• Sonuç bulunamadı

Fiziksel Yapı

Belgede GAZİANTEP ÜNİVERSİTESİ (sayfa 11-0)

C- İdareye İlişkin Bilgiler

1- Fiziksel Yapı

Desta forma, retornando ao tempo, constatou-se através dos estudos que sentimento de infância já estava presente entre os indígenas antes da chegada dos portugueses, e também na época da colonização, quando os jesuítas eram responsáveis pela catequização dos indígenas. Os religiosos acreditavam que deveriam salvar as almas dos habitantes do país, através da educação. Consideravam juntamente aos portugueses que seus educandos eram dóceis e manipuláveis, sendo tanto os adultos quanto as crianças tratadas como “crianças órfãs”. Segundo Arantes (2009) isto pode ser constatado através da Carta Régia de 1798 e da Regência de 1831.

É importante ressaltar que neste período inicial de colonização, não desembarcaram na costa brasileira mulheres europeias. Por conta disto, os

portugueses se envolviam com mulheres indígenas, muitas vezes através da violência9.

Os padres se preocupavam com a vergonha que isto lhes causava, e com a possibilidade de que estas formas de relacionamento (inversas aos valores cristãos) prevalecessem no território. Apressadamente em 1551 inauguraram a primeira “casa de recolhimento” de adolescentes (meninas e meninos). Nesta instituição, principalmente as jovens eram “douctrinadas e governadas” (ARANTES, 2009, p. 163), educadas para serem futuras esposas dos trabalhadores e para facilitar o processo de catequização dos indígenas.

A respeito destes relacionamentos que aos poucos constituíam o povo brasileiro, Silva (1998) assinala que havia todo um interesse financeiro que o viabilizava:

A desestruturação familiar, historicamente apontada como a principal causa do abandono de crianças, tem início, entre nós, coma exploração sexual da mulher indígena por parte do homem branco. A persistência de vários séculos de crescente desenvolvimento da agricultura, do comércio e da indústria com base na mão-de-obra escrava deu-se ao custo da desagregação familiar de centenas de tribos e milhares de famílias negras (SILVA, 1998, p. 48).

Nota-se a partir deste raciocínio como o país se desenvolveu tendo como pilares a violência de gênero, a desigualdade social, a exploração da mão-de-obra forçada e a manutenção de excedente de trabalhadores.

Não era à toa que alguns órfãos e degredados eram trazidos de Portugal. Os primeiros ficavam sob a supervisão dos jesuítas, e lhes teriam serventia no trabalho, já os degredados não tinham destino certo e não recebiam muita atenção. Mas a preocupação central dos religiosos, para Arantes (2009, p. 166) eram mesmo os mestiços, já que Padre Anchieta via nestes a “destruição ou a edificação” da terra, (apesar de que tal pensamento tivesse caráter quase que exclusivamente religioso).

9

Darcy Ribeiro em sua obra “O povo brasileiro” analisou que os primeiros brasileiros eram os mamelucos e mestiços, tidos por como “filhos de ninguém”, não eram reconhecidos pelos seus pais e tampouco se identificavam com a etnia materna (Arantes, 2009, p. 174).

Em outro extremo contrário à institucionalização (da vida) e dos povos indígenas e mestiços, colégios foram criados visando a formação de religiosos e instrução superior dos filhos das camadas privilegiadas da população. Isto se sucedeu até 1759, quando os jesuítas foram expulsos pelo Marques de Pombal. A partir daí, outras ordens se instalaram no Brasil para o acolhimento de órfãos, perdidos, desvalidos, vagabundos, entre tantos outros termos pelos quais se podia referir àquelas crianças e adolescentes indesejáveis.

Quanto as crianças negras, de um modo geral, distinguia-se o tratamento dispensado a estas e às indígenas. No entanto, em comum, ambas eram impedidas de crescerem e se desenvolverem ao modo de sua cultura e de suas famílias. É sabido que os costumes cristãos europeus eram considerados benéficos para salvaguardar suas almas e foram impostos no decorrer de séculos no Brasil.

Geralmente, as crianças negras eram o quanto antes forçadas ao trabalho, e tratadas das mais diversas formas, de acordo com a vontade de seu dono: Arantes (2009, p 173) refere que na maioria das vezes aos 07 anos já eram aprendizes, e aos 12 anos se constituíam força de trabalho escravo.

Algumas, ainda pequeninas, serviam como brinquedo dos filhos dos senhores, sendo doadas como presentes e consideradas animaizinhos de estimação. Sofriam maus tratos, humilhações e abuso sexual. Eram de propriedade dos senhores, denominadas assim como seus pais como “bens- móveis”. Antes da Lei do Ventre Livre quase não eram abandonadas, exatamente por servirem para o trabalho forçado. Ou ficavam salvaguardadas com a família expandida (demais negros escravos de uma fazenda), adotadas em sistema de compadrio.

Mas segundo Faleiros, E. (2009), foi no século XVII que o abandono de crianças se tornou realmente um incômodo. A carta do vice-rei a Dom João explicita claramente a situação de abandono que incomodava a sociedade da época:

Como a constituição do clima conduz muito para a liberdade, não faltam ociosos que se aproveitam dela, para continuarem

na repetição dos vícios; deles procede haver tal número de crianças expostas, que sem piedade as lançam nas ruas, e muitas vezes em partes, donde a voracidade dos animais as consome; para evitar este dano, que certamente ofende a religião católica, chamei o provedor da Misericórdia a minha presença, para persuadir que se erigisse uma Roda, que era o único meio por que se podia evitar tanta impiedade. E como na Misericórdia não havia legado, nem aplicação alguma para essa despesa, trouxe alguma dúvida por parte dos Irmãos. Porém, vencida ela por mais votos, se assentou, se fizesse aquela obra, recorrendo a V. Majestade, para que fosse servido concorrer com alguma esmola anual de sua fazenda e com rendimento de um açougue...” (MARCILIO, 1993, p. 153, apud FALEIROS, E., 2009, p. 207)

Assim, para sanar o problema das crianças abandonadas, em 1726 foi inaugurada a primeira Roda dos Expostos10 na cidade de Salvador, e posteriormente em outras cidades. Foram instaladas nas Santas Casas de Misericórdia11, onde as crianças “expostas” habitualmente ficavam sob a responsabilidade das freiras. Eram bebês frutos de relacionamentos “ilegítimos”, muitos deles filhos de escravas com senhores, principalmente após a implementação da Lei do Ventre Livre em 1871.

No entanto, com o tempo, foi havendo superlotação, e de forma muito precarizada (sem condições sociais ou de saúde) escravas eram alugadas para criarem e amamentarem as crianças expostas.

Em 1806 as casas de misericórdia foram regularizadas por todo Império e um montante de dinheiro era mobilizado para tal, pois a legislação previa que recursos deveriam ser destinados para as instituições responsáveis (SILVA, 1998, p.39).

10

Silva (1998, p.40) conta que na Europa, na alta idade média, os expostos tinham futuro certo como soldados, ou trabalhadores servis. Alguns se criavam nos mosteiros. Não haviam instituições voltadas para o cuidado ou educação das crianças. Tudo se dava dentro do pequeno mundo que representava o feudo.

Com a crescente urbanização e aumento da população, surgiu a necessidade de se organizarem entidades. As circunstâncias em que permaneciam os enjeitados agravaram-se, mas não havia quem se responsabilizasse oficialmente. Com o surgimento dos mercadores bem sucedidos, se perdeu a necessidade de acumulação de exército de reserva.

11 Também afirma que antes da Roda, mesmo havendo as casas de misericórdia, as crianças

eram abandonadas à mercê, nas ruas, vulneráveis a todas as espécies de perigos, inclusive algumas chegavam a ser devoradas por animais. Outras com um pouco mais de sorte eram deixadas na porta de casas de famílias, igrejas (Ibid., p.38).

Portanto, percebe-se que havia um sistema estruturado, em prol do lucro proporcionado com a institucionalização. Para se ter ideia, em 1817 a Casa dos Expostos já havia recolhido 45 mil crianças e o índice de mortalidade já havia chagado aos 90% (SILVA, 1998, p. 37).

Belgede GAZİANTEP ÜNİVERSİTESİ (sayfa 11-0)

Benzer Belgeler