta. Tendo isso em vista, decidimos trazer para a discussão de nosso trabalho os modos de análise de poder e a relação entre poder e discurso.

Ao distinguir dois modos de abordagem da análise do poder, Foucault chama a atenção para o conceito que se tem de poder e, indo além, para tudo que se relaciona a ele:

Poderíamos assim opor dois grandes sistemas de análise do poder: um seria o antigo sistema dos filósofos do século XVIII, que se articularia em torno do poder como direito originário que se cede, constitutivo da soberania, tendo o contrato corno matriz do poder político. Poder que corre o risco, quando se excede, quando rompe os termos do contrato, de se tornar opressivo. Poder−contrato, para o qual a opressão seria a ultrapassagem de um limite. O outro sistema, ao contrário, tentaria analisar o poder político não mais segundo o esquema contrato−opressão, mas segundo o esquema guerra−repressão; neste sentido, a repressão não seria mais o que era a opressão com respeito ao contrato, isto é, um abuso, mas, ao contrário, o simples efeito e a simples continuação de uma relação de dominação. A repressão seria a prática, no interior desta pseudo−paz, de uma relação perpétua de força (FOUCAULT, 1993, p. 176).

Devemos nos atentar para alguns cuidados ao trabalhar em um desses sistemas. De um lado, a análise do poder que considere as relações entre os dominantes e os dominados como contrato-opressão pode contribuir para a manutenção do sistema ao legitimar alguns usos do poder que não se apresentem como abusivos. Por outro lado, conceber o poder como guerra-repressão pode gerar leituras que relativizem o uso do poder a ponto de desconstruir as lutas das classes dominadas por mais igualdade.

Embora uma comparação entre o estatuto do poder em Foucault (1993) e em Dijk (2015) ultrapasse demasiadamente os objetivos dessa pesquisa, e o uso de algumas noções de uma teoria sobre a outra corra o risco de descaracterizar ambas, arriscamo-nos em utilizar a divisão proposta por Foucault na análise que fazemos dos papéis dos agentes envolvidos nas relações de poder segundo a proposta de Dijk (2015).

Como vimos anteriormente, na seção 2.2, Dijk (2015) concebe os ECD como uma abordagem teórica de pesquisa que se preocupa em estudar os usos indevidos do poder, ou o abuso de poder, para se posicionar ao lado dos dominados. Essa descrição facilmente situaria os ECD entre os sistemas que concebem o poder como contrato- opressão, na concepção de Foucault (1993). No entanto, basta olhar com cuidado as descrições dos trabalhos apresentados para que o conflito entre os que exercem o poder e os que o obedecem assuma papel de destaque, mesmo que motivados por uma situação considerada abusiva.

Considerando as ressalvas feitas à divisão proposta por Foucault (1993) e nossa tentativa de análise dos papéis dos agentes envolvidos nas relações de poder baseada naquela proposta, reavaliamos a utilização do termo "abuso de poder" em nossa pesquisa e acrescentamos algumas novas perspectivas na relação entre grupos dominantes e dominados.

O termo "abuso de poder", como vimos, é vinculado ao seu contrário, o "uso legitimo do poder". Em nossa pesquisa, preferimos não entrar no mérito dessa discussão nem, de alguma maneira, tentar mostrar a linha que separa o uso legitimo e o abuso de poder. Decidimos, portanto, não utilizar o termo abuso de poder em nossa pesquisa.

Essa decisão poderia comprometer o posicionamento de nossa pesquisa do lado dos grupos dominados se desconsiderássemos a existência do conflito e da opressão de um grupo sobre o outro. Portanto, fortalecemos a existência da opressão ao aproximarmos a relação entre os grupos dominantes e dominados com a perspectiva de Freire (2014) sobre os opressores e oprimidos.

Destacaremos, da ampla análise de Freire (2014), duas posições essenciais quando trata do tema opressores-oprimidos. Primeiramente, cabe aos oprimidos uma dupla tarefa: libertar-se das contradições que carrega por ser oprimido e trazer dentro de si o opressor e libertar aos opressores desse papel desumanizado(r). A partir do cumprimento dessa tarefa, os oprimidos seriam capazes de restaurar a humanidade em todos. Em segundo lugar, a realização dessa tarefa apenas seria possível a partir da

negação do uso das táticas de dominação, como a manipulação, a propaganda e o dirigismo.

Ressaltamos que essas considerações fazem parte da sua proposta maior de apresentar uma pedagogia que atuasse na diminuição da injustiça e na humanização a partir da libertação dos oprimidos. Esse engajamento vem, em nossa pesquisa, figurar como uma opção para o posicionamento ao lado dos grupos dominados evitando, nesse momento, a discussão sobre a legitimidade do uso de poder.

Retomando outro aspecto da perspectiva dos estudos de Foucault (1993; 1999), ressaltamos o lugar do discurso em sua relação com o poder. Se o poder é visto como um contínuo embate de forças, o discurso assume uma função central nessa luta uma vez que, conforme ensina a história, “o discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas é aquilo pelo qual e com o qual se luta, é o próprio poder de que procuramos assenhorearmos.” (FOUCAULT, 1996).

Ao identificar o discurso com o poder, o autor chama atenção para a participação ativa do discurso nas estruturas de poder e suas modificações, abordagem seguida, de modo geral, pelos ECD e, de modo particular, em nossa pesquisa sobre as denominações dos bairros.

Retomaremos ainda neste trabalho a alguns apontamentos de Foucault (1993) que colaboram de modo mais específico no desenvolvimento dos objetivos propostos. Discutiremos sua perspectiva sobre as instituições quando desenvolvermos a discussão sobre o acesso na seção 4.1 e, ao tratar do conhecimento biográfico dos homens cujos nomes denominam os bairros de Fortaleza, evocaremos sua visão sobre a relação de dependência entre poder e saber.