Adim 7: Turbo Mod ne kadar açik kalsin?
2. Içerigi göster seçenegine tiklayin
3.8. Sorunları Onar
Nesta seção, apresentaremos os procedimentos metodológicos de coleta e análise dos dados referentes ao nosso primeiro objetivo específico. Vale ressaltar que as ações descritas a seguir, embora tenham acontecido de modo simultâneo aos procedimentos referentes aos outros objetivos específicos, relatam apenas a metodologia desta primeira parte de nossa pesquisa.
Nossa pesquisa inicia com uma sondagem na internet sobre os bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa e as biografias dos homens cujos nomes denominam esses bairros. Nosso interesse, nesse objetivo, era conhecer a origem das denominações dos bairros com foco na participação nos moradores nessa escolha.
Tendo visitado sites dos bairros, páginas educacionais e notícias jornalísticas, constatamos algumas narrativas diversas sobre a origem das denominações ou nenhuma narrativa que apresentasse motivações para essas escolhas. Essa primeira pesquisa procurou se familiarizar com as narrativas das origens dos bairros a fim de melhor tratar os dados que viriam do corpus a ser analisado, a saber, as leis que regulamentam as denominações e as leis que denominaram os bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa. Embora nosso objetivo não procure comparar as informações nessas diferentes fontes, uma comparação dessa natureza poderia reforçar os resultados obtidos.
Para buscar as leis que seriam analisadas nessa primeira parte de nossa pesquisa, utilizamos primeiramente o Sistema de Apoio ao Processo Legislativo disponível para consulta no site da CMFor7. Foi realizada tanto a busca textual como a busca na seção de Denominações, mas foram encontrados apenas quatro arquivos referentes às leis que regulamentam as denominações e cinco arquivos com leis que denominavam cinco dos trinta e um bairros.
Com essa pequena quantidade de material para a análise, refizemos a busca na internet a fim de criar uma lista com os números e anos de promulgação das leis que denominam os bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa para solicitar na CMFor as leis que não encontramos disponíveis no sistema.
Nosso corpus de análise para esse primeiro objetivo conta, portanto, com cinco leis de regulamentação da denominação (APÊNDICE A) e vinte e três leis que denominam bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa (APÊNDICE B).
Descreveremos a seguir os procedimentos de análise da legislação e sua relevância para atingir o objetivo proposto. Primeiramente, relataremos o tratamento feito sobre as leis que regulamentam as denominações de modo a identificar o papel do morador e do parlamentar nesse processo. Em seguida, apresentamos o modo de análise do papel reservado a esses grupos nas leis que denominaram os bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa.
Para as leis que regulamentam as denominações de bairro, focamos nossos trabalhos na análise descritiva categorial com base na análise de conteúdo (GUERRA, 2012). Uma vez que nosso objetivo nesse primeiro momento consiste em analisar o modo de acesso ao discurso das denominações dos bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa com base tanto na legislação que define o processo de denominação como na
7 Disponível em: http://216.59.16.201:8080/sapl/generico/norma_juridica_pesquisar_form?incluir=. Acesso em: 16 out. 2016.
legislação que denomina bairros com nomes próprios de pessoa, elegemos como categoria a função de agente reservada a dois grupos distintos nas ações dos processos de denominação. De um lado, abordamos o papel do parlamentar, que contempla, de modo geral, o grupo de políticos e de órgãos comandados por esse grupo. De outro lado, temos o papel do morador, grupo que identifica pessoas que moram no bairro e não possuem funções parlamentares.
Após a identificação dos papéis desempenhados pelos grupos dos parlamentares e dos moradores nas leis que regulamentam as denominações de bairros, buscamos verificar indícios da realização dessas funções nas leis que denominam bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa. Devido ao modo limitado do texto das leis, analisamos também a seção de justificativa das leis. Com isso, tivemos acesso a seção de justificativa de cinco leis que estavam disponíveis no sistema online.
Os resultados de nossos objetivos se encontram na seção seguinte, mas outras questões surgiram ao longo desta primeira etapa. Descreveremos as principais questões que delimitam os resultados obtidos e apontam para outras possibilidades metodológicas de abordar o mesmo tema.
Primeiramente, vale ressaltar que não encontramos quase um quinto das leis que denominam os bairros de Fortaleza com nomes próprios de pessoa. Desse modo, devemos ter em vista a possibilidade dos bairros cujas leis não foram encontradas apresentarem experiências diversas das investigadas neste capítulo uma vez que a denominação dos bairros segue origens descontínuas.
Em segundo lugar, retomando um tema mencionado anteriormente, abordamos o acesso ao discurso das denominações apenas por meio dos textos oficiais geridos pelo órgão responsável por denominar os espaços públicos. Esse recorte delimita os resultados obtidos, deixando em outro plano as narrativas compartilhadas pela população sobre as histórias dos bairros e suas denominações. De fato, as pesquisas iniciais feitas na internet apontaram origens não documentadas nos textos oficiais para as denominações de alguns bairros. Essas narrativas, no entanto, não comprometem a análise dos papéis sociais investigados nesta etapa. Portanto, ao invés de trazermos para a análise essas narrativas diferentes, decidimos abordá-las a partir da perspectiva do silenciamento, conceito utilizado em nossos resultados.
Finalmente, mas não menos importante, vale ressaltar que nossa pesquisa trata do grupo dos parlamentares e do grupo dos moradores como unidades. Por esse motivo, não analisamos as pessoas envolvidas nas denominações como indivíduos e suas
características singulares como gênero, cor ou posicionamento político, embora reconheçamos que algumas características mais pessoais dos indivíduos envolvidos na denominação se constituem influencias para a iniciativa da denominação.
A seção seguinte exporá os resultados das análises das leis que definem as denominações e as leis que denominam os bairros. Primeiramente analisaremos os papéis possíveis de serem desempenhados pelos participantes no ato da denominação como definido por leis municipais. Em seguida, vemos como os textos finais da lei que denominam os bairros retomam as questões dos agentes envolvidos nas denominações por meio de uma análise das leis e suas justificativas apresentadas. Por fim, defendemos que o acesso privilegiado do grupo dos parlamentares resulta em silenciamento no grupo menos favorecido dos moradores.