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Temel Politikalar ve Öncelikler

Belgede GAZİANTEP ÜNİVERSİTESİ (sayfa 36-59)

Se até o início do século XX não havia distinção no Brasil entre infância e adolescência, no final da 1ª Guerra, a infância já havia sido “judicializada” e a categoria “menor” era ampliada para se designar:

“a criança abandonada, desvalida, delinquente, viciosa, entre outras, foi naturalmente incorporado na linguagem, para além do círculo jurídico”. (RIZZINI, 2009b, p. 113).

Em 1924, Mello Matos foi nomeado o primeiro juiz de menores na América Latina, um dos responsáveis pela estruturação do modelo de assistência pública no Brasil. Neste mesmo ano, implementou-se o Conselho de Assistência e Proteção dos Menores, sendo que este decreto tinha intenção de abarcar todos os “problemas dos menores” (RIZZINI, 2009b, p. 130). Os Conselheiros eram pessoas ilustres e de instituições importantes.

Concomitante a estas discussões, estudos científicos e práticas médico- jurídicas articuladas no Brasil, também em 1924, foi anunciada a Declaração de Genebra (precursora da Declaração dos Direitos das Convenção dos Direitos das Crianças de 1989). Este documento internacional representou a divulgação dos princípios que viriam a se tornar Direitos das Crianças e Adolescentes. Já mencionava a condição peculiar das crianças enquanto “seres humanos em desenvolvimento” e, por consequência, o tratamento especial que deveria lhes ser dispensado.

Mas a primeira legislação exclusivamente voltada para os “menores” no Brasil foi o (1º) Código de Menores promulgado em 1927. Era razoavelmente longo, composto por com 231 artigos. Segundo Faleiros (2009, p. 47), o Código

tinha “filosofia higienista de proteção do meio e do indivíduo, como a visão jurídica repressiva e moralista.” Os adolescentes com idade entre 14 e 18 anos eram submetidos a juizado especial, podendo ser sentenciados com “liberdade vigiada”. As crianças e adolescentes pobres foram formalmente qualificadas como “menores” e classificadas em três categorias: abandonados e órfãos; moralmente abandonados: com famílias sem condições sociais ou morais; e os delinquentes: praticantes de crimes. As decisões continuavam sob o critério do juiz e dos diretores das instituições (o que vigora até hoje), sendo que “o jurista e o médico representavam as forças hegemônicas no controle da complexa questão social da infância abandonada”. (FALEIROS, 2009, p. 48).

É evidente que a legislação confirmou as contradições da época e deixou marcas ideológicas até os dias atuais. Apesar de ter em vista a proteção das crianças (por exemplo, impondo a prisão das mesmas em local separado dos adultos, ou ainda proibindo o trabalho a menores de 12 anos) esta proteção se dava através de práticas moralizadoras e violentas e dependia de como os juízes e suas equipes compreendiam cada caso. Detinham a competência de suspender o Pátrio Poder do pai ou da mãe que fossem considerados incapazes de cuidar e educar seus filhos; ou ainda de decidir qual o destino de adolescentes supostamente perigosos.

O art. 68 permitia interpretações diferentes pelos juristas e juízes. Ao mesmo tempo em que previa que menores de 14 anos delinquentes não deveriam ser submetidos a processo penal e poderiam ser reencaminhados às suas famílias, no parágrafo 2º conjecturava que:

§ 2º Si o menor fôr abandonado, pervertido ou estiver em

perigo de o ser, a autoridade competente proverá a sua

collocação em asylo casa de educação, escola de preservação ou confiará a pessoa idonea por todo o tempo necessario á sua educação comtando que não ultrapasse a idade de 21 annos (BRASIL, 1927)(grifos da pesquisadora).

Quer dizer, de qualquer modo poderiam ser afastados de suas famílias ou até mesmo sofrerem restrição de liberdade caso fossem considerados abandonados, pervertidos ou julgados subjetivamente como “em perigo de ser”.

Já o art. 69 previa que os menores entre 14 a 18 anos autores ou cúmplices de crimes ou contravenções deveriam ser submetidos a processo especial, tomando-se posse das inúmeras informações sobre a família (complexo tutelar). Aí entravam os “assistentes dos juízes”, especialistas, embasados na ciência, mas impregnados pelos valores e interesses da época. No § 3º deste mesmo artigo, é possível verificar a possibilidade de influência subjetiva nas decisões, ao formalizarem como condição para a restrição de liberdade o “potencial de se tornar criminoso”:

Si o menor fôr abandonado, pervertido, ou estiver em perigo

de o ser, a autoridade o internará em uma escola de reforma,

por todo o tempo necessario á sua educação, que poderá ser de tres annos, no minimo e de sete annos, no maximo (BRASIL, 1927).

Portanto, a definição de “menor delinquente” estava muito próxima e se confundia com a de “menor abandonado”. Em quaisquer destas situações, as crianças ou adolescentes pobres em situação de vulnerabilidade poderiam ser institucionalizados durante anos e fadados ao esquecimento, correndo o risco de nunca mais reverem sua família. Do mesmo modo, unicamente as famílias eram culpabilizadas. Isto ocorria quando não tinham condições materiais ou morais para manterem seus filhos ou quando estes cediam à criminalidade: poderiam ser penalizadas com multas ou até privadas de liberdade.

As reflexões de Silva (1998) expõem o quanto esta legislação estava imbuída de elementos contraditórios. Por um lado permitiu que fosse instaurada toda uma enorme lista de classificação que criminalizava: expostos, menores, abandonados, mendigos, libertinos, capoeiras, vadios, mendigos, menores delinquentes, pervertido ou em perigo de ser... E por outro era considerada avançada, posto que visava a proteção, se comparada a de outros países que legitimavam o castigo físico:

O Brasil sempre se deparou com esta condição: por um lado, adota posturas avançadas na legislação, acompanhando os principais avanços consagrados nos tratados e nas convenções internacionais, mas por outro, essa mesma legislação avançada serve para mascarar e camuflar uma prática arcaica e discriminatória (SILVA,

2.5 A infância pobre e doente como questão de defesa nacional – governo

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